segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

"A próxima data de Chico Xavier: 2057, a Nova Era"" - videodocumentário


Em sequência às especulações sobre a tese da Data Limite, dissemina-se agora as expectativas para a continuação do processo de transição planetária, que marca a passagem evolutiva do nosso planeta Terra do 2° nível (mundo de expiação e prova) para o 3° (mundo de regeneração), sendo o prazo final para essa nova Era — conforme a mesma tese — estipulado para o ano de 2057, daí a temática do videodocumentário que aqui compartilhamos: "A próxima data de Chico Xavier: 2057, a Nova Era", roteirizado e editado por Élcio Braga.

O autor é natural de Nova Iguaçu, baixada fluminense, residente no Rio de Janeiro, jornalista do jornal O Globo. Mais sobre Élcio Braga no site da ABI - Associação Brasileira de Imprensa. Ver perfil no Facebook.

Um breve resumo da ideia desenvolvida no documentário: segundo revelações de Chico Xavier ao seu amigo Geraldo Lemos Neto, foram tomadas importantes deliberações pelos líderes galáticos, dos quais Jesus representando especialmente a Terra, a respeito do programa evolutivo do nosso orbe no final da década de 1960, por ocasião da chegada do homem à Luz (um marco histórico para a humanidade); dentre essas deliberações estava uma moratória para que os Espíritos ligados à Terra pudessem continuar seu curso evolutivo sob especial proteção espiritual, mas com a contrapartida de se evitar a um terceiro conflito mundial — conflito esse tão temido (devido o poder de destruição em massa a partir de armas nucleares) e então especulado desde o fim da Guerra Mundial (1945); passado o prazo dessa moratória (meio século, vencido em 2019) com essa exigência cumprida, então a espiritualidade adiantaria o programa da transição planetária, propiciando uma série de concessões para o bem-estar geral do nosso mundo. Só a título de curiosidade, já que completamos o período da moratória, se não tivéssemos vencido esse prazo sem uma nova guerra planetária, dizia a previsão do saudoso médium mineiro que as consequências teriam sido catastróficas, inclusive para o Brasil — que seria totalmente desfigurado geograficamente.

Bem, felizmente alcançamos 2019 com sucesso e então as expectativas voltam-se para as benditas concessões. O que estaria a espiritualidade reservando para os herdeiros da Nova Era aqui na Terra?

Aqui é que entra o referido documentário. Assistam-no e reflitam sobre as possibilidades apresentadas:


É bem verdade que uma boa parte da mídia espírita não levou muito em consideração a tese Data Limite, e, provavelmente, não será mais essa especulação que fará o milagre da unanimidade. De nossa parte, se não vendemos como uma verdade essa ideia, porque não temos como fazê-lo com propriedade, por esta mesma razão não a negamos e menos ainda a desdenhamos: deixemos por conta do império do tempo, que tudo revela oportunamente.

Se à ideia central da tese Data Limite foram acrescidos exuberantes detalhes, alimentados por um exaltado ardor de sua defesa, maculando nomes, inclusive, com tudo isso não compactuamos. Porém, vemos certa lógica no cerne da tese apresentada: o processo de progressão dos níveis dos mundos é um conceito espírita (Allan Kardec descreve os cinco estágios de um planeta assim: 1) mundo primitivo; 2) mundo de expiação e prova; 3) mundo de regeneração; mundos ditosos; e 5 - ver em (O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec - cap. III, item 3) mundo celeste. Cada mundo é habitado por Espíritos cujo grau evolutivo é mais ou menos compatível com o nível de progresso do determinado planeta. Assim, a Terra, passando do segundo para o terceiro estágio — que é o nível intermediário da escala dos mundos —, há de receber como reencarnantes Espíritos que já alcançaram certo grau evolutivo, que, para efeitos didáticos, poderíamos chamar de juventude espiritual, deixando para trás a fase de adolescência, caracteriza por ousadia, rebeldia, ansiedade, intempestividade, volúpia, curiosidade etc., em direção à maturidade, à perfeição, ao que miticamente se diz de angelitude (ver (A Gênese, Allan Kardec - cap. XVIII). Também não imaginamos outra coisa senão que, a exemplo de todos os mundos habitados, a Terra não está à deriva, nem seus habitantes entregues à própria sorte; nosso mundo é assistido pela espiritualidade superior, donde imaginamos Jesus como o seu tutor principal — pelo que normalmente o chamamos "Governador espiritual"; Kardec, que viveu nos tempos da monarquia, o intitulou de "Rei" (O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec - cap. II, item 4).

Quanto aos prazos, levamos em conta as especulações do próprio codificador espírita, apontando sinais concretos da Nova Era já para o começo do século XIX, para o que o Espiritismo viria contribuir sistematicamente com o processo de transição. Ocorreu que as luzes da Doutrina Espírita foram ignoradas pelos homens e, ao invés do esperado, o que a terra angariou no século passado foi a desventura de duas sanguinárias guerras mundiais (ver o documentário Espiritismo à francesa: a derrocada do movimento espírita francês pós-Kardec).

Talvez o prazo final para a transição planetária fosse o final daquele século XIX, que aliás era o fechamento do segundo milênio da Era Cristã; com as duas grandes guerras, a espiritualidade teve que reformular o seu planejamento. Talvez os líderes galáticos estivessem planejando acelerar o plano de exílio dos Espíritos atrasados para fora da Terra — o que certamente afetaria grande percentual de nossa população. Com o suposto pedido de moratória feito por Jesus, muitos dos prováveis candidatos a serem expulsos da Terra ganhariam mais tempo para se espiritualizar e assim garantir permanência nessa terra prometida para os tempos vindouros.

Independentemente do planejamento para a transição planetária, que cada um de nós saiba cuidar de se planejar para a sua transição pessoal, promovendo o seu autodescobrimento, sua melhoria consciencial, crescendo em intelecto e virtudes morais para que, seja na Terra, seja em qualquer outro lugar, faça brilhar cada vez mais a sua luz.

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Vem aí a peça teatral "A história jamais contada de Kardec o cientista do infinito"


Dia 8 de Fevereiro, estreia "A história nunca contada de Allan Kardec, O cientista do infinito". O espetáculo é baseado em cartas e documentos inéditos do projeto Cartas de Kardec, além de ter a consultoria do pesquisador e autor do livro de sucesso Autonomia- A História Jamais Contada do Espiritismo, Paulo Henrique de Figueiredo.

Com texto e direção de Alan Moraes, mesmo diretor de Paulo e Estêvão, o espetáculo promete surpreender o público com diversos fatos inéditos. Em meio à guerras e ditaduras, a Europa do séc. XIX é marcada pela história de um cientista.

Seu interesse em desvendar o que havia por trás dos fenômenos das mesas girantes o despertou para uma nova ciência que viria responder a questões filosóficas sobre vida e a morte. Sua pesquisa foi a chave da consciência para a evolução espiritual.

Um homem que abdicou de seus sonhos pessoais, sofreu críticas, mas ao mesmo tempo ganhou o apoio e o respeito de milhões de pessoas por todo o mundo. Baseado em documentos recém revelados, surge "A história nunca contada de Allan Kardec, o cientista do infinito".

Uma intrigante história de amor, dedicação, superação e liberdade que nos revela um homem e sua esposa em busca de respostas, acima de todos os interesses, deixando para a humanidade as revelações sobre as verdadeiras leis da Vida.

Espetáculo: A História Nunca Contada de Allan Kardec, O Cientista do Infinito
Temporada: De 8 de fevereiro até 28 de março
Dia e horário: Sábados, 19h30
Local: Teatro Ruth Escobar - Sala Dina Sfat (Paulista)- São Paulo
Texto e direção: Alan Moraes e consultoria de Paulo Henrique de Figueiredo

Ingressos pelo TUDUS:https://bit.ly/2YKQk0j
Agendamentos para grupos: amoentretenimento@gmail.com
Atenciosamente
Erika Silveira
Informação recebida em email de Erika Silveira - FEAL 
[erika.silveira@feal.com.br

Fonte: Nuno Emanuel

segunda-feira, 13 de janeiro de 2020

Quadro religioso do Brasil segundo pesquisa do Datafolha


Divulgado hoje o apurado de uma pesquisa promovida pelo instituto Datafolha sobre o quadro religioso brasileiro, pelo levantamento realizado entre os dias 5 e 6 de dezembro do ano passado, em 176 municípios de todo o país. Segundo o instituto, a margem de erro é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%. Os católicos ainda são maioria, o número de evangélicos cresce e os que se declaram espíritas formam 3% da população brasileira.

Confira o percentual apurado:

É claro que esse tipo de pesquisa nem sempre serve para qualificar bem a prática religiosa e medir a espiritualidade das pessoas; há muitos "problemas técnicos" comuns em apurações assim, por exemplo, no caso dos espíritas, especialmente, a dificuldade de ajustar o entendimento de o Espiritismo ser ou não religião e, assim, fazer uma amostragem realista da prática espírita em comparação com a prática religiosa. Além disso, dos muitos que se declaram espíritas, poderíamos perguntar quantos verdadeiramente têm o mínimo de conhecimento da Codificação da doutrina?

Ainda assim, não deixa de ser uma ilustração de como os brasileiros se comportam em matéria de fé, e como, mais ou menos, o Espiritismo está disseminado em nosso país. Por isso, vamos refletir um pouco sobre esses 3% de espíritas apontado pela Datafolha.

Temos então cerca de 6 milhões de espíritas declarados, segundo a pesquisa. Considerando a margem de erro, mais um percentual de tolerância que oferecemos (por exemplo, para contar entre nossos confrades aqueles que, por uma razão qualquer, não se sentiram à vontade em se declarar kardecistas), na melhor das hipóteses vamos contar otimisticamente 10 milhões de consciências afortunadas por conhecerem as revelações do Consolador. É um bom valor absoluto, mas não proporcionalmente; isso quer dizer que 190 milhões de conterrâneos desconhecem ou ignoram a Doutrina Espírita — que francamente consideramos como a melhor instrução para nossa evolução espiritual.

E acrescente a isso que aqui é a chamada "Pátria do Evangelho redivivo", o berço do resgate missionário do Espiritismo, depois da derrocada do movimento espírita original, na França de Allan Kardec. Portanto, em nenhum outro país no mundo o percentual de estudiosos espíritas tem melhor êxito do que aqui. Pela menção de instrutores espirituais, segundo o plano vigente para a espiritualização da Terra, o movimento espírita brasileiro é o celeiro e concentração dos maiores esforços espirituais para disseminação da Terceira Revelação. E não percamos de vista a "urgência" desta tarefa em face do processo de transição planetária.

Considerando tudo isso, nos entristecemos ao dizer que o resultado é péssimo e denuncia a fraqueza do movimento espírita brasileiro; que o modo como temos divulgado a doutrina é irrisório e carece de novo planejamento estratégico. Não estamos sabendo semear a mensagem reveladora do Espiritismo a contento; estamos perdendo feio a luta contra o materialismo, expresso, por exemplo, no número dos sem religião (10%), sem contar os que se dizem religiosos só por dizer, mais aqueles que até professam uma fé e na prática vivem como materialistas.

Alguns confrades poderão dizer que nosso objetivo não é "quantidade", mas "qualidade"; que "não devemos ter interesse em fazer proselitismo". Ora, a qualidade é de fato mais importante, mas ela não existe sem a quantidade; e é bom sabermos que a qualidade também é progressiva. E o tipo de proselitismo que não podemos querer é aquele totalmente que sem qualidade ou apenas para efeito estatístico. No entanto, o espírito missionário está explicitamente impresso na obra da codificação: o objetivo da Revelação Espírita não é outro senão despertar as consciências para os valores superiores; vide, por exemplo, o prefácio de O Evangelho segundo o Espiritismo de Allan Kardec e lá se encontra um hino de exortação à luta, à campanha de propagação do Espiritismo. Isso, claro, de forma pacífica, sem violentar as vontades alheias; todavia, se não tivermos o ardor missionário, se não tivermos interesse em ver nossos semelhantes descobrindo e desfrutando das verdades espirituais, quão egoístas não seremos? Seria certo colocarmos o candeeiro debaixo do alqueire?

"Brilhe a vossa luz", disse o Cristo, e sejam o "sal da terra"; "Pregai o evangelho a todas as criaturas" — eis o apelo cristão. Para tanto, é preciso que sejamos mais eficientes nas nossas investidas, mais inteligentes em nossas peças publicitárias, mais efetivos na condição dos eventos espíritas. O que estamos fazendo com os nossos talentos diante de nossa missão espiritual? Não reencarnamos aqui e agora precisamente para também contribuir com esse movimento regenerador? O Espiritismo não é para ser isolado nas casas espíritas, mas para ser levado à sociedade em geral. Como então se processará a regeneração da humanidade sem quantidade?

Eis um desafio para todos nós espíritas: desenvolvermos melhores estratégias para compartilhar com o próximo as benesses que temos recebido das luzes da nossa doutrina. Que se levantem os confrades talentosos em marketing, oratória, artes etc. e saiam a semear a Boa Nova da espiritualidade no combate a este materialismo — teórico e prático — que ferozmente consome as mentes de nosso tempo.


"Os Espíritos do Senhor, que são as virtudes dos Céus, igual a um imenso exército que se movimenta ao receber as ordens do seu comando, espalham-se por toda a superfície da Terra e, semelhantes a estrelas cadentes, vêm iluminar os caminhos e abrir os olhos dos cegos."(...) As grandes vozes do Céu ressoam como sons de trombetas, e os cânticos dos anjos se associam a elas. Nós convidamos vocês, todos vocês, para o divino concerto. Peguem a lira, façam vossas vozes um só som, e que, num hino sagrado, elas se estendam e repercutam de um extremo a outro do Universo."

O Espírito da Verdade
O Evangelho segundo o Espiritismo, Allan Kardec - Prefácio


sexta-feira, 3 de janeiro de 2020

Retrospectiva 2019


Chegamos ao ano novo, 2020, com boa expectativa de trabalho de divulgação da Doutrina Espírita e também gratos pelas oportunidades que nos foram concedidas no ano velho, 2019. Mas então, vamos passar em revista o que de mais importante registramos no ano que se passou:


JANEIRO

O ano de 2019 era aguardado por muita gente no meio espirita — e até fora dele — em razão das especulações geradas com o fenômeno da Data Limite, levantadas a partir de certas previsões atribuídas a Chico Xavier envolvendo a tramitação de determinados acontecimentos inerentes ao processo de transição planetária e o planejamento da espiritualidade superior para o destino da humanidade terrenaÀ vista dessa questão, oferecemos uma matéria especial ("O fenômeno Data Limite: a tese formulada a partir das revelações atribuídas ao médium Chico Xavier e os contrapontos") com o propósito de convidar os nossos confrades  espíritas e demais interessados para uma reflexão mais apurada da tese  sem sancionar sua validade nem desmentindo-a —, já que, segundo o que se propunha, nós estávamos adentrando no ano do prazo final da moratória dada para a manutenção de um plano de paz na Terra, evitando assim consequências catastróficas para todas as nações do globo terreno, sendo a tal data limite o dia 20 de julho que estava por vir. 

Também destacamos no mês inicial de 2019 a inclusão do verbete "Berthe Fropo" na nossa Enciclopédia Espírita Online. Aliás, uma merecida inclusão, dado a importância dessa grande defensora do Espiritismo da primeira geração de espíritas. Não só por ter sido amiga do casal Kardec e a mais próxima auxiliadora de Amélie Boudet desde que esta ficou viúva do codificador espírita, Berthe Fropo foi uma ativista das mais importantes e talvez a maior defensora da pureza doutrinária da codificação de seu tempo, como bem está registrado no verbete aqui anunciado.


FEVEREIRO

O começo de 2019 trazia ainda os respingos de que o movimento espírita sofrera com o escândalo dos abusos sexuais apontados ao (não espírita) João Deus, médium reconhecido mundialmente. Embora não tivesse relação direta com o Espiritismo, o dito contumaz abusador de mulheres de Abadiânia de Goiás estava — involuntariamente — "manchando" a imagem dos demais médiuns e mesmo do Espiritismo kardecista. Por conta de polêmicas desse gênero, vimos a utilidade de tratar do caso através de uma matéria especial intitulada "Sobre charlatões, milagres, varellas e outros efeitos colaterais do recurso mediúnico".

Naquele fevereiro também cuidamos de noticiar uma descoberta relevante para a preservação da nossa doutrina, conquanto fosse um fato triste por envolver um confrade da primeira hora: Pierre-Gaëtan Leymarie, como fica bem evidenciado na matéria "Kardec fraudado em Obras Póstumas".


Ainda no segundo mês de 2019 tratamos de outro tema espinhoso no movimento espírita: o Roustainguismo. Primeiro, no ato de Lançamento da Sala de Leitura "J.-B. ROUSTAING DIANTE DO ESPIRITISMO RESPOSTA A SEUS ALUNOS" da União Espírita Francesa, uma brochura em defesa de Allan Kardec e do Espiritismo como resposta da União Espírita Francesa frente a acusações de seguidores do segmento espiritualista proposto pelo advogado francês Jean-Baptiste Roustaing; em seguida, no post "Prefácio anti-Kardec publicado pela FEB em 1920", que publicamos um dia após o artigo anterior.


Mas teve celebração também naquele mês: felicitamos nossos confrades responsáveis pelos 10 anos do "Lampadário Espírita", um periódico espírita elaborado com muita dedicação por confrades nossos do Estado de Pernambuco. Uma década é uma marca muito boa e demonstração de perseverança e zelo para com a nossa doutrina  o que, com toda a certeza, merece ser prestigiado.



MARÇO

Aproveitando os festejos do Carnaval, destacamos daquele mês de março a matéria especial "Duelo entre o Diabo e Jesus e mais uma ressaca de Carnaval", que abordou a polêmica da vez envolvendo uma encenação, durante o desfile de uma escola de samba de São Paulo, pela qual o príncipe dos demônios aparentemente vence o Cristo.

Mas, tratando de coisa boa, destacamos também de março a postagem com as primeiras imagens reveladas da PEADE, a já anunciada Plataforma de Estudos Avançados da Doutrina Espírita então em preparação pela parceria entre a equipe Luz Espírita e o Grupo Marcos, que estavas prestes a ser lançada ao público e já era aguardada por muitos.

Ainda naquele março foi anunciada a estreia da cinebiografia do codificador do Espiritismo: Kardec - a história por trás do nome, direção de Wagner de Assis, sendo a data de estreia reservada nos principais cinemas do país para o dia 16 de maio daquele 2019. Faz bem lembrar a positiva expectativa para esse filme, no sentido de que ele ajudasse a propagar o nome de Allan Kardec para além do movimento espírita.



ABRIL

Iniciamos o mês de abril saudando nosso confrade francês Charles Kempf, por ocasião de sua visita ao Brasil, esse que é um dos grandes pesquisadores e divulgadores do Espiritismo na Europa e quem está em ativa contribuição com os mais diversos pesquisadores e entidades espíritas brasileiros.

Merece nosso destaque também a postagem "Leymarie, aceite os meus conselhos...!" por Ery Lopes, um artigo sobre como Pierre-Gaëtan Leymarie foi oportunamente avisado dos escolhos de sua futura missão como administrador da herança de Kardec — para muitos, uma gestão desastrosa e fatalmente comprometedora para a continuação do Espiritismo na França e demais Europa. O teor foi oferecido igualmente como um alerta para os atuais dirigentes de casas espírita, lideranças do movimento espirita e formadores de opinião da comunicação doutrinária espírita.


Vale a pena recordar ainda a publicação de mais um episódio da série Poesia Espírita, desta feita "O despertar de um Espírito" de Jodelle (Espírito), extraído da Revista Espírita de Allan Kardec, edição de dezembro de 1858; narração de Katia Pelli.



MAIO

Do mês de maio destacamos primeiramente o artigo assinado pelo nosso confrade Rogério Miguez e intitulado "O papel das Mesas Girantes".


Em seguida, recordemos a resenha do filme "Kardec - a história por trás do nome", que, aliás, positivou o longa-metragem, sem spoiler, é claro, mas exortando os confrades espíritas e demais simpatizantes da doutrina a irem às salas de cinema assistir àquela obra admirável do cinema brasileiro, que então teria seu lançamento na semana seguinte, inclusive, com sucesso de público, bem como acompanhamos no post sobre a estreia do filme.

Ainda naquele mês, voltaríamos a tratar dessa produção na postagem "Apanhado de críticas — justas ou nem tanto — ao filme Kardec",


Em sequência, noticiamos: Novo verbete da Enciclopédia Espírita Online: "Irmãs Baudin", contendo recentes e relevantes descobertas sobre a identidade de duas das mais importantes médiuns de que Allan Kardec se serviu para configurar a obra básica da codificação do Espiritismo: O Livro dos Espíritos.



JUNHO

Começamos junho reproduzindo uma matéria do jornal Folha de São Paulo"Universidade de Minas Gerais vai estudar relatos de vidas passadas". O enfoque principal era o trabalho realizado pelo NUPES - Núcleo de Pesquisa em Espiritualidade e Saúde da Universidade Federal de Juiz de Fora, Minas Gerais, em parceria com a Universidade da Virginia, Estados Unidos da América. O trabalho no NUPES é coordenado pelo médico psiquiatra Dr. Alexandre Moreira-Almeida, que também é presidente da Associação Mundial de Psiquiatria. Da universidade americana é célebre o trabalho sobre reencarnação realizado pelo Dr. Ian Stevenson (1918-2007), depois continuado pelo Dr. Jim Tucker.


Em meados daquele período, lá estávamos nós noticiando a abertura de inscrições para experimentadores da PEADE, que o público estava esperando ansiosamente. No caso, foram oferecidas 200 inscrições para a primeira turma, vagas essas preenchidas em 24h.

Também naquele meio de ano postamos o lançamento em nossa Sala de Leitura da Biografia de Allan Kardec por José Maria Fernández Colavida, livro digital editado em parceria com o site Autores Espíritas Clássicos, com a tradução de Teresa de Espanha.

Ainda de junho colocamos em destaque a divulgação de mais um manuscrito restaurado pelo projeto Cartas de Kardec, nesse caso, uma carta do codificador espírita ao Sr. Pâtier. Nessa postagem, além de reproduzirmos as imagens dos originais, a transcrição em francês e sua tradução para o nosso português, fizemos algumas anotações sobre essa correspondência contextualizando seu conteúdo.



JULHO


Julho foi um mês agitado para o movimento espírita. Para começar, a Federação Espírita Brasileira emitiu uma nota pública reclamando a todos os divulgadores espíritas, sites, blogs e mídias em geral a observância dos direitos autorais de suas publicações e proibindo a reprodução total ou parcial de suas produções e até mesmo de exibição pública de qualquer produto sob seu domínio legal (o que inclui os principais títulos literários de Chico Xavier, Ivonne A. Pereira, Hermínio C. Miranda, etc.). Por conta disso, noticiamos com pesar a Exclusão de publicações da FEB da nossa Sala de Leitura, explicando as razões justamente desse nosso pesar e as discordâncias com essa postura tomada pela então diretoria da FEB. E é bom que se diga que muitas outras vozes do movimento espírita se levantaram contra essa medida febiana.

E, como já sabido, julho era o mês prevista pela tese Data Limite (ver retrospectiva de Janeiro). Então, exatamente no dia 20 de julho, o dia específico para o prazo final da referida moratória, postamos a matéria especial "Curso evolutivo da humanidade terrena e as possibilidades da tese Data-Limite", levantando ideias para reflexão acerca do tão falado fenômeno à época.


Também anunciamos no mês sétimo a data e o evento de lançamento oficial do livro "Autonomia, a história jamais contada do Espiritismo", Paulo Henrique de Figueiredo, trazendo como background as descobertas até então atualizadas do acervo do projeto Cartas de Kardec. Dentre outras coisas, o livro vinha oferecer detalhes das investigações do pesquisador Canuto Abreu que mudariam a história do Espiritismo e as recomendações do médium Chico Xavier, retransmitindo a mensagem de seus mentores espirituais, sobre o destino daqueles arquivos outrora secretos.



AGOSTO

Adentramos o mês de agosto noticiando a inclusão do filme Kardec no catálogo da Netflix. Pois é! Depois do sucesso de público (considerando os padrões nacionais) nos cinemas, o longa foi parar na mais bem-sucedida plataforma online de filmes e séries, ampliando assim o acesso geral à cinebiografia do codificador espírita. Além da informação, fizemos o convite para todos os assinantes para assistirem ao filme e registrarem um voto positivo no sistema de avaliação das produções dentro da plataforma online. Tudo isso para, mesmo indiretamente, ajudar a valorizar a temática e incentivar novas produções do gênero.

Outro destaque muito importante de agosto foi o lançamento oficial da PEADE - Plataforma de Estudos Avançados da Doutrina Espírita, com inscrições abertas ao público em geral e anúncio dos primeiros cursos.


Nada irrelevante também foi a notícia que postamos em 12 de agosto: "FEB retira Roustaing do seu estatuto", para muitos, um feito histórico ocorrido dois dias atrás — tanto para a própria Federação Espírita Brasileira quanto para todo o movimento espírita. Para se ter uma ideia, essa notícia entrou emergencialmente em pauta durante o já aqui referido evento de lançamento do livro "Autonomia: a história jamais contada do Espiritismo".




SETEMBRO

Em setembro foi a vez do cinema nacional receber a cinebiografia do médium e orador espírita Divaldo Pereira Franco, filme intitulado Divaldo: O Mensageiro da Paz, dirigido por Clóvis Mello e produzido em parceria entre a Fox Filme do Brasil, Cine e Estação da Luz Filmes. Infelizmente, a repercussão do longa ficou bem abaixo do que se esperava — apesar da qualidade do filme.


Bom lembrar que o mês sétimo é o da já tradicional campanha Setembro Amarelo, pelo que destacamos a matéria "Por mais flores e vivacidade", enfatizando a necessidade de conversarmos sobre suicídio e como prevenir esse terrível mal, buscando assim a valorização da vida.


E fechamos agosto destacando uma reportagem do Jornal da Band (TV Bandeirantes), "Espiritualidade é importante para a saúde do coração", sobre as benesses — especialmente para o coração — da oração, meditação, fé e outros valores espiritualistas, demonstrados por experimentos científicos coordenados pela Sociedade Brasileira de Cardiologia.



OUTUBRO

E mais uma polêmica surge de fora para dentro do movimento espírita, conforme publicamos no post "Psicografias em investigação: Fernando Ben é acusado de falsificar mediunidade". Reportagem do programa Fantástico (TV Globo) relata a acusação de supostas fraudes de mediunidade de Fernando Bien, dito médium de psicografia, não espírita.


Outro destaque do décimo mês de 2019 foi a postagem "Atividade consciente fora do corpo: estudo da Escola de Medicina de Nova York"Matéria publicada no website da revista Época Negócios trata de uma proposição científica, oferecida pela Escola de Medicina Langone de Nova York, sobre a atividade da consciência após a morte. Sob o título "Quando você morre, sua mente continua funcionando, e você sabe que morreu", a reportagem relata que tal estudo afirma que "a pessoa continua consciente mesmo depois que o corpo não mostra mais nenhum sinal de vida". A reportagem nacional baseia-se num artigo do The Independent, intitulado "When you die you know you are dead: Major study shows mind still works after the body shows no signs of life".



NOVEMBRO

Do penúltimo mês do ano velho destacamos inicialmente a atualização da Enciclopédia Espírita Online, trazendo com isso um novo verbete: "Metempsicose".

Logo mais, postamos o achado de mais uma fotografia original de Allan Kardec.


Na sequência, a equipe da PEADE anunciou o lançamento de mais um curso para a plataforma de estudos online: o CDS- Curso Doutrina Secreta, como uma sequência do estudo inciado com o curso Iniciação à Psicologia Crística - IPC, lançado em agosto deste 2019. Neste novo estudo, detalhes dos mistérios das antigas ciências ocultas, outrora reservadas aos iniciados, hoje resgatadas pela Espiritismo para então torná-las acessíveis a todos quantos queiram experienciá-los, e, neste caso, sob a segurança das salutares instruções da Doutrina Espírita.


E ainda: resgatamos e compartilhamos com todos um excelente filme-documentário produzido pela consagrada emissora de televisão americana HBO: Ninguém Morre em Lilly Dale (2010, EUA).

Mas não é tudo: merece destaque a postagem Sobre Gugu Liberato, doação de órgãos, transplantes e Espiritismo, por ocasião do súbito falecimento do famoso apresentador de programas de televisão Gugu Liberato e seu gesto espontâneo de deixar testamentado sua intenção de ser doador de órgãos, ensejando-nos melhores reflexões sobre os fenômenos da doação e transplante de órgãos em vista das consequências espirituais.



DEZEMBRO

O mês derradeiro de 2019 despontou com uma inusitada disputa por homenagem a Chico Xavier no Congresso Nacional. No centro da "discussão", o declarado espírita Eduardo Girão, senador pelo Ceará, e o dito simpatizante espírita Franco Cartafina, deputado federal pelo Estado de Minas Gerais. Quase que ao mesmo tempo, cada qual propôs um projeto-lei para criar um título de "capital nacional da mediunidade", tendo como referência a pessoa de Chico Xavier. Coincidência? O problema é que os dois divergiram sobre o local a ser contemplado pelo tal titulo: Girão indicou Pedro Leopoldo, a cidade natal de Chico, enquanto Cartafina propôs Uberaba, onde o médium fixou residência e produziu a maior parte da sua magnífica obra mediúnica.

Na sequência, abrimos a já clássica campanha Natal com Jesus, pela valorização do verdadeiro significado da festa natalina: o nascimento do Cristo em sua passagem carnal pela Terra.


E por falar em Natal, o de 2019 foi ensejo para mais uma polêmica nas mídias, especialmente pelas redes sociais, como expusemos em Cristãos e entidades diversas contra filme que brinca com um "Jesus gay" e "Deus mentiroso".

Seguindo os destaques, temos o acréscimo do verbete "Daniel Dunglas Home" na Enciclopédia Espírita Online. Como se sabe, o Sr. Home foi o maior médium de seu tempo, conhecido como "o homem que flutuava", por quem Allan Kardec conservou grande respeito:


E para fechar o ano, um ensaio sobre "10 coisas boas e ruins no filme Kardec de Wagner de Assis que todo mundo precisa saber".


Agradecimentos infinitos a todos que nos depositaram a confiança da audiência e prestigiaram nosso trabalho. Especialmente agradecemos a quem nos ajudou compartilhando nossos posts e assim contribuiu para a propagação do Espiritismo. Esperamos continuar merecendo a companhia de todos neste ano novo e que possamos cada vez mais qualificar nosso trabalho e concretamente promover nossa amada Doutrina Espírita em prol da espiritualização do nosso povo. 

Abraço fraterno de toda Equipe Luz Espírita.

sábado, 14 de dezembro de 2019

10 coisas boas e ruins no filme "Kardec:" de Wagner de Assis que todo mundo precisa saber


2019 foi o ano de lançamento de Kardec - a história por trás do nome, dirigido por Wagner de Assis, e provavelmente o melhor evento espírita, em nível nacional, ainda que o filme não seja exatamente um evento espírita, mas sim uma peça cinematográfica como qualquer outro filme, feito para ser um produto de cinema e  devidamente comercializado — embora, por trás de tudo isso, haja um pretexto doutrinário intencional. É que, como o nosso movimento espírita anda tão desarticulado, não foi possível fazer coisa melhor do que fez Wagner de Assis.


Passa-se o ano e fica o filme, que, para muitos, foi uma oportunidade de conhecer um pouco da biografia do codificador do Espiritismo, através dos cômodos e agradáveis recursos das telonas. Então, por algum tempo, o filme servirá para muita gente como a principal referência biográfica de Kardec. Por isso, nos interessamos em listar as 10 coisas — boas e más — desse longa, para esclarecer os interessados em conhecer melhor Allan Kardec.


Diretor Wagner de Assis

Vamos lá:


1.CINEMA NÃO É ENCICLOPÉDIA

A primeira coisa que se deve saber sobre Kardec - a história por trás do nome é que ele não é um verbete de enciclopédia, não é exatamente um capítulo de livro didático de História; portanto, ele não tem compromisso direto com a exatidão dos fatos. A exemplo de toda cinebiografia, ele é "baseado" em fatos reais, e, como peça artística, está recheado de inserções fictícias, criações, invenções, coisas não reais, que não aconteceram de verdade, colocadas no filme para diversos fins, desde "enfeitar o filme" como também ilustrar e sintetizar ideias concretas do personagem. Conclusão: quem quiser conhecer a verdadeira história de Allan Kardec terá que consultar outras fontes, por exemplo, o livro Obras Póstumas, que contém anotações do diário do próprio pioneiro espírita. Aliás, baseado nesses relatos, o documentário Espiritismo - de Kardec aos dias de hoje, dirigido por Marcelo Taranto, segue uma linha mais literal e  digamos  mais fidedigna, historiograficamente falando.



Todavia, mesmo que não se possa "confiar" em tudo o que mostra o filme de Wagner de Assis, ele também se configura uma boa ilustração da riquíssima biografia do codificador espírita. Noutras palavras, vale a pena assisti-lo!


2. O FILME É LINDO

Em geral, cinebiografias não são bem vistas, costumam ser chatas ou polêmicas (principalmente quando o roteira exagera nas inserções e distorcem demais a história real  seja para enaltecer, seja para denegrir a imagem do personagem biografado). E, para a crítica em geral, menos atrativos ainda são os de temática religiosa.

Porém, Kardec - a história por trás do nome é bom em tudo. Não é nada apelativo (por exemplo, não faz de Kardec nenhuma santidade), nem monótono: os diálogos são rápidos e precisos para ilustrar os fatos; os cenários, o figurino, a iluminação, os efeitos visuais... tudo muito bonito e em conforme com aquele século XIX.




3. INTERPRETAÇÃO

Um dos pontos mais positivos do filme é a interpretação dos atores: desde Leonardo Medeiros, que faz o protagonista, até os papeis menores, todos os atores entregaram-se de corpo e alma nesse trabalho e o resultado é impressionante para os padrões nacionais. Para se ter uma ideia, até mesmo o "mudo" General, interpretado por Christian Baltauss, tem uma presença forte em todas as cenas em que aparece.




4. MADAME KARDEC FEMME FORTE

Outra coisa muito boa do filme — e que certamente surpreendeu muita gente — foi o caráter altivo da Senhora Kardec, Amélie-Gabrielle Boudet, cujos registros  de que temos conhecimento, realmente mostram que foi uma mulher bastante participativa no trabalho de Kardec na codificação do Espiritismo. Uma verdadeira femme forte, infelizmente não tão reconhecida pelos próprios espíritas. E, diga-se de passagem, a atriz Sandra Corveloni incorporou Amélie com excelência.




5. PROFESSOR RIVAIL

O roteiro fez muito bem em informar aos novatos que antes do Kardec havia um Professor Rivail. E mais, um educador não apenas amoroso e dedicado em ensinar, como também brincalhão, quebrando a ideia que muita gente tem de um homem excessivamente sério, carrancudo, tal como ele aparece em fotografias.

Ora, muita gente pensa que o "inventor do Espiritismo" nasceu pronto para esta missão e desde cedo começou sua campanha de divulgação espírita, ocupando-se exclusivamente disso; na verdade, quando Kardec surgiu, Rivail já era um homem de cinquenta anos, já um idoso para a época, com a vida mais ou menos estabelecida financeiramente e muito descrente de que fosse ser o fundador de uma doutrina tão revolucionária quando a do Espiritismo. O filme de Wagner de Assis acertou em cheio ao mostra esse fato histórico tão relevante para compreendermos a origem da Doutrina Espírita.




6. AS IRMÃS BAUDIN

Wagner de Assis colocou duas meninas para vivenciarem as irmãs Baudin: Letícia Braga e Júlia Svacinna deram vida a Julie e Caroline Baudin, respectivamente, seguindo a linha lendária dentro do movimento espírita de transmitir uma ideia de mais pureza na obra de Kardec por ele ter se servido da mediunidade de inocentes mocinhas para compor sua obra básica O Livro dos Espíritos.

Mas todos precisam saber que a história real não é bem assim. De fato as irmãs Baudin contribuíram substancialmente com Kardec, mas elas não eram novinhas, como ficou concretamente demonstrado pelo trabalho de pesquisa do nosso confrade Carlos Seth Bastos (em A verdadeira identidade das primeiras médiuns utilizadas por Kardec): quando elas começaram a emprestar sua mediunidade ao codificador, em 1855, elas tinham: 28 anos Caroline, e a 26 a mais nova, que, aliás, não se chamava Julie, mas sim Pélagie.



Wagner não inventou isso; ele provavelmente bebeu da fonte de Canuto Abreu, que, em sua obra literária O Livro dos Espíritos em sua tradição Histórica e Lendária, assim descreveu o quadro lendário das "meninas médiuns de Kardec". Só que faz bem desfazer essa lenda.

Involuntariamente o filme perpetuo esse equívoco histórico, mas é perdoável. Crianças médiuns e intermediárias de obras extraordinárias é uma coisa absolutamente real. Um exemplo clássico é Ermance Dufaux, que as 6 anos de idade psicografou a autobiografia de São Luiz, e aos 8 a da heroína francesa Joanna d'Arc. Interessante é que no filme de Wagner de Assis, Ermance foi interpretada brilhantemente por Louise D'Tuani, embora, ao nosso ver, crescidinha demais para a personagem.




7. KARDEC APAVORADO

Valendo-se da "licença artística" para rechear seu filme, Wagner pintou uns traços peculiares a Kardec, para torná-lo "mais humano", cremos, desmistificando a ideia de que tenha sido alguém a todo o tempo "perfeito" e "soberano" no que fazia. OK!

Entretanto, pensamos que tenha exagerado na dose em roteirizar um Kardec apavorado em alguns momentos. Não é medo, mas pavor mesmo o que o mestre lionês demonstra em certas cenas: pavor de perseguições dos adversários do Espiritismo, inclusive aparecem no longa dois homens desconhecidos algumas vezes seguindo Kardec pelas ruas de Paris, sendo que mais tarde se vê que eles não eram maus e até socorrem o codificador num lance embaraçoso, caído na borda do Rio Sena.

Essa inserção soa um pouco forçada, mas tudo bem.


8. A PRISÃO DE KARDEC

O ponto negativo do filme, a nosso ver, é mesmo o da prisão de Kardec. Consideramos que um fato de tal magnitude teria implicações graves e, por isso, tal inserção não nos pareceu uma boa ideia.



Em algum momento do roteiro, Kardec travam um diálogo com Amélie sobre a "beleza das coisas", quando a sua senhora vai exaltar a forma poética da descrição das estrelas enquanto ele enaltece a justeza das leis físicas; é um diálogo fictício, mas tem um propósito claro: informar que Madame Kardec era do reino das artes (ela era poetisa, musicista, formada em Belas Artes) e Kardec era essencialmente um cientista nato. Isso é importante para o enredo porque é convém distinguir o Espiritismo de Kardec do misticismo comum das religiões tradicionais.

Mas no caso da prisão de Kardec, não vemos um propósito justificável para essa criação. Na ficção do longa, ele é detido em razão de formar uma sociedade sem autorização expressa, o que absolutamente não ocorreu: homem da lei, Kardec formalizou a Sociedade Parisiense de Estudos Espiritas junto às autoridades (com a ajuda de Sr. Dufaux, aqui interpretado por Dalton Vigh, que tinha amizade com o "prefeito de polícia", encarregado desse tipo de legalização) e só depois de conseguida a devida autorização é que ele abriu as objetivamente sessões. Então, não vemos como boa ideia essa inserção. Desnecessária, no mínimo.


9. O EMBATE COM O PADRE BOUTIN

Genézio de Barros interpreta o padre Boutin, uma invenção de Wagner de Assis para simbolizar o confronto que a Doutrina Espírita teve frente a igreja católica. Aqui, particularmente, a inserção faz sentido. Todavia, o que não nos pareceu boa foi a ideia de Kardec, uma vez preso, precisar da ajuda do sacerdote para ser solto da cadeia — um ato de "misericórdia" que, sinceramente, não acreditamos plausível na vida real, no contexto daquela época. Cremos que o mais factível seria a igreja, se ainda tivesse o mesmo poder dos anos áureos da Inquisição, mandar queimar Allan Kardec vivo em praça pública, como o fez com os seus livros no chamado Auto de Fé de Barcelona, aliás, contido no filme.




10. CONCLUSÃO

A nossa avaliação final é a de que o filme é muito bom e, sem dúvidas, ajudou a divulgar a doutrina, no entanto, fica o alerta para todos que é necessário ir mais a fundo para se conhecer Allan Kardec e, portanto, não confiar inteiramente nos relatos contidos no filme.



Ficha completa do filme na Wikipédia.

Para finalizar, alertamos que o livro Kardec - a biografia, de autoria de Marcel Souto Maior, que serviu de base para o roteiro de Kardec - a história por trás do nome, também precisa de uma boa revisão. Escritos a partir das informações da época (lançado em 2013), esse livro foi um estupendo trabalho e também muito serviu para popularizar a vida e obra do codificador do Espiritismo para o público fora do meio espírita, só que hoje nós temos acesso a muitas novas fontes históricas — seguras e determinantes — para montarmos uma imagem mais real de Allan Kardec. E vem mais por aí, como se espera do Projeto Cartas de Kardec.



O que esperamos então é que novas mídias venham oferecer a todos os interessados melhores meios para conhecermos Kardec e a origem do Espiritismo, porquanto há muito o que ser mostrado; tanto a biografia do codificador quanto a Doutrina Espírita têm muita coisa boa para ser explorada. E merecem nossa audiência. Nessa sucessão de lançamentos, os trabalhos como o livro de Marcel Souto Maior e o filme de Wagner de Assis não serão desvalorizados: seus esforços já fizeram o seu tempo e marcaram seus nomes na História do movimento espírita pela contribuição que deram para a propagação da doutrina.