quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Artigo "Internet, redes sociais e os pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores" por Jorge Hessen


Para a apreciação criteriosa de todos, recebemos e compartilhamos a indicação do seguinte artigo, assinado por Jorge Hessen, reconhecido divulgador espírita, residente em Brasília, Distrito Federal.


Internet, redes sociais e os pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores"
por Jorge Hessen

Atualmente coexistimos com a volúpia da era digital e recebemos exageradas e detalhadas informações de dados pessoais que são fornecidos desadvertidamente aos bancos de dados virtuais e às diversas redes sociais da Internet. Tal realidade cibernética tem sido um verdadeiro MANÁ para as tramoias “mediúnicas” dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores.

É verdade!

De algum tempo para cá, venho recebendo e registrando considerável quantidade de insinuações advindas de pessoas honestas, porém indignadas, revelando-me as malandrices e ciladas “pseudopsicográficas” artificiosas provindo de alguns celebrizados pseudomédiuns nos territórios espíritas. Por esta razão, utilizo-me deste alerta, a fim de prevenir os confrades desavisados do Movimento Espírita Brasileiro. Faço isso por causa dos protestos de inúmeras pessoas, que expressam recriminações ponderadas, como testemunhas que abalizam indícios sobre os atos ardiloso da “psicografia” censurável.

Divulgo aqui o alerta, avaliando os episódios irregulares (e cibernéticos) contra os ilegítimos artifícios “psedomediúnicos” de “pseudopsicografias” praticados porpseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores.

Advirto que entre tais pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores existe os que oferecem livros “psicografados” para comercialização, alguns pseudomédiuns são proprietários de editoras inscritas com próprio nome e há os que não têm sequer um emprego fixo.

Existem os pseudomédiuns “injuriados e caluniados” que permanecem reclamando contra ilusória “perseguição” provinda de investigadores probos. Aliás, tais pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores (que deveriam estar nos cárceres), empregam os escudos protetores das ameaças judiciais contra os que o denunciam. Na verdade, sob delírio, ospseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores não conseguem ultrapassar o estereótipo de atores de tragicomédias e vêm arremessando no lixo a mediunidade dos médiuns sinceros, iludindo pessoas de boa-fé, valendo-se sempre do embuste das informações “pseudopsicográficas” advindas das redes sociais. 

O clímax das suas armadilhas ocorre através de representações e mímicas de camufladas “pseudopsicografias” advindas das redes sociais, sempre armadas nos tablados para shows de prestidigitações teatrais ornamentadas nos impregnados palcos das incautas instituições “espíritas” (ou não espíritas). 

A fartura dos subsídios de informações pessoais sobre a identificação do “morto” são previamente memorizados e esquadrinhados após serem extraídos das redes sociais da Internet.

O processo de memorização fica condicionada ao contexto de nomes, CPF, número do telefone, endereço, apelidos, sobrenome, alusão a times de futebol, preferências, gostos pessoais, frases e descrição de conduta de parentes e amigos que compõem um farto conjunto visivelmente transcrevidos das redes sociais (Facebook, WhatsApp, YouTube, Instagram, Twitter, LinkedIn, Pinterest, Google+, Messenger, Snapchat) eis aí as fontes da paródia “pseudopsicográfica” dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores..

Nada é mais cruel do que pessoas em luto receberem falsas notícias dos seus “falecidos” através das embusteiras informações (arrancadas da Internet) considerando os ridículos números de CPF’s, endereços e números de telefones dos “finados”.

Como disse, tais informações são públicas e estão disponíveis nos bancos de dados virtuais.

Conquanto alguns se “refugiem” na enganação do consentimento das “entradas francas” para seus shows de falcatruas, não conseguem disfarçar os capciosos projetos de arrecadação financeira, através das vendas de livros “psicografados” de conteúdo doutrinário não-confiável. Além disso recebem os generosos donativos destinados a hipotéticos fins de assistencialismo em nome de instituições, muitas vezes só de “fachada”, considerando que tais entidades não possuem inscrição estadual e nem CNPJ. Por isso mesmo e por motivos óbvios, os recursos financeiros doados são depositados em conta corrente particular. Isso é crime fiscal.

Sobre os embustes dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores, sugiro aos leitores que propaguem os seus gritos de alerta. Divulguem para seus amigos e dirigentes espíritas a fim de não convidarem tais embusteiros para eventos “psicográficos” de faz-de-conta. Até porque, os pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores cobiçam a fama, a popularidade e as vantagens pecuniárias.

Sem embargo, apesar deste alerta, se continuarem a convidá-los para o palco da psicografia de coisa nenhuma, eles prosseguirão com suas tapeações, iludindo, matando esperanças, destroçando os corações debilitados de mãezinhas e familiares sedentos de notícia do além para consolação de suas almas.

Este grito de alerta sobre as fraudes psicográficas dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores está devidamente amparado nas sugestões de Allan Kardec, portanto, prevaleço-me do crivo da razão doutrinária, da lógica, bem como dos conhecimentos estabelecidos pela Doutrina Espírita, que se apresentam como inadiável dever à minha consciência, visando às adequadas medidas de grito de advertência ao Movimento Espírita Brasileiro.

Não obstante os fatos supramencionados serem extremamente graves, por questão de JUSTIÇA é necessário separar o joio do trigo, urge, portanto, considerar o fato de que obviamente existem médiuns, em plena atividade mediúnica, exercendo suas tarefas com dignidade e compromisso com as diretrizes basilares e insuperáveis da Doutrina Espírita.

Porém, cabe destacar algumas características fundamentais destes médiuns psicógrafos honrados que podem ser convidados para suas casas espíritas. Eles consentem as pesquisas científicas a qualquer momento, aliás, desejam ser pesquisados; São médiuns incorruptíveis e exercem suas atividades nas Casas Espíritas idôneas; eles exercem dignamente suas profissões, vivendo de seus proventos profissionais ou os que estão aposentados vivem de seus salários; eles mantêm as suas tarefas conforme vivenciou e exemplificou Chico Xavier no Grupo Espírita da Prece em Uberaba/MG, sendo este o maior médium de todos os tempos.

Chico Xavier efetuava o atendimento das pessoas que o buscavam, uma a uma, consolando e expressando de forma respeitosa os recados advindos da espiritualidade e após o atendimento, culminava a reunião psicografando as cartas consoladoras, trazendo os “falecidos” para a terra nas notícias fiéis que confirmavam a nossa imortalidade.

Sala de Leitura: lançamento de "O Gênio Céltico e o Mundo Invisível" de Léon Denis


Mais um clássico da literatura espírita acaba de ser inserido no acervo da nossa Sala de Leitura: O Gênio Céltico e o Mundo Invisível" do célebre filósofo espírita Léon Denis, o apóstolo de Kardec.

Veja a apresentação da obra:

O GÊNIO CÉLTICO E O MUNDO INVISÍVEL

O último livro de Léon Denis, um dos grandes apóstolos do Espiritismo, que teve a missão de divulgar e engrandecer a Filosofia Espírita. Nesta obra o autor apresenta um minucioso estudo sobre os países célticos, a origem dos povos celtas e a estreita relação existente entre a sua religião — o Druidismo — e os fundamentos da filosofia espírita.

Além de uma importante documentação histórica, Léon Denis nos apresenta a ascendência espiritual que concorreu para a formação filosófica e moral dos franceses, descendentes diretos dos povos celtas.

Colaboraram no conteúdo da obra importantes Espíritos que viveram no solo francês, como Allan Kardec, Jules Michelet e Jehanne de Domremy (Joana d’Arc).

Além do teor histórico-cultural, pelo qual podemos conhecer a fundo as raízes da civilização celta — berço essencial para a formação da França —, Léon Denis nos leva a reflexões acerca do arranjo espiritual trabalhado para guardar valores superiores entre um povo e que mais tarde seria de extrema valia para que os franceses da Era Moderna recebessem a Terceira Revelação.

Um dos destaques da obra são as mensagens mediúnicas do Espírito Allan Kardec, inclusive aquela em que ele revela detalhes de um de suas reencarnações na Gália, em que era um druida — um sacerdote celta.

Clique aqui e baixe agora mesmo O Gênio Céltico e o Mundo Invisível.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Kardec fraudado em Obras Póstumas


Desde de seu lançamento, o Projeto Cartas de Kardec (veja aqui) tem criado uma expectativa muito boa no movimento espírita, na esperança de que o acervo do Dr. Canuto Abreu, entre outras coisas, desperte ainda mais o interesse no estudo historiográfico do Espiritismo e com isso, a partir dessa riquíssima fonte de informação, ajude também a jogar luz sobre eventos relevantes e preencha lacunas a respeito de certas questões doutrinárias atualmente em controvérsia. E eis que o referido projeto já começa a nos oferecer extraordinários resultados, mesmo que se trate de revelações sobre episódios desagradáveis — no entanto, necessários para a reposição dos fatos.

O tema da vez são alterações de textos de Allan Kardec publicadas no livro Obras Póstumas, que foi editado por Pierre-Gaëtan Leymarie, conforme revelou Paulo Henrique de Figueiredo, coordenador do Projeto Cartas de Kardec, em palestra cujo vídeo está disponível no YouTube.

Confira o trecho em que Paulo Henrique relata a fraude sofrida pelo trabalho de Kardec:


O livro Obras Póstumas, como o próprio título sugere, é uma compilação de textos doutrinários de autoria de Allan Kardec, contando com mensagens dos instrutores espirituais colaboradores do Espiritismo e anotações pessoais do codificador espírita sobre os bastidores de suas pesquisas. A obra foi editada por Leymarie e publicada pela Sociedade Anônima (entidade criada para administrar e dar continuidade às obras espíritas de Kardec), duas décadas depois da desencarnação do pioneiro da Doutrina Espírita.



Obras Póstumas não foi pensado por Kardec; é, naturalmente, um trabalho de terceiros, neste caso de Leymarie — de quem se não se pode confiar, conforme o apurado histórico de seu modo de conduzir o movimento espírita na sucessão de Kardec (veja-se o caso das adulterações de A Gênese). Isso significa — infelizmente — que, doravante essa revelação de Paulo Henrique de Figueiredo, mais do que nunca, é imperativo que se leia Obras Póstumas com muito cuidado, analisando sistematicamente cada linha, comparando-a com o conjunto da obra kardequiana e observando o ensino universal dos Espíritos amigos da codificação do Espiritismo.


Pierre-Gaëtan Leymarie

Vamos aguardar a conclusão da catalogação do material do Projeto Cartas de Kardec e , tanto quanto possível, recuperar a veracidade dos textos  kardequianos para, enfim, uma reedição de Obras Póstumas, a partir dos manuscritos autênticos que estão sendo catalogados pela equipe responsável por esse trabalho.

O vídeo da palestra integral também pode ser acessada online. Confira:



OBS. Manteremos o ebook de Obras Póstumas disponível em nossa Sala de Leitura, onde emitimos o seguinte alerta:


ATENÇÃO: informações recentes sugerem que textos da autoria de Allan Kardec foram adulterados e inseridos nesta obra, pelo que, recomendamos sua leitura com o máximo de rigor crítico enquanto tais alterações sejam apuradas e a obra seja relançada.

E que venha logo a reedição de Obras Póstumas — sem fraudes.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Sobre charlatões, milagres, varellas e outros efeitos colaterais do recurso mediúnico


Desde o final do ano passado (2018), quando estourou o caso dos escândalos de abusos sexuais do médium João de Deus (que, no entanto, declara-se inocente), tanto o Espiritismo assim como todas as correntes espiritualistas de alguma forma têm penado com a ignorância e, nalguns casos, o oportunismo, vindo da parte dos críticos de plantão, cujo procedimento comum é ajuntar num saco só tudo quanto possa ser usado para denegrir os valores espirituais e, evidentemente, é a Doutrina Espírita especialmente o alvo dileto destes críticos, pois, enquanto outros movimentos são vistos mais como expressões folclóricas (a exemplo do Candomblé e Umbanda), o kardecismo tem sua sistematização doutrinária e, por força de expressão, é a que teoricamente deveria se justificar em face dos abusos daqueles que praticam o mediunismo (leia-se: a prática desordenada da mediunidade).

E o assunto está rendendo. Seguindo o drama do espiritualista João de Deus e do dito dirigente espírita Maury Rodrigues da Cruz (veja aqui), vieram à tona outros escândalos envolvendo supostos médiuns e líderes religiosos. De repente, uma onda de "caça aos bruxos" se instalou no país. Em Belo Horizonte, por exemplo, um falso médium é preso por golpes financeiros enquanto oferecia "serviços espirituais" a idosa (veja aqui): Djalma Alves da Silva (55 anos) se declarava espírita, mas se utilizava até de "truques de mágica" para impressionar potenciais vítimas, conforme reportado pela imprensa. A brincadeira lhe rendeu R$ 280 mil somente de uma idosa. Mas há casos mais graves ainda...

Djalma e seus "serviços espirituais"

Em janeiro deste 2019 a "atração" foi o caso do médium suspeito de homicídio após cirurgias espirituais: segundo a reportagem do portal de notícias G!, pesa sobre o dito médium Antônio Miguel Rodrigues (55 anos) a acusação de responsabilidade pela morte de pelo menos três fieis que recorreram a ele para obter curas espirituais, na Bahia e em Goiás.

Antônio Miguel Rodrigues, médium acusado de homicídio

Mas, claro, de todos, o caso mais emblemático é o do médium de Abadiânia de Goiás, seja pela notoriedade internacional de que gozava João de Deus, seja pela extensão das apurações policiais até então: além da gravidade dos supostos abusos sexuais (estupro de vulnerável), as autoridades policiais investigam outras ilicitudes que lhe são atribuídas em denúncias feitos pelo Ministério Público de Goiás, incluindo lavagem de dinheiro, posse ilegal de armas e coação de testemunhas.

Armas e dinheiro não declarados encontrados em imóveis de João d Deus

A sequenciamento da exposição de casos semelhantes é comum em todos os ramos. É que uma acusação formal encoraja outras pessoas. Bastou uma única mulher desafiar o imenso prestígio de um homem conhecido mundialmente, tal como João de Deus, para que outras "vítimas" se despertassem para levar a público o drama de que dizem ter carregado por anos, sufocando uma revolta da qual não teriam coragem de expor senão depois de outros, até em função da falta de amparo diante da "autoridade" que a fama impunha àquele médium.


MEDIUNIDADE E SEUS EFEITOS COLATERAIS

A mediunidade é uma dádiva que Deus concedeu à humanidade a fim de por ela encarnados e Espíritos livres possam se confraternizar no entrono do nosso projeto evolutivo. Ela é naturalmente uma via probatória da espiritualidade, a sobrevivência da alma pós-morte e da grandeza da obra de Deus, sem a qual não teríamos concretamente como validar nossas aspirações maiores acerca da nossa vida imortal.

No entanto, como qualquer outro recurso valioso, a mediunidade enseja a charlatões as mais criativas ideias para se aproveitar da boa-fé alheia e buscar promoções diversas, inclusive financeira. Daí é conveniente esmiuçarmos bem as causas e os meios comuns explorados pelo charlatanismo, com o que tanto se ocupou Allan Kardec com o objetivo de prevenir os espiritas, pois então desde o tempo do codificador do Espiritismo que a exploração de escândalos envolvendo casos similares aos de que aqui tratamos já vinha causando grande estrago à doutrina dos Espíritos.

Saiba mais sobre charlatanismo pela Enciclopédia Espírita Online.

Apesar de ser uma atividade natural, provinda da próprio ordem do organismo humano mediante as leis comuns da natureza, a mediunidade quase sempre é ignorada e muito confundida com magia, milagre e misticismo. Logo, a cada caso de um falsário, é compreensível que as pessoas duvidem mais e afasta a ideia de se envolver com uma doutrina que se fundamente na mediunidade, como é o Espiritismo. Daí, elas ficam privadas do que justamente há de mais bela e salutar na mediunidade: propiciar reflexões sobre os conceitos filosóficos e morais que a espiritualidade oferece a todos como instrumento de adiantamento evolutivo.

Mas fora o prejuízo da divulgação doutrinária com os flagrantes de charlatões, há também entre os "médiuns autênticos" o perigo do exercício mediúnico, a começar pela possibilidade de fascinação, que pode arrastar os médiuns aos mais nocivos caminhos, dentro os quais supor-se "especial" e, movido pelo orgulho, vaidade e egoísmo, usar de suas faculdades para a promoção pessoal, enquanto que seu ministério mediúnico era o de servir ao bem comum e lhe pôr a prova o desinteresse pessoal, ou seja, a caridade. Ver O Livro dos Médiuns, Allan Kardec.

Também tentador, e infelizmente não raro, é a exploração apelativa que se faz de "espetacularizar" a mediunidade no afã de "chamar a atenção", de "despertar o interesse" dos leigos, como um recurso de propaganda da doutrina. Sobre isso, Kardec sempre alertou a negatividade dos resultados, pois quem entra no Espiritismo movido apenas pela vã curiosidade e pela fascinação causada pelo fenômeno só tende a ceder à euforia, como fogo de palha — que produz altas labaredas, mas que em pouco tempo se consome e apaga a luminosidade. Estes se tornam os "espíritas exaltados", que muitas vezes mais deturpam a propagação da doutrina do que mesmo ajudam na sua divulgação:
"A espécie humana seria perfeita se sempre tomasse o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. Em Espiritismo, inspira confiança bastante cega e frequentemente infantil em relação ao mundo invisível, e leva a aceitar-se com extrema facilidade e sem verificação aquilo cujo absurdo ou impossibilidade, a reflexão e o exame demonstrariam. Porém, o entusiasmo não reflete, deslumbra. Esta espécie de adeptos é mais prejudicial do que útil à causa do Espiritismo. São os menos aptos para convencer a quem quer que seja, porque — e com razão — todos desconfiam dos julgamentos deles. Assim, por causa de sua crença fácil, são iludidos por Espíritos mistificadores, como por homens que procuram explorar a sua fé. Haveria apenas meio-mal se só eles tivessem que sofrer as consequências. O pior é que, sem o quererem, dão armas aos incrédulos, que antes buscam ocasião de zombar do que se convencerem e que não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Sem dúvida que isto não é justo, nem racional; mas, como se sabe, os adversários do Espiritismo só consideram de bom quilate a razão de que desfrutam, e conhecer a fundo aquilo sobre o que pensam é o que menos cuidado lhes dá."

O Livro dos Médiuns - cap. III, item 28.
Allan Kardec, codificador do Espiritismo

E, como dito, não é raro que os espíritas individualmente ou mesmo os centros espíritas e canais de divulgação da doutrina promovam verdadeiros espetáculos mediúnicos, muitas vezes exaltando e promovendo excessivamente o nome de médiuns, tratando-os como celebridades, quase ídolos, abdicando da missão primordial de disseminar o bom entendimento sobre a faculdade mediúnica, que é uma capacidade inerente ao organismo humano comum a todos nós.

É assim que temos visto a expansão de eventos apelativos vendendo a ideia de curas fáceis, quase milagrosas, mediante a intervenção de Espíritos curadores, enquanto a verdadeira cura fica obliterada — cura essa que é o autodescobrimento, a libertação individual a partir do desenvolvimento do intelecto e do desabrochar do espírito da caridade, portanto, a "cura da alma".


O OPORTUNISMO DOS MATERIALISTAS E ANTAGÔNICOS DA ESPIRITUALIDADE

É no ápice da exploração midiática desses escândalos que se levanta com mais vigor a voz dos antagônicos ao Espiritismo e demais correntes espiritualistas, especialmente os materialistas, dentre os quais alguns que se valem de seus diplomas acadêmicos e suas influências terrenas para vender ideias retrógradas e limitadas de um falso cientificismo e de uma exaltação tão ou mais acentuada que os mais fanáticos religiosos.

Um exemplo dessas vozes é a de um doutor celebridade que distribui pelas mídias sociais um vídeo rechaçando toda e qualquer ideia de espiritualidade pegando carona na má reputação de que sofre o médium João de Deus, vídeo esse que aconselharíamos não fosse visto para não dar audiência a essas vozes, mas, por força da necessidade de análise, aqui dispomos para apreciação de todos:


Ora, o charlatanismo e o charlatão sim devem ser expostos e rechaçados, inclusive a título de educação para prevenção de futuras vítimas. Também o Espiritismo estimula que os espíritas sejam bem atentos para distinguir o embuste e a verdadeira mediunidade. Mas daí, a partir de um falsário ou de um usurpador, você julgar todo a classe de médiuns e toda a faculdade mediúnica — e até toda a natureza espiritual — é de uma irresponsabilidade tremenda, indigna e cabível somente àqueles que se insinuam os "sabe-tudo", de quem julga conhecer todos os segredos da natureza.

Estas vozes, infelizmente, arrastam multidões e lhes privam de adentrar mais a fundo nas leis divinas e encontrar as autênticas respostas para os seus dramas pessoais, as soluções para seus conflitos psicológicos e a depuração de suas condutas. Assim foi que o cientificismo do século XX sufocou a difusão do Espiritismo na Europa e na América do Norte, onde se criou uma nova ordem científica, materialista, atendendo aos apelos imediatistas dos homens com a promessa vil de que a ciência do futuro daria a todos "cura"de todos os males físicos, psicológicos e materiais.


O SALDO FINAL

Todavia, como já tivemos oportunidade de dizer, apesar de todo o prejuízo momentâneo que a exposição desses casos incide contra o Espiritismo, o saldo final há de ser positivo a partir de certas providências que se possa deliberar para uma melhor compreensão acerca da mediunidade e, principalmente, para um melhor exercício dos recursos mediúnicos por parte daqueles que dispõem dessas faculdades. É o que se entende pela mensagem atribuída ao Cristo sobre "a necessidade dos escândalos, embora implique em pesadas responsabilidades sobre aqueles que os provoquem". Veja-se em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec - capítulo VIII, especialmente os itens 11 a 21.

Que o necessário escândalo de hoje propicie uma nova ordem de atividade no meio espírita; que possamos estudar, compreender e melhor exercer a faculdade mediúnica.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2019

Calendário Histórico Espírita: aniversário de desencarnação de Cairbar Schutel


Recordemos nesta data, por ocasião de mais um aniversário de desencarnação, de um dos maiores divulgadores do Espiritismo no começo do século XX: 

Cairbar Schutel (Rio de Janeiro, 22 de setembro de 1868 - Matão, SP. 30 de janeiro de 1938) foi um farmacêutico, político e renomado jornalista, lembrado pelo Movimento Espírita como um dos grandes divulgadores do Espiritismo do começo do século XX. Escreveu reconhecidos livros espíritas e foi fundador de dois importantes veículos de comunicação doutrinária: o jornal O Clarim e a Revista Internacional de Espiritismo, pelo que é conhecido como "O bandeirante do Espiritismo".

Conheça melhor a vida e a obra de Caibar Schutel na

Veja mais registros de eventos importantes para a Histórica do Espiritismo na página Calendário Histórico Espírita.

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

"Um novo amanhã" de Adriana Peixoto & Zum Araújo no Painel da Música Espírita


Acabamos de incluir em nosso acervo do Painel da Música Espirita o título "Um Novo Amanhã", composição de Zum Araújo que a interpreta com Adriana Peixoto, música essa que está livremente disponível para download (veja aqui), conforme autorização dos seus produtores.


Adriana Peixoto & Zum Araujo residem em Embu das Artes-SP e já desde de 2012 fazem apresentações pela região e para onde mais são convidados. Contato com Zum Araújo pelo email: zuenil@gmail.com.

Como a dupla mesmo exprime, "a ambientação musical que a dupla faz nos eventos espíritas cumpre papel fundamental pois têm como fim precípuo semear no coração de cada ouvinte, a mensagem de amor deixada pelo nosso mestre Jesus e, por conseguinte, acalmar e canalizar a energia vibracional do público para uma atmosfera mais branda para que assim possam vibrar em sintonia com o universo espiritual e melhor aproveitar as palestras o evento e o socorro espiritual que paira sobre todo encontro espirita".


Confira o vídeo da música "Um Novo Amanhã" no YouTube:


Confira outras músicas espíritas, algumas com letras, cifras para instrumentos musicais e link para videoclipe e playback em Painel da Música Espírita.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2019

Enciclopédia Espírita Online: inclusão do verbete "Quiromancia"


Em mais uma edição da Enciclopédia Espírita Online, adicionamos um verbete: "cartomancia", um costume antigo, de forte apelo popular, mas que nada tem a ver com a Doutrina Espírita senão por emprestar ocasião para se refletir sobre as velhas práticas místicas e da comum exploração da boa-fé dos menos familiarizados com as leis espirituais.

Veja a síntese do verbete:
Quiromancia, a arte de ler as mãos, é uma milenar prática especulativa baseada na ideia de que as características (direção, tamanho e textura) das linhas da palma da mão seriam indicadores da sorte e destino do indivíduo. É chamado de quiromante a pessoa capaz de interpretar essas características e, assim, capaz de fazer esse tipo de adivinhação, seja para revelar o passado do consulente, seja para desvendar seu futuro. Além de não conter nenhum fundamento científico, a prática da quiromancia é absolutamente rechaçada pela Codificação Espírita e classificada como uma espécie de superstição, misticismo e, certos casos, de embuste.
Bem se vê que vale a pena conferir esse lançamento, pelo qual os estudiosos espíritas poderão saber mais sobre a origem e o desenvolvimento da prática quiromântica, assim como saber da sua reputação frente às ciências e aos conceitos fundamentais do Espiritismo.

A Adivinha, pintura de Caravaggio

Clique aqui e acesse agora mesmo na íntegra o verbete "Quiromancia" na Enciclopédia Espírita Online.

Compartilhe e ajude a divulgar o Espiritismo!

O fenômeno Data Limite: a tese formulada a partir das revelações atribuídas ao médium Chico Xavier e os contrapontos


Tem um assunto muito em discussão no meio espírita atualmente que tem causado muita controvérsia, mexido com os ânimos de uns e gerado dúvidas em outros. Para se ter uma ideia da dimensão do assunto, que já rendeu livros e um filme-documentário de grande audiência, devemos lembrar que a nossa primeira postagem a respeito dele é hoje a postagem mais visualizada do nosso blog Espiritismo em Movimento, já com mais de 26 mil visualizações (veja aqui). Estamos falando do fenômeno Data Limite.

Abrimos o link www.datalimite.com.br e lá encontramos, já de cara, um contador decrescente cujos números convergem para o limiar do dia 20 de julho deste 2019, no horário oficial de Brasília, como está especificado na página. No título em destaque, a chamada para a "Data Limite segundo Chico Xavier". O site foi criado e é mantido por Carlos Eugenio Torres, espírita, brasileiro, de Fortaleza-CE e residente na Flórida, EUA, engenheiro da computação.


A tese veio à público por dois respeitados ativistas espíritas — Geraldo Lemos Neto e a saudosa Dra. Marlene Nobre —, pessoas íntimas do médium Chico Xavier, que é, por assim dizer, o patrono das revelações que compõem a referida formulação.

Geraldo Lemos Neto (ver no facebook) tem hoje 57 anos e está em plena atividade na divulgação do Espiritismo, palestrando, escrevendo e mantendo intensa publicidade espírita através de diversos canais, dentre os quais a TV A Caminha da Luz. Natural de Belo Horizonte, ingressou no movimento espírita desde cedo por influência de sua família materna, a família Machado, de Pedro Leopoldo, contemporânea de Chico Xavier, com quem foi muito próximo (Fonte A Caminho da Luz).

Geraldo Lemos Neto

A paulista Marlene Nobre foi esposa e viúva do deputado espírita Freitas Nobre. Formou-se em medicina e em paralelo foi uma notável divulgadora da Doutrina Espírita, fundadora do Centro Espírita Cairbar Schutel em São Paulo e da Associação Médico Espírita - AME, que presidiu por vários anos. Junto com o esposo, foi fundadora e articuladora do jornal Folha Espírita, além de autora de reconhecidos livros doutrinários, dentre os quais A Obsessão e suas Máscaras. Também foi membro do Conselho Nacional das Entidades Especializadas da FEB - Federação Espírita Brasileira. Marlene Nobre desencarnou em 5 de janeiro de 2015 (fonte FebNet).

Dra. Marlene Nobre


A tese Data Limite

O que hoje recebe o nome de Data Limite é uma tese formulada a partir de informações que justamente Geraldo Lemos e Marlene Nobre colheram junto a Chico Xavier, dadas mediunicamente, especialmente pelo Espírito Emmanuel, conforme anotamos no nosso post "Revelações De Chico Xavier Sobre Transição Planetária" de 1 de junho de 2011.

Em síntese, o inesquecível médium teria recebido informações a respeito de determinações espirituais em vista do programa evolutivo do planeta Terra, em meados do século passado, estando a nossa humanidade já muito em atraso espiritual, apesar dos esforços dos seus instrutores do além. E na iminência de deliberações mais arrojadas para se fazer cumprir o plano de adiantar o nosso globo à fase de regeneração, deixando a Era característica de expiação e de provas, inclusive pelo processo de exílio dos Espíritos mais atrasados a mundos mais inferiores — de condições de vida bem mais penosa do que nosso orbe —, Jesus teria proposto um período de moratória correspondente a meio século, para que os terráqueos pudessem se condicionar aos planos da nova Era a fim de continuarem aqui — e escapar de serem degredados —, sob a condição de os homens não cedessem à insistente tentação de um novo conflito planetário, o que seria a terceira guerra mundial, de cujas destrutivas consequências seriam quase que incalculáveis; passado essa moratória sem tal calamidade, por mérito, a humanidade então se habilitaria a novos e extraordinários benefícios da espiritualidade, enquanto que, se dentro desse prazo — que se encerra na dita data limite — a humanidade venha a caminhar para a terceira guerra, ela iria contrair para si uma grande responsabilidade, espécie de "carma coletivo", que imporia a todos um enorme sofrimento.

Geraldo Lemos e Chico Xavier

Chico teria recebido sondagens sobre o possível cenário resultante de cada uma das duas circunstâncias possíveis. No caso de vencermos esse período isentos da mancha de uma terceira guerra, novas possibilidades se abririam para o desenvolvimento humano, inclusive um contato direto com irmãos nossos de outros orbes que, mais evoluídos do que nós, podem contribuir com nosso progresso. No segundo cenário, havendo estourada o terceiro conflito mundial, ficaríamos à mercê de indizível e duradouro sofrimento expiatório.

A data limite estipulada em 20 de julho deste 2019 tem um significado simbólico: representa o meio século de moratória proposta por Jesus a contar de um dia marcante para a História da Humanidade: 21 de julho de 1969, quando o homem chegou á Lua, na incrível jornada da missão Apollo 11.

Um marco para a História da humanidade terrena: a conquista da Luz em 1969

Com a especulação de supostas previsões maias para o "fim do mundo" em 2012, correu livre a ideia de que essas especulações tivessem alguma fundamentação com as ditas revelações de Chico Xavier. Em vista disso, Geraldo Lemos e a Dra. Marlene Nobre se viram no ensejo de desvincular as duas teses e então eles lançaram o livro Não será em 2012, publicado em 2011.

Logo em seguida, a dupla lançou a obra 2019: O Ápice da Transição Planetária, contextualizando as revelações de Chico Xavier, em acordo com as explicações de Allan Kardec na codificação espírita sobre os períodos evolutivos dos mundos e a preparação da Terra para a Nova Era, como se lê especialmente no capítulo derradeiro de A Gênese.

Acompanhe pela janela a seguir um vídeo com os dois expoentes da tese Data Limite, por ocasião do lançamento do livro Não será em 2012:


Também parece válido lembrarmos das contas que o requisitado orador espírita Haroldo Dutra Dias fez para marcar o ápice da Transição Planetária, no caso, para o ano 2059, veja:





Antíteses à Data Limite

Naturalmente que não se poderia esperar consenso entre os espíritas sobre a tese Data Limite. O médium e orador Divaldo Pereira Franco por vezes deu depoimentos dúbios a respeito desse assunto. No entanto, no mais recente vídeos (pelo que apuramos) no qual trata do caso, ele sugere não endossar a tese  ainda que não se veja em condições de desmenti-la, mesmo que "pessoalmente", ele não comungue da ideia. Vejamos:




Marcelo Henrique
Por outro lado, sem sofismas e sem qualquer receio de explanar uma opinião clara e precisa, temos aqui, como contraponto à tese Data Limite, um artigo assinado por Marcelo Henrique, divulgador espírita e idealizador do grupo Espiritismo Com Kardec, que oferecemos à reflexão de todos:



Espiritismo e Previsões:A propósito da acalentada “data-limite”Marcelo Henrique

O assunto não é novo. Nem será a última vez. Parece-nos que os espíritas, em sua maioria, adoram cogitar sobre previsões e muitos consultam certos "médiuns" para saber o que lhes advirá, em breve ou mais à frente.
Em torno da Doutrina dos Espíritos, ultimamente, tem-se falado muito na tal "data-limite". É como se a paciência do Criador estivesse se esgotando e houvesse um "planejamento" para dar um basta a tantas iniquidades e violências perpetradas por todos os cantos deste ínfimo planeta de um pequenino sistema, o solar.
Atribuem ao médium mineiro — conhecido por sua imensa fraternidade e abnegação, ao mesmo tempo, sua serenidade e compaixão — a "previsão" de uma data, que estaria prestes a ocorrer, para a "depuração" planetária.
Uma releitura, evidentemente, do "juízo final" das religiões cristãs, onde se separariam, à direita e à esquerda (sem qualquer conotação política, é claro) os "bem quistos" e os "amaldiçoados". Em "leitura dita espírita", seria a progressão do planeta requerendo novos ares e novos protagonistas. Ou seja, os não-credenciados seriam retirados, compulsoriamente, do orbe para dar lugar a espíritos "mais comprometidos".
Lendo e estudando sobre a Lei do Progresso — que alcança a todos, individual e coletivamente — na Terceira Parte de "O livro dos espíritos", a "seleção espiritual" acima soa despropositada, equivocada e, até, bárbara. Os processos evolutivos são permanentes e lentos, ocorrendo, naturalmente. Os Espíritos Superiores, inclusive, em distintas partes da obra codificada pelo Professor Francês, já declinaram suficientemente sobre a ação humana para fazer progredir a(s) Sociedade(s), não sendo possível entender nenhuma ação efetiva e pontual, da "Espiritualidade" para mudar, num só ato, a "atmosfera espiritual" da Terra. Não, mesmo!
Perdoem-me se, com estas linhas, eu "decepciono" aqueles que "esperam" um "momento de libertação espiritual". Guardadas as devidas proporções, o povo judeu também ansiou por isso, com Moisés e, na própria estada do Galileu entre nós, também esperaram, seus convivas, que ele fosse o efetivo apascentador de ovelhas. Ou, quem sabe, os que "acham" que uma eleição é suficiente para "plasmar" uma sociedade melhor, mais igualitária e próspera, e os seus cidadãos, nacionalmente, mais felizes.
Kardec, visionário, antecipou esta discussão — que também era objeto de sua preocupação, para entender de fato o "papel" dos Espíritos na vida dos homens (também, Espíritos), diante do quadro de interdependência e correlação entre as duas realidades, a física e a espiritual. Sim, o Codificador admoestou as Inteligências Invisíveis acerca do que poderia (ou não) se informado aos viajores na carne. E recebeu, às vezes, na forma de orientações, chamadas importantes no sentido de que, a nós, encarnados, não estão acessíveis determinados "conhecimentos", em face das próprias Leis Espirituais e porque, em nossas trajetórias, devemos agir e não esperar que os "Céus" façam algo por nós.
A saída da infância para a maturidade espiritual, assim, depende da mudança de paradigmas conceituais. O "crente" — mesmo o espírita — ainda entende Deus de uma forma pessoalizada e antropomorfizada, resultando daí as conhecidas expressões que são utilizadas, diuturnamente, na vida em geral e nas assembleias espíritas, como se Deus agisse, Deus protegesse, Deus abençoasse, Deus provesse, Deus afastasse, e tudo, absolutamente tudo, ocorrendo com base na "vontade de Deus".
Esta "vontade", entendamos, é a própria resolução da vida, a partir da aplicabilidade, total e permanente, dos efeitos de suas Leis Universais, todas elas autoaplicáveis e regentes de todos os Espíritos e todos os Mundos, sem que ele, o Criador, a Fonte, a Essência, esteja participando dos mínimos e comezinhos atos da existência humana. Em outras palavras, Deus não olha nem deixa de olhar por qualquer de suas criaturas, ainda que, pela poesia das religiões, o filho entenda necessário e possível estar "cuidado" pelo pai. Quando será, então, que "sairemos de casa para a nossa vida independente", se ainda queremos que o "Papai do Céu" nos vele e guarde em cada curva do caminho?
Esta independência, esta autonomia é a principal aspiração da Humanidade em marcha, neste quadrante evolutivo. E veja-se que Kardec, ao interpretar o conteúdo trazido pelos Luminares, até arriscou, ele mesmo, a estabelecer um cronograma espiritual para a amplitude espiritual planetária, quando mencionou, na Revue Spirite, os “períodos do Espiritismo”. Quanto à nomenclatura dos mesmos — escudado nas informações espirituais recebidas — nenhum reparo. As denominações (curiosidade, filosófico, de luta, religioso, intermediário e de renovação social) nos parecem ser pontuais e verossímeis. Evidentemente, quando Kardec escreveu tais linhas, vivia o terceiro dos períodos e esperava que viessem os demais em curtos espaços temporais, como os anteriores. Tanto que a dissertação de que nos valemos para ilustrar a conduta do Codificador tem como título “Período de Luta” e está na Revue Spirite, edição de dezembro de 1863. Mas os curtos períodos sequenciais não se verificaram. Um pouco pela própria ambiência planetária e o recrudescimento dos ideais espirituais em face dos dois grandes conflitos bélicos mundiais e, em parte considerável pelo “enamoramento” dos espíritas pelas questões religiosas (de todos os tempos), fazendo com que a faceta de religião (cristianismo redivivo) se tornasse mais evidente, principalmente em terras brasileiras (adjetivadas poética e ufanisticamente como a “Coração do Mundo e Pátria do Evangelho”). Então, desde a publicação de “Imitação de O evangelho segundo o Espiritismo (1864) até o presente momento, ainda estamos “patinando” no período religioso, apesar da existência de um grupo cada vez mais numeroso, pelo menos em manifestações nas redes sociais e presença nas instituições espíritas, que bradam acerca da necessidade de superação do “comportamento meramente religioso” das assembleias e associações espiritistas, para dar prosseguimento ao “curso do rio”, levando-nos a assumir a condição afeta ao tal “período intermediário”, condutor à melhora ou progresso coletivos (“regeneração social”).
Se Kardec flerta com a previsão, ele o faz para tentar, ele mesmo, entender o processo de maturação das ideias espíritas e da própria conjuntura social, e não por mera curiosidade ou por necessidade de atuação dos Espíritos em tarefas que a nós são cabíveis e exigidas, para nos envolvermos, conscientemente, com a trajetória progressiva de nossas Sociedades. Kardec, homem prático e de ciências, filósofo perspicaz também possuía — mesmo que muitos o neguem — suas características humanas, relativas à trajetória comum de cada Espírito. Mesmo missionário na tarefa que abraçou, guardava ele as condições e características de um espírito reencarnado num “plano de provas e expiações”. Não é novidade que os “crentes”, portanto, tentem atribuir aos “ídolos” posição espiritual que eles, ainda, não possuem. Embevecidos, os olhares ficam turvos e enevoados, e não permitem, por vezes, que se vislumbrem as essências e as reais condições de espiritualidade. Natural, portanto.
Rivail, em dois momentos significativos de sua produção espírita, pergunta aos Orientadores Espirituais acerca do conhecimento do futuro. Primeiro, por volta de 1857, quando ao preparar a obra primeira, questiona se o futuro poderia ser revelado aos homens. E, dos Preclaros Amigos, recebe a contundente resposta: “Em princípio o futuro lhe é oculto e só em casos raros e excepcionais Deus lhes permite a sua revelação (“O livro dos espíritos”, item 868). Ao interpretar o conjunto das respostas contidas neste segmento, que compõe o Cap. X (Lei de Liberdade) da referida obra, assim sentencia o Codificador: “Quanto mais se reflete sobre as considerações que teria para o homem o conhecimento do futuro, mais se vê como a Providência foi sábia ao ocultá-lo. A certeza de um acontecimento feliz o atiraria na inação; a de um desgraçado, no desânimo; e num caso como no outro suas forças seriam paralisadas. Eis porque o futuro não é mostrado ao homem senão como um alvo que ele deve atingir pelos seus esforços, mas sem conhecer as vicissitudes porque deve passar para atingi-lo. O conhecimento de todos os incidentes da rota lhe tiraria a iniciativa e o uso do livre-arbítrio; [...] Quando o sucesso de uma coisa está assegurado, ninguém mais se preocupa com ela”.
Veja-se a acurada sensibilidade e a aguçada sabedoria do Mestre Lionês. Não se pode cogitar das ocorrências futuras senão como projeto, como ideal, como aspiração. Aquele velho sonho que todos acalentamos, no cotidiano corriqueiro, de termos melhores condições, de sermos mais felizes, de vencermos as (próprias) dificuldades. Sem saber o que ocorrerá e, muito menos, os detalhes das situações futuras.
Poderão os mais “apressados” dizerem que o doce e Cândido Xavier teria “estatura espiritual” e “conhecimento espírita” para revelar-nos a previsão da “data-limite” e que deveríamos nos curvar diante dessa “benesse espiritual” vinda pelas mãos do médium. Engraçado é que esta aludida “revelação” contrasta totalmente com a postura (não-mediunizada) do homem Francisco, que sempre se posicionou cauteloso e reconheceu sua condição de “eterno aprendiz”, não se prostrando a realizar ações “em nome do Espiritismo”. E, como médium, também ressalvou a sua condição de mensageiro e ressaltou e relevou, sempre, que as mensagens derivadas de suas trêmulas mãos deveriam passar pelo crivo kardeciano, repetindo, sempre, o que teria ouvido, como advertência, de seu principal mentor, Emmanuel: “na dúvida, fique com Kardec”.
Os espíritas em geral não querem saber de Kardec. Até acham relevante — mas ultrapassado — o trabalho que ele realizou. Rebaixam-no, quase sempre, à condição mínima de “secretário dos Espíritos” ou de “organizador da Doutrina dos Espíritos”, tão-somente, esquecendo-se da premissa de que, se não houvesse Rivail, a referida doutrina não existiria. Não, certamente, no contexto em que o recebemos das mãos do hábil professor francês, com sua produção magnífica de 32 (trinta e duas obras) em quase doze anos de produção literária, de pesquisa e de prática espiritistas.
Kardec é, praticamente, o “livro da estante” ou o “livro em cima da mesa” nas instituições espíritas em geral, ainda que, vez por outra, lá num cômodo mais escondido, um grupo pouco numeroso — em relação à lotação das assembleias de palestras e passes — teimosamente ainda tente entender a lucidez do Mestre, em suas obras fundamentais. Ou, que, na própria reunião pública, de “exortação da mensagem”, uma página aberta a esmo, de “O evangelho” ainda sirva para a “preparação do ambiente”. Sim, senhores! Como sempre disse o sensato Professor Herculano Pires, Kardec (e o próprio Espiritismo enquanto filosofia) ainda são o “grande — e ilustre — desconhecido” dos próprios espíritas.
A “turma” gosta mesmo é de novidade (e a “previsão” da futura data “transformadora”, para que nós “estejamos avisados e conscientes” é a grande novidade “da vez”)! Novidades estão nos romances — desde os mais “antigos” da “série André Luiz”, os “históricos” de Emmanuel, ambos advindos das mãos chiquistas, as “histórias românticas” ou as “orientações de conduta” de Lucius, Rochester, Victor Hugo, Miramez, Marco Prisco, Ivan de Albuquerque e tantos outros... Estas são, digamos, mais “fascinantes”, mais “interessantes”. É como assistir a uma novela, série ou filme, não é mesmo? Não foram poucas as vezes que ouvi de amigos frequentadores de casas espíritas: “— São muito boas, porque falam a língua da gente, refletem situações das nossas vidas e são mais fáceis de entender!”.
Quantas delas, assim, a pretexto de serem tidas como “espíritas” e, igualmente, tratando de conceitos ou questões que fazem parte do “vocabulário espírita” não encerram, TODAS, visões particulares, pessoais, do Espírito comunicante e, muitas mais, não estão sujeitas à excessiva incidência das opiniões anímicas o médium que as recepcionou, ou dos revisores, editores e dirigentes espíritas? Não há mensagem “nula” nem “inocente” ou “despretensiosa”. Todo texto — inclusive este, meu — visa a um propósito. No meu caso, cogitar da necessidade de sermos MAIS ESPÍRITAS e menos românticos e fantasiosos. E, ao invés de “plasmarmos” a Terra pós-data-limite, trabalharmos para melhorar a ambiência e a “energética” espiritual aqui presente e reinante, com nossa dose de esforço e participação.
A “data-limite” é uma fantasia de quem realmente está mais preocupado com “destino”, “fatalidade”, “carma”, “resgates” e outros pseudoconceitos espíritas, tão incorporados à rotina das atividades espíritas que, tanto os mais novos nelas acreditam e passam a repeti-las, quanto os mais antigos deixaram de lado a segurança das afirmações contidas na Codificação para, atraídos por “quinquilharias”, trocarem o ouro pela pirita, que brilha tanto quanto aquele.
Vejamos outra importante passagem, contida em outro livro do nosso francesinho, agora em “O Livro dos Médiuns”, no Cap. XXVI, item 288, subitem 7. Questiona o Codificador: “Os Espíritos podem nos desvendar o futuro?”. A admoestação encontra-se no capítulo em que Kardec leciona acerca da tipologia de perguntas que podem ser feitas aos espíritos, onde importa a forma e o fundo. E, ainda mais, continua o preclaro professor, o encadeamento entre os questionamentos constitui o próprio MÉTODO de aferição das mensagens e, também, o proveito do diálogo que se trava com os Seres Desmaterializados, sendo conveniente prepará-las com antecedência e clareza, evitando questões salteadas e “ao acaso”. Isto porque também o Espírito (desencarnado) se prepara para responder ao que se lhe pergunte, ao contrário da formatação que se lhe dá (à comunicação mediúnica) nos centros espíritas de todo o Mundo. Ou seja, para os espíritas “comuns”, basta a concentração do médium (e do ambiente) e a seriedade de propósitos, que a “boa comunicação” se dará. Mas, retornando à perquirição feita por Rivail, assim lhe disseram os Instrutores: “Se o homem conhecesse o futuro, negligenciaria o presente. [...] Trata-se de um grave erro, porque a manifestação dos Espíritos não é meio de adivinhação. Se insistirdes numa resposta, ela vos será dada por um Espírito leviano. Temos dito isso a todo instante”.
Os espíritas contemporâneos, em sua grande maioria, parecem se comportar como os crentes retratados no Antigo Testamento, logo após a retirada de Moisés para alguns afazeres, deixando ao povo a Tábua da Lei (Dez Mandamentos). Ao retornar, encontrou seu povo novamente adorando os bezerros de ouro, não obstante a diretriz de não cultuarem imagens. Mesmo com as orientações precisas contidas na Codificação, os espíritas se maravilham ante determinadas páginas ditadas por Espíritos que são “tradicionais” e “reconhecidos” por suas identidades e qualificações — quando em vida — recepcionados por médiuns idôneos, é verdade, fraternos e envolvidos em atividades assistenciais, quando, isto por si só, fosse suficiente para a aferição de veracidade e oportunidade das mensagens. Em outras palavras, trocou-se a segurança do exame comparativo e detalhado da mensagem pela “autoridade” do Espírito comunicante ou do médium que a divulga. Sai a Codificação e entra a Revelação Mediúnica Brasileira. Sai a Tábua da Lei e entra o Bezerro Mensageiro!
Estas previsões acerca do futuro que grassam por aí, assim como determinados relatos de médiuns, até convictos, dizendo que espíritos da Revolução Francesa, por exemplo, estão por aqui, para “acelerar” o progresso do nosso (maior) país (espírita do mundo), nada mais são do que meras suposições, sem qualquer base doutrinária. Se temos, aqui ou ali, alguns espíritos fazendo estas previsões, o que poderia representar, a priori, o elemento de generalidade das informações, já que estão sendo ditas por espíritos diferentes em lugares distintos e em momentos separados, MUITO CUIDADO! Não é a repetição, pura e simples, da mesma mensagem (por fontes esparsas, ou seja, médiuns diferentes) que simboliza a expressão do Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos (CUEE) estabelecido por Kardec. Podem ser — e notadamente o são — espíritos brincalhões, a zombar de nossa credulidade ou da falta de discernimento em comparar, selecionar e separar o que é crível do que é fantasioso. Numa expressão: “preferível repelir dez verdades do que acatar uma só mentira” (Erasto).
Efetivamente, o advento do Plano de Regeneração, que é o estágio adiantado àquele em que nos encontramos (Provas e Expiações) será realidade, tão como no-lo disseram os Espíritos Superiores, ao tratarem da Progressão dos Mundos. As mudanças planetárias serão a conclusão das modificações inseridas nas sociedades (Estados) e, estas, resultantes do progresso individual dos homens que as integram. Os que aqui estão e os que irão reencarnando, pouco a pouco, num processo natural de “depuração” do orbe.
Sem, portanto, a definição de uma data (ano) e, tampouco, com celebrações a respeito. Acreditar em previsões desta natureza, mesmo com a melhor das intenções, é ato similar àquele indivíduo que consulta um babalaorixá, pedindo-lhe os números da loteria; ou à senhora que consulta a cartomante para saber se será feliz no amor; ou, ainda, o jovem que consulta o médium para aconselhar-se sobre qual carreira seguir. Os Espíritos Superiores, que estão ao nosso derredor e que podem ser consultados sobre questões relevantes, de importância para a Humanidade, não se ocupam com questões mundanas, de mera curiosidade, ou de interesse particular. Mas haverá os desencarnados que se locupletam com tais questiúnculas, tal qual os encarnados que se comprazem com divertimentos pouco edificantes e que logram proveitos à base da credulidade e ingenuidade alheia.
Façamos, pois, o melhor que nos compete, a cada dia, a cada encarnação, credenciando-nos para ocupar espaços em melhores condições existenciais, em planos mais adiantados, colaborando com a “obra da Criação”, no continuum de nosso progresso espiritual. Hoje, amanhã e sempre!

E você, o que acha disso tudo? Deixe sua opinião e todas são bem-vindas, a fim de alimentar um positivo debate de ideias, mas que seja sempre emitida com o mais absoluto respeito às pessoas envolvidas e o livre exercício de cada qual ter suas convicções.


Participe dessa reflexão você também!