quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Programa Evangelho no Lar Online em horário de verão


Nesta quinta-feira, 19 de outubro, teremos, com a graça de Deus, mais uma edição do nosso Programa Evangelho no Lar Online, com transmissão ao vivo pelo Canal Luz Espírita no YouTube, também acessível pela página inicial do Portal Luz Espírita.

Mas ATENÇÃO para o horário de verão. A transmissão começa às 20h, hora oficial de Brasília.

Informações complementares na página oficial do programa.

Participe conosco e divulgue o programa!

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

1 milhão de acessos ao blog da Luz Espírita


O nosso blog Espiritismo em Movimento, editado pela Equipe Luz Espírita, acaba de alcançar a marca de 1 milhão de acessos, pela contagem automática do sistema de estatísticas do servidor Blogger, nosso hospedeiro.

1 milhão de acessos é uma marca e tanto, dada uma imensidão infinita de coisas que a internet oferece — de bom e de ruim. E se nós atingimos essa audiência toda, devemos aos nossos confrades e amigos que acompanham nosso trabalho.

Detalhe do contador automático de acessos

O blog Espiritismo em Movimento foi lançado em 28 de outubro de 2009, portanto, este mês estamos completando o 8° aniversário de seu lançamento. Clique aqui para ver nossa primeira postagem.

Através desse blog, temos posto em prática nosso propósito de levar ao nosso público notícias e novidades em geral do Movimento Espírita, além de artigos e ensaios diversos acerca de fatos e temas do nosso cotidiano de acordo com interpretações espíritas.

Interessante então recordarmos as postagens de maior audiência e repercussão que, conforme o próprio controle automático do Google, tem no topo desse ranking o post "Revelações de Chico Xavier sobre Transição Planetária"de 1 de junho de 2011, que nos remete aos tempos de expectativa no entorno das especulações sobre a lenda do fim do ano supostamente previsto pelo calendário maia para 25 de dezembro de 2012.

A segunda postagem de maior repercussão foi a matéria especial "A tragédia da Chapecoense e as mortes coletivas", de 29 de novembro de 2016, a respeito de uma reflexão envolvendo o comovente acidente aéreo que vitimou quase todo o time da Chapecoense (Associação Chapecoense de Futebol) e a teoria dos flagelos coletivos, comumente especulados como planejamentos espirituais por expiação e provas dos envolvidos.


Logo a seguir temos a divulgação da extraordinária exposição da Dra. Anete Guimarães sobre "Neuroplasticidade autodirigida", que publicamos em 3 de janeiro de 2012.


Recentemente uma postagem nossa tem obtido grande audiência: "Sala de Leitura: lançamento de "MUITA LUZ (BEAUCOUP DE LUMIÈRE)" de Berthe Fropo", que postamos no dia 5 deste mês de outubro, aliás, fazendo jus à importância da obra lançada, que é de fato uma obra histórica para o Movimento Espírita.


E seria muito interessante que nossos espectadores se inscrevessem para seguir nosso Blog e assim receber em  primeira mão — cada nova postagem que nosso Equipe publicar. Para tanto, basta estar logado em uma conta do Google e clicar no botão Seguir na coluna à direita da tela (veja imagem a seguir).


Se você estiver acessando pelo seu smartphone e essa coluna não aparecer, vá até o final da página e clique na opção "Visualizar versão para Web" (ver imagem adiante) para exibir a página completa e, então, o box com a lista de seguidores o botão Seguir.

Mais uma vez agradecemos a sua confiança em nosso trabalho, a audiência e, especialmente, a generosidade daqueles que também compartilham nossas postagens, contribuindo assim para a divulgação da nossa amada Doutrina Espírita.

E vamos ao segundo milhão de acessos!

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Videopalestra espírita com Divaldo Franco sobre "Imortalidade e a vida do outro lado"


Compartilhamos com todos o vídeo com o seminário "Imortalidade e a vida do outro lado" proferido pelo célebre médium Divaldo Pereira Franco, no encerramento da 64ª Semana Espírita de Vitória da Conquista, Bahia, gravado no segundo domingo do mês passado (10 de setembro).

Nessa exposição, Divaldo Franco conta diversas experiências de sua longa trajetória como divulgador espírita frente a questões da sua vida pessoal que nos ensejam reflexões profundas sobre graves problemas comuns a toda a Humanidade à luz dos ensinamentos do Espiritismo, inclusive, comparando essas problemáticas com comportamentos e práticas do movimento espírita atual, chamando a atenção, por exemplo, da apelação que se tem feito, com muita frequência, no entorno das tais "sessões de curas", em menção direta a promessas de recondicionamento físico com suposta intervenção de Espíritos superiores, em detrimento da "verdadeira cura", que é recondicionamento consciencial do indivíduo em face de seus compromissos espirituais. Também critica o assistencialismo social que muitas casas espíritas promovem sem a preocupação do "pão espiritual", a libertação do Espírito.

Sem dúvida, um importante alerta para que se repense como nós espíritas temos tratado a Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec.

Eis o vídeo com o seminário:


E não deixe de compartilhar!

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

Calendário Histórico Espírita: Auto de Fé de Barcelona (9 de outubro de 1861)


Há 156 anos, portanto, em 9 de outubro de 1861, deu-se um dos episódios mais marcantes na História do Espiritismo: o Auto de Fé de Barcelona, quando, na tentativa de barrar o avanço da Doutrina Espírita na Espanha, cerca de três centenas de livros doutrinários foram queimados em praça pública, em cumprimento a uma sentença proferida pelo Tribunal de Inquisição da Igreja Católica, então representada pelo bispo de Barcelona, Dom Antonio Palau Termens.

Representação de um Auto de Fé do Tribunal de Inquisição da Igreja Católica, a exemplo daquele ocorrido em Barcelona

No entanto, o resultado prático dessa repressão foi o repúdio público a esse atentado e, por conseguinte, um maior interesse dos espanhóis em conhecer o teor das obras censuradas, fazendo com que o Espiritismo se propagasse ainda mais fortemente em Barcelona e demais cidades da península ibérica.

Interessante que o referido bispo, uma vez desencarnado, vai comparecer à presença de Allan Kardec, na Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, para protagonizar uma das mais interessantes comunicações já efetivadas naquela entidade.

Dom Antonio Palau Termens, bispo do Auto de Fé de Barcelona de 9 de outubro de 1861
Confira mais sobre esse histórico episódio na Enciclopédia Espírita Online.

Para mais datas importantes para a História do Espiritismo, consulte a página do Calendário Histórico Espírita.


domingo, 8 de outubro de 2017

Lançamento: Lamennais na Enciclopédia Espírita Online


Mais uma biografia importante para o estudo espírita entra como verbete para a nossa Enciclopédia Espírita Online: Lamennais (pronuncia-se "lamené").

Veja a síntese do novo verbete:
Hughes Féiicité Robert de Lamennais (Saint-Malo, França, 19 de junho de 1782 - Paris, França, 27 de fevereiro de 1854) foi um padre, filósofo, escritor e político francês, conhecido no movimento espírita pela sua contribuição, em Espírito, nas obras básicas da codificação do Espiritismo por Allan Kardec. Foi uma figura influente e controversa na história da Igreja francesa, pois, enquanto de um lado defendia os valores do Catolicismo e a autoridade papal, por outro lado propunha ideias liberais tradicionalmente rejeitadas pela Igreja Católica.
Nesta biografia, traços marcantes da vida e a obra deste renomado pensador francês que, enquanto encarnado, tanto influenciou gerações de filósofos que se debruçaram sobre questões religiosas e políticas, e que, depois como Espírito, apresenta-se como colaborador da Codificação Espírita.

Lamennais

E só para exemplificar o caráter moral de Lamennais, vejamos a mensagem mediúnica que ele assinou, respondendo ao seguinte questionamento, ainda muito válido para nossos dias: Um homem acha-se em perigo de morte e, para salvá-lo, outro tem que expor a vida. Sabe-se, porém, que aquele é um malfeitor e que, se escapar, poderá cometer novos crimes. Apesar disso, o segundo deve se arriscar para salvá-lo?
Questão muito grave é esta e que naturalmente se pode apresentar à consciência. Responderei, na conformidade do meu adiantamento moral, pois o tema de que se trata é de saber se devemos expor a vida, mesmo por um malfeitor. O desprendimento é cego; socorre-se um inimigo; portanto, em resumo, deve-se socorrer o inimigo da sociedade, a um malfeitor. Julgam que será somente à morte que, em tal caso, se corre a arrancar o desgraçado? É, talvez, a toda sua vida passada. Com efeito, imaginem que, nos rápidos instantes que lhe levam os derradeiros alentos de vida, o homem perdido volte ao seu passado, ou que antes, este se ergue diante dele. Talvez a morte lhe chega cedo demais; a reencarnação poderá vir a ser terrível para ele. Lancem-se, então, ó homens; lancem-se todos a quem a ciência espírita esclareceu; lancem-se, arranquem-no da sua condenação e, talvez, esse homem, que teria morrido a blasfemar, se atirará nos seus braços. Todavia, vocês não têm que indagar se o fará ou não; socorram a ele, pois, salvando-o, obedecem a essa voz do coração que diz “Pode salvá-lo, salve-o!"
Então, não deixe de ver! Acesse agora mesmo o verbete Lamennais na Enciclopédia Espírita Online.

sábado, 7 de outubro de 2017

Programa Evangelho no Lar Online


Devido problemas técnicos o programa Evangelho no Lar Online de quinta-feira 5 deste outubro não pôde ser transmitido ao vivo, mas ele foi gravado e já está disponível no nosso canal do YouTube e pode ser assistido pela janela a seguir.


Próxima quinta-feira, com a graça de Deus, o casal Janete e Junior voltam a fazer normalmente a transmissão do programa.

Mais informações na página Programa Evangelho no Lar Online.

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Sala de Leitura: lançamento de "MUITA LUZ (BEAUCOUP DE LUMIÈRE)" de Berthe Fropo


Caros confrades, o mais novo livro publicado em nossa Sala de Leitura é um marco para as atividades da Equipe Luz Espírita, pois, realmente, esta não é uma obra comum, inclusive, é uma raridade, de uma importância histórica inestimável, cujas revelações demandam uma reflexão profunda sobre as origens do movimento espírita, lá na França, do final do século XIX e começo do século XX, e suas consequências para o movimento espírita atual.

O livro de que temos a satisfação de anunciar é Muita Luz, tradução do original em francês Beaucoup de Lumière, que, pelo seu abreviado conteúdo (a publicação original tem apenas 76 páginas), cabe ser chamado de opúsculo. Mas, em se tratando de importância, este pequeno livro torna-se gigante, como ficará evidente a seguir.

Beaucoup de Lumière de Madame Berthe Fropo


Madame Berthe Fropo e sua obra histórica

Para entender o contexto da obra, convém nos voltarmos para a sua autora. Berthe Fropo e seu esposo, Augustin Fropo, eram espíritas de carteirinha, membros da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, vizinhos e amigos íntimos do casal Kardec. Não apenas isso. Especialmente depois da desencarnação de Allan Kardec, Berthe Fropo era muito ligada a Amélie Boudet, a viúva Kardec, sendo Fropo, inclusive, quem vai socorrê-la após acidente fatal que ocasionou o falecimento de Madame Kardec.

Pois bem, Beaucoup de Lumière é fruto do zelo de Fropo pela Doutrina Espírita, e é por esta obra que hoje podemos nos inteirar de detalhes históricos muito relevantes para compreendermos o que se passou com o movimento espírita logo após a desencarnação do codificador do Espiritismo. Fropo então vai denunciar os desvios de conduta daqueles que se encarregaram de conduzir a Sociedade Espírita e demais atividades institucionais iniciadas por Kardec, por exemplo, a edição da Revista Espírita. Esses desvios, segundo Fropo, eram de ordem doutrinária e moral.


Os desvios do movimento espírita

Os desvios doutrinários apontados por Fropo dizem respeito à mistura de conceitos espíritas com ideologias novas que se apresentavam até como uma elaboração melhorada do Espiritismo, especialmente falando do Roustainguismo — a pretensa "revelação da revelação" — e da Teosofia da mística Madame Blavatsky — para quem a Filosofia Espírita não passava de uma seita atrasada.

Depois disso, Fropo vai tratar dos desvios morais dos dirigentes que então comandavam — e desfiguravam — a continuação das obras de Kardec, pelo que ela considerou como uma "questão financeira". No centro desse núcleo usurpador, a autora coloca Pierre-Gaëtan Leymarie, aquele que tanto havia sido ajudado pelo casal Kardec — financeiramente, inclusive.

Pierre-Gaëtan Leymarie

Fropo discorre, em tom grave de desabafo e quase desespero, sobre como Leymarie destratava Madame Kardec e a isolou das decisões do Comitê que cuidava dos projetos espíritas. Apossando-se de procuração dos membros dessa comissão, Leymarie agiu maquiavelicamente para apossar-se do comando espírita e praticar os mais absurdos desmandos — e, de acordo com Madame Berhte Fropo, por interesses materiais e iludido com as propostas dos roustainguistas e teósofos.


Repensando a historiografia espírita

Beaucoup de Lumière, como se vê, é um documento histórico valiosíssimo que nos ajuda a compreender por que o Espiritismo ruiu na sua terra natal de maneira tão rápida.

Essas revelações nos obrigam a repensar o legado de Leymarie, até então descrito como "um grande colaborador do Espiritismo". Na mesma proporção, põe em cena uma personagem que nos era desconhecida: Berthe Fropo, a quem devemos render homenagens.


O legado de Fropo

Ao bancar a publicação independente de seu opúsculo iluminativo, desafiando todos os preconceitos da sua época, Fropo não intentou apenas fazer uma denúncia, mas, como podemos ler na obra, principalmente objetivou alertar os "espíritas sinceros", conquanto lenientes demais com a situação, para o perigo que a Doutrina Espírita corria, sob os desmandos de Leymarie, e convocá-los para formar uma frente de resistência, em honra à codificação kardequiana — à qual ela demonstra sempre toda a consideração possível.

Ela também conta que, através de reuniões mediúnicas realizadas na casa da viúva do codificador, o Espírito Allan Kardec manifestou-se várias vezes, incitando seus confrades a tomar providências contra esse iminente mal que assolava a Doutrina Consoladora. Os desdobramentos seguintes são a fundação de uma nova entidade, a União Espírita Francesa, e seu órgão oficial de informação, o jornal O Espiritismo (Le Spiritisme). Fropo, inclusive, assume a vice-presidência da nova entidade; a presidência ficou a cargo do devotado Gabriel Delanne. Inicialmente, pensou-se em aclamar Amélie como a presidente desta União, mas ela recusou o convite, alegando as dificuldades naturais de sua idade, já que era octogenária.

É certo que Berthe Fropo não conseguiu "salvar" o movimento espírita francês que, como sabemos, praticamente desapareceu da França e demais países da Europa ainda no começo do século XX. Contudo, certamente a bravura daquela femme forte serviu para dar uma sobrevida ao movimento, sem o que, possivelmente, não teríamos conhecido a magistral obra de Léon Denis — à época, ainda um jovem que começava a despontar nas searas espiritistas. E quem conhece a contribuição de Denis para a Filosofia Espírita, sabe que prejuízo teria sido tal lacuna.


A tradução de Beaucoup de Lumière

O opúsculo de Berthe Fropo caiu no esquecimento do movimento espírita subsequente à sua geração e permaneceu na penumbra até pouco tempo, quando foi "garimpado" por pesquisadores espíritas que, através da internet, descobriram aquele que possivelmente é o único exemplar sobrevivente daquela publicação de 1884, que consta nos arquivos da Biblioteca Nacional da França (BnF) e cuja cópia digitalizada está acessível online através do site da Galica.

Foi a partir dessa cópia digital que se iniciou o projeto da tradução Muita Luz, que ora apresentamos, levada a efeito pelos colaboradores Ery Lopes e Rogério Miguez, com revisão de Jorge Hessen. Uma tradução nada fácil, diga-se de passagem, entre outras razões, porque a fotocópia sobrevivente e disponibilizada pela BnF não está totalmente legível, aliás, como contam os tradutores no prefácio desta edição.

Capa de Muita Luz (Beaucoup de Lumière)

Na disposição desta edição consta:
  • Prefácio: introdução da obra assinada pelos tradutores;
  • Muita Luz: o conteúdo da tradução, em português;
  • Beaucoup de Lumière: digitalização do texto original em francês;
  • Epílogo: arremate da publicação assinada pelos tradutores.
Os tradutores conservaram as notas de rodapé originais de Berthe Fropo e acrescentaram outras, contextualizando informações da tradução e da composição original.

Muita Luz (Beaucoup de Lumière) não está disponível em versão impressa, mas os editores a disponibilizam gratuitamente para download através da nossa Sala de Leitura e a partir daí, quem desejar poderá imprimi-lo livremente.


Os tradutores Ery Lopes e Rogério Miguez e o revisor Jorge Hessen


Documentos históricos complementares

Beaucoup de Lumière é uma espécie de dossiê que declaradamente levanta suspeitas sobre Leymarie e seus aliados dentro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, do movimento roustainguista e da doutrina teosófica. E dada a urgência e gravidade da situação, a autora não é nada eufêmica em seus relatos, procurando mesmo ser a mais objetiva e clara possível, na expectativa de que seu apelo quase escandaloso se transformasse em ações concretas dos "espíritas sinceros" contra aqueles a quem Fropo considerava usurpadores da nossa Bela Doutrina.

Esse tom quase agressivo de Fropo pode suscitar questionamentos dos leitores, tal como: será que essas acusações não seriam frutos de um grande engano, de um surto de histeria de uma revoltada qualquer?

Quanto a isso, os tradutores fazem questão de dizer que a obra de Fropo é uma versão dos fatos envolventes, inclusive contestada pelo principal acusado  Leymarie. Portanto, é preciso ponderarmos sobre a veracidade das denúncias. Em vista disso, pesquisadores correm atrás de documentos e outros indícios que ajudem a desvendar o caso. E aí, com efeito, muitos vestígios encontrados recentemente podem corroborar com as acusações postas em Beaucoup de Lumière, senão em tudo, pelo menos na essência da coisa.

Dos desvios doutrinários, por exemplo, as mais salientes provas são dadas pelo próprio Leymarie: enquanto editor da Revista Espírita, ele fez daquele veículo um catálogo das mais esdrúxulas ideias místicas e esotéricas. Outros registros também dão conta de que Leymarie apossou-se ilegalmente dos bens materiais do casal Kardec, que deveriam ser destinados integralmente para as obras doutrinárias em favor do Espiritismo. Tanto que, após a morte de Leymarie, esses bens foram herdados e usados para proveito próprio de seus parentes, principalmente falando de sua esposa e seu filho, Paul Leymarie. Aliás, um dos espólios de Kardec ainda hoje conservados pelos herdeiros de Leymarie encontra-se na Rua Saint-Jacques, N° 42, da capital francesa, prédio onde, no primeiro piso, consta a "Librarie Leymarie", uma livraria espiritualista (livros esotéricos e místicos) e, no segundo andar, salas para consultas de ocultismo.


A livraria esotérica e as salas de ocultismo dos Leymarie

Um dos primeiros divulgadores das revelações de Berthe Fropo foi o pesquisador espírita Adriano Calsone, autor de Madame Kardec e Em Nome de Kardec, (disponível aqui) livros que tratam diretamente das revelações de Beaucoup de Lumière. Dois livros minuciosos e bem amparados por fontes confiáveis que merecem uma leitura atenciosa.


Interessante acrescentar também o livro Anticristo: Senhor do Mundo, de Leopoldo Cirne, muito desconhecido no meio espírita atual, mas recentemente posto em evidência através de uma resenha assinada por Antonio Cesar Perri de Carvalho, conforme publicamos aqui.


Muita Luz

O resgate dessa gigantesca obra, longe de meramente querer incriminar personalidades, é importante  além de sublevar a figura honrosa de Berthe Fropo  para nos fazer repensar o movimento espírita atual, a fim de não deixarmos ocorrer em nossa geração o que houve com o Espiritismo daqueles tempos. E é mesmo de pensarmos seriamente se nossa filosofia está livre daquelas velhas ideias de ocultismo, misticismo, esoterismo e modismos em geral...

Por tudo isso e muito mais, convidamos a todos para conhecerem Muita Luz (Beaucoup de Lumière), de Berthe Fropo, tradução de Ery Lopes e Rogério Miguez, revisão de Jorge Hessen, agora livremente disponibilizados na Sala de Leitura do Portal Luz Espírita.

Clique aqui para baixar Muita Luz (Beaucoup de Lumière) nos formatos PDF e ePUB.

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Violência: Vandalismo no túmulo de Chico Xavier


No último final de semana, tivemos a triste notícia de que, mais uma vez, o túmulo de Chico Xavier foi violentado (veja aqui a reportagem do TV Integração, afiliada da Globo em Minas Gerais).

Desta vez, o vidro que protege o busto do médium espírita foi atingindo e ficou trincado, evidenciando que fora fortemente alvejado. O estrago só não foi maior por se tratar de um vidro blindado — portanto, de grande resistência. No local, foram encontrados tijolos, que possivelmente foram usados para o ato. A primeira suspeita para a motivação do atentado é a intolerância religiosa, mas não há qualquer sinal de autoria do crime.

Túmulo de Chico Xavier (Foto: Eurípedes Higino/Arquivo Pessoal)

O corpo de Chico foi sepultado no cemitério São João Batista, em Uberaba, Minas Gerais. É uma catacumba simples, contendo um busto em bronze envolvido por uma caixa de vidro. O mesmo já foi alvo de outros atentados. Em 2015, vândalos também tentaram romper essa mesma proteção vítrea (veja aqui).

O cemitério não possui câmeras de monitoração de segurança e conta apenas com dois vigilantes noturnos. O diretor do departamento de cemitérios em Uberaba, Carlindo Ferreira, afirmou que a própria direção se ofereceu para trocar o vidro vandalizado. "A manutenção de túmulos não é obrigação da Prefeitura, é da família. Mas em consideração a tudo que Chico Xavier representa para Uberaba, a direção do cemitério vai providenciar a troca do vidro que protege o busto do médium, mas isso só pode ser feito assim que o filho dele liberar a chave. Aquilo que foi danificado, na próxima segunda-feira (2 de outubro) vai ser reposto".

Eurípedes Higino, filho adotivo de Chico Xavier, (Foto: Reprodução/TV Integração)

Sobre registrar boletim de ocorrência denunciando o ato, o filho adotivo do médium, Eurípedes Higino, disse que preferiu não acionar a Polícia Militar. "Não adianta. Da outra vez aconteceu a mesma coisa e não resolveram nada. A sujeira em volta do túmulo também é triste de ver. A melhor coisa por agora foi pedir voz à imprensa", acrescentou.

Já sobre a declaração de Eurípedes Higino em relação o não acionamento da Polícia Militar, o comandante da 67º Batalhão da Polícia Militar (6ºBPM) de Uberaba  área responsável pelo policiamento na região do Cemitério São João Batista  o tenente-coronel Waldemir José de Freitas se posicionou sobre o assunto: "Todos os fatos de algum delito que requer alguma intervenção de segurança pública imediata, com o acionamento da polícia, nós vamos até o local, fazemos o registro da ocorrência. Agora, a frequência disso, em até especial nesta situação, é caso de investigação da polícia judiciária. Ele não queixou de falta de segurança, ele questionou o fato de não ter sido dado sequência a uma ação anterior. Até porque a segurança de cemitério é de competência do Município", justificou o policial.


Interpretando o atentado

É claro que Chico Xavier não está ali, e tampouco seu Espírito —  cuja nobreza ficou evidenciada por sua biografia rica em caridade — sente fisicamente os golpes desferidos contra o túmulo de seus despojos carnais. Desta maneira, devemos ponderar com racionalidade sobre a real importância de um túmulo.

Para a lei civil esse tipo e vandalismo é um crime em função da consideração legal que se tem ao cadáver. Na frieza jurídica, os restos mortais de uma pessoa é o próprio indivíduo — mesmo depois do seu falecimento. E embora os estragos não tenham alcançado diretamente os despojos físicos de Chico Xavier, houve uma violação à sua, digamos, morada (porque, pela lei, ali jaz o cidadão Chico Xavier). No mínimo, está configurado um dano patrimonial, que é passível de ser cobrado criminalmente.

Melhor do que qualquer um, nós espíritas temos como saber que não há mais nada ali do nosso querido irmão e confrade. Contudo, seu túmulo, como o de qualquer falecido, é um monumento, um sinal respeitável de sua vida e obra. Uma visita que se faça a tal monumento não é exatamente uma visita à pessoa, materialmente falando, mas um programa turístico histórico válido, como quando se visita qualquer outro local histórico ligado à referida biografia. Não se está, com isso, "visitando um defunto", mas seguindo rastros históricos de uma personalidade que nos é cara, assim como se visita o túmulo de Allan Kardec (aliás, uma visita muito interessante já pela sua arquitetura: um dólmen no estilo druida), assim como se visita o ponto do Central Park em Nova Iorque onde John Lennon foi assassinado, como se visita as câmaras de Auschwitz usadas pelos nazistas, como se visita a gruta de Fátima onde supostamente se deu a aparição de Maria, etc. Esse tipo de visitação é, sem dúvida, muito válido, porque ajuda, inclusive, a preserva a memória dos feitos pessoais e eventos históricos.

Se foi um vandalismo do tipo qualificado como intolerância religiosa, é de se lamentar ainda mais, pois essa motivação reflete uma distorção de caráter e de comportamento doutrinário. Independentemente disso, cumpre-nos um papel sincero de compreensão e caridade para com esses ativistas da violência, sob qualquer que seja o pretexto, sem absolutamente lhes devolver qualquer sentimento negativo.

Vibremos por uma conscientização geral e, em especial, lancemos nossas preces para a promoção de um espírito de paz e não violência.

terça-feira, 3 de outubro de 2017

"Cristianismo, Espiritismo e o Anticristo", resenha literária por Antonio Cesar Perri de Carvalho


A Revista Internacional de Espiritismo, em sua edição deste outubro de 2017, traz um artigo interessantíssimo com uma resenha literária assinada por Antonio Cesar Perri de Carvalho, a respeito de uma obra rara e valiosíssima especialmente para os espíritas mais atentos à historiografia do Espiritismo: Antichristo: Senhor do Mundo, de Leopoldo Cirne, publicada em 1935.

A RIE é editada pela histórica Editora O Clarim. fundada pelo saudoso Cairbar Schutel (ver biografia na Enciclopédia Espírita Online).


Antonio Cesar Perri de Carvalho, ex-presidente da FEB - Federação Espírita Brasileira, então nos oferece um grande resgate histórico ao recolocar em evidência o livro daquele gigante ativista espírita, Leopoldo Cirne, que, entre outros feitos, também presidiu a FEB.

Sobre o livro de Cirne, deixemos por conta da excelente resenha, que reproduzimos a seguir:

Capa do livro


Cristianismo, Espiritismo e o Anticristo
Análise de uma obra rara de Leopoldo Cirne lançada em 1935.
Por: Antonio Cesar Perri de Carvalho


Leopoldo Cirne (1870-1941), ex- -presidente da FEB, escreveu a portentosa obra Anticristo. Senhor do Mundo, tendo dois subtítulos: “O Espiritismo em falência” e “A obra cristã e o poder das trevas”. Concluída em 3 de outubro de 1934, impressa por Bedeschi e lançada no Rio de Janeiro em 1935, não foi reeditada e é encontrada em alguns sebos, onde a localizamos e com a riqueza de conter dedicatória manuscrita de Cirne para familiar. Com 529 páginas, na 1ª Parte Cirne analisa em detalhes a trajetória do Cristianismo e na 2ª Parte focaliza o Espiritismo.

1ª Parte
O objetivo da obra é defnido pelo autor: “(...) apreciando a ação perturbadora do Anticristo na existência da igreja – alvo do seu inveterado rancor – do mesmo que em todas as manifestações da vida humana, em que essa interferência transparece, colher ensinamentos e advertências para salvaguarda dos que, nesta época de transformações e num radioso futuro que se avizinha, desejem sinceramente seguir a Jesus e necessitam estar apercebidos contra as insidiosas manobras dos que com propriedade são denominados inimigos da luz. (...) O presente estudo é assim uma contribuição exclusivamente pessoal, fundada na observação e  análise dos fatos à luz dos conhecimentos adquiridos na doutrina espírita, que temos a felicidade de professar há quarenta anos”. Esclarece que entende por “Anticristo” uma força, também chamada de “príncipe deste mundo”, “poder das trevas”, que age “em oposição, deliberada e sistematicamente, ao plano evolutivo traçado por Deus à humanidade”. Considera que o Cristo empreende a obra de educação e redenção da humanidade e raciocina: “o princípio oposto – de separatividade [sic] e de egoísmo – que forma o substrato da natureza inferior do homem e constitui, na quase totalidade da espécie humana, o motivo preponderante de seus atos e impulsos? (...) esse princípio deverá chamar-se o Anticristo. Somos todos assim, enquanto consentimos em nós o predomínio do egoísmo com todos os seus derivados – ambição, vaidade, orgulho – e pelejamos denodadamente pela obtenção e acréscimo dos bens, posições e vantagens pessoais, com sacrifício dos outros e violação da lei de solidariedade (...)”

Cirne comenta a ação do Cristo e de seus seguidores, com citações dos evangelistas, de Atos e de epístolas de Paulo. Ao relacionar a trajetória do Cristianismo com o escopo de seu livro, opina: “exposta às agressões do Espírito das trevas e em contato com a fragilidade dos que, no futuro, tomariam o encargo de seus depositários e propagadores, a sua doutrina de amor e imortalidade seria  deturpada por adaptações parasitárias e materializadoras.” Analisa algumas dissensões, concílios e deturpações dos ensinos cristãos primitivos. Destaca o papel de Francisco de Assis e as “incomparáveis contribuições para a obra da civilização verdadeiramente cristã, são: A imitação do Cristo e o apostolado de Francisco de Assis”. Refere-se à obra de Thomas Hemerken, conhecido como Kempis (1380-1471), que propõe a reconciliação da Igreja com o espírito do Cristianismo.

Focaliza os complicados momentos do papado em Avignon e momentos subsequentes: “Foi esse o  começo do grande cisma, que durante meio século – de 1378 a 1429 – atormentou a existência da igreja.” Aí se inclui o sacrifício de Jan Huss. Considera que a história da Igreja cristã “tem sido uma fl agrante representação objetiva da alegoria expressa na parábola do joio entre o trigo, (...) O partido político que tem o seu quartel general no Vaticano e representação diplomática em todos os países, preocupa-se antes de tudo com o domínio temporal, (...) O ‘tesouro de S. Pedro’ – que de resto ‘não possuía ouro nem prata’ – é o alicerce da sua grandeza (...).” Lamenta os movimentos fanatizados das Cruzadas e da Inquisição. Dedica um capítulo à Reforma e transcreve trecho de carta de Lutero ao papa Leão X: “Não sei decidir ao certo se o papa é o Anticristo ou o apóstolo do Anticristo.”

Considera que a Reforma provocou efeitos salutares, inclusive na moralização de costumes. Destaca os papéis independentes de Copérnico, Giordano Bruno e Galileu. Sobre a França (século XVIII), com os desvarios da “Deusa Razão”, anota: “Do cimo das inteligências cultas, obnubiladas pelo orgulho do saber e, em tais condições, inconscientes instrumentos do Anticristo, (...) se propagassem pelas camadas sociais subjacentes, gerando com o morbus da irreligiosidade absoluta, os sentimentos de revolta (...)”

Cirne valoriza o “sacerdote cristão e não católico”, o abade Lamennais, citando “seus esforços no sentido de reconciliar a Igreja com o espírito do Cristianismo”. Este foi excomungado e é autor de mensagens em O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o EspiritismoDestaca as lutas para a manutenção dos Estados pontifícios, culminando com o “acordo de Latrão” (século XX) com o governo italiano, que reconhece a soberania temporal do papa. A propósito, transcreve trechos do intelectual português Jaime Cortesão (1884-1960), como: “Roma abraçou o Cristianismo, mas para o afogar nos braços.”

2ª ParteNa 2ª Parte, Leopoldo Cirne focaliza os momentos predecessores e concomitantes ao Espiritismo, de eclosão de muitos fenômenos mediúnicos e com notável trabalho de vários pesquisadores. Comenta: “não foi esse, de ter feito silenciarem no seio da cristandade as vozes dos Espíritos, o menor dos erros perpetrados (...). Porque, estancando arbitrariamente a fonte das inspirações do Alto, em sua forma tradicional e ostensiva, quando apenas lhes cumpria cercar de prudentes cuidados essa prática (...).” Lembra sobre o vaticínio de Lamennais: “uma transformação ou, se o preferirem assim denominar, um novo movimento do Cristianismo no seio da humanidade.”

Descreve o cenário dos primeiros grupos espíritas do Rio de Janeiro e as difculdades da novel Federação Espírita Brasileira: “Havia, em 1895, atingido o limite de sua capacidade máxima de resistência, esgotado os seus últimos recursos e estava prestes a sucumbir, quando foi convidado a assumir a sua direção, com amplos e discricionários poderes, como o exigia a situação, o Dr. Adolfo Bezerra de Menezes.” Def ne a presidência de Bezerra como um “renascimento para a Federação, acerca de cujas sessões doutrinárias, em que foi restabelecido o estudo metódico de O Livro dos Espíritos”; registra interessantes particularidades sobre a atuação do então presidente da FEB. Sendo vice-presidente a partir de 1898, com a desencarnação de Bezerra, em 11 de abril de 1900, Leopoldo Cirne assume a presidência da FEB.

De 1º a 3 de outubro de 1904, a FEB comemorou o centenário de nascimento de Allan Kardec e Cirne considera que a parte mais importante foi a reunião de representantes de instituições dos estados, oportunidade em que foi aprovado o documento “Bases de organização espírita”, formulado pela diretoria da Federação, e “o primeiro grande passo para a unificação dos espíritas, dentro dos largos moldes de autonomia das agremiações, consoante o sistema federativo, todas vinculadas entre si e à Federação pela unidade de vistas na difusão e cultivo da doutrina”, incluindo várias recomendações. Outro destaque foi a inauguração, no dia 10 de dezembro 1911, da sede da FEB à Avenida Passos, no Rio de Janeiro. O autor faz interessante apreciação: “o segredo da prosperidade incoercível da Federação Espírita Brasileira, no período de que nos estamos ocupando, abstração feita da poderosa e benfazeja ação oculta, que foi a sua causa principal, residiu no espírito de solidariedade e de fraternidade em que se inspiraram, durante cerca de três lustros, os seus diretores, estremes da mais leve sombra de personalismo.”

Em seguida aponta vários problemas: a Escola de Médiuns, um desafio para a época e que era visada pelos adversários espirituais; questiona algumas mensagens atribuídas a Allan Kardec com colocações que teriam influências do médium; registra a “inexperiência de alguns novos membros da diretoria”, f cando mais expostos às sugestões do Espírito das trevas, “que não podia tolerar por mais tempo o crescimento expansivo da Federação”. Essas dissensões culminaram na assembleia geral da FEB, no começo de 1914: “sucederam as interpelações acerca da admissibilidade, sustentada por uns, combatida por outros, das procurações que, em número considerável, se encontravam em poder do grupo dissidente, e logo a deflagração do tumulto, o vozerio contraditório e exaltado, com a formação de um molesto, intolerável ambiente, em que sentiam-se, campeando dominadoras, as tenebrosas influências do invisível. (...) final do pleito, cujo resultado foi o que era de esperar-se.

A manobra reacionária reconstituída com exclusão do antigo presidente e dos companheiros com ele solidários na orientação doutrinária que vinha imprimindo aos trabalhos da Sociedade. (...) Até aos dois anos precedentes, ou melhor, enquanto a Federação foi uma sociedade pequenina e pobre, como tal modestamente instalada, a eleição anual de sua diretoria era uma formalidade sumaríssima, perfeitamente nos moldes das comunidades cristãs.” Leopoldo Cirne se refere ao seu alijamento da presidência da FEB e se manteve afastado da entidade até sua desencarnação, mantendo palestras em outras instituições e redação de livros.

Distanciado da FEB, mas atento, Cirne se refere a um fato posterior: “a criação de uma assembleia deliberativa composta de 25 membros eleitos, de três em três anos, pela assembleia geral dos sócios, f cando a cargo daquele reduzido colégio eleitoral a nomeação da diretoria. Uma espécie de eleição do papa pelo sacro colégio dos cardeais (...) são, na aparência, eleitos, mas de fato apenas aprovados pelos sócios da Federação, que se limitam a homologar a escolha dos 25 nomes previamente feita pela diretoria em exercício.”

O ex-presidente critica a apatia da Federação, que se omite em muitas questões sociais, inclusive durante a reforma parcial da Constituição do Brasil, quando se discutia o ensino leigo e nas comemorações alusivas ao centenário da independência do Brasil: “alheia a sua missão de orientadora e coordenadora das atividades militantes no Brasil e expondo-se a alienar simpatias e ver desfavoravelmente interpretado o seu mutismo (...).” Por essas razões surgiu em 1926 o movimento da “Constituinte Espírita Nacional” – que também não contou com o apoio de Cirne –, criando-se a Liga Espírita do Brasil.

Leopoldo Cirne chama a atenção de que havia “entre os espíritas uma  dupla corrente de opiniões, que se veem de há muito acentuando, a propósito da revelação, contemporânea de Allan Kardec, recebida, igualmente na França (...)” (J. B. Roustaing). Sobre esta obra opina: “Tese arrojada, porventura desenvolvida com excessiva abundância de pormenores que, em certos casos, a tornam aparentemente inverossímil e, a poder de repetições fastidiosas, tem suscitado, como dizemos, apologistas e opositores, nem sempre dotados da conveniente serenidade para evitar antagonismos radicais (...) reconhecendo embora a profundeza de muitos de seus ensinamentos, a par da magnitude  do plano, verdadeiramente original, em que foi plasmada, não temos dúvida em admitir que a forma expositiva, recheada de fatigantes repetições, denuncia uma suspeita colaboração oculta.

Que há de admirar em que verdades provindas da transmissão mediúnica, a ousada e não percebida influência do Anticristo, empenhado sempre em deturpá-las?” Lembra que entre os membros da novel Liga Espírita, a referida obra não é aceita. Sobre esse cenário opina: “não têm infelizmente entendido os orientadores da Federação, em sua nova fase.”

O ex-presidente da FEB discorda da criação em Paris de uma Federação Espírita Internacional, com o
apoio da FEB. Cirne defende a ideia de uma Federação Universal “sempre que reunidos os representantes daquelas em assembleias ou congressos internacionais, para troca de ideias e adoção de medidas tendentes ao desenvolvimento da doutrina e consolidação dos laços de fraternidade entre todos.”

Nos últimos capítulos do livro Anticristo. Senhor do Mundo, comenta as obras de Allan Kardec, os cuidados do Codificador, e considera “admirável trilogia didática um monumento de sabedoria próprio a orientar” o conjunto das obras O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns e O Evangelho Segundo o Espiritismo. Em seguida, defendendo os princípios espíritas, analisa a Teosofia e o Esoterismo.

Entre outras considerações f nais: “Exageramos? – Percorrei a história de todos os séculos e nos sucessos, coletivos e individuais, em que haja violação do preceito básico formulado pelo Cristo – ‘amai-vos uns aos outros’ – encontrareis a intervenção reacionária do Anticristo. (...) Quanto tempo será necessário à consumação dessa gloriosa metamorfose? O milênio, de que nos fala o Apocalipse? – Não importa o prazo. (...) a nossa humanidade, liberta finalmente do poder das trevas, raiará cedo ou tarde a aurora de sua definitiva redenção.”

Tela do pintor Napoleão Figueiredo, gentilmente cedida por Oceano Vieira de Melo, retrata o ex-presidente da FEB Leopoldo Cirne

Sobre Leopoldo Cirne
Leopoldo Cirne foi vice-presidente da FEB (1898-1900) na gestão de Bezerra de Menezes, sucedendo-o como presidente (1900-1914). Renovou os Estatutos da FEB (1902) instituindo o estudo das obras completas de Allan Kardec como referência básica da instituição. Em 1904 promoveu o I Congresso Espírita, evocativo do centenário do nascimento de Kardec, com a participação de mais de duas mil pessoas. Esforçou-se para implantar a “Escola de Médiuns”; iniciou a promoção do Esperanto na FEB e junto ao movimento espírita (1909); em sua gestão foi construída e inaugurada a
sede própria da FEB (1911). Em virtude de resistências dentro da FEB, principalmente do setor de “Assistência aos Necessitados”, que não concordavam com as inovações propostas, Cirne perdeu a eleição para a presidência em 1914, retirando-se da instituição.
Foi conferencista; autor de livros: Memórias históricas do Espiritismo; Doutrina e Prática do Espiritismo; Anticristo, Senhor do Mundo; A personalidade de Jesus (publicação post mortem pela FEB). Tradutor das obras de Léon Denis: No invisível e Cristianismo e Espiritismo.
Há várias mensagens do espírito Leopoldo Cirne, em obras editadas pela FEB, pelo médium Chico Xavier: Instruções psicofônicas; um dos personagens em Voltei, ao lado de Bezerra de Menezes, Inácio Bittencourt e Antônio Luís Sayão e, pela psicografia de Waldo Vieira, na obra Seareiros de volta.

 

Calendário Histórico Espírita: 3 de outubro




3 de outubro é uma data muito especial para a historiografia espírita. Para começar, é o dia do 213° aniversário de nascimento do codificador espírita: Allan Kardec (1804-1869).


Confira o verbete Allan Kardec na Enciclopédia Espírita Online.



Outro memorável aniversariante do dia é o jurista e escritor espírita gaúcho Zalmino Zimmermann (1931-2015), autor do clássico Perispírito (disponível em nossa Sala de Leitura).




Essa data também é marcada pelo lançamento da  primeira edição da excepcional obra Nosso Lar, ditada pelo Espírito André Luiz pela psicografia de Chico Xavier, em 3 de outubro de 1944. Livro disponível em nossa Sala de Leitura.


Também foi num 3 de outubro, no caso em 2012, que o médium espírita Francisco Cândido Xavier, nosso querido Chico Xavier, ganhou o prêmio de "Maior Brasileiro de Todos os Tempos" oferecido pelo canal de televisão SBT mediante uma enquete nacional (relembre aqui).



Veja mais datas marcantes para História do Espiritismo na página Calendário Histórico Espírita.