quarta-feira, 30 de novembro de 2016

STF absolve padre católico da acusação de discriminação religiosa


O Supremo Tribunal Federal julgou nesta terça-feira 29 a ação penal movida pelo Ministério Público da Bahia contra o padre católico Jonas Abib, acusando-o de cometer o crime de discriminação religiosa, tomando como base o livro "Sim, sim, não, não - Reflexões de cura e libertação", de autoria do sacerdote, que, em defesa do Catolicismo, contém citações contrárias às práticas de Espiritismo, Umbanda, Candomblé e outros segmentos religiosos.

A decisão final do STF foi a de absolvição do padre. O relator do processo na suprema corte foi o Ministro Edson Fachin. Sobre o livro, ele declarou: "intolerante, pedante e prepotente", no entanto, aceitou o argumento da defesa de que ele se volta para a comunidade católica e que não "ataca pessoas, mas ideias", assim justificando seu voto de absolvição: "Ainda que, eventualmente, os dizeres possam sinalizar certa animosidade, não se explicita a mínima intenção de que os fiéis católicos procedam à escravização, exploração ou eliminação das pessoas adeptas ao espiritismo".

Desta feita, por 4 a 1, a acusação foi negada. Acompanharam Fachin os ministros Luís Roberto Barroso, Marco Aurélio Mello e Rosa Weber. O Ministro Luiz Fux foi o único a divergir, chamando a atenção para a necessidade de tolerância entre as religiões.

Em seu livro, Pe. Jonas Abib diz que, se no passado o demônio "se escondia por trás dos ídolos, hoje se esconde nos rituais e nas práticas do espiritismo, da umbanda, do candomblé e de outras formas de espiritismo". Além disso, diz que pais e mães-de-santo são "vítimas" e "instrumentalizados por Satanás". "A doutrina espírita é maligna, vem do maligno".

"O espiritismo é como uma epidemia e como tal deve ser combatido: é um foco de morte. O espiritismo precisa ser desterrado da nossa vida. Não é possível ser cristão e ser espírita. [...]. Limpe-se totalmente!", diz Abib noutra parte, que ainda recomenda aos católicos queimar e se desfazer de livros espíritas, bem como imagens de Iemanjá, apresentados como "maldição" para a pessoa e sua família.

A decisão do STF é absoluta e, portanto, encerra o processo.


Plenário do Supremo Tribunal Federal


O que diz a lei

O Ministério Público baiano, autor da ação criminal contra o Pe. Jonas Abib, baseou sua acusação no artigo 20 da Lei do Crime Racial, que assim reza:

LEI DO CRIME RACIAL


Lei nº 7.716 de 05 de Janeiro de 1989

Define os crimes resultantes de preconceito de raça ou de cor.
Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
§ 1º Fabricar, comercializar, distribuir ou veicular símbolos, emblemas, ornamentos, distintivos ou propaganda que utilizem a cruz suástica ou gamada, para fins de divulgação do nazismo. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput é cometido por intermédio dos meios de comunicação social ou publicação de qualquer natureza: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de dois a cinco anos e multa.(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
§ 3º No caso do parágrafo anterior, o juiz poderá determinar, ouvido o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial, sob pena de desobediência: (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
- o recolhimento imediato ou a busca e apreensão dos exemplares do material respectivo;(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
II - a cessação das respectivas transmissões radiofônicas ou televisivas.
(Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
II - a cessação das respectivas transmissões radiofônicas, televisivas, eletrônicas ou da publicação por qualquer meio; (Redação dada pela Lei nº 12.735, de 2012)
III - a interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na rede mundial de computadores. (Incluído pela Lei nº 12.288, de 2010)
§ 4º Na hipótese do § 2º, constitui efeito da condenação, após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido. (Incluído pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

A defesa do acusado valeu-se do Artigo 5° da Constituição Federal de 1988, que trata "Dos Direitos e Deveres Individuais e Coletivos", com ênfase nos incisos VI e VIII:

Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
VI - é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias;  
VIII - ninguém será privado de direitos por motivo de crença religiosa ou de convicção filosófica ou política, salvo se as invocar para eximir-se de obrigação legal a todos imposta e recusar-se a cumprir prestação alternativa, fixada em lei;


Analisando a decisão do STF

De fato, pela tal obra citada no processo, constata-se que o reverendo católico faz incitações contra o Espiritismo e contra outras crenças, como Umbanda e Candomblé. Tanto é que vários ministros do Supremo leram trechos do livro, acentuando sempre a "indelicadeza" do autor no trato com o pensamento alheio.

Realmente ficou configurado no livro do padre intolerância religiosa e inclusive certa violência moral, pela violação de consciência. Por outro lado, é válida a argumentação de que a lei constitucional assegura a liberdade de expressão religiosa e, no caso em questão, é legalmente justificável que o eclesiástico tenha feito uso desse direito para expressar a sua própria crença — o Catolicismo — e, com base na sua doutrina, combater "os inimigos de Deus e da salvação", pois que é dogma da igreja o "ardor missionário"; todo católico é convidado a pregar o Evangelho (segundo a interpretação da igreja) e combater o "mal". Como a doutrina católica considera que a mediunidade fora da igreja, que a prática espírita e que os cultos aos orixás são manifestações demoníacas e expressões do que eles julgam como anti-Cristo, logo, o Pe. Jonas Abib, membro do clero, não apenas se vê no direito de expressar-se contra essas "coisas do Diabo", como também se vê obrigado a fazê-lo, a fim de cumprir o seu vocacionado.

Portanto, como o acusado atacou as ideias religiosas e não diretamente a qualquer pessoa em particular, o processo passou a girar em torno de concepções doutrinárias, como se fosse possível julgar a doutrina católica — o que não seria plausível, pois toda religião tem o direito inviolável de constituir suas próprias crenças, não cabendo a ninguém, ainda menos o STF, apreciar a validade dessas crenças, enquanto elas não firam objetivamente à integridade do indivíduo. Em suma, o "crime" seria da igreja, não do padre.

O Catolicismo é uma crença legítima e espontânea, como qualquer outra religião. No âmbito religioso, seus fieis então podem se expressar livremente — como o fez o Pe. Jonas Abib. Seu livro não cerceia o direito das pessoas a buscarem outras crenças e, na prática, não causam qualquer prejuízo às demais correntes religiosas, uma vez que cada indivíduo tem a liberdade de escolher o que seguir no campo espiritual.


O que diria Kardec?

Em sua dura jornada na fundação e propagação do Espiritismo, Allan Kardec foi francamente atacado pela Igreja Católica e outros pensadores. A mediunidade, o Espiritualismo Moderno e mais ainda a Doutrina Espírita foram alvejados por zombarias e críticas ferrenhas. E não apenas no campo da discussão de conceitos doutrinários, mas efetivamente, como no caso do Auto de Fé de Barcelona (saiba mais aqui).


E qual foi a reação do codificador? Tolerância para com os intolerantes — mostrar a "outra face", no dizer do Cristo. Nada de "vitimismo"!

Além do mais, Kardec observou que quanto mais a Doutrina Espírita era atacada, difamada e zombada, tanto mais ela se expandia. As críticas dos adversários serviam exatamente contra os seus propósitos de seus ataques e se fizeram eficientes propagandas do Espiritismo.

"Certamente algumas pessoas esperam encontrar aqui uma resposta a certos ataques pouco respeitosos, dos quais a Sociedade, nós pessoalmente, e os partidários do Espiritismo, em geral, temos sido vítimas nos últimos tempos. (...) 
Quanto ao Espiritismo em geral, que é uma das forças da Natureza, a zombaria será destruída, como aconteceu contra muitas outras coisas que o tempo já consagrou. Essa utopia, essa maluquice, como o chamam certas pessoas, já deu a volta ao mundo e nenhuma diatribe impedirá sua marcha, do mesmo modo que outrora os anátemas não impediram a Terra de girar. (...)
Igualmente temos pouco a dizer quanto ao que nos toca pessoalmente; se aqueles que nos atacam — seja de maneira ostensiva, seja disfarçada —, imaginam que nos perturbam, perdem seu tempo; se pensam em nos barrar o caminho, enganam-se do mesmo modo, pois nada pedimos e apenas aspiramos a nos tornar úteis, no limite das forças que Deus nos concedeu. (...) 
Esperamos que nos prestem mais serviços do que prejuízos e nos façam economizar despesas com publicidade, porque não há um só de seus artigos — por mais espirituosos que sejam — que não tenha estimulado a venda de alguns de nossos livros ou não nos tenha proporcionado algumas assinaturas. Obrigado, pois, a eles pelo serviço que nos prestam involuntariamente. (...) 
O que queremos, antes de tudo, é o triunfo da verdade, venha de onde vier, pois não temos a pretensão de ver sozinho a luz; se disso deve resultar alguma glória, o campo a todos está aberto e estenderemos a mão a quantos nesta rude caminhada nos seguirem com lealdade, abnegação e sem segundas intenções particulares." 
Allan Kardec - Revista Espírita, Março de 1859: "Diatribes"

Em O Evangelho segundo o Espiritismo (acesse aqui em epub e pdf), Kardec reflete sobre as ações dos "inimigos do Espiritismo":

"De todas as liberdades, a mais inviolável é a de pensar, que abrange a de consciência. Alguém lançar maldição sobre os que não pensam como ele é reclamar para si essa liberdade e negá-la aos outros, é violar o primeiro mandamento de Jesus: a caridade e o amor do próximo. Perseguir os outros, por motivos de suas crenças, é atentar contra o mais sagrado direito que tem todo homem, o de crer no que lhe convém e de adorar a Deus como o entenda. Constrangê-los a atos exteriores semelhantes aos nossos é mostrarmos que damos mais valor à forma do que ao fundo, mais às aparências, do que à convicção. Nunca a abjuração forçada deu a quem quer que fosse a fé; apenas pode fazer hipócritas. É um abuso da força material, que não prova a verdade. A verdade é senhora de si: convence e não persegue, porque não precisa perseguir. 
O Espiritismo é uma opinião, uma crença; fosse até uma religião, por que se não teria a liberdade de se dizer espírita, como se tem a de se dizer católico, protestante, ou judeu, adepto de tal ou qual doutrina filosófica, de tal ou qual sistema econômico? Essa crença é falsa, ou é verdadeira. Se é falsa, cairá por si mesma, visto que o erro não pode prevalecer contra a verdade, quando se faz luz nas inteligências. Se é verdadeira, não haverá perseguição que a torne falsa. 
A perseguição é o batismo de toda ideia nova, grande e justa e cresce com a magnitude e a importância da ideia. A ira e a severidade dos seus inimigos são proporcionais ao temor que ela lhes inspira. Tal a razão por que o Cristianismo foi perseguido noutros tempos e por que o Espiritismo assim é hoje, mas com a diferença de que aquele o foi pelos pagãos, enquanto o segundo o é por cristãos. Passou o tempo das perseguições sangrentas, é exato; contudo, se já não matam o corpo, torturam a alma, atacam-na até nos seus mais íntimos sentimentos, nas suas mais caras afeições. Lança-se a desunião nas famílias, excita-se a mãe contra a filha, a mulher contra o marido; investe-se mesmo contra o corpo, agravando-se neles as necessidades materiais, tirando-se dele o ganha-pão, para reduzir pela fome o crente. 
Espíritas, não se aflijam com os golpes que lhes desfiram, pois eles provam que vocês estão com a verdade. Se assim não fosse, lhes deixariam tranquilos e não procurariam lhes ferir. É uma prova para a fé de vocês, pois é pela sua coragem, pela sua resignação e pela sua paciência que Deus lhes reconhecerá entre os Seus servidores fiéis, a cuja contagem Ele hoje procede, para dar a cada um a parte que lhe toca, segundo suas obras. 
A exemplo dos primeiros cristãos, carreguem a sua cruz com coragem. Creiam na palavra do Cristo, que disse 'Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, que deles é o reino dos céus. Não temam os que matam o corpo, mas que não podem matar a alma'. Ele também disse 'Amem os inimigos, façam bem aos que lhes fazem mal e orem pelos que lhes perseguem'. Mostrem que são seus verdadeiros discípulos e que a sua doutrina é boa, fazendo o que Ele disse e fez. A perseguição pouco durará. Aguardem com paciência o romper da aurora, pois que já rutila no horizonte a estrela d’alva." 
Allan Kardec - O Evangelho segundo o Espiritismo: Cap. XXVIII, item 51.

nos convida a orarmos por eles:
"Senhor, Tu nos disseste pela boca de Jesus, o Teu Messias: 'Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça; perdoem aos seus inimigos; orem pelos que lhes persigam'. E ele próprio nos deu o exemplo, orando pelos seus malfeitores.Seguindo esse exemplo, meu Deus, imploramos a Tua misericórdia para os que desprezam os Teus santíssimos preceitos, únicos capazes de promover a paz neste mundo e no outro. Como o Cristo, também nós te dizemos: 'Perdoe-lhes, Pai, que eles não sabem o que fazem'.Dá-nos forças para suportar com paciência e resignação, como provas para a nossa fé e a nossa humildade, seus escárnios, injúrias, calúnias e perseguições; isenta-nos de toda ideia de represálias, visto que para todos soará a hora da Tua justiça, hora que esperamos submissos à Tua santa vontade." 
Allan Kardec - O Evangelho segundo o Espiritismo: Cap. XXVIII, item 51.


Tivesse sido diferente a decisão do STF, muito provavelmente estariam hoje o Pe. Abib e os seus confrades católicos "vitimizando-se". A prisão do ex-acusado — conforme prevê a pena aos condenados por discriminação religiosa   tornaria o autor daquele livro um verdadeiro mártir católico e seus correligionários bem poderiam lançar sobre o Espiritismo e demais crenças a alcunha de algozes de mais um "santo da igreja".


Acreditamos firmemente que dentre os leitores da tal obra do Pe. Abib muitos acabaram interessando-se pelo estudo do Espiritismo — ainda que para contestá-lo — e, com isso, iniciaram o inevitável curso da iluminação espiritual, familiarizando-se com os primeiros conceitos da nossa doutrina.

Siga a igreja propagando os feitos do Diabo; sigamos nós, espíritas, propagando nossos conceitos de Sabedoria a Caridade.

Fontes:



terça-feira, 29 de novembro de 2016

A tragédia da Chapecoense e as mortes coletivas


A queda do avião que transportava a delegação da Associação Chapecoense de Futebol, ocorrida nesta terça-feira 29, na Colômbia, naturalmente, causou grande comoção no Brasil e no mundo. O time de Chapecó, Santa Catarina, fundado em 1973, vivia o melhor momento de sua História, com boa colocação na atual edição do Campeonato Brasileiro e finalista da Copa Sul-americana, contra o Atlético Nacional da Colômbia. E foi justamente na viagem de ida para a primeira partida decisiva desta copa que se deu a tragédia.


A Chapecoense vinha angariando a simpatia geral dos críticos e demais futebolistas nacionais, especialmente em função de sua estrutura administrativa, construída com o lema de simplicidade e lisura. Entre os torcedores comuns, era uma espécie de time B — fenômeno comum que ocorre em prol dos ditos "times pequenos", que ascendem nas disputas maiores, pois, de certa forma, esses times representam a humildade — espécie de Davi contra os Golias.

Delegação da Chapecoense antes do voo fatal

Não apenas em razão do apelo que surge pelo lado institucional (o clube de futebol), vê-se o acontecimento como uma verdadeira tragédia, principalmente quando observamos que a fatalidade envolve jovens, promissores não apenas na sua carreira profissional, mas também na vida social e familiar, pelo que, não podemos mensurar a dor resultante naqueles que ficaram órfãos das vítimas dessa tragédia. Lembrando também que, além da delegação da Chapecoense, há outras vitimas, como a própria tripulação da aeronave, além de profissionais da imprensa esportiva, que faziam a cobertura da final da Copa Sul-Americana.

Manifestação solidária do "adversário" Atlético Nacional



O Espiritismo e as mortes coletivas

Em ocasiões como a dessa tragédia da Chapecoense, é recorrente que espíritas, simpatizantes e até quem não alimente muita fé na espiritualidade busquem respostas para se compreender a lógica de um desastre como esse. Isso porque também é natural que surjam especulações e teorias diversas.

Pelo lado mais sentimental, é corriqueiro que se interrogue "como Deus pode permitir que pessoas jovens, boas, honestas, trabalhadoras e tão cheias de vida e de projetos possam sofrer tal fatalidade?". E o drama se agiganta quando se considera a dor dos que ficaram — mães, pais, irmãos, esposas e filhos ficam — a chorar a morte daqueles. E podemos ir um pouco mais além: muitas pessoas acrescentam àquela indagação: "Por que estes, e não outros, criminosos e vagabundos?".

Realmente a morte prematura é uma fatalidade; a morte de uma coletividade de jovens atletas — sendo a média da nossa expectativa de vida atual é de 70 anos — causa espanto. Bem, a partir daí, pensamos que a questão deve ser tratada com delicadeza e profundidade. De fato, sabemos que nada ocorre por acaso, mas segue sempre uma ordem de coisas onde podemos ver invariavelmente a lei de causa e efeito, das consequências de atos e responsabilidades dos envolvidos. Contudo, seria uma atitude prematura e irresponsável julgar um acontecimento por teorias estreitas. Deus é justo, sábio e bom, e, portanto, ninguém pode dizer-se injustiçado pelos fatos; para explicar uma fatalidade — tão terrível, segundo a visão terrena — precisamos ponderar então sobre três possibilidades básicas: expiação, prova e missão.

A retirada de uma vida na flor da idade pode sim ser uma expiação, com fins educativos, para que os envolvidos se voltem para o valor da vida — especialmente a vida espiritual — que eles porventura tenham negligenciado (por exemplo, com suicídio, aborto, assassinato etc.). A providência dessa morte pode também ter sido acionada por um planejamento reencarnatório visando submeter os envolvidos a uma prova de resistência aos desdobramentos da tragédia. Noutra situação, Espíritos nobres podem se inscrever como missionários dentro de um plano maior, para que possam "doar a vida" em benefício de uma causa qualquer. Sabe-se, por exemplo, de Espíritos mais elevados que reencarnam previamente sabendo de sua breve estadia na Terra e cuja morte suscite benefícios aos seus próximos. Não é fato que tantos pais somente passaram a considerar os valores espirituais após a perda de um filho querido? Não é tão comum se vê "verdadeiros heróis" se doarem por uma campanha maior do que sua mera existência? Não seria justo pensarmos que personalidades como Tiradentes, Gandhi e Martin Luther King tenham se entregado em uma missão?

No entanto, não há como crer que todo sofrimento suportado neste mundo signifique a existência de uma determinada falta. Muitas vezes são simples provas buscadas pelo Espírito para concluir a sua purificação e ativar o seu progresso. Assim, a expiação serve sempre de prova, mas nem sempre a prova é uma expiação. Porém, provas e expiações são sempre sinais de relativa inferioridade, porque o que é perfeito não precisa ser provado. Pois, um Espírito pode ter chegado a certo grau de elevação e, apesar disso, desejoso de adiantar-se mais, solicitar uma missão, uma tarefa a executar, pela qual tanto mais será recompensado se sair vitorioso, quanto mais rude tenha sido a luta.
Allan Kardec - O Evangelho segundo o Espiritismo,  Cap. V, item 9


Logo, embora o mais ordinário seja considerarmos que as vítimas estejam "pagando seus erros", o mais apropriado é dispensarmos julgamentos. Do contrário, teríamos que colocar nessa conta a crucificação de Jesus Cristo.

A prudência nos recomenda um análise para cada caso.


Desdobramentos dos flagelos coletivos

Em O Livro dos Espíritos, Allan Kardec se debruça sobre os flagelos coletivos e os Espíritos amigos da Codificação Espírita acentuam a providência divina em tais casos, tendo em vista a evolução individual de cada envolvido e o progresso comum da sociedade. Assim diz a resposta à questão 740: “Os flagelos são provas que dão ao homem ocasião de exercitar a sua inteligência, de demonstrar sua paciência e resignação ante a vontade de Deus e que lhe oferecem ensejo de manifestar seus sentimentos de desprendimento, de desinteresse e de amor ao próximo — se não for dominado pelo egoísmo.”

Ao invés de despender energias com revoltas ou especulações inférteis sobre os flagelos já ocorridos, cabe aos homens tirar o melhor proveito deles. Assim é que muitos crimes ensejaram reflexões e alterações das leis, visando a prevenção de novas incidências; que muitos acidentes geológicos deram azo a novas reestruturações arquitetônicas; que pessoas, famílias e povos se solidarizem diante de grandes flagelos.


No caso do acidente com o time da Chapecoense, é emocionante ver a reação solidária imediata, vinda de todas as partes do mundo. O Atlético Nacional — adversário do time catarinense na final da Copa Sul-Americana — emitiu uma nota solicitando à Confederação que organiza a competição que declare campeão a Chapecoense. Além disso, convocou a sua torcida a comparecer ao estádio onde seria realizada a partida, na Colômbia, para prestarem uma homenagem às vitimas. Por aqui, clubes paulistas iniciaram uma campanha para que a CBF (Confederação Brasileira de Futebol) isente o time de Chapecó de qualquer punição de rebaixamento do clube pelas próximas três edições do Campeonato Brasileiro, e, mais, mostraram disposição em emprestar — gratuitamente — atletas para a recomposição do "Chape". Nas redes sociais, torcedores de todos os clubes — muitos dos quais tão habituados a ofensas às outras torcidas — mostram consideração pelo time da Chapecoense. No twitter, a hashtag "ForçaChape" tomou a dianteira, mostrando sinceros sentimentos de apoio.

Mensagem do craque do Messi

Uma tragédia coletiva igualmente de grande repercussão nacional, que teve certa especulação da mídia junto ao médium espírita Chico Xavier, foi a do incêndio do Edifício Joelma, no centro de São Paulo, ocorrida em 1 de fevereiro 1974 (veja mais aqui). O ocorrido rendeu até um filme: "Joelma 23° Andar", baseado no livro "Somos Seis", psicografado por Chico Xavier, no qual dois Espíritos, dentre as vítimas daquele incêndio, revelaram estar resgatando débitos de incursões nos tempos das Cruzadas.



Mais recentemente, discorremos sobre a tragédia da boate Kiss, em Santa Maria, Rio Grande do Sul (veja a matéria clicando aqui).


Boate Kiss, palco da tragédia de Santa Maria-RS

Em suma, essa matéria é complexa e demanda muitas análises. Como não pretendemos encerrar a questão, mas apenas contribuir com ela, convidamos todos os espíritas e simpatizantes a pesquisarem-na mais a fundo.

Não deixe de compartilhar sua opinião.

Força, Chapecoense!


Convidamos a todos os confrades a entrar em oração em favor de todos os envolvidos na tragédia da Chapecoense.

Muita Luz para todos!

Videopalestra "A Caridade essencial" com Haroldo Dutra Dias


Nesta segunda, anunciamos aqui que a Enciclopédia Espírita Online ganhava mais um verbete: "Caridade" (veja aqui). A propósito dessa temática, hoje compartilhamos o vídeo de uma palestra muito frutífera para nossa reflexão: "A Caridade essencial", com Haroldo Dutra Dias, proferida em Itumbiara, Goiás, em 3 de junho deste 2016.


E não deixe de conferir o verbete "Caridade" na Enciclopédia Espírita Online.




segunda-feira, 28 de novembro de 2016

"Caridade" - novo item incluído na Enciclopédia Espírita Online


A Enciclopédia Espírita Online acaba de ganhar mais um verbete: "Caridade".

A palavra caridade recebeu certas concepções que se distinguem do significado original e, por isso, precisa ser bem definida doutrinalmente para que possamos compreender bem por que tanto ela é recorrente no meio espírita.

Então, agora temos uma profunda análise doutrinária a respeito desta que consideramos a mais sublime das virtudes morais.

Portanto, acesse agora mesmo o verbete Caridade, disposto na nossa enciclopédia e confira a sua interpretação conforme o Espiritismo.

sábado, 26 de novembro de 2016

Edgar Cayce: "O Profeta da América" - Documentário


A Equipe Luz Espírita compartilha com os confrades e simpatizantes do Espiritismo este ótimo documentário, produzido pelo canal Biography, sobre uma das personalidades mais fascinantes da História dos Estados Unidos no século XX, cuja biografia repercutiu em todo o Mundo: o médium clarividente Edgar Cayce (1877-1945).

Além de "O Profeta da América", Cayce também era conhecido como "O Profeta Adormecido", dado uma de suas aptidões mais extraordinárias: absorver o conteúdo de livros literalmente dormindo sobre eles. Quando se dispunha a tal ato, ele debruçava-se sobre a obra e bastava pouco tempo para adormecer profundamente. De volta do transe, era capaz de resumir o texto e até de citar com precisão longos trechos da obra.

Edgar Cayce
A fama de Cayce tomou a América por suas previsões (por exemplo, o início e o fim das duas grandes guerras mundiais, a grande depressão econômica de 1929 a 1934, o surgimento do Nazismo alemão, o fim do comunismo russo e a elevação da China como grande potência econômica mundial), leituras de vidas passadas e precisos diagnósticos de enfermidades que, à época, eram inalcançáveis pelos aparatos médicos em voga.

Contudo, além de suas excepcionais faculdades mediúnicas, Edgar Cayce era reputado de uma bonomia, humildade e espírito de caridade. Espiritualista, propagou a sobrevivência da alma pós-morte, a reencarnação e os princípios espirituais de sabedoria e caridade.

Por tudo isso, este documentário, produzido pelo Biography Channel, EUA, é uma ótima oportunidade para conhecermos mais esse grande missionário da espiritualidade, que veio à Terra para disseminar os valores do alto.

Assista-o pela janela abaixo.


E ajuda a compartilhar esse post.

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

O Espiritismo se mete em Política? - Série "Espiritismo sem misticismo"


Mais um vídeo da série Espiritismo sem Misticismo, desta vez com o tema muito pertinente: "Espiritismo se mete em Política?".

Ery Lopes, um dos membros da Fraternidade Luz Espírita desenvolve sua crônica, fortalecida, no final do vídeo, por um depoimento bastante interessante de uma das mais respeitadas personalidades espiritas: Chico Xavier.

Assista ao vídeo pela janela abaixo e reflita:


Dê sua opinião e compartilhe este vídeo para ampliar o debate a respeito do tema tratado!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Enciclopédia Espírita Online - novo verbete: "Fora da Caridade não há salvação"


A Enciclopédia Espírita Online ganhou mais um verbete nesta quarta-feira: "Fora da Caridade não há salvação".

Veja a seguir o primeiro parágrafo do verbete:
"Fora da Caridade não há salvação" é uma expressão recorrente no meio espírita, frequentemente usada como lema ou slogan do Espiritismo. É o título do capítulo XV de O Evangelho segundo o Espiritismo, onde também se acha uma comunicação espiritual assim intitulada, datada de 1860 e assinada pelo Apóstolo Paulo, que a justifica dizendo: "Nada traduz com mais exatidão o pensamento de Jesus, nada resume tão bem os deveres do homem, como essa máxima de ordem divina.".
Clique aqui para acessar a íntegra desse verbete.

terça-feira, 22 de novembro de 2016

sábado, 19 de novembro de 2016

Novidade na Sala de Leitura: "ONDE ESTÁS, Ó MORTE?" de Cornélio Pires


Nossa Sala de Leitura acaba de ser enriquecida com mais uma preciosidade da literatura espírita: "Onde Estás, ó Morte?", de Cornélio Pires (clique aqui e baixe agora mesmo em PDF), cujo subtítulo é Fotografia de Espíritos, justamente pelo fato de essa obra trazer um grande acervo de imagens com registros fotográficos de fenômenos de efeitos físicos, especialmente de materialização de Espíritos.

São dezenas de fotografias de ectoplasmia, além de pequenos textos com notas e notícias acerca de manifestações e outros assuntos de interesse ao Espiritismo

Para que ainda não conhece o autor, Cornélio Pires, tio do grande filósofo espírita José Herculano Pires (saiba mais aqui), além de sua notável contribuição à divulgação do Espiritismo, foi um bem sucedido jornalista, escritor e um dos conceituados ativistas da cultura nacional brasileira, chamado de "Folclorista", em função de seus vários projetos de promoção do nosso folclore e cultura, inclusive, foi o pioneiro na divulgação em massa da música caipira, a raiz da música sertaneja.

Veja a seguir a sinopse do novo livro de nossa biblioteca virtual:

Coletânea de pequenos textos acerca de fatos envolvendo manifestações mediúnicas, especialmente sobre fenômenos de materialização de Espíritos, além de outras notas e notícias de interesse do Espiritismo.
E mais: este livro é ricamente ilustrado, componde-se assim de um verdadeiro álbum de registros fotográficos de fenômenos de efeitos físicos. São dezenas de fotografias de Espíritos materializados.


Adiante, algumas das incríveis fotografias contidas nesta importante obra da literatura espírita:





Clique aqui e baixe agora mesmo "Onde Estás, ó Morte?" e outros livros de interesse ao estudo espírita.


quinta-feira, 17 de novembro de 2016

José Herculano Pires na Enciclopédia Espírita Online


A Enciclopédia Espírita Online está mais rica! A Equipe Luz Espírita acabou de incluir o verbete José Herculano Pires, contendo justamente a biografia desta grande personalidade espírita, chamado de "Apóstolo de Kardec", de inestimável contribuição para o Espiritismo.


José Herculano Pires (Avaré, SP, 25 de setembro de 1914 - São Paulo, SP, 9 de março de 1979) foi um jornalista, filósofo, educador, escritor, tradutor e um dos mais memoráveis estudiosos e ativistas do Espiritismo de seu tempo. Foi autor de diversos livros de teor doutrinário espírita e de traduções de obras de Allan Kardec. Por seu discernimento e fidelidade às ideias kardecistas, foi definido pelo Espírito Emmanuel (o mentor espiritual de Chico Xavier) como "o melhor metro que já mediu Kardec". Em seus escritos, um dos enfoques mais salientes é o de crítica ao Movimento Espírita, com relação aos desvios doutrinários...

Acesse agora mesmo a Enciclopédia Espírita Online e confira na íntegra esse e outros verbetes de interesse ao estudo e pesquisa espírita.


Aproveite também para consultar na nossa Sala de Leitura as obras de José Herculano Pires e outros autores espíritas.

terça-feira, 15 de novembro de 2016

A espetacular mediunidade de Linda Gazzera


A Enciclopédia Espírita Online acaba de incluir o verbete Linda Gazzera, contendo justamente informações biográficas desta jovem italiana que no começo da século passado se notabilizou pela produção de espetaculares fenômenos mediúnicos, dentre os quais, eram destaques os de materialização de Espíritos.


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Apenas para contextualizar, Linda Gazzera viveu em meio a uma geração de médiuns de efeitos físicos, incluindo sua conterrânea Eusápia Palladino — época das pesquisas acerca do Espiritualismo Moderno. A Sra. Gazzera chegou a experimentar manifestações das Mesas Girantes, que foi o tipo inicialmente mais popular, mas a jovem passou logo para a fase de produções mais sofisticadas, dadas as suas capacidades, tanto que foi uma das "cobaias" de grandes pesquisadores como o Dr. Enrico Imoda e o Prêmio Nobel Charles Richet. Era um tempo de intenso debate entre materialistas e aqueles que se sentiam tocados pela espiritualidade. Os fenômenos espirituais como a materialização de Espíritos produzidos por médiuns como Linda Gazzera foram fundamentais para acirrar o resgate da crença espiritualista pois que se tratavam de produções muito extraordinárias. Era preciso que os próprios Espíritos se manifestassem — até de certo ponto de forma escandalosa — para ferir os sentidos e os orgulhos dos materialistas, denunciando assim a existência do plano espiritual e a sobrevivência da alma. Só após esse "testemunho material' é que as ideias filosóficas dos Espíritos poderiam levar a efeito os planos de transformações morais — cuja síntese maior se encontra nos conceitos fundamentais do Espiritismo codificado por Allan Kardec.


Até hoje, os relatórios de pesquisadores como os de Sir William Crookes, Charles Richet e Alexandre Aksakof sobre os estudos com médiuns como Linda Gazzera são bastante recorridos para pesquisas acerca da espiritualidade. Desta maneira, consideramos que estes médiuns vieram cumprir uma importante missão para o desenvolvimento espiritual de nossa Humanidade.


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segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Falsa mensagem atribuída a Divaldo Franco

Conforme uma nota publicada no circular "Notícias do Movimento Espírita" desta terça, 15 de novembro, postada no Blog do Ismael (clique aqui para acessar), de responsabilidade do nosso confrade Ismael Gobbo, fica desmentida a autoria de Divaldo Franco de uma mensagem a ele atribuída, que está circulando nas redes sociais e sendo replicada em diversos sites e blogs, sob o título: "Atenção, Povo Brasileiro".

Nós da Equipe Luz Espírita já havíamos recebido uma cópia dessa mensagem várias vezes, por diversas fontes, e, analisando já nas primeiras linhas, pudemos verificar, tanto pelo estilo literário quanto pelo teor da mensagem, que dificilmente seria de autoria daquele respeitado médium.


O teor em si não é tão comprometedor, embora claramente apele para o emocional e seja desprovido de substância racional que explique a contento o grande temor (quase terror) que deixa implícito. Porém, a gravidade que notamos na circulação desta mensagem é a passividade de quem a recebe e inadvertidamente a reproduz nos seus canais via internet. Cremos mesmo que muitos dos que a compartilharam, sequer a leram, ou, ao menos, leram com atenção, o suficiente para ponderar sobre "o perigo ao qual a nação corre".

Pensamos mesmo que aqueles que compartilharam a tal mensagem o fizeram no bom intuito de contribuir na "divulgação da obra espírita". Todavia, devemos sempre ponderar sobre a qualidade do que divulgamos, justamente para que nossas ações sejam uma contribuição válida para a Doutrina Espírita, ou, no mínimo, não a deturpe. E assim dizemos recordando Allan Kardec ao se endereçar àqueles que mais prejudicialmente atentam — ainda que com boas intenções — contra o Espiritismo: "os espíritas exaltados":

Espíritas exaltados: A espécie humana seria perfeita se sempre tomasse o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. Em Espiritismo, inspira confiança bastante cega e frequentemente infantil em relação ao mundo invisível, e leva a aceitar-se com extrema facilidade e sem verificação aquilo cujo absurdo ou impossibilidade, a reflexão e o exame demonstrariam. Porém, o entusiasmo não reflete, deslumbra. Esta espécie de adeptos é mais prejudicial do que útil à causa do Espiritismo. São os menos aptos para convencer a quem quer que seja, porque — e com razão — todos desconfiam dos julgamentos deles. Assim, por causa de sua crença fácil, são iludidos por Espíritos mistificadores, como por homens que procuram explorar a sua fé. Haveria apenas meio-mal se só eles tivessem que sofrer as consequências. O pior é que, sem o quererem, dão armas aos incrédulos, que antes buscam ocasião de zombar do que se convencerem e que não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Sem dúvida que isto não é justo, nem racional; mas, como se sabe, os adversários do Espiritismo só consideram de bom quilate a razão de que desfrutam, e conhecer a fundo aquilo sobre o que pensam é o que menos cuidado lhes dá.
O Livro dos Médiuns, Allan Kardec - 1ª Parte, cap. III: "Do método", item 28.

Também não estamos aqui descaracterizando a veracidade da mensagem. Ou seja, não presumimos que o teor seja falso e que o Brasil esteja "garantido" e não sofra com investidas das trevas. O que contestamos aqui é, portanto, a falsa autoria atribuída — e poderia ter sido falsamente atribuída a qualquer Espírito, médium ou escritor comum.

Eis, pois, uma boa ocasião para refletirmos sobre a nossa responsabilidade nas atividades sociais, especialmente diante das manifestações sociais mais abrangentes, como no caso da internet. A propósito, reproduzimos aqui o capítulo 13 do livro Conduta Espírita, ditada pelo Espírito André Luiz, pela psicografia de Waldo Vieira (disponível na nossa Sala de Leitura):


Na propaganda

Escudar-se na humildade constante, ao desenvolver qualquer atividade de propaganda doutrinária, evitando alarde, sensacionalismo, demonstrações publicitárias pretensiosas ou métodos de ação suscetíveis de perturbar a tranquilidade pública.

Sem orientação segura, não há propaganda produtiva.

Com critério e temperança, estender a propaganda libertadora dos postulados espíritas até ao recesso das penitenciárias e das colônias de isolamento sanitário, sem depreciar crenças ou sentimentos.

Os mais doentes requerem maior ajuda.

Incentivar o intercâmbio fraterno entre as pessoas e as organizações doutrinárias, através de cartas e publicações, livros e mensagens, visitas e certames especializados, buscando a unificação das tarefas e o esclarecimento comum.

A permuta de experiências equilibra o progresso geral.

Pelo rádio ou pela imprensa leiga, não se estender demasiadamente, a fim de não afastar o aprendiz incipiente.

A Doutrina deve ser ministrada em pequenas porções

Para não se desviar das finalidades espíritas, selecionar, com ponderação e bom senso, os meios usados na propaganda, mormente aqueles que se relacionem com atividades comerciais ou mundanas.

Torna-se inútil a elevação dos objetivos, sempre que haja rebaixamento moral nos meios.

Usar com prudência ou substituir toda expressão verbal que indique costumes, práticas, ideias políticas, sociais ou religiosas, contrárias ao pensamento espírita, quais sejam sorte, acaso, sobrenatural, milagre e outras, preferindo-se, em qualquer circunstância, o uso da terminologia doutrinária pura.

Uma palavra inadequada pode macular a bandeira mais nobre. Arredar de si qualquer ansiedade, no tocante à modificação rápida do ponto de vista dos companheiros.

A fé significa um prêmio da experiência.

Conquanto precisemos batalhar incansavelmente no esclarecimento geral, usando processos justos e honestos, não esquecer que a propaganda principal é sempre aquela desenvolvida pelos próprios atos da criatura, através da exemplificação eloquente de nossa reforma íntima, nos padrões do Evangelho.

A Doutrina Espírita prescinde do proselitismo de ocasião.

Para finalizar, pedimos a gentileza de ponderar sobre este artigo e, se o julgar adequado, favor, compartilhar.