Desencarnação de Dâmocles Aurélio, diretor do 'Lampadário Espírita'
Recebemos uma mensagem notificado a desencarnação de nosso confrade espírita Dâmocles Aurélio da Silva, diretor do Lampadário Espírita, um reconhecido periódico kardecista de duas décadas de edições sobre o qual temos feito esporádicos destaques, a exemplo da recente postagem 'Lampadário Espírita destaca homenagem carnavalesca a Chico Xavier', do dia 8 deste mês de março.
A comunicação seguinte é de Tiago Rodrigues, um dos grandes colaboradores do referido periódico e amigo de Dâmocles:
Prezados, boa noite!
Informo que o editor e grande pesquisador do Espiritismo em Pernambuco, Dâmocles Aurélio, um dos criadores do Boletim Espírita Lampadário Espírita, desencarnou aos 76 anos no último domingo (15/03). Natural da cidade do Ribeirão (Zona da Mata Sul), Pernambuco, aos 3 de dezembro de 1949.
“Dormiu e não acordou”... O filho mais novo (Dâmocles Aurélio Nascimento da Silva Alves), o Maninho, nos confirmou sobre o desencarne do Paladino da “História do Espiritismo em Pernambuco”. “A morte não bate à porta. Vem como o ladrão da parábola quando ninguém espera, no silêncio da noite” (Mateus 24: 44). Como um passarinho se foi, livre do escafandro do corpo, da gaiola que aprisionava a alma...
O enterro ocorreu no domingo (15/03) no Cemitério de Santo Amaro (Recife-PE), Velório principal, sepultado na quadra / bloco G, nº 72. O médium, psicólogo, pesquisador, historiador e escritor foi diagnosticado, a alguns anos, com um problema cardíaco. Na sexta-feira (23/01) o primeiro grande susto, foi internado e passou por pequeno procedimento cirúrgico, assim que tomamos conhecimento fizemos a visita, na quinta-feira (29/01).
A grande preocupação girava sobre se estaria bem para ver a comemoração dos 20 anos do Lampadário Espírita, o evento ocorreria no domingo (08/02), estava bem humorado, corado e reclamando da enfermeira que ria sem medida. Ele, lá nem sentado e nem deitado rindo de seu lado e contando as peripécias de um menino grande dentro de uma cama pequena da UCI (Unidade de Cuidados Intensivos ou Intermediários), que mal cabia suas pernas mergulhado em uma zoada frenética do aparelho em bips ritmados, quase uma cigarra entoando a zoada... Na quinta-feira (05/02), data que antecedeu o evento, Dâmocles teve alta hospitalar, já não era sem tempo, povo chorando, outros reclamando e gente a passar...
A nossa dúvida era se ele realmente estaria no evento, mas todo bom teimoso e com resistente vontade se coloca firme em seus intentos de ir ao evento, de participar do momento, e assim foi. Aparado por alguns familiares e amigos fez-se um ciclo de conversas sobre a História do Espiritismo, nas dependências do Grupo Espírita Francisco de Assis (Curado IV | Jaboatão dos Guararapes). O tema era sempre o que rondava o Movimento Espírita na comunidade (Curado IV), no estado de Pernambuco e no Brasil. Isso além do quê seria o papel do Lampadário revisando as diretrizes do “mensário” com os desafios impostos pela modernidade... Era sobre o futuro....
Seguíamos, talvez em sua última aparição pública, o jornal, a vida de "jornaleiro", historiador e jornalista eram de fato sua paixão... Num papo mais informal ele disse: "Perdemos muitas histórias boas. O espírita não se preocupa em registrar e esquece que o povo sem História fica também sem referência em sem repertório".
Fato é que a vida se perpetua nas lembranças. É na saudade que se renova a esperança de sempre ler, lembrar e reviver o passado e se inspirar para o futuro. De fato, ele estava certo... Quantas referências e histórias boas sobre os espíritas, médiuns e homens comuns poderiam dirigir e inspirar os companheiros nesses tempos tão difíceis.
Uma grande amiga do movimento e divulgadora do Jornal na capital pernambucana, Zenilda Cavalcanti, sempre dizia: “Você, Dâmocles, é um mal necessário” ... É preciso, às vezes, tocar em assuntos que são tabus, fazer uma caricatura e revirar as feridas do Movimento Espírita. O fogo amigo sempre deve ser considerado diante do ego dos “gigantes” baluartes, quando esses se veem donos de todo conhecimento no exclusivismo de seu eu... É preciso que o próprio movimento tenha o olhar crítico antes que os que não entendem sobre ele e dele possam se pôr a criticar...
É preciso sacudir o tapete para provocar reflexão e reformas na forma cômoda de se ver o Espiritismo e o Movimento... Sem brigas, mas aludindo à reflexão... Sem fanatismo, mas com base na lógica e no viés do pesquisador, que era a áurea que Kardec colocava em seu trabalho investigativo... Dâmocles riu, muitas vezes, de alguns que não entendiam seu ponto de vista... “O ponto da vista de alguns ou seria o meu que tá fora do ponto?” A discussão era seu alimento, a dúvida um combustível para buscar, convencer ou se convencer de seus acertos ou equívocos... E como era difícil convencer ele ou demovê-lo de uma ideia, eu que o diga, mas era sempre bom... Debater só fortalece a verdade e faz ela pulsar como nunca...
Com Dâmocles se vão as lições de resistência, persistência, coragem, vontade, paixão amorável pelo movimento e fé inabalável de que tudo é possível quando se tem uma vontade firme e um ideal...
Até no momento de transição, da vida para a vida, ele nos pega de surpresa...
Quem sabe agora não esteja rindo e buscando outras histórias para contar...
Fica a lembrança e a saudade... Até logo, amigo...
Tiago Rodrigues
Nós nos solidarizamos com os familiares do nosso querido amigo e lamentamos a perda de um grande divulgador da nossa amada doutrina, mas — espiritualista como somos — nos contentamos em saber que o bravo Dâmocles cumpriu bem sua jornada, trabalhando em favor do Espiritismo até o último dia. Nestas condições, estamos certos de que agora ele está sendo bem amparado pela espiritualidade, e lá no Além ele vai colher os frutos de sua obra, em continuação à sua jornada evolutiva.
Além disso, ficamos ainda mais felizes em tomar conhecimento do interesse da parte dos colaboradores do Lampadário Espírita, como o próprio Tiago Rodrigues, em perseverar na publicação do periódico — aliás, com o consentimento e incentivo da esposa e filhos de Dâmocles. Esta é mais uma prova da boa semeadura do nosso irmão que parte para a vida nova.
Vá em paz, caro amigo Dâmocles. Receba o nosso abraço e votos de muita luz na vida nova!



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