quinta-feira, 11 de julho de 2019

Artigo: "O Mito da origem da Umbanda" por Eric Pacheco


O MITO DE ORIGEM: uma revisão do ethos umbandista no discurso histórico, obra que questiona o mito de origem da umbanda escrita pela pesquisadora Maria Elise Rivas.
Muitos umbandistas consideram Zélio Fernandino de Morais como fundador da umbanda e a estória contata sobre ele como o marco inicial da religião. Mas na verdade, como atestam diversos pesquisadores (na verdade é meio que um consenso na academia) a estória de Zélio é apenas um mito de fundação seguido por certas vertentes, inclusive com versões diferentes. Algumas outras até afirmam que a origem da Umbanda está em tempos imemoriais, em continentes perdidos. Vamos ver algumas referencias sobre isso.


Na obra Caminhos da alma: memória afro-brasileira o antropólogo e pesquisador assistente no Museu Nacional (UFRJ) Emerson Giumbelli comenta, a partir da página 184, sobre esse mito fundador e diz o seguinte:
"Adquire proeminência a figura de Zélio de Morais, cuja notoriedade se produz em torno de certo reconhecimento de seu papal de 'fundador' ou de 'pioneiro' da umbanda no Rio de Janeiro e arredores. [...] As fontes das informações que fundamentam esses relatos umbandistas não são precisas."

Num artigo feito por André de Oliveira Pinheiro, Mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se diz o seguinte, deixando claro que a estória de Zélio se trata de um mito fundador seguido por certas correntes da Umbanda:
"O vigésimo e último número da Revista Espiritual de Umbanda chegou às bancas em novembro de 2008. Nessa época, o centenário da Umbanda era comemorado pelas diversas correntes ou escolas umbandistas que defendem o mito fundador desta religião protagonizado pela entidade Caboclo das Sete Encruzilhadas e pelo médium Zélio Fernandino de Moraes."

Num artigo intitulado Umbanda, intelectuais e nacionalismo no Brasil, de Artur Cesar Isaia, da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, ele deixa claro que embora não se possa afirmar que Zélio realmente fundou a umbanda, se pode pelo menos reconhecer o simbolismo do mito fundador:
"Conforme me referi em um trabalho escrito durante os anos 199024, a riqueza simbólica advinda do mito de origem é o que importa e é aí que a história reconhece autenticidade. Diana Brown já mostrava a especificidade da transposição da narrativa mitológica de origem para o âmbito dos estudos empíricos. Se não se pode afirmar que Zélio de Moraes tenha “fundado” a umbanda, a riqueza simbólica deste mito é altamente indiciária, inclusive, de uma leitura da história assumida por alguns intelectuais da umbanda."

Num artigo intitulado Umbanda, uma Religião que não Nasceu: Breves Considerações sobre uma Tendência Dominante na Interpretação do Universo Umbandista, de Bruno Faria Rohde, ele deixa claro que há diversos pesquisadores que consideram o relato de Zélio apenas mítico:
"Tal marco-mito já foi narrado ou mencionado inúmeras vezes nos mais diversos contextos, como livros de umbandistas e estudiosos da religião (duas categorias que obviamente podem se sobrepor), revistas umbandistas, sites diversos e apostilas formuladas por terreiros e federações. É difícil encontrar um texto, acadêmico ou não, sobre a umbanda (a não ser quando trata de questões muito específicas) que não faça uma referência direta ou indireta a ele, tratando-o como mito propriamente dito ou como marco histórico."

Em outro artigo de André de Oliveira Pinheiro chamado Mito Fundador, Tradição e Tensões no Campo Umbandista, ele deixa claro que que a estória de Zélio é apenas um mito fundador, no sentido de uma narrativa que aparece como solução IMAGINÁRIA:
"A anunciação da Umbanda pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por meio da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, é relatada na Revista Espiritual de Umbanda nº 01, em matéria intitulada 'A primeira manifestação oficial da Umbanda'. No texto estão relatados os principais episódios deste mito fundador, cujas versões – sempre com algumas variações – circulam no meio umbandista e transmitem certa visão das origens da Umbanda. Ao explicar o que é um mito fundador, Marilena Chauí esclarece que a palavra 'mito' deve ser compreendida no sentido antropológico, como uma narrativa que aparece como solução imaginária para tensões, conflitos e contradições que não encontram caminhos para serem resolvidos no nível da realidade. Já o termo 'fundador' refere-se a um momento passado imaginário, tido como instante originário que se mantém vivo e presente no curso do tempo."

Outro artigo que deixa claro que se trata de um mito fundador: A invenção do Brasil no mito fundador da Umbanda.


As referencias podem se multiplicar aos milhões. É só pesquisar origem da umbanda ou mito fundador da umbanda no Google acadêmico ou no Google livros. Com o tempo vou adicionando novas informações e fontes nesse artigo.


Fonte: Eric Pacheco

sexta-feira, 5 de julho de 2019

Sala de Leitura: Exclusão de publicações da FEB


Lemos no porta da Federação Espírita Brasileira (febnet.org.br) uma nota de esclarecimentos sobre as obras publicadas pela sua editora e, a todos os canais de divulgação espírita, um apelo que toca a nós da Luz Espírita, por isso, convém reproduzirmos aqui fielmente o conteúdo desta nota, como segue:

Esclarecimentos sobre publicação de livros da FEB Editora
Atualmente a FEB Editora conta com um catálogo de 300 livros eletrônicos (e-books) que se somam aos mais de 600 títulos impressos na divulgação de conteúdo espírita de qualidade com atenção à fidelidade doutrinária. Nossos e-books podem ser adquiridos em espaços virtuais variados, a preços acessíveis (em média custam 30% do preço de capa do exemplar impresso), constituindo-se em alternativa para a obtenção de livros de forma segura e com o selo de qualidade da FEB Editora.
De acordo com a Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998, que regulamenta os direitos de autor e os que lhe são conexos no Brasil, cabe somente à detentora dos direitos autorais a edição, adaptação e reprodução da obra, entre outras ações possíveis. Assim, todos os direitos de reprodução, cópia, comunicação ao público e exploração econômica dessas obras estão reservados, única e exclusivamente, à FEB, sendo proibida sua reprodução total ou parcial, por qualquer meio, sem expressa e prévia autorização.
Frente aos imperativos da lei brasileira, pedimos aos responsáveis por sitesblogs e demais repositórios eletrônicos a gentileza de retirar do ar obras cujos direitos autorais pertencem à FEB Editora.
Certos da compreensão e união de todos em torno do trabalho de divulgação do Espiritismo, deixamos, para conhecimento, sites onde é possível obter informações e livros espíritas, para todas as idades, com a qualidade FEB: Federação Espírita Brasileira: febeditora.com.br; Amazon: febnet.me/amazon; Google: febnet.me/google; Apple: febnet.me/apple
Brasília, 28 de junho de 2019
Conselho Diretor da Federação Espírita Brasileira

Não apenas pelo dever de respeitar a lei civil, mas por respeito ao direito legal da FEB, nós da Luz Espírita estamos editando nossa Sala de Leitura para de lá excluirmos todos os títulos cujos direitos estejam reservados àquela entidade e justificamos a inclusão destes em nosso acervo virtual pelo interesse em divulgar a nossa Doutrina Espírita ao mesmo tempo em que sempre encorajamos nossos confrades a adquirirem os livros impressos publicados pela FEB, inclusive cópias repetidas para serem presenteadas. E temos inúmeros exemplos de pessoas que, após a apreciação dos ebooks, justamente efetivaram compra na Livraria da FEB, inclusive porque o público de livros virtuais ainda é minúsculo, especialmente frente às pessoas que preferem ou só consumem livros físicos. Além disso, pensamos que, não fosse pela divulgação online, muitos títulos ficariam no obscurantismo e os livros encalhados. Então, cremos que não tenhamos dado prejuízo à editora da FEB.

No entanto, reconhecemos que o uso de ebook tem se popularizado, dentre outras coisas, em razão do barateamento de dispositivos de leitura (tabletes, smartphones etc.) e a maior acessibilidade à internet. Desta forma, a comercialização de livros digitais tem se tornado mais promissora nos tempos atuais, o que justifica a preocupação da FEB. Nesse aspecto, a distribuição clandestina desses arquivos é mesmo nociva os negócios da entidade.

O que se poderia questionar — e nós questionamos —, fora do âmbito legal dos direitos autorais, é o direito moral da Federação, a troco de objetivos financeiros, censurar a livre distribuição de clássicos — especialmente a coleção psicografada por Chico Xavier — que já desde há muito tempo tem lhe rendido uma verdadeira fortuna e que, mais do que patrimônio da FEB, é um patrimônio do Espiritismo. E se pensarmos bem, pelo tímido progresso do movimento espírita, ou talvez estagnação (para não dizer retrocesso), que tem feito a Federação com esses recursos em prol da doutrina?

Não fosse pelas articulações independentes, como nosso Portal Luz Espírita, o site Autores Espíritas Clássicos, as obras da Fundação Espírita André Luiz, as inúmeras emissores de webrádio e webTV, que seria da propaganda espírita? A nosso ver, a FEB parece muito distante da grande massa, sedenta e até aflita, desnorteada em meio a tantas controvérsias no movimento espírita, que a FEB não teve até então muito jeito de cuidar. E, como dissemos, não faltaram recursos financeiros, pois somente a bibliografia de Chico Xavier — pelos dados públicos de sua vendagem — tem lhe gerado uma receita considerável. E se assim nos expusemos, não é senão a título de crítica construtiva, mesmo apelo aos diretores da federativa, para que se aproximem mais do povo e sejam mais eficientes na aglutinação de forças construtivas em prol da propaganda espírita. Nós temos uma mensagem extraordinária — a revelação espírita — a levar para o nosso povo; precisamos ir à campo, ter mais espírito missionário; temos que multiplicar os talentos da metáfora do Cristo.

Bom, felizmente as obras básicas da codificação espírita de Allan Kardec e os clássicos da primeira geração, como os livros de Léon Denis, Gabriel Delanne e Berthe Fropo, já se tornaram de domínio público e podem ser traduzidos e distribuídos livremente.

Um exemplo nobre, digno de ser registrado aqui, é a atitude que tem tido os herdeiros de José Herculano Pires, permitindo  desde que sem comercialização  a livre circulação das frutíferas letras daquele memorável filósofo.

E continuaremos tendo ainda em nossa Sala de Leitura obras de autores contemporâneos que nem sequer se incomodaram em imprimir livros e nos ofertaram seus livros diretamente na versão virtual para uso livre.

Com isso, temos a felicidade de poder contar com um refinado acervo: Kardec, Denis, Delanne, Fropo etc., certos que só estes são subsídios para muitos anos de estudo, ou mesmo reencarnações.

OBS: Em decisão conjunta dos sites parceiros, Luz Espírita e Autores Espíritas Clássicos, as devidas providências para a retirada do material reservado à FEB já estão sendo tomadas  para o mais breve possível atendermos ao apelo feito na referida nota de esclarecimento.

Ensaio: "A Ciência avançou, de 1868 para cá?" por Marcelo Henrique



Este é um questionamento capital em sede de Espiritismo. Afinal de contas, no período inaugural da Filosofia Espírita, com Kardec à frente do chamado "movimento espírita originário", o seu rigor lógico-sistemático-metodológico, a sua adstrição ao modelo filosófico por ele concebido e a experimentação científica praticamente restrita aos contextos da psicografia  apesar de seu atento olhar ter vislumbrado os demais fenômenos mediúnicos ou de intercâmbio entre as inteligências desencarnadas com as  o levaram a estruturar um sistema claro, baseado em duas premissas fundamentais.

A primeira delas o livre exame de toda e qualquer produção psicográfica, submetida ao Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos (CUEE), para, somente admitir como componentes da Doutrina dos Espíritos aquelas informações dadas por diferentes médiuns em distintos momentos, SEM CONTATO ou COMUNICAÇÃO entre os receptores, fique isto bem claro, assim como sem possibilidade alguma de influência de uma mensagem prévia nas subsequentes.

A segunda, não menos importante, prescrevendo que o Espiritismo estaria em marcha e seria, sempre, progressivo, em termos de "revelações" espirituais, calcadas em novos exercícios de psicografia e na análise sobre os textos, em cotejo com princípios e fundamentos espiritistas, admitindo, inclusive, que novos princípios poderiam ser agregados. Mas não se limitou ao “progresso” advindo do intercâmbio mediúnico, como estabeleceu, conforme o trecho contido na parte final do item 55, do Capítulo I, de “A Gênese” (edição restaurada, publicada pela FEAL em maio de 2018), que os espíritas estivessem sempre atentos aos avanços científicos.

É o texto kardeciano: “Avançando com o progresso, o Espiritismo jamais será superado, pois, se novas descobertas demonstrarem estar em erro em um determinado ponto, ele se modificará sobre esse ponto.  Se uma nova verdade se revela, ele a aceita” (Tradução de Carlos de Brito Imbassahy).

Ou seja, dois seriam os caminhos necessários para a ATUALIZAÇÃO ou PROGRESSIVIDADE dos conceitos espíritas: 1) a existência de novas comunicações, advindas dos Espíritos (realmente) Superiores, balizadas no exame lógico-racional e em comparação com os princípios e fundamentos espíritas, posto que não poderiam ser, jamais, contrários a estes, e que poderiam rever informes contidos no contexto da Codificação (32 obras de Kardec), assim como tratar de temas e apresentar novos contornos a temas já tratados pelo Professor francês; e, 2) a demonstração, por máximas (teorias) científicas, calcadas em experimentos reconhecidos e validados pelas ciências (considerando o amplo leque de ramos científicos), legitimados pelas academias de todo o mundo.

Ora, sabemos que a opção do Espiritismo à brasileira (movimento espírita brasileiro) foi o completo distanciamento tanto das regras metodológicas acima expostas quanto da própria sistemática de evocação de Espíritos, preferindo-se a (tácita) aceitação das mensagens psicografadas, reconhecendo a autoridade de médiuns  tidos como prodigiosos em função de suas características mediúnicas  assim como de Espíritos, baseados na autoidentificação que eles mesmo apresentaram por meio das mensagens, buscando “aproximá-los” de personagens que teriam sido vinculadas à proposta da religião cristã ou que teriam vivido em nosso país. Ou seja, a “autoridade” proveio do reconhecimento (popular espírita?), da eleição institucional (centros ou federações) e da não-contestação dos “traços biográficos” que estes espíritos teriam informado aos seus interlocutores. Em alguns casos, a vida física conhecida e atribuída ao ser espiritual comunicante, guarda correlação com a produção mediúnica. Em outros, nem isso é possível, seja porque o ser, quando encarnado, não teve uma história pública conhecida e não foi reverenciado por nenhuma contribuição que possa ser comprovada historicamente, ou se trata de personagem comum, sem expressão. Ou, ainda, se-lhe atribuem uma identidade, vinculando-o a um “vulto histórico”, mas que, as expressões de sua identidade espiritual são bastante distantes daquele ser que a história registrou importância.

E seguimos, nós, encurralados, por um lado, pelos progressos científicos  que já são capazes de suplantar conceitos que apareceram nas obras kardecianas, até porque tenham sido escritas e publicadas dentro do contexto histórico-cultural-científico-literário da segunda metade do século XIX  e, por outro, por nossa apatia generalizada, nossa autodeclaração de incapacidade ou indigência cultural-filosófica-científica, seja para inquirir os Espíritos Superiores, de modo sistemático e organizado, seja para filtrar, das comunicações recebidas, com a mesma baliza de Rivail, para separar “joios” de “trigos”.

A Ciência  ou as Ciências  avançou. E nós?

A pergunta que se faz para todos aqueles que se debruçam sobre a “obra mais científica” de Kardec (“A Gênese”, em sua edição restaurada) é:  até quando?

Marcelo Henrique

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Série Poesia Espírita: "O Livro Divino" de Castro Alves (Espírito)


Continuando a série de vídeos Poesia Espírita, trazemos para a nona edição mais um poema do Espírito Castro Alves"O Livro Divino", contido na obra Poetas Redivivos, editado pela Editora FEB, psicografado por Chico Xavier. Este é o mesmo autor do último vídeo da nossa série, cuja poesia compartilhada foi "Marchemos" (veja aqui).

Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) é um dos mais lembrados e queridos poetas brasileiros de todos os tempos, conhecido em seu tempo como "o poeta dos escravos", dado sua incansável luta em favor do abolicionismo, a campanha pela libertação dos escravos negros no Brasil. Sua obra-prima é "O navio negreiro", pela qual pinta em cores fortes o drama dos africanos trazidos à força para a América, atolados numa fossa naval, transporte esse que lhes consistia uma verdadeira prova de vida:

"Era um sonho dantesco!...
o tombadilho, que das luzernas avermelha o brilho,
    Em sangue a se banhar!...
Tinir de ferros, estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
   Horrendos a dançar...
    (...)
E ri-se a orquestra irônica e estridente...
E da ronda fantástica a serpente Faz doidas espirais..."


Castro Alves
Ver biografia.

Do plano espiritual, contribuiu com a coletânea de poesias pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, a exemplo desse imperativo refrão, "O Livro Divino", que ressalta as luzes do Evangelho de Jesus.

Devemos a declamação desta poesia à gentileza da nossa confrade Elizabeth Caires, de São Paulo, Capital.

Deleitemo-nos com o referido poema:


Gostaria de também gravar uma declamação para a nossa série Poesia Espírita? Ótimo! Para tanto, entre em contato conosco informando sua disponibilidade para participar desse trabalho.

Veja mais Poesia Espírita.

sexta-feira, 28 de junho de 2019

Artigo: "Allan Kardec, dos seus antepassados à sua primeira infância"


Mais uma preciosidade histórica relacionada ao Espiritismo, contendo inéditas e interessantes informações da genealogia do codificador espírita, Allan Kardec, garimpada pelo notável pesquisador espírita Rogério Miguez (São José dos Campos-SP): um artigo originalmente publicado, em francês, pelo Centro Espírita Lionês Allan Kardec, ou Centre Spirite Lyonnais Allan Kardec, instalado em Lyon, França (visitar site oficial) e traduzido por Miguez, que gentilmente compartilha com nossos confrades, conforme segue.



Allan Kardec,
dos seus antepassados à sua primeira infância

Se a semente traz em si todos os elementos inerentes à sua condição, isto é, os germes de sua individualidade, não é menos verdade que depositada em uma terra rica e fértil e submetida a um clima propício ao seu pleno desenvolvimento, ela poderá, uma vez madura, oferecer o melhor dela mesma produzindo frutos nutritivos e saborosos. 

Quando conhecemos as expectativas que existiram sobre o Espírito do futuro Allan Kardec e como ele soube tanto com brio quanto humildade, realizar um trabalho considerável durante um curto período de tempo, a ponto de alterar substancialmente a existência de muitas pessoas em todo o mundo e ao longo de várias gerações, pode-se perguntar qual foi o terreno fértil, escolhido pelos irmãos, para lhe permitir que alcançasse tal proeza após seus 50 anos. É esta questão que nos propomos a aprofundar. Uma pequeno pesquisa sobre o meio onde Allan Kardec nasceu, suas raízes, seus familiares, seu meio ambiente e tudo o que poderia contribuir para nos trazer o fruto sublime do espiritismo.


Dos antepassados, em Lyon pelo pai e na região de Bourg-en-Bresse pela mãe. Começamos remontando em primeiro lugar ao ramo paterno

O pai de Allan Kardec, Jean-Baptiste Rivail, advogado, nasceu em Lyon, em 6 de fevereiro de 1759, e desapareceu misteriosamente por volta de 1807 na Espanha, certamente fazendo parte do exército napoleônico estacionado neste país. Kardec teve duas tias paternas, Reine e Anne-Sophie Rivail, que lhe deixaram duas primas germânicas sem descendência.

O avô de Kardec, Antoine Rivail, comerciante, nasceu em Lyon em 31 de agosto de 1712, casou-se em 18 de maio de 1756 em Lyon, na igreja de Saint Nizier, com Reine Richard, nascida em Lyon em 29 de Julho de 1733. Ele foi co-senhorio [1] do Castelo Saint-Andéol, Saint-Romain en Gier e Saint-Martin de Cornas no Rhone, que lhe permitiu adicionar uma partícula ao seu nome para se tornar "RIVAIL DE LA LEURECHERE". Ele teve um irmão e uma irmã. 

O bisavô de Kardec, François Rivail, casou-se em 6 de janeiro de 1711 em Lyon na igreja de Saint Nizier, com Claudine Panier nascida em 1677. Ele era negociante de tecidos e filho de Benjamin Rivail, receptor das fazendas em Roman no Drome e de Marie Guelse. 

Contrariamente ao que André Moreil escreveu, em sua biografia Allan Kardec, sua vida, sua obra, Allan Kardec não era descendente de Aymard Rivail de São Marcelino em Isère. Apesar de nossas pesquisas genealógicas, não encontramos nenhuma conexão com esse ancestral.


Prosseguiremos com o ramo materno 

A mãe de Allan Kardec, Jeanne Louise Duhamel nasceu 15 de abril de 1773 em Marboz no Ain. Ela se casou em 5 de fevereiro de 1793 em Bourg-en-Bresse com Jean-Baptiste Antoine Rivail. Ela teve três irmãs e dois irmãos. 

Seu pai, Benoît Marie Duhamel, avô materno de Kardec, nasceu em 13 de fevereiro de 1741 em Bourg en Bresse. Ele era advogado e Procurador Geral de Bourg-en-Bresse. Teve três irmãos e duas irmãs. Casou-se em 24 de abril de 1769 em Marboz com Charlotte Bochard, nascida em 26 de novembro de 1745 em Marboz. Deputado, eleito pela comunidade de Saint Denis Les Bourg, onde ele possuía várias terras, participou ativamente da febre política que se desenvolveu após o anúncio do rei Luís XVI, em junho de 1788, da convocação em 1789 dos Estados Gerais. Muito cedo, a partir de 25 de julho de 1788, publicou suas "Moções de um advogado de Bresse à sua Província" concluídas em setembro por um importante complemento relativo ao imposto territorial em Bresse, os privilégios da nobreza e do clero, bem como sobre a administração da província. Ele enviou tudo para o ministro reformador Necker. Ele foi guilhotinado em Lyon, em 16 de março de 1794 como contrarrevolucionário.

O bisavô materno de Kardec, Mathieu Joseph Duhamel nasceu em 3 de junho de 1713 em Bourg-en-Bresse, ele era procurador desta cidade. Casou-se nesta cidade em 29 de janeiro de 1739 com Antoinette Cabuchet, nascida em 1715. Ele teve 6 irmãs e 3 irmãos.

O tataravô materno de Kardec, François Joseph Duhamel, notário real, nasceu em 27 de maio de 1678 em Lent, no Ain. Ele também teve 6 irmãs e 3 irmãos. Ele se casou em 20 de abril de 1706 em Revonnas no Ain com Marie-Claudine Frilet e teve 11 filhos.

Para terminar esta linha materna, devemos acrescentar Louis Marie Duhamel, mestre cirurgião, o mais antigo ancestral conhecido de Kardec, casado 2 de junho de 1670 em Priay no Ain com Lucrèce Brunet.


Síntese dos dois ramos


Notamos que o ramo paterno de Kardec, os Rivail, são todos de Lyon há várias gerações, todos notáveis, exercendo profissões tais como: magistrados, advogados, comerciantes, mercador de tecidos, receptor de fazendas. Pelo ramo materno, os Duhamel também ocuparam altos cargos e eram originários do Ain, principalmente na região vizinha de Bourg-em-Bresse, por várias gerações também. Hoje em dia, tanto do lado paterno quanto materno, restam muitos descendentes colaterais, mas muito afastados do principal ramo que aqui nos interessa. 

Allan Kardec vem de uma família abastada, de Lyon pelo pai e de Ain pela mãe e com ela viveu pelo menos nos seus primeiros vinte e sete anos ou mais. 


Jeanne Louise Duhamel, sua mãe: uma vida de provações

Nascida em 1773 em Marboz, em Ain (comuna a 17 km ao norte de Bourg-en-Bresse), Jeanne Louise Duhamel é filha de Marie Benoît Duhamel, magistrado, procurador-geral e administrador do Ain em Bourg-en-Bresse e Charlotte Marie Bochard.

Em 5 de fevereiro de 1793, portanto, pouco antes dos 20 anos, casa-se com Jean Baptiste Antoine Rivail, 14 anos mais velho, magistrado, então domiciliado em Belley, no Ain. Nesse mesmo ano, em outubro, seu pai foi preso e transferido para Lyon em 13 de fevereiro de 1794.

A Revolução ruge em 1793. A Comuna dos Gaillards (é o nome que portava Saint-Denis sob a Revolução) disto não escapou. A igreja é proibida, os altares, as estátuas e pinturas são queimados, lacres são afixados e o campanário deve ser demolido. Um documento dos arquivos, datado do ano II 23 Pluviôse (em outras palavras, 10 de fevereiro de 1794, 3 dias antes da transferência do avô para Lyon) explica: "O oficial nacional do distrito autoriza o cidadão Rolland notável em Bourg, a entrar na região do "infame Duhamel" localizado na cidade de Saint-Denis, afixar lacres em documentos, bagagens, móveis e sequestrar todos os bens, e ao mesmo tempo se possível demolir o campanário, e anexar a Bourg, os sinos, ferros, metais e talheres, entre outros utensílios que até agora foram usados ​​para importunar o povo imbecil alimentado de fanatismo e superstição."

Benoît Duhamel será sentenciado à morte e depois guilhotinado pela comissão revolucionária de Lyon, no mês seguinte, em 16 de março de 1794. Enquanto isso, o marido de Jeanne Louise, também está preso em Lyon, uma semana antes de seu sogro, isto é, em 21 de fevereiro de 1794. Pode-se imaginar os medos desta noiva, ela só é casada há um ano, o marido dela é prisioneiro das mesmas pessoas que acabam de guilhotinar o pai... Nestes tempos turbulentos, ele finalmente será libertado dois meses mais tarde, em 29 de abril de 1974.

Dezoito meses depois, em 26 de outubro de 1796, o casal dá à luz Auguste Claude Joseph François, em Saint Denis les Bourg (comuna fronteiriça de Bourg-en-Bresse), dentro do domínio dos pais de Jeanne Louise Duhamel. Lemos na certidão de nascimento que a família vivia em Belley. Este nascimento é seguido do de Marie Françoise Charlotte Éloïse, em 31 de julho em Bourg-en-Bresse. Nesta certidão de nascimento, vemos que a família se mudou para Saint Denis les Bourg, eles se aproximam dos pais maternos.

A irmã de Kardec não viverá mais do que dois anos. Registramos a sua morte em 14 de outubro de 1801. Um ano mais tarde, em 26 de dezembro de 1802, é o irmão, então com 6 anos, quem morreu. Em ambos os registros de óbito, os pais estavam domiciliados em Bourg. É, portanto, em um contexto doloroso, depois de ter vivido subitamente a morte dessas duas primeiras crianças, caso a caso, que Jeanne dá à luz Hippolyte Léon Denizard Rivail em 3 de outubro de 1804 em Lyon. Ela tem então 29 anos.

Antes de nos determos um pouco sobre este famoso nascimento, acrescentemos, na série de provações experimentadas por esta jovem, que seu marido desaparecerá na Espanha em 1807. Seu único filho que lhe resta, o jovem Kardec, não tem mais do que 2 ou 3 anos.

O jovem Rivail (Allan Kardec)

Este desaparecimento nos lembra o contexto histórico desta época marcada pelas guerras napoleônicas, que se seguiram aos distúrbios revolucionários de 1789, e que causarão a morte de muitas centenas de milhares de franceses. É portanto isolada e em um clima de medo, para não dizer de terror, que a Sra. Rivail cria seu jovem filho, felizmente assistida por sua mãe, viúva, que a apoia como pode. Mais tarde, esta mulher isolada também terá que sofrer as dívidas de jogo de seu irmão, François Duhamel, que, depois de ter feito parceria com seu filho, o futuro Kardec, o colocará em falência, retardando assim as esperanças de futuro do jovem casal.


O nascimento à rua Sala 76 em Lyon

Em relação ao lugar, todos sabem que Hippolyte Léon Denizard Rivail nasceu na rua Sala 76, em Lyon. No entanto, este endereço corresponde, naquela época, a um recente estabelecimento de águas minerais artificiais conhecida por suas benéficas águas. O estabelecimento, construído no local da antiga igreja das religiosas da Visitação de Santa Maria, foi mantido por Syriaque Fred Dittman, que, como diretor, será testemunha do nascimento no ato oficial.

O convento das Visitandinas de Bellecour, o primeiro convento criado em Lyon em 1615 por São Francisco de Sales, tornou-se muito pequeno, ele se mudou para a colina de Fourvière. O edifício foi comprado pela cidade de Lyon, que ali estabeleceu uma academia de equitação, e, em seguida, a outra parte do edifício é ocupada pelos banhos de águas minerais artificiais do Sr. Dittmar. Uma bomba a vapor sobe até os telhados para fabricar as águas necessárias a este estabelecimento.

Aprendemos pelo Boletim de Lyon a partir de 1802 que "o Sr. Dittmar tem a honra de informar aos Senhores médicos e cirurgiões que a abertura dos banhos e duchas ocorrerão na primeira quinzena de abril, e que eles poderão consequentemente, para aqui enviar seus pacientes para tomar as duchas e banhos de águas minerais, bem como as duchas ascendentes, as estufas, os banhos de vapores por recolha e as duchas de vapor. Há quartos adjacentes, mobiliados com camas, para os doentes que terão que descansar após o tratamento, e belos apartamentos mobiliados, com galpões, estábulos e dependências, para estrangeiros ou pessoas muito longe de seus domicílios. Um bom dono de restaurante fornecerá no estabelecimento tudo o que você possa desejar pelo preço justo. Continua-se a fabricar e a vender, bem como no depósito do Sr. Tissier, Place des Terreaux, todas as águas minerais em bebida. Adverte-se o público de que os banhos de limpeza reabrirão ao mesmo tempo; estes banhos são inteiramente separados das águas minerais, seja pelo local, a água e o linho. Eles serão servidos, como no passado, ao mesmo preço que os outros banhos da cidade." 

Podemos supor que, fragilizada pelo luto dessas duas primeiras crianças, a sra. Rivail tinha vindo se curar, no estabelecimento termal, na rua Sala 76, para descansar e favorecer a entrega ao mundo da criança que estava para nascer. Não sabemos quanto tempo ela permaneceu neste estabelecimento, tanto antes como depois do nascimento, mas parece óbvio que o pequeno Hippolyte em seguida voltou a viver com os seus pais no Ain em Saint Denis les Bourg.


O batismo em Saint Denis les Bourg 

Nove meses após seu nascimento lionês, em 15 de junho de 1805, o futuro Allan Kardec foi batizado em Saint Denis les Bourg e não na igreja de Saint Denis de Lyon, como está escrito em várias biografias. Da mesma forma, parece muito provável que ele teria passado sua primeira infância em Ain, na terra de sua família materna, onde ele foi criado por sua mãe, Jeanne Louise, e sua avó, Charlotte. 

O próprio Rivail o diz, em um artigo na Revista Espírita de 1862, a um crítico afirmando "que ele foi conhecido pobre em Lyon antes de dirigir um comboio principesco em Paris", ele respondeu: "Não é de resto a única imprecisão dessa narrativa fantástica; primeiro eu nunca morei em Lyon, pelo que não vejo como teriam me conhecido pobre." 

É, portanto, sobre a região do Bourg-en-Bresse que Hippolyte Léon Denizard Rivail permanecerá até dezembro de 1815, quando, com 11 anos de idade, ele vai se juntar ao Instituto Pestalozzi em Yverdon, Suíça não tão longe desta região.

[1] - Senhor que possuía um feudo em conjunto com um ou mais outros senhores.

Fonte: CSLAK


quinta-feira, 27 de junho de 2019

Projeto Cartas de Kardec: divulgação de mais um manuscrito restaurado


Como já é sabido, a Luz Espírita apoia o projeto Cartas de Kardec (saiba mais) e acredita que esse material venha a contribuir sensivelmente para o aprofundamento — e até poderíamos dizer "reformulação" — do estudo doutrinário espírita, posto que em nosso movimento ainda circulam muitas controvérsias. E, por conta disso, trazemos aqui mais uma peça recuperada do acervo do Dr. Canuto Abreu disponibilizada pela equipe responsável pelo projeto.

Trata-se de uma comunicação de Allan Kardec endereçada ao senhor Pâtier, narrando um pouco sobre a chegada do primeiro exemplar de O Livro dos Espíritos e como foram conduzidas as pesquisas que levaram a concepção do livro.

Confira:

Fotocópia da carta original de Kardec

Folha 1

Folha 2

Transcrição datilografada do texto original

Tradução para o português

Os aspectos mais interessantes que vemos nessa carta são:
  1. Kardec enfatiza que a autoria da Doutrina Espírita pertence aos Espíritos missionários, que ele reconhece como seus professores. Portanto, o codificador não a credita a si mesmo;
  2. Temos aqui um personagem novo para a historiografia do Espiritismo: o Sr. Pâtier, de quem ainda não temos informações, senão que se refere a uma pessoa de "nobre caráter", como assinalou Kardec, e que, com sua "abalizada opinião", influenciou positivamente o professor Rivail no começo das pesquisas espíritas — o que nos inspira a pesquisar mais.
  3. A propósito, precisamos nos certificar se o Sr. Pâtier não é o mesmo Sr. Fortier, o magnetizador que aparece em Obras Póstumas (2ª parte, "A minha primeira iniciação ao Espiritismo"), na transcrição atribuída ao codificador dizendo "Foi em 1854 que pela primeira vez ouvi falar das mesas girantes. Certo dia, encontrei o magnetizador, Senhor Fortier, a quem eu conhecia desde muito tempo". Considerando que Obras Póstumas — obviamente, publicado após a desencarnação de Kardec — foi editado por terceiros, ou mais precisamente por Pierre-Gaëtan Leymarie, e que seu conteúdo desde há muito tem levantado suspeitas (veja nosso artigo "Kardec fraudado em Obras Póstumas"), é possível ter havido erro nesta grafia, ainda mais que "Pâtier" e "Fortier" não são assim tão diferentes. E para não ficarmos na suposição de que talvez o erro gráfico tivesse sido de qualquer tradução brasileira, temos que o livro original em francês oferecido pela Biblioteca Nacional da França (Galica) grafa exatamente "Fortier" (veja aqui o ebook Œuvres Posthumes) Então, averiguemos isso!
Louvamos, portanto, essa oportunidade histórica de resgatarmos parte dos arquivos de Kardec, que são patrimônio do Espiritismo ou, melhor avaliando, patrimônio da Humanidade.

Compartilhe e apoio você também esse projeto.

Feal: Fundação Espírita André Luiz

terça-feira, 25 de junho de 2019

Bate-papo com Charles Kempf


Detalhes históricos e revelações interessantes sobre a vida e a obra de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, por Charles Kempf, um dedicado pesquisador espírita francês com íntimas relações com o Movimento Espírita Brasileiro, através de uma videotransmissão articulada pelo carioca Eric Pacheco, também aplicado pesquisador espírita. Sem dúvidas, um bate-papo bem proveitoso para quem desejar conhecer as raízes históricas da Doutrina Espírita e a perspectiva para a continuação do movimento espírita.

Confira o vídeo do bate-papo.


Se gostou, por gentileza, compartilhe e vamos ajudar na divulgação do Espiritismo.

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Sala de Leitura: lançamento de "Biografia de Allan Kardec" por José Maria Fernández Colavida


Nossa Sala de Leitura está recebendo o lançamento de mais uma obra valiosa: Biografia de Allan Kardec, segundo a perspectiva de José Maria Fernández Colavida, o grande divulgador do Espiritismo na Espanha, contemporâneo do Codificador espírita, ao lado de outros  gigantescos personagens espíritas espanhóis da primeira geração.

Esta é uma tradução, gentilmente oferecida pela nossa colaboradora Teresa de Espanha, de um artigo publicado originalmente em espanhol na Revista Espiritista de maio de 1869, um mês depois da desencarnação de Kardec.

Baixe aqui o ebook Biografia de Allan Kardec gratuitamente.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

PEADE - inscrição para turma de experimentadores


Como já vínhamos anunciando aqui, a equipe da Luz Espírita e o Grupo Marcos estão trabalhando na implementação da PEADE - Plataforma de Estudos Avançados da Doutrina Espírita, para oferecer aos internautas a possibilidade de participar de estudos online (saiba mais aqui). E, enquanto estão sendo feitos os ajustes finais e os testes de fluxo do sistema, a plataforma admitirá a inscrição de uma primeira turma de experimentadores, justamente para ajudar nesses testes iniciais.

Vários cursos já estão sendo editados para breve publicação, contudo, nessa fase de experimentação, apenas um curso introdutório da doutrina está à disposição.

Se você deseja participar dessa primeira turma, clique aqui. São apenas 200 vagas inicialmente, mas, finalizados os testes básicos, a plataforma estará aberta a todo o público.

É importante que quem conseguir fazer sua inscrição ajude os desenvolvedores com correções, críticas e sugestões para aprimorar o sistema.

Aqueles que não conseguirem efetuar sua inscrição nessa primeira turma, por favor aguardar um pouquinho mais e em pouco tempo a plataforma estará aberta a todos.

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Lançamento do livro "Kardec - a história por trás do filme"



Hoje é o lançamento oficial do livro de bastidores do filme Kardec. O diretor do longa, Wagner de Assis, narra a sua experiência no livro “Kardec: a história por trás do filme”, e nos conta como foi gratificante adaptar a trajetória de vida do principal divulgador da Doutrina Espírita para as telas de cinema.

“A possibilidade de encontrar qualquer pessoa também passou pela cabeça do professor Rivail, o homem de letras e ciências que descobriu a existência da vida espiritual de forma racional, por métodos únicos de investigação”. Aos 53 anos, o cético professor francês, membro da Academia de Ciências em Paris, decide mudar de vida para dar voz aos espíritos. No filme, entendemos como o professor Hippolyte-Léon Denizard Rivail assume sua missão e se transforma em Allan Kardec.

O diretor Wagner de Assis compartilha na primeira parte do livro crônicas escritas no dia a dia das filmagens. Assis conta episódios surpreendentes, como a perplexidade diante de um exemplar de O Livro dos Espíritos que insistia em não pegar fogo durante a reconstituição de um dos principais marcos do espiritismo: o Auto de Fé de Barcelona.

O livro foi escrito em parceria com o biógrafo Marcel Souto Maior. Além das crônicas, Marcel Souto, apresenta textos inéditos da sua biografia na segunda parte do livro. Aborda o processo de desvendar Kardec, desde de sua imersão no espiritismo até embates com lideranças de outras correntes religiosas. O livro termina com uma conversa entre Wagner de Assis e Souto, trazendo um debate sobre espiritualidade, cinema e projetos futuros. A obra conta ainda com um catálogo de imagens dos bastidores do longa.

No final do livro, os créditos do filme com o nome de todos que participaram desse lindo projeto! Uma bela recordação de uma grande história que ainda está em exibição nas principais cidades do País e em breve começa a ganhar o mundo.

O livro já está à venda nas principais livrarias, no site da Amazon, Americanas, Candeia e outros.

Fonte:
Zook Comunicação www.zookcomunicacao.com

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Série Poesia Espírita: "Marchemos" de Castro Alves


Continuando a série de vídeos Poesia Espírita, trazemos a oitava edição com um vibrante poema do Espírito Castro Alves, "Marchemos", um dos mais aclamados do clássico literário espírita Parnaso de Além-Túmulo, psicografado por Chico Xavier.

Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871) é um dos mais lembrados e queridos poetas brasileiros de todos os tempos, conhecido em seu tempo como "o poeta dos escravos", dado sua incansável luta em favor do abolicionismo, a campanha pela libertação dos escravos negros no Brasil. Sua obra-prima é "O navio negreiro", pela qual pinta em cores fortes o drama dos africanos trazidos à força para a América, atolados numa fossa naval, transporte esse que lhes consistia uma verdadeira prova de vida:

"Era um sonho dantesco!...
o tombadilho, que das luzernas avermelha o brilho,
    Em sangue a se banhar!...
Tinir de ferros, estalar de açoite...
Legiões de homens negros como a noite,
   Horrendos a dançar...
    (...)
E ri-se a orquestra irônica e estridente...
E da ronda fantástica a serpente Faz doidas espirais..."

Castro Alves
Ver biografia.

Do plano espiritual, contribuiu com a coletânea de poesias pela mediunidade de Francisco Cândido Xavier, a exemplo desse imperativo refrão, "Marchemos!", que nos aponta a direção irresistível do progresso.

A declamação é por conta da gentileza de Larissa Chaves, espírita baiana residente em Corumbá-MS, editora do canal Inspiration no YouTube, espaço de mensagens e reflexões doutrinárias à luz do Espiritismo.

Vamos conferi-lo:


Baixe agora mesmo o ebook Parnaso de Além-Túmulo.

Veja mais Poesia Espírita.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Memórias espíritas colorizadas por Fernando Ribeiro


Uma bela iniciativa tem circulado a internet nesses tempos e merece nosso destaque aqui: a colorização de imagens antigas, que aqui destacamos pelos trabalhos relacionados a personagens e cenas da Historiografia do Espiritismo. À frente dessa apreciável arte está o mineiro Fernando Lima Ribeiro, de apenas 38 anos e um talento incrível, que despertou nossa atenção de maneira especial a partir da colorização de fotografias de Allan Kardec, Léon Denis, Chico Xavier, Irmãs Fox, Meimei, Cairbar Schutel e outros memoráveis espíritas.

Vejamos o capricho do colorizador empregado numa foto do codificador espírita recém-descoberta:


Fernando então aproveitou esta mesma gravura para fazer uma comparação facial de Kardec com o ator Leonardo Medeiros que o interpreta no filme Kardec: a história por trás do nome, de Wagner de Assis, em cartaz nos principais cinemas do Brasil, o que demonstra uma impressionante semelhança entre os dois (créditos para a produção do filme). Veja só:


Imagens do inesquecível Chico Xavier também está dentro do acervo especial de Fernando Ribeiro, como nesta fotografia do jovem médium de Pedro Leopoldo:


Fernando Lima Ribeiro nasceu em Ituiutaba, interior de Minas Gerais, é publicitário, designer, colorizador profissional e administra o seu canal no YouTube (ver canal Fernando Lima Ribeiro), onde atua como pesquisador amador nas áreas de paleontologia, biologia, astronomia, espiritualismo e outros temas afins.

Fernando Ribeiro

Também apaixonado por cinema, chegou a atuar como figurante em Chico Xavier - O filme (2010) e Divaldo Franco - O filme, com estreia prevista para este ano. Ele ainda produziu o filme-documentário Nos Passos de Kardec, que ele disponibilizou livremente no seu canal (veja janela abaixo):


Neste outro vídeo produzido pelo próprio artista, ele fala mais sobre seu trabalho, explica o que é e como se processa uma colorização, exibe demonstração de antes e depois de várias imagens colorizadas e ainda brinca colocando "sorriso" no rosto de alguns personagens, dentre os quais, Allan Kardec, que sempre aparece tão sisudo nas representações.

Confira:



Bem, assim, fica mais elegante e agradável olhar a nossa História, não? Além disso, não deixamos de ver aí a influência do Espiritismo inspirando as artes, como bem predisseram os Espíritos amigos da codificação, afinal, o que não falta é coisa boa para fazermos, em substituição às banalidades que ainda toma conta da mídia comum.


Visite o site de Fernando Ribeiro.