quinta-feira, 14 de março de 2019

Enciclopédia Espírita Online: lançamento do verbete "Andrew Jackson Davis"


Que novidade trazemos nesta nova edição da Enciclopédia Espírita Online: é o lançamento do verbete com a vida e obra de um personagem por demais importante para a História do Espiritismo e, por conseguinte, para o processo evolutivo da Humanidade. Trata-se da biografia de Andrew Jackson Davis, o "Profeta da Nova Revelação".

Eis a síntese do verbete:

Andrew Jackson Davis (Blooming Grove, EUA, 11 de agosto de 1826 – Watertown, EUA, 13 de janeiro de 1910) foi um célebre clarividente americano, um dos precursores do movimento Espiritualismo Moderno, pelo que é conhecido como o “Profeta da Nova Revelação”, indiretamente contribuindo para o surgimento do Espiritismo. Era dotado de uma fantástica mediunidade e de suas experiencias espirituais redigiu importantes livros e influenciou gerações.

Além de notável médium, Davis foi um grande humanista, o que cativou o respeito de personalidades que o visitavam com frequência. Sua obra influenciou gerações e ainda hoje seu nome é lembrado pelos espiritualistas do mundo inteiro como um grande contributo à causa maior. Suas revelações espirituais, que impressionaram seus contemporâneos, foram de maneira geral corroborada pela Codificação Espírita de Allan Kardec, que o tinha na conta de grande apóstolo dos Espíritos.

Por essas e outras razões, vale a pena conhecermos e reverenciarmos a obra deste enviado do alto.

Acesse agora mesmo o verbete Andrew Jackson Davis.

Não deixe de compartilhar e ajudar na divulgação do Espiritismo.

"Historiologia e Espiritismo" por Marcelo Henrique



Trazemos aqui, em primeira mão, uma excelente explanação sobre elementos constituintes da formação histórica da Doutrina Espírita, da autoria de Marcelo Henrique, idealizador do site Espiritismo com Kardec.


Historiologia e Espiritismo
por Marcelo Henrique

Quando uma pessoa se torna espírita, natural é a busca de informações acerca dos dias iniciais da Doutrina dos Espíritos, já que, apesar da Mediunidade ser um fenômeno atemporal, presente desde os primórdios da Humanidade, em nosso planeta, e um elemento característico do Espírito, nesta relação entre “vivos” e “mortos”, houve um dado momento na História em que ocorreu a padronização dos conceitos a respeito do Espiritismo.

Esta tarefa foi idealizada e realizada por Allan Kardec, observando ou tomando ciência de fenômenos espirituais de natureza física, posto que os resultados (batidas, mesas girantes e a comunicação por psicofonia ou psicografia) já eram realidade. Por isto se diz que o método utilizado pelo Codificador foi marcantemente dedutivo, partindo dos fatos para compor a teoria espiritista.

Como a produção textual originária espírita partiu de uma mescla entre as ideias de Kardec e as egressas das comunicações – seja as que ele mesmo presenciou, seja as que ele tomou ciência, por meio de correspondência ou entrega pessoal de manuscritos, nas cidades francesas – o pesquisador e estudioso espírita deve estar atento aos próprios relatos do professor francês, em suas distintas obras, porque volta e meia ele dá detalhes interessantes e pontuais acerca de sua metodologia e dos elementos de convicção que vieram a compor o Controle Universal dos Ensinos dos Espíritos (CUEE), a ferramenta de aferição e de seleção dos conteúdos, principais e complementares, contidos em suas trinta e duas obras.

Em termos de historiologia – que é a teoria da história, ou seja, o conjunto de explicações, métodos e teorias sobre porque, como e em que extensão certos tipos de fatos históricos e tendências ou condições sócio-políticas vigentes em determinados locais, interferem nos primeiros – cabe ao pesquisador espírita analisar, primeiramente, o contexto sociocultural vigente na época de Kardec (1854-1859), as condições sócio-políticas vigentes na França e na Europa da segunda metade do Século XIX, assim como, de maneira muito peculiar, a ambiência religiosa marcantemente fundada na dicotomia entre católicos e protestantes. Estes três elementos, a Sociedade, o cenário social e político e a (maior ou menor) interferência dos valores religiosos dominantes (Catolicismo e Protestantismo) são o chamado tecido social em que se moldou e se erigiu a Doutrina dos Espíritos.
Vale salientar que foi Ortega Y Gasset quem primeiro se valeu do termo, compreendendo, assim, o estudo da estrutura, das leis e das condições da chamada realidade histórica.

Em historiologia, assim, é cabível a análise dos fatos históricos apresentados, em primeiro plano para que, quando confrontados ou contestados, possam sustentar-se como prováveis e possíveis. Não basta, assim, a mera declaração do “historiador” ou daquele que relata, como Kardec, fatos ocorridos com ele ou que ele presenciou ou tomou conhecimento por relatos de pessoas próximas (ou não). Assim, quando Kardec escreve sobre fatos mediúnicos ou questões afetas ao relacionamento com instituições e pessoas, na difusão das ideias espíritas, ele cumpre a primeira etapa da historiologia, qual seja a de descrever os fatos históricos. Quando ele, em seguida, os interpreta, produzindo juízo de valor, e passa a explicar porque dados acontecimentos históricos ocorreram, produzindo análise lógica e racional sobre os mesmos, explicando-os, versando sobre suas causas e apontando suas consequências naquele momento e, ainda que hipoteticamente, prevê e prenuncia situações futuras, cumpre-se a segunda e última etapa.

No caso do Espiritismo, considerando que os fenômenos medianímicos não eram privilégio geográfico nem temporal da França dos anos 1850, Kardec age como historiador e historiologista quando apresenta uma série de explicações plausíveis, não só para a ocorrência dos fatos (fenômenos), como constitui métodos e teorias para aquilatar a ocorrência e, principalmente, os resultados – em face da sua presença como professor e organizador da Doutrina – que se dão, assim, naquele contexto temporal e geográfico específico, não se repetindo, nem antes, nem durante, nem depois, em nenhuma parte do planeta.

Assim, a Mediunidade e seus fatos ocorreram, igualmente, antes, durante e depois do trabalho de estruturação da Filosofia Espírita, mas foi apenas com Kardec e sua metodologia e organização que ela assumiu o tamanho e o papel que teve, em seu tempo e até os presentes dias, quiçá, também, por muito mais tempo adiante.

Para o embasamento da historiologia, os estudiosos e especialistas – também Rivail o fez – se utilizam de inúmeros métodos comparativos, de paralelismos e de aproximações. Consensualmente, no entanto, podem ser listados – como essenciais e inafastáveis – oito princípios historiológicos, os quais devem ser observados e aferidos em ordem crescente e, ao final, em somatório, elevando o fato observado e apresentado da condição de menos provável a bastante provável. São eles: 1) Critério da Múltipla Atestação; 2) Critério da Dissimilaridade; 3) Critério de Coerência Social Histórica; 4) Critério de Coerência Geral, Intra e Extratextual; 5) Critério da Linguística; 6) Critério do Embaraço ou Constrangimento; 7) Critério da “Lectio Difficilior”; e, 8) Critério da Antiguidade ou Proximidade Factual.

Vamos analisar, um a um, tais critérios, já fazendo a associação com os dados históricos e estruturais do Espiritismo.

1) Critério da Múltipla Atestação – consoante a aferição de autenticidade do dado por estar, ele, atestado em todas as fontes (ou na maior parte delas). No Espiritismo, simboliza o próprio fundamento principiológico, metódico e basilar do CUEE, calcado na correspondência (e não unicidade, como se poderia supor) entre os relatos (e as ideias neles contidas), levando à aceitação de certos dados e a rejeição de outros. O critério, além da análise do conteúdo das mensagens e dos próprios fatos históricos a elas pertinentes, perpassa a eleição de mensagens (e, consequentemente, o afastamento de outras) em face da não-inexistência de qualquer suspeição em relação à possíveis ligações entre as fontes diversas (médiuns e instituições), possibilitando o seu reconhecimento, sem fraudes. Para que possamos creditar ao trabalho de Rivail a estrita observância deste critério, é fundamental considerar a integridade e honestidade científica do Codificador e reconhecer, nele, a estatura e as qualidades de um pesquisador dedicado e capaz. Neste caso, cumpriu-se o primeiro critério, na obra kardeciana, em face da absoluta convergência e da independência das fontes;

2) Critério da Dissimilaridade – também conhecido como Descontinuidade, encampa a apresentação de informações, afirmações ou teses que não são cópia das já existentes, ou releituras das já conhecidas. Vê-se, assim, que as diferenças de abordagem em relação aos fenômenos psíquicos (espirituais, mediúnicos), assim como para a apresentação da visão espírita acerca de fatos que já foram objeto de apreciação das religiões cristãs (desde o Antigo Testamento e acerca dos Evangelhos). O Espiritismo, assim, ao tratar destes fatos, mesmo que muitos deles pertençam à teoria religiosa, sem comprovação, como os relatos até então conhecidos dos quatro evangelistas, sobre as curas de Jesus de Nazaré, por exemplo, recebem, do Espiritismo, um colorido ainda maior aos contextos aos quais se aplicam e, ao invés de afastar as afirmativas (os relatos evangélicos), servem para dar explicação lógico-racional, afastando dogmas e mistérios, uma vez que fundados num conjunto de manifestações espirituais em que se respeita como axioma a AMPLA diversidade espiritual de entendimento e abordagem. Neste contexto, ainda sobressai a multiplicidade das fontes (relatos mediúnicos sob o CUEE) em que as eventuais diferenças, nas abordagens e explicações não são, entre si, antagônicas e díspares, mas convergentes e complementares;

3) Critério de Coerência Social Histórica – que consiste na conformidade entre os relatos (os mediúnicos e os interpretativos, de Rivail) com o ambiente sociocultural europeu da segunda metade do século XIX, considerando-se os ambientes humano (características, rotinas e procedimentos dos homens daquele tempo), linguístico e cultural (pensamento e substrato ideológico), e social-econômico-político-jurídico (considerando-se todos esses elementos separada e conjugadamente). Note-se que as dissertações de Kardec assim como as transcrições de ditados mediúnicos são peculiares à época e ao cenário e a ela se referem, mesmo quando analisam fatos pretéritos (mas com o “espírito” da época vigente) ou apresentam prescrições futuristas, em termos de progressividade individual e coletiva. Ainda assim, é necessário reafirmar que, na obra originária (Codificação), as perguntas (indagações, provocações) são contextualizadas à época francesa-europeia e as respostas se "encaixam" ou se aplicam àquela contingência. E se reforça, tanto pelas sucessivas advertências espirituais quanto pelas conclusões de Rivail, de que haveria "muito mais a dizer", mas a linguagem da época (e a compreensão, dela correlata) não permitiriam, àquela hora. Esse critério de coerência (do fato em meio à sua realidade histórica, ou o pano de fundo que o fundamenta, como possível), frise-se, dá o contexto de historicidade (local e global) para a obra rivailiana, posto que fiel e autêntica;

4) Critério de Coerência Geral Intra e Extratextual – decorrente da análise da prova documental em si, o texto, em termos de lógica, coesão e integridade e se ele se apresenta (ou não) como uma mera propaganda ideológica. A intratextual diz respeito à relação de compatibilidade, adequação e não-contradição entre os enunciados de um texto. Já a extratextual refere-se à adequação do texto a algo que lhe é exterior, como o cenário social ou o conhecimento universal. Esta é verdadeira a MARCA D'ÁGUA de Rivail. A composição, organização e distribuição de textos, assim como a apresentação, em obras (consideradas fundamentais) distintas, sem misturar temas ou propostas, demonstra o quão coerente o professor francês se postou em relação à obra e, não por acaso, foi ele o escolhido (espiritualmente) para a deflagração do chamado processo INTERPRETATIVO espírita. Aproveitamos o ensejo deste elemento criterial para chamar a atenção do leitor e estudioso para a recente divulgação das adulterações perpetradas na quinta edição do livro “A Gênese”, de Kardec, em que se percebe, no cotejo com as quatro edições anteriores, a desobediência a este critério (de coerência geral intra e extratextual), quando se analisa os diversos trechos que foram introduzidos, como se do Codificador fossem, mas que não possuem os mesmos traços das suas demais produções literárias;

5) Critério da Linguística – que considera a coerência literária e textual, e se o documento pertence a um único autor ou vários, frente ao estilo nele presente. Percebe-se, ao alinhar, uma a uma as trinta e duas obras rivailianas, a fluidez característica da redação e a correspondência entre os distintos livros, percebendo-se a mesma efígie do Codificador como “alma” dos textos. Ao abrir-se, a esmo, qualquer dos textos de Kardec, independente do livro, percebe-se que é ele que está ali, como autor. É como se dialogássemos com Rivail a todo momento, tal a sua marcante presença nas obras;

6) Critério do Embaraço ou Constrangimento – examinando-se textos sob o pressuposto da análise historiológica, muitas vezes se percebe que os relatos trazem em seu corpo detalhes constrangedores ou, até, conflitantes.  Isto em relação ao “status quo” ou ao “consenso” existente ou conhecido. O aparecimento de “O livro dos espíritos” gerou, imediatamente, uma reação (esperada) dos segmentos religiosos europeus, católico e protestante, majoritários, que se consideravam donatários das “verdades” espirituais, a partir da interpretação dogmática dada aos textos que eles mesmos construíram ao longo do tempo, nos Evangelhos. Isto desencadeou uma oposição sistemática dos religiosos, a partir do constrangimento ou embaraço provocado pela nova interpretação dada a “fatos” até então de domínio daquelas religiões. Kardec, a esse respeito, dialoga com seus opositores, não para convencê-los, mas para a experimentação da dialógica, com farta argumentação que pode ser encontrada nos textos que veiculou. De outra sorte, também, ao apresentar pela vez primeira a explicação espiritual dos relatos evangélicos e dos elementos de convicção da fé religiosa vigente no mundo ocidental, o Espiritismo também provoca certo constrangimento ou embaraço, tanto é que foi objeto de contrafação, pelos religiosos, e gerou o episódio histórico do “auto de fé de Barcelona”, que incinerou trezentos volumes de obras espíritas em praça pública, em ato de natureza dupla, jurídico-religiosa. Este fato e a expansão das ideias espíritas, na Europa e, depois, na América, revelou a legitimidade dos textos, que excediam a natureza meramente propagandista de uma doutrina, para revelarem a essência (e a explicação) espiritual, lógica e racionalmente.

7) Critério da “Lectio Difficilior” – consiste num princípio de crítica textual para indicar um critério de avaliação as diferentes leituras oferecidas pelos intérpretes de um dado conhecimento. Como grande parte da produção kardeciana se baseou em “fontes externas”, isto é, as psicografias que ele analisou, catalogou e agregou aos seus livros, temos um sem número de intérpretes, considerando a maior ou menor influência do médium sobre a comunicação. Esse critério, ao ser aplicado à produção mediúnica, resultou na ampla liberdade de análise (sem preconceitos ou anátemas preconcebidos) e na independência de Kardec em relação aos textos de origem espiritual, partindo do pressuposto de que ele, Rivail, desconhecia a explicação espiritual para as distintas situações que ele submeteu, por sua maiêutica, às respostas das Inteligências Invisíveis. Assim, de posse das distintas comunicações, ele pôde avaliar cada uma delas e afastar aquelas que davam explicações ou respostas que já pertenciam aos quadrantes dos dogmas religiosos, grande parte deles com “explicações sobrenaturais” ou calcadas em dogmas. Assim, temos a impressão que esta neutralidade e independência de Kardec foi fundamental para tender a concordar com as chamadas “explicações mais complicadas”, dentro da própria conceituação deste critério, para o qual, “a variante mais improvável é aquela que pode ser a verdadeira”;

8) Critério da Antiguidade ou Proximidade Factual – tem-se, no Espiritismo, uma abertura de análise e entendimento que se opõe, naturalmente, ao já aceito e consolidado, em matéria de espiritualidade. As antigas (ou mais próximas) verdades (fatuais) em relação aos textos evangélicos ou a questões relacionadas com o espiritual sofrem um abalo. A Doutrina dos Espíritos usa da proximidade factual em relação aos novos fatos espirituais, que ocorriam ao tempo de Kardec, deixando de utilizar os parâmetros consolidados e tradicionais de interpretação. Ao verificar, Rivail, uma comunicação em outra língua diferente do francês, sua língua e a do médium que a recepcionou (xenoglossia), dá ao fato uma interpretação mais próxima ao evento e, também, diferente, pois apoiada nos fundamentos espiritistas. Se fosse se basear no critério de antiguidade, estaríamos diante, apenas, da interpretação tradicional, dogmática e religiosa sobre o Pentecostes, por exemplo. A nova ciência filosófica que é o Espiritismo apresenta-se, pois, sobre bases lógicas e racionais, permitindo sejam revistos os conceitos até então aceitos – ou inquestionáveis – para fenômenos que não são sobrenaturais, como sempre e até hoje “explicam” as religiões, mas fazem parte da própria natureza humano-espiritual.

O estudioso e pesquisador espírita, assim, consegue divisar no trabalho (praticamente) solitário de Allan Kardec, os caracteres de alguém diferenciado, no que concerne aos critérios acima elencados, bem como em face do convencimento, primeiro pessoal e depois de todos os que se debruçam sobre o Espiritismo, para enxergar os fatos (históricos) sob outra perspectiva.

Os argumentos então utilizados ou reconhecidos – até historicamente, se considerarmos a prevalência dos textos dos Evangelhos e a interpretação histórico-religiosa que se dá a eles – vão sendo postos, um a um, por terra, posto que superada a fase de mera crença e de subserviência às “verdades religiosas”. Como o Espiritismo não é mero objeto de fé – e, ainda, preconiza a necessidade da compreensão racional a partir da crença nos pressupostos, fundamentos ou princípios espiritistas – os indivíduos não se acham submetidos a nenhum império exterior (organizações sociais, grupos, estruturas ou obras – mediúnicas ou não). O império é íntimo, a partir do próprio raciocínio individual-espiritual diante dos fatos (históricos) e das construções filosóficas e científicas, patrocinadas por Allan Kardec (e por outros, poucos, posteriores a ele, que, ao produzir e publicar suas diagnoses e interpretações, não apresentaram elementos confrontadores à base espiritista).

Talvez a inundação de obras “espíritas” no mercado, sobretudo a partir da década de 1940, no Brasil, e o veio comercial da publicação de livros de origem “mediúnica”, altamente lucrativo, sem qualquer critério de análise sob parâmetros similares aos do Codificador (CUEE) seja a marca negativa do chamado Espiritismo brasileiro. Do ponto de vista histórico, a historiologia seria muito útil para a separação do joio e do trigo, não por ações institucionais ou patrocinadas por conjuntos de espíritas, mas pela ação individual de cada estudioso e adepto da Doutrina dos Espíritos.

O axioma de Erasto, que recomendava, mesmo, a não-rendição a verdades expressas, caso se verificasse uma só mentira, permanece como um fato histórico isolado, pertencente ao quadrante rivailiano e sem correspondência em relação ao exame prévio das comunicações e sua posterior divulgação. O gosto pelas “novidades” e o entusiasmo desmedido por “explicações espirituais” para as mínimas situações da convivência humana, neste intervalo de tempo da Humanidade, com ênfase para gurus-médiuns e gurus-palestrantes, acaba por asfixiar o segmento menos numeroso de espíritas interessados na real difusão dos conceitos espiritistas. Em nome da caridade, esconjurando a crítica e bradando contra os que preferem dar aos textos a validação imediata a examiná-los, criteriosamente, grande parte dos espíritas brasileiros da atualidade vai sedimentando a estrada da religião espírita, dogmática e sobrenatural, agrupando todos aqueles que são, na verdade, espiritualistas, como o são os adeptos de todas as derivações cristãs da Atualidade.

Ao invés de provocar, como Kardec o fez em relação a nós, o despertar para as verdades espirituais, sob novos paradigmas, em que, pouco a pouco, fomos nos livrando das amarras religiosas e igrejeiras, sobrepostas em convenções, dogmas e rituais, acabamos albergando todos eles nas “casas espíritas”, sob o falacioso argumento de que o Espiritismo será o futuro das (de todas) religiões.

Resta saber, sem qualquer intuito competitivo ou subordinativo, se os que valorizam a historiologia espírita e a própria produção kardeciana conseguirão se tornar influenciadores de uma nova realidade, afastando a dogmática e o conformismo, pela aceitação tácita de tudo (ou quase) como verdade, para retomar o diálogo racional e sistemático com os Espíritos Superiores, para fazer progredir o conhecimento espírita.

Por novos CUEEs, logicamente!
  
*  *  *

Agradecimento:
Agradeço ao Daniel Balasa Miguel por ter proposto, numa postagem no grupo “Espiritismo COM Kardec” (ECK), algumas noções sobre historiologia, que nos motivaram a compor o presente artigo, aproximando-a com o Espiritismo.

quarta-feira, 13 de março de 2019

Série Poesia Espírita: "Eterna Vítima" de Guerra Junqueiro, psicografia de Chico Xavier


É com o coração repleto de alegria e entusiasmo que compartilhamos com todos mais uma edição da série Poesia Espírita, desta vez apresentando as rimas tocantes do Espírito Guerra Junqueiro e seu poema "Eterna Vítima", extraído do clássico Parnaso de Além-Túmulo, ditado por Espíritos diversos à psicografia de Francisco Cândido Xavier.

Abílio Manuel Guerra Junqueiro (Ligares, Freixo de Espada à Cinta, 15 de setembro de 1850 — Lisboa, 7 de julho de 1923) foi alto funcionário administrativo, político, deputado, jornalista, escritor e poeta. Foi o poeta mais popular da sua época e o mais típico representante da chamada "Escola Nova". Poeta panfletário, a sua poesia ajudou a criar o ambiente revolucionário que conduziu à implantação da República. Foi entre 1911 e 1914 o embaixador de Portugal na Suíça (o título era "ministro de Portugal na Suíça"). Guerra Junqueiro formou-se em direito na Universidade de Coimbra. (ler mais sobre Guerra Junqueiro).


Guerra Junqueiro

Nos emocionantes versos de "Eterna Vítima", o poeta pincela o contraste do antes e depois de duas frentes que se contrastam: num primeiro momento, de um lado o Cristo ensanguentado e humilhado diante dos "chacais ferozes"; mas, depois, os antigos soberbos caem como "míseros mendigos", grandes desgraçados, e brandam socorro a Jesus, Mestre da Bondade, que por sua vez "Estende o seu perdão cheio de mansuetude".

É, inequivocamente, um hino de sublimação, esperança e consolação, a nos alertar acerca de nosso orgulho, egoísmo e vaidade, e ao mesmo tempo nos encher de motivação para uma nova postura, a exemplo do "anjo da virtude", nas palavras do Espírito amigo que ditou estes versos, que o inesquecível médium Chico Xavier compartilhou conosco através dessa obra belíssima, que aliás foi o primeiro livro seu publicado pela Federação Espírita Brasileira.



Acesse agora mesmo o ebook do livro Parnaso de Além-Túmulo.

A declamação deste poema foi uma gentileza de Marta Rosa, confrade espírita de Lisboa, Portugal, palestrante e ativa frequentadora do Centro Espírita Casa do Caminho na Capital portuguesa.


Viagem nesses versos maravilhosos:


E nós não nos cansamos de relembrar o valor da arte espírita, dentre as quais a poesia, inclusive como instrumento terapêutico e ainda como uma alavanca para o desenvolvimento espiritual, tal como o dissemos no post de lançamento desta série (veja aqui).

Clique aqui e visite a página da série Poesia Espírita para ver todas as edições que já publicamos.

terça-feira, 12 de março de 2019

Playlist com os vídeos do Programa Evangelho no Lar Online


Atendendo a pedidos, criamos uma playlist no YouTube com a coleção de vídeos do nosso Programa Evangelho no Lar Online. Assim fica fácil para que todos possam localizar e ver (ou rever) as edições anteriores, desde a primeira exibição, em 5 de janeiro de 2017.

Eis a playlist:


Agora é a nossa vez de te pedir a gentileza de compartilhar o link e, claro, pedir que todos continuem participando do programa, cuja nova edição semanal fica online toda quinta-feira às 20h (horário de Brasília).

Mais informações na página oficial do Programa Evangelho no Lar Online.

sexta-feira, 8 de março de 2019

Duelo entre o Diabo e Jesus e mais uma ressaca de Carnaval


Além do desgaste físico, é comum o povo em geral passar por uma "ressaca moral" depois de mais um feriadão de Carnaval. Todo o ano tem assunto novo, escândalos e babados resultantes da festa da libertinagem. Esse ano, a polêmica midiática foi a encenação carnavalesca do Diabo duelando com Jesus no desfile da escola de samba Gaviões da Fiel, em São Paulo, duelo esse que o primeiro parecia estar ganhado, o que, naturalmente, despertou as mais furiosas críticas de religiosos. A Frente Parlamentar Evangélica do Congresso Nacional acusou aquela escola de samba de estimular a intolerância religiosa. Daí veio um vídeo com uma fakenews espalhando o alarde de que o ator que encenou Lucifer teria morrido carbonizado num acidente automobilístico logo após o desfile. Tudo mentira, mas jogando fogo na fogueira dessa polêmica (saiba mais).

Entretanto, fora as especulações e extremismos de partidos variados, o triste episódio não deixa de nos oferecer reflexões. E aqui compartilhamos as palavras de médium Divaldo Franco, sopesando os referidos eventos à luz da Doutrina Espirita.

Divaldo Pereira Franco
 

"Eu protesto"
por Divaldo Franco

Lamentavelmente, a liberdade é uma conquista que nem todos os seres humanos compreendem. Alguns setores da sociedade confundem-na com a libertinagem, a permissão que lhes faculta o direito ao desrespeito a tudo quanto lhes perturba ou lhes impõe disciplina moral. Cada dia acompanhamos a perversão dos costumes e os atentados de vária ordem, utilizados insensatamente por esses libertinos escudados no direito que negam aos outros.

Não há muito, em nome da cultura, vimos exibir-se despido um homem no Museu de Arte Moderna de São Paulo, que se dispôs permitir-se apalpar por crianças em nome da liberdade. Outras exposições perversas foram apresentadas em Porto Alegre e em Belo Horizonte, em nome da arte, em espetáculos chulos e de baixo padrão moral, numa apresentação psicopatológica, exaltada pelos mesmos representantes do chamado progresso cultural. Há poucos dias, em São Paulo, no desfile do Carnaval, a Escola de Samba Gaviões da Fiel exibiu um quadro horripilante, ironizando Jesus, que era apresentado semidespido, surrado por Satanás, que o martirizava com um tridente, matando-O, enquanto caveiras sambavam em Sua volta. O espetáculo vulgar e agressivo mereceu a revolta de muitos foliões e pessoas outras que não puderam compreender a razão pela qual esse extraordinário vulto, considerado o maior da humanidade, cujo berço dividiu a História, naquela situação profundamente vexatória e agressiva não somente à Sua memória, assim como a todos aqueles que O respeitamos e cultuamos em nosso comportamento.

Com que direito esses sambistas arbitrários se permitiram denegrir a figura do Homem de Nazaré, respeitado mesmo por aqueles que não Lhe seguem as diretrizes filosóficas e religiosas? Esse comportamento viola todos os valores morais que a liberdade concede, naturalmente exigindo consideração ao direito dos outros. Sou espírita-cristão que aprendi com Ele a respeitar todas criaturas, credos e ateísmo, impositivos sociais e morais, não me podendo calar ante a afronta vil e zombeteira dos carnavalescos embriagados pelas paixões subalternas… Não é a primeira vez que a crueldade ateísta de alguns indivíduos tenta macular a figura incorruptível de Jesus. Incomodados com a grandeza e excelência dos Seus ensinamentos, que eles não têm valor moral para vivenciar, dominados por conflitos sexuais e de outra ordem, buscam desacreditar o incomparável pensador e Mestre, que vem iluminando a consciência da sociedade desde há dois mil anos.

Tem-se insistido em informar que Jesus era gay, em tentativa de diminuir-lhe a dignidade, e advogam, ao mesmo tempo, que os gays merecem todo respeito e consideração. Claro que os gays são credores de nosso respeito, pois que são pessoas normais e dignas, mas aqueles que assim procedem visam diminuir-Lhe o conceito de honradez, o que não deixa de ser um paradoxo. Espero que outros cristãos decididos apresentem a sua recusa e protesto a esses adversários da dignidade humana, demonstrando-lhes que as suas demências não servirão de modelo moral à sociedade em construção neste momento quando iniciamos uma Era Nova de justiça e amor. Jesus não é apenas um símbolo do Mundo melhor, mas o exemplo que é guia para a conquista da plenitude.

Artigo publicado no jornal A Tarde, coluna "Opinião", de 7 de março de 2019, Salvador - Bahia.

sexta-feira, 1 de março de 2019

Aniversário do Portal Luz Espírita


Hoje a festa é nossa! A nossa fraternidade Luz Espírita está completando 11 anos de atividade.

Quando publicado, em 1 de março de 2008, nosso site já vinha com inovações ousadas, por exemplo, o anúncio da formatação de curso doutrinário espírita fornecido online — de fato, não havia desse gênero nada parecido. Entre os canais de interação com os nossos audientes, dispúnhamos do — até certo ponto, saudoso  Orkut, a primeira rede social de larga escala no Brasil.


Era uma época em que a Internet apenas engatinhava em nosso país, especialmente pelo custo de acesso  tanto do equipamento (basicamente, computadores) quanto da assinatura da linha telefônica e dos provedores de acesso.

Além disso, os serviços online úteis até então eram muito reduzidos. Compras em lojas virtuais e acesso a contas bancárias eram mínimos, devido à desconfiança dos usuários quanto à segurança da conexão. Por isso, de certa maneira, a Internet era vista com certo receio e até preconceito pelas "pessoas mais conservadoras". A impressão que se tinha era a de que a rede mundial de computadores não passava de um grande catálogo de jogos e programinhas para a molecada "trocar figurinhas". Desta maneira, apostar nesse veículo de comunicação para um assunto tão sério quanto Espiritismo era um risco, pois a ideia corrente era a de que a doutrina deveria ficar circunscrita à proteção das paredes das casas espíritas.


Fraternidade Luz Espírita apostou na Internet e, pelo feedback que recebemos, o site Luz Espírita foi mesmo um portal de iniciação à nossa amada filosofia para muita, muita gente. Eram pessoas que tinham verdadeiro "pavor" de assuntos espíritas (dado o folclore e a falsa propaganda que propositalmente se fazia — e ainda se faz — dos conceitos espíritas); pessoas que moravam em lugares mais remotos e distantes de algum centro espírita (especialmente no exterior); pessoas que tinham interesse em conhecer a doutrina, mas temiam sofrer constrangimentos de familiares, amigos etc.


Enfim, era um público todo carente que precisava de um Portal para informar-se e interagir a respeito de assuntos de interesse ao Espiritismo. Para estes, portanto, a Luz Espírita inaugurou uma nova era e nos sentimos felizes por isso, com o desejo de continuarmos sendo úteis à Doutrina Espírita e a consciência da responsabilidade que temos em servir à causa da fraternidade humana.


Enfatizamos que todos os colaboradores do Portal Luz Espírita são voluntários; nossa fraternidade é absolutamente sem fins lucrativos, não comercializa nenhum produto, não temos conta bancária, nem arrecadamos qualquer tipo de fundo e tampouco fazemos qualquer movimentação financeira. Todos os integrantes da Equipe Luz Espírita têm consciência e o prazer de fazer parte desse trabalho a título de servir à causa espírita, sem almejar qualquer recompensa senão a nossa própria satisfação de ser útil.

Visite a página Institucional do nosso site para saber mais sobre o nosso trabalho.

E não deixe de contribuir com o Portal Luz Espírita: começando pela sua audiência, você também pode nos ajudar compartilhando nossos materiais doutrinários e de divulgação do Movimento Espírita.

Agradecemos a sua confiança e colaboração.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2019

10 anos do "Lampadário Espírita"


Uma década de efetiva contribuição ao Movimento Espírita não pode deixar de ser apreciado por todos nós, especialmente nesses tempos de ideias líquidas e modismos dos mais variados, em que tudo é muito efêmero, sem substância, num meio onde há "muita iniciativa" e pouco "terminativa", ou continuação. Mas eis que estamos a comemorar os 10 anos de Lampadário Espírita - Boletim Informativo Independente de Educação Espírita (visite o site oficial).

O Informativo é mensal e a edição corrente é a de n° 150, de março de 2019, que está repleta de matérias qualificadas e úteis para o estudo, pesquisa e divulgação do Espiritismo.


A respeito do aniversário jubilar, o seu site dispõe a seguinte nota:
Conforme estava programado, realizou-se no domingo,dia 21 de Fevereiro último, o Encontro do Lampadário Espírita pela passagem dos 10 anos de existência, sob o tema O PAPEL DA IMPRENSA ESPÍRITA. O evento ocorreu na sede do GEFA – Grupo Espírita Francisco de Assis, situado a Av. Oito, 1500 – Curado IV/ Jaboatão, no horário da manhã. A Sra. Ednar Santos, da FEP – Federação Espírita Pernambucana (DECOM) foi a convidada para fazer a palestra de encerramento que dissertou sobre o tema proposto com muita tranquilidade e segurança no falar. Na primeira parte se pronunciaram os fundadores do jornal, dissertando sobre os objetivos que os levaram a esse empreendimento. Seguido pelos demais colaboradores. Cada um trouxe um fato interessante dentro do contexto da trajetória do jornal, sobressaindo-se Zenilda Cavalcanti que fez o relato de casos que acabaram por envolver a Livraria Renascer, por ela administrada.
O Lampadário Espírita tem sede na cidade de Jaboatão dos Guararapes, da Região Metropolitana de Recife - Pernambuco, e tem no seu corpo administrativo as contribuições de Dâmocles Aurélio, Tiago Rodrigos e João Batista, além de outros colaboradores (informação do site oficial do órgão).


Visite o site do Lampadário Espírita (visite o site oficial) e se inscreva para receber por Email o seu informativo gratuitamente.

Parabéns a todos que realizam esse belo trabalho!


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terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Prefácio anti-Kardec publicado pela FEB em 1920

Corroborando a informação contida na obra J.-B. Roustaing diante do Espiritismo - Resposta a seus Alunos publicada pela União Espírita Francesa, dispomos aqui a fotocópia das páginas inseridas, a título de prefácio, na edição de 1920 para a tradução de Os Quatro Evangelhos de Roustaing, publicada pela Federação Espírita Brasileira.

Para saber mais, veja o post de lançamento da obra da União Espírita Francesa.