quinta-feira, 26 de maio de 2022

Qual grupo de estudo dos fenômenos espíritas forneceu os 50 cadernos para Allan Kardec? — CSI do Espiritismo


Mais uma pesquisa realizada — e bem fundamentada — pelo CSI do Espiritismo Carlos Seth Bastos, que nos faz viajar pela História da nossa doutrina. O contexto é esse: há no movimento espírita a ideia clássica de que o professor Rivail (futuro Allan Kardec) de início era totalmente cético em relação aos fenômenos das Mesas Girantes e só com muita insistência de certos amigos é que ele vai assistir aos "experimentos espirituais", dos quais, aliás, então fica convencido e se propõe empreender um estudo aprofundado; para começar essa jornada de pesquisa, ele teria recebido uma coleção de anotações, dentre elas centenas de psicografias ou transcrições de comunicações de Espíritos: cerca de cinquenta cadernos com registros de diversas sessões mediúnicas que há tempos já se fazia em Paris. A questão é: foi assim mesmo? Ou seja, esses cadernos existiram? De onde vieram? O que continham? Aonde eles foram parar?

Vejamos o que foi apurado pela matéria a seguir:


Qual grupo de estudo dos fenômenos espíritas forneceu os 50 cadernos para Allan Kardec?


Introdução

Para não criar expectativas sobre a confirmação da existência dos 50 cadernos que poderiam ter servido de fundação para a construção de O Livro dos Espíritos, esclarecemos de imediato que não os encontramos.

O que identificamos foram inconsistências nas narrativas sobre a composição do grupo que os teria gerado, principalmente nas de alguns autores mais modernos, além de falhas na grafia dos nomes dos participantes, o que dificulta a determinação de suas identidades.


O grupo proposto por Sausse

Quem primeiro citou estes cadernos foi Henri Sausse, ao afirmar: “(...) no início o Sr. Rivail, (...) esteve a ponto de abandoná-las [as manifestações] o que talvez teria feito sem as solicitações urgentes dos Srs. Carlotti, René Taillandier, membro da Academia de ciência, Tiedeman Manthèse (sic), Sardou pai e filho, Didier, editor, que vinham acompanhado o estudo destes fenômenos há cinco anos e reuniram cinquenta cadernos de comunicações diversas que não conseguiram ordenar. Conhecendo as vastas e raras aptidões de sintetização do Sr. Rivail, esses senhores entregaram-lhe os cadernos, pedindo-lhe que os lesse e finalizasse. (...)” [1]. O que nos leva a identificá-los como um único grupo é a fala “reuniram (...) e não conseguiram arranjar”, dando a impressão de um trabalho conjunto dos envolvidos.

Na lista acima não consta a Srta. Japhet, nem o Sr. Roustan, citados por Sausse em outro trecho: “Em 1856, o Sr. Rivail assistiu aos encontros espíritas que se realizavam na rua Tiquetonne, na casa de Sr. Roustan, com a Srta. Japhet, sonâmbula, que obteve como médium algumas comunicações muito interessantes usando o cesto; ele pode controlar por esta médium as comunicações obtidas e ordenadas anteriormente.”. Ainda assim, entendemos que Sausse poderia estar se referindo ao grupo da Srta. Japhet como origem dos tais cinquenta cadernos, nos cinco anos anteriores à entrega a Kardec. Quem seriam os integrantes deste grupo?

Antes, vamos a um esclarecimento: a Srta. Célina Béquet dita Japhet [2-3] não citou nada sobre estes cadernos quando falou com Alexander Aksakof, em uma entrevista ao The Spiritualist de agosto de 1875 [4]. Ela apenas disse que Rivail teria se apossado indevidamente de um material, na forma de manuscritos, que teria sido utilizado em O Livro dos Espíritos, e não teria sido devolvido a ela.


O grupo da Srta. Japhet

Sabemos por Aksakof, neste artigo de 1875, que o grupo tinha uma formação em 1849 e que em 1855 praticamente todos os membros haviam mudado. Analisaremos cada uma das formações citadas por ele e por outras fontes (consulte a tabela para ver os nomes em todas as citações).


Em novembro de 1861, é falado na Revue Spiritualiste [5] que o círculo em 1849 era formado pela Sra. Dabnour (sic), pelo Sr. barão Johann Ludwig von Guldenstubbe [6], pelo abade Ferdinand François Châtel [7], pela Srta. Japhet e pelo seu magnetizador Sr. Jean Pierre Roustan, totalizando cinco pessoas. Esta mesma formação também aparece no livro Pneumatologia Positiva do barão von Guldenstubbe (um dos integrantes) e sua irmã Julie, na versão de 1870 [8].

Esse livro foi utilizado como referência por Aksakof, em agosto de 1875, para nomear os participantes do grupo, porém com uma diferença: o acréscimo à narrativa das três senhoritas Bouvrais aos demais integrantes, o que somaria oito participantes, porém no texto consta que eram nove (abordaremos sobre isso mais a frente). Esta entrevista foi reproduzida pela Sra. Emma Hardinge Britten no livro de 1883 Nineteenth Century Miracles [9], com as mesmas três senhoritas fazendo parte dos membros.

Passemos à formação em 1855, que foi a frequentada por Kardec em 1856, segundo Obras Póstumas. De acordo com lista informada pelo Sr. Aksakof, à exceção da Srta. Japhet e do Sr. Roustan, os demais integrantes mudaram em relação à 1849, sendo agora: o Sr. Tierry, o Sr. Ramón de la Sagra (Ramón Dionisio José de la Sagra y Peris), o Sr. Sardou pai (Antoine Léandre Sardou), o Sr. Sardou filho (Victorien Sardou), o Sr. Taillandier e o Sr. Tillman. Na reprodução da entrevista no livro da Sra. Hardinge não consta o nome do Sr. Tierry.

Na Revista Espírita de 1º de abril de 1884 [10], há um artigo com uma carta do Sr. Sardou pai em que ele reproduz um trecho do livro da Sra. Hardinge, com a lista de integrantes desta formação de 1855. Como ele fez parte do grupo, teria concordado com esta lista sem o Sr. Tierry?

Este artigo visou questionar as afirmações do Sr. Aksakof, tendo usado como referência a versão no livro da Sra. Hardinge. Na carta o Sr. Sardou pai alegou que tudo o que foi dito sobre o grupo e as acusações da Srta. Japhet seria falso. Imaginamos que ele tenha exagerado e supomos que queria se referir apenas às acusações da Srta. Japhet contra Allan Kardec. Não haveria razão para desconfiar das informações sobre a primeira configuração do grupo, confirmadas pelo barão, nem ele corrigiu a segunda formação, da qual ele fez parte.

Comparando o grupo apontado por Sausse com o grupo da Srta. Japhet e do Sr. Roustan, identificamos três nomes iguais à formação em 1855: os Srs. René Taillandier, Sardou pai e Sardou filho. É possível ter um quarto participante em comum, se o Sr. Tillman (citado por Sardou pai como Sr. Tildemann) for Tiedeman Manthèse [Martheze], citado por Sausse. Porém, não se pode ignorar as diferenças: o Sr. Tierry não aparece na lista de Sausse (e pode ser que não faça parte mesmo, já que foi citado apenas por Aksakof). E quanto aos Srs. Carlotti e Didier pai (Pierre Paul Didier) incluídos por Sausse? Sabemos apenas que este último esteve envolvido com experiências com a Srta. Huet [11].


Outras propostas de composição para o grupo

As maiores divergências em relação à formação do grupo estão nas narrativas de dois autores: Canuto Abreu [12] e Paulo Henrique de Figueiredo [13].

Canuto não cita nada sobre os cadernos, apenas fala sobre o grupo da Srta. Japhet à época do lançamento de O Livro dos Espíritos, e, na composição, faz uma mistura ao citar a Sra. D’Abnour e o Sr. barão von Guldenstubbe, presentes apenas na formação inicial de 1849, e os Srs. Ramón de la Sagra e o barão Tiedeman (sic), da configuração de 1855, deixando outros de fora. Além disso, inclui no grupo, sem qualquer fonte primária, o pai da Srta. Japhet, Sonia (sic), como irmã do barão von Guldenstubbe, e o Conde e a Condessa D’Ourches. Por fim, ele erra em dois nomes: ao invés de Srta. Ruth Celine Japhet, o correto é Srta. Célina Eugenie Béquet (que era conhecida na época como Célina Japhet), e o barão von Guldenstubbe não teve irmã de nome Sonia e sim Julie Wilhelmine von Guldenstubbe.

O pai da Srta. Japhet não poderia fazer parte à época, já que desencarnou em 20 de fevereiro de 1855. Quanto ao conde D’Ourches (Sr. conde Didier Balthazard D’Ourches), encontramos uma referência a uma participação eventual dele neste grupo [16], mas a tal condessa não existe, pois ele era celibatário, conforme vemos na sua genealogia [14] e no seu registro de óbito [15].

Já Paulo Henrique afirmou que a narrativa dos 50 cadernos é verdadeira e assumiu que o grupo responsável por eles seria o do Sr. Roustan e da Srta. Japhet. Encontramos nas páginas 123 e 124 do livro Autonomia a seguinte afirmação: "Didier esteve na reunião mediúnica de Roustan e Japhet que, segundo AKSAKOF (1875, p. 74-5), contou com professores como: Saint-René Taillandier (...), Amédée Thierry (...), Abel-François Villemain (...). Também participou (...) Ramón de la Sagra (...). O mais novo dos participantes foi Victorien Sardou (...)”.

Esta lista de nomes não corresponde à que transcrevemos do artigo de Aksakof, sobre o grupo da Srta. Japhet com o Sr. Roustan, coincidindo apenas os nomes dos Srs. Taillandier, Ramón de la Sagra e Sardou filho. Porque teria deixado de fora o Sr. Sardou pai? E dentre os acrescentados: porque entrou o Sr. Didier pai, que só apareceu na obra de Henri Sausse? O que indica que o Sr. Amédée Thierry é o Sr. Tierry? O Sr. Villemain seria uma tentativa de definir a identidade do Sr. Tillman?

Nos chamou atenção o currículo apresentado para alguns destes personagens, que o autor de Autonomia aponta como ligados ao Espiritualismo Racional, um dos temas centrais de seu livro, ou aos druidas, encarnação relativa ao pseudônimo de Allan Kardec:
  1. Didier (1800-1865) dedicou-se a publicar o registro estenográfico das aulas dos grandes professores fundadores do Espiritualismo Racional, como Victor Cousin e Jouffroy;
  2. Taillandier (1817-1879) era historiador e homem de letras, acadêmico que participou da reformulação da educação pelo Espiritualismo Racional;
  3. Amédée Thierry (1797-1873) era historiador especializado na história dos gauleses, na doutrina druídica, ancestral da Doutrina Espírita, conforme Allan Kardec;
  4. Abel-François Villemain (1790-1870), audacioso defensor do pensamento liberal que lutou contra a censura e foi favorável à retirada do catolicismo como religião do Estado (...).
Quanto aos 50 cadernos, Figueiredo afirma: “todos esses pensadores fizeram perguntas inteligentes, adotando a psicologia espiritualista e as ciências filosóficas como guia, e anotaram tudo cuidadosamente em cinquenta cadernos, entregues ao professor Rivail em 1854.”.

Do que identificamos, Sausse foi o único que afirmou que estes cadernos existiram e foram entregues a Kardec antes deste começar os trabalhos, sem informar o ano [1]. Os dois que participaram do grupo, a Srta. Japhet e o Sr. Sardou pai, tiveram um discurso diferente. A Srta. Japhet acusou Kardec de se apoderar de manuscritos após sua saída do grupo, e não de ter recebido conteúdo antecipadamente, ao dizer “Assim que ele [Kardec] saiu, ele se apoderou de um conjunto de manuscritos que tinha levado da casa da senhora (sic) Japhet, e se deu o direito de um editor por nunca tê-lo devolvido. Para os inúmeros pedidos de devolução que foram feitos a ele, ele contentou-se em responder: 'Deixe-a ir na lei contra mim'. Estes manuscritos foram, em certa medida, úteis para a elaboração do Livro dos Médiuns, cujo conteúdo, como diz a Srta. Japhet, havia sido obtido através das comunicações mediúnicas”. Por fim, o Sr. Sardou pai desmentiu a versão da Srta. Japhet, afirmando que Kardec apenas tomou nota das comunicações ocorridas no grupo, assim como fez em outros grupos.


Sobre as identidades de alguns dos personagens citados

Nas diversas listas são citados personagens não conhecidos e, para identificá-los, é essencial que seus nomes tenham sido grafados corretamente. Infelizmente erros de grafia são comuns, o que às vezes confunde e dificulta nosso trabalho. Encontramos as seguintes diferenças de grafia nos nomes: a Revue Spiritualiste escreve Sra. Dabnour ao invés de D’Abnour, conforme o livro do barão von Guldenstubbe. A Sra Hardinge, ao copiar Aksakof, cita as três irmãs, porém com o nome grafado como Bauvrais, ao invés de Bouvrais. Na reprodução da carta do Sr. Sardou na Revista Espírita, o nome de Roustan saiu errado, grafado como Roustang. Idem para o sobrenome de Ramón de la Sagra, que ele chamou de “la Lagia” (mesmo erro cometido por Canuto) e que a Sra. Hardinge chamou de “la Sagia”. Por fim, ele citou o Sr. Tildemann, ao invés do Sr. Tillman originalmente citado por Aksakof e reproduzido pela Sra. Hardinge, que Canuto chamou de barão Tiedeman.


Sobre os personagens:

Sra. D’Abnour e as três Bauvrais ou Bouvrais: precisaremos investigar mais, por isso preferimos não revelar nossas conclusões até agora.

Sr. Taillandier: conhecemos dois irmãos, o Sr. Edouard Marie Taillandier (mencionado equivocadamente como Tailliandier na Revista Espiritualista de dezembro de 1864 [17]), e o Sr. René Gaspard Ernest “Saint-René” Taillandier [18], que supomos ser o participante do círculo da Srta. Japhet, por ter sido citado na Revista Espírita de junho de 1879 como um dos “primeiros iniciados espíritas” [19].

Sr. Tillman | Sr. Tildemann | barão Tiedeman: O nome provavelmente está grafado errado e não há evidências de que exista um barão com este nome envolvido com o Espiritismo. Poderia tratar-se do Sr. Johannes Nicollas Tiedeman (também conhecido como Tiedeman Martheze [20-22]), citado por Sausse, embora ainda não possamos afirmar [23].

Sr. Tierry: ainda não o encontramos, apesar de termos nosso suspeito.

Sr. Carlotti: ainda não temos convicção sobre a identidade deste personagem. O colega Leonil Marques já publicou suas conclusões na forma de ensaio [24-25].

Considerando que o Sr. Aksakof citou oito nomes na formação do grupo de 1849, porém afirmou serem nove integrantes, suspeitamos que este último poderia ser Julie Wilhelmine von Guldenstubbe, irmã do Barão von Guldenstubbe, pois vários livros escritos por ele também contaram com sua coautoria, inclusive o Pneumatologia Positiva que tratou do assunto.


Conclusão

Observamos que mesmo em autores que publicaram obras e textos dentro do mesmo século da ocorrência dos fatos (Guldenstubbe, Japhet, Aksakof, Hardinge, Sardou pai e Sausse) existem divergências de relatos sobre o mesmo fato. Confiar cegamente em dados publicados sem a devida fundamentação em fontes primárias pode levar a construções falsas sobre a história do Espiritismo. A prática comum de se repetir informações dadas em antigas bibliografias, sem o devido cuidado e o uso de metodologias utilizadas pela historiografia, pode propagar erros que se tornam "verdades".

Quanto aos 50 cadernos, considerando que tanto Kardec, que na Revista Espírita de janeiro de 1858 contou sobre a elaboração de O Livro dos Espíritos e não os mencionou, como a Srta. Japhet e o Sr. Sardou pai, integrantes do grupo que forneceu comunicações e revisou o livro, não mencionaram nada, supomos que esta narrativa possa ser mais um equívoco da obra de Sausse, que acabou sendo inadvertidamente propagada como verdade, ainda que a ausência de prova não seja prova de ausência.

Em resumo, todo cuidado é pouco na hora de pesquisarmos a identidade dos personagens relacionados ao Espiritismo. O mesmo zelo deve ter o leitor, consumidor das informações pesquisadas, que as deve submeter à sua análise crítica, para não se tornar refém das conclusões alheias, muitas vezes fundamentadas em suposições “escolhidas a dedo” para dar conformidade às suas teorias.

Esta pesquisa do CSI contou com a revisão dos parceiros Obras de Kardec (OdK) e AKOL.


Referências:

[1] https://bit.ly/3vEtPJZ [2] https://www.allankardec.online/search?q=japhet [3] https://kardecpedia.com/obra/66 [4] https://bit.ly/2T1VEbA [5] https://bit.ly/2SBjElN [6] https://de.wikipedia.org/.../Johann_Ludwig_von_G%C3... [7] https://fr.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_François_Châtel [8] https://bit.ly/3fTmujk [9] http://www.ehbritten.org/.../ehb_nineteenth_century... [10] https://www.retronews.fr/.../1-avril-1884/1829/3285803/17 [11] https://www.allankardec.online/search?q=huet [12] bit.ly/3uTYymC [13] Autonomia, (p. 123 - 124). Edição do Kindle. [14] https://gw.geneanet.org/garric?lang=en&n=d%20ourches&oc=0... [15] p. 27 de https://bit.ly/3g1FGLN [16] https://gallica.bnf.fr/.../bpt6.../f511.image.r=guldenstubbe [17] http://iapsop.com/.../revue_spiritualiste_v7_n12_1864_dec... [18] https://fr.wikipedia.org/wiki/Saint-René_Taillandier [19] https://www.retronews.fr/.../1-juin-1879/1829/3285509/27 [20] https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/771564793607305 [21] https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/772175070212944 [22] https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/772724720157979 [23] https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/773482450082206 [24] https://www.facebook.com/variacoesintuitivas/posts/2966046930304973 [25] https://www.facebook.com/variacoesintuitivas/posts/2970876679821998



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quarta-feira, 25 de maio de 2022

Próxima palestra: "Perdoar a si mesmo" com Janete e Rivail Jr.


Em sequência à nossa série Palestra Espírita Online, no próximo domingo, 29 de maio, a exposição será por conta do casal Janete e Rivail Junior, direto de Canoas, Rio Grande do Sul, eles que são os apresentadores do programa Evangelho no Lar Online, que é transmitido pelo nosso canal todas as quintas-feiras, às 20h. E para a palestra deste domingo, o tema será "Perdoar a si mesmo".

A palestra começa às 10h (horário oficial de Brasília) deste domingo, portanto, dia 29 de maio, e você pode acompanhar a transmissão pelo canal Luz Espírita no YouTube, inclusive participando em tempo real através do chat vinculado ao vídeo.

E se você perder a edição anterior, veja o vídeo da extraordinária palestra "A pandemia desconhecida" com Rogério Miguez, realizada no último domingo, cuja gravação está disponível pela janela a seguir:

Visite também a página oficial do programa Palestra Espírita Online.

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segunda-feira, 23 de maio de 2022

"Allan Kardec e os Banquetes Magnéticos" por Rogério Miguez


De autoria de nosso confrade Rogério Miguez, o artigo a seguir nos remete a um passeio histórico sobre as raízes do Espiritismo e uma apreciação questionadora sobre uma desconcertante rivalidade entre os magnetistas, conforme foi levantado por um sério estudioso do Magnetismo: Allan Kardec, o codificador do Espiritismo.

Acompanhe o texto:


Allan Kardec e os Banquetes Magnéticos

Os princípios do Magnetismo Animal nos acompanham desde o início de nossa história, e mesmo antes, afinal são leis de Deus. Somos emissores e receptores de fluidos magnéticos, queiramos ou não, independente de nosso credo, raça e estágio evolutivo.

A capacidade de manipulação do Magnetismo Fluídico está entranhada na essência do Espírito, pode ser controlada pela vontade, mas não pode ser suprimida, faz parte da mecânica dos postulados divinos.

Não é raro homens ilustres se interessarem particularmente por determinados assuntos na infância ou mesmo na juventude, e deste conhecimento precoce terem favorecida no futuro a condução da particular missão destes Espíritos.

Este foi o caso, cremos assim, de Allan Kardec, basicamente um educador, escritor de livros didáticos de alcance nacional, isto na França, talvez a cultura de maior destaque do mundo no século XIX.

Antes de iniciar a sua especial missão de elaboração do Pentateuco espírita, em 1823, com apenas 19 anos, o Prof. Rivail teve a atenção voltada para os fenômenos magnéticos, passando a frequentar os trabalhos da Sociedade de Magnetismo de Paris. Desse momento em diante se envolveu por 35 anos seguidos com magnetismo e magnetizadores, tornando-se ele mesmo um deles. Por qual razão se interessar tão jovem pelo magnetismo? Sem dúvida, esta iniciação nas leis do magnetismo, este passado “magnético”, certamente o ajudou sobremaneira na elaboração da teoria espírita, pois nada ocorre por acaso.

Naqueles tempos havia grande interesse e aceitação no mundo pela chamada Ciência do Magnetismo, mas de igual modo existiam opositores ferrenhos e a própria mentalidade científica não via com bons olhos os chamados passes magnéticos. Pairava certa desconfiança de tudo ser apenas charlatanismo, conduzido pelo seu maior divulgador e praticante: Franz Anton Mesmer.


Por que dois banquetes anuais em tributo a Mesmer?

A despeito desta oposição, o Magnetismo assumiu tal relevância à época de Kardec, pois a prática realizava inúmeras curas, e contra fatos não há argumentos contrários, que em todo dia 23 de maio, aniversário natalício de Mesmer, o estudioso por excelência do Magnetismo Animal, realizavam-se dois banquetes anuais reunindo a nata dos magnetizadores de Paris e adeptos estrangeiros, conforme registro na Revista Espírita de 1858.(1)

O professor Rivail, como magnetizador e estudioso do assunto, convidado e participante dos eventos, indagava: Por qual motivo a solenidade comemorativa era sempre celebrada em dois banquetes rivais, onde cada grupo bebia à saúde do outro e onde, sem resultado, erguia-se um brinde à união?

O fato se “justificava”, pois havia um cisma entre os simpatizantes e praticantes do Mesmerismo. Algo semelhante ao que aconteceu, acontece e acontecerá, em muitos outros campos do conhecimento.

Naquele evento, refletia ainda: Tem-se a impressão de que estão prestes a se entenderem. Por que, então, uma cisão entre homens que se dedicam ao bem da humanidade e ao culto da verdade? A verdade não se lhes apresenta sob a mesma luz? Têm eles duas maneiras de entender o bem da humanidade? Estão divididos quanto aos princípios de sua Ciência? Absolutamente. Eles têm as mesmas crenças e o mesmo mestre, que é Mesmer, desencarnado em 1815. Se esse mestre, cuja memória invocam, atende a seu apelo, como o cremos, deve sofrer ao ver a desunião dos discípulos.

Os magnetizadores buscavam através de técnicas com movimentação ou imposição de mãos, entre outros métodos, transmitir os salutares fluidos magnéticos, buscando a cura de quantos os procuravam, vindo deste fato o questionamento do Codificador. Afinal, o objetivo era nobre, restituir a saúde aos doentes, como poderiam divergir sobre este intento?


Os apelos da espiritualidade em prol da unificação

Continuando a raciocinar: Por mais inofensiva que seja essa guerra não é menos lamentável, embora se limite aos golpes de pena e ao fato de beber cada um no seu canto. Gostaríamos de ver os homens de bem unidos por um mesmo sentimento de confraternização. Com isso a Ciência Magnética lucraria em progresso e em consideração.

E quem não gostaria, perguntamos também? A perplexidade do Sábio Gaulês se justificava plenamente, pois não podia compreender como adeptos desta útil Ciência pudessem se dividir, deixando para a posteridade exemplo pouco edificante. Afinal ele iniciava uma tarefa de imensa relevância visando esclarecer a humanidade, um trabalho imenso ainda o aguardava. Poderia o mesmo acontecer à Consoladora Doutrina em via de preparação? possivelmente também se perguntava.

Isto se deu várias décadas atrás; o mestre lionês acabara de publicar O Livro dos Espíritos, em 1857, as primeiras luzes que iriam iniciar o processo de iluminação da humanidade já estavam a brilhar, contudo o fato apresenta um paralelo surpreendente ao momento atual. Mudou o foco, os adeptos são outros, mas a cisão continua, agora entre os seguidores da própria Doutrina dos Espíritos no Brasil.

A espiritualidade tem enviado vários chamamentos no sentido de viabilizar a unificação, entretanto, cremos, não tem surtido o efeito desejado, pois as divisões continuam, seja na prática, seja na teoria, ou em ambas, apesar de os livros básicos espíritas serem exatamente os mesmos, nada mudou. É fato, muito tem sido acrescentado pelo trabalho de dedicados médiuns, notadamente: Chico Xavier, Divaldo Franco e Raul Teixeira, entre muitos outros, possibilitando o recebimento de variadas instruções de nobres e capacitados Espíritos, contudo, destaque-se, em nada elas alteraram o conteúdo granítico do Pentateuco.


Exemplos dos descaminhos atuais nas lides espíritas

Mesmo assim, cada agremiação espírita quer possuir a sua verdade. Argumentam ser a Doutrina de inteira liberdade, e não estão errados, mas concluem equivocadamente quando decidem ser de cada qual a escolha de como: praticá-la, interpretá-la e de quais livros adotar, esquecendo-se de que liberdade deve sempre ser acompanhada por reponsabilidade.(2)

Tomemos alguns pouquíssimos exemplos dos descaminhos atuais de alguns praticantes do Espiritismo:
  1. Já se tem notícia da existência de mais de 50 médiuns psicografando mensagens do Espírito desencarnado Chico Xavier, e como se não bastasse, já há centro(s) recebendo orientações mediúnicas do médium mineiro, seu particular “mentor”;
  2. Outros, em nome de suas peculiares interpretações das Leis de Deus, baseados em literatura não confiável, afirmam existir banheiros no plano espiritual, onde os Espíritos precisariam necessariamente deles se utilizar para funções de “limpeza do perispírito”;
  3. Vendem-se livros de qualquer natureza em certas casas espíritas, usados ou novos, sem se importar com o teor deles, visando apenas à obtenção de receitas;
  4. Há relatos de casas organizando cerimônias de casamento, batizado, benção de aliança, quando os participantes usam vestes brancas e se fazem acompanhar pelos seus respectivos padrinhos;
  5. Adeptos das músicas espiritualistas inovaram, pois se apresentam tais quais antigos grupos religiosos, trazendo para o interior das casas o clima igrejeiro, enaltecendo este ou aquele personagem religioso de nossa história ou mesmo espíritas desencarnados, como se fossem santos;
  6. Organizam-se festas nas dependências de casas espíritas, não deixando nada a desejar a nenhum salão de festas de nosso ambiente urbano;
  7. Sobre o passe, é um capítulo especial, visto existir várias modalidades e todos os seus praticantes se justificam baseados nos exemplos de Jesus, em detalhes da Codificação, e, infelizmente, em propostas não espíritas. Há mesmo aqueles advogando e ensinando não haver transmissão de fluido vital durante o trabalho de passes!

Como evitar o lamentável quadro?

Pode-se facilmente compreender por este diminuto número de exemplos simples como caminha o Espiritismo no Brasil. Kardec, onde estiver, seguramente estará também refletindo sobre a situação, com a agravante de não se tratar agora apenas de uma divisão no seguimento de praticantes do magnetismo, mas de todo o conjunto do movimento espírita.

Como evitar tal quadro? Uma possível solução, talvez a sugestão mais eficaz, seria manter-se fiel aos conceitos contidos nas obras básicas, e só seguir outras literaturas comprovadamente espíritas.

Não se impressionar por pseudoliteraturas espíritas quando, pelo simples fato de os livros trazerem em suas contracapas os dizeres “livros espíritas”, passam a ser aceitas e, ainda mais preocupante, estudadas, como se fossem material espírita, chegando mesmo a ser recomendadas em certas agremiações espíritas como estudos iniciais àqueles que adentram os centros pela primeira vez, sem qualquer orientação aos neófitos.

Os chamados Banquetes Magnéticos nos deixaram esta preocupante lição, e indagamos: quando nos tornaremos atentos e vigilantes às “pseudonovidades espíritas”, não as aceitando, e desta forma, minimizando as divisões no seio da comunidade espírita, pois aquelas surgem às dezenas neste momento de transição planetária, muitas convidando-nos a esquecer do Mestre Gaulês?

Referências:

(1) KARDEC, Allan. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. ano 1, n. 6, jun. 1858. Trad. Evandro Noleto Bezerra. Variedades – Os banquetes magnéticos.

(2) MIGUEZ, Rogério. Consultar o artigo intitulado “Falando de liberdade”, publicado na revista Reformador, ano 132, n. 2.225, agosto de 2014, p. 46 a 48.

quarta-feira, 18 de maio de 2022

Chico e o retrato de Maria de Nazaré


Continuando nossa série 20 anos de saudades do inesquecível Chico Xavier, que desencarnou em 2002, e aproveitando este mês de maio especialmente dedicado às mães, vamos colocar em destaque outra linda joia lapidada pelo querido médium mineiro.

Caminhava-se para mais uma celebração dos Dias das Mães em 1984 quando Emmanuel, o mentor espiritual do médium, anunciou mais um trabalho a ser realizado: o amigo invisível ditaria através de Chico os traços fisionômicos de Maria de Nazaré, a mãe de Jesus, para que um artista pudesse retratá-la. Para tal desiderato, a empreitada valeu-se dos préstimos do artista paulista Vicente Avela.

Os esboços do "retrato falado" começaram a ser feitos ainda em 1983, sendo desenhado mais de vinte esboços, cada nova edição recebendo as recomendações do muito exigente Emmanuel, até que quando todos os detalhes foram ajustados, a imagem foi ampliada e colorizada em tinta a óleo, resultando na famosa tela que conhecemos hoje e se tem reproduzida fartamente na internet.


Segundo o médium, o quadro representa bem os traços de Maria, conforme ela se apresenta nas esferas espirituais mais próximas da Terra.

À época da sua primeira apresentação ao público, Chico foi convidado para um programa da TV Record de São Paulo, com garantido sucesso de audiência.


Veja a seguir a reprodução de uma edição computadorizada com melhorias em alguns detalhes da tela:


Veja, no vídeo adiante, uma animação feita a partir deste quadro:


Chico Xavier tinha uma especial devoção à Maria, que ele transportava para o trato geral com todas as mães. A quem diga que isso tenha a ver com o fato de ele ter ficado órfão da mãe biológica, Maria João de Deus, e logo mais da madrasta, Cidália Batista, que o tratava como um filho muito amado e a quem Chico considerava uma segunda mãe mesmo; outros vão dizer que esse valor especial à maternidade Chico já trazia de seu próprio espírito, de aquisições de sucessivas reencarnações pelas quais pode desenvolver o amor ao próximo através das lições evangélicas, com um toque a mais de afeto e reconhecimento ao ofício da maternidade.

No livro Entender Conversando, que traz uma coletânea de entrevistas de Chico Xavier a diversos canais de mídias, ele discorre sobre seu carinho extraordinário a Maria de Nazaré, registrado no programa Sexta-Super da TV Globo, Rio de Janeiro, RJ, levado ao ar na noite de 23 de maio de 1980, sob a direção de Augusto César Vannucci e com o nome de “Chico Xavier Especial”. Transcrito do Anuário Espírita 1981, Ed. IDE, Araras, SP, pp. 142/150, como segue:
"[...] considero Nossa Senhora, a inesquecível Mãe de Jesus e nossa Mãe na Cristandade, como sendo o vínculo maternal mais importante da Terra e a quem devemos recorrer em nossas necessidades, pedindo a ela proteção, misericórdia, auxílio, inspiração."
Entender Conversando, Chico Xavier - cap. 5. questão 61
Muitos confrades espíritas criticam essa devoção de Chico Xavier a Maria, que eles veem como um simples símbolo (ídolo, até) católico, pelo que alguns até o chamam de "espiritólico"; em geral, são pessoas que têm certa aversão a todo tipo de religiosidade e pensam que quaisquer sentimentos que se aproximem disso sejam nocivos à sua evolução espiritual. De nossa parte, respeitosamente, discordamos dessas críticas, trazendo a lembrança do que diz a Codificação Espírita, que uma das atribuições do Espiritismo é exatamente incutir o sentimento religioso em quem não o tem e fortalecer naquele já iniciado na fé.

Faz bem desmistificarmos as crenças e buscar a justeza das coisas reais. Mas, se essa devoção promove o amor, a caridade e todas as virtudes espirituais, então esta devoção é legítima e vale mais do que a ciência fria.

Salve, salve, Chico Xavier. Salve, salve Maria. 


terça-feira, 17 de maio de 2022

Próxima palestra: "A pandemia desconhecida" com Rogério Miguez



Em sequência à nossa série Palestra Espírita Online, no próximo domingo,22 de maio, receberemos nosso confrade Rogério Miguez, estudioso espírita, escritor, palestrante e colaborador ativa do Luz Espírita. Nesta oportunidade, ele desenvolverá o tema "A pandemia desconhecida". Humm... Que será essa dita cuja? Não perca o programa e descubra!

A palestra começa às 10h (horário oficial de Brasília) deste domingo, portanto, dia 22 de maio, e você pode acompanhar a transmissão pelo canal Luz Espírita no YouTube, inclusive participando em tempo real através do chat vinculado ao vídeo.

E se você perder a edição anterior, veja o vídeo da extraordinária palestra "A indispensável missão da maternidade" com Orson Peter Carrara, realizada no último domingo, cuja gravação está disponível pela janela a seguir:

Visite também a página oficial do programa Palestra Espírita Online.

E não deixe de compartilhar o programa com amigos e familiares, contribuindo assim com a divulgação do Espiritismo.


quarta-feira, 11 de maio de 2022

Próxima palestra: "A indispensável missão da maternidade" com Orson Peter Carrara


Em sequência à nossa série Palestra Espírita Online, no próximo domingo, 15 de maio, receberemos nosso confrade Orson Peter Carrara, espírita de berço, expositor conhecido nacionalmente, articulista da imprensa espírita e autor de 21 livros (mais informações sobre o seu trabalho no  seu blog). Para esta edição do nosso programa de palestras, ele vai desenvolver o tema "A indispensável missão da maternidade", aproveitando que estamos no mês em que homenageamos as mães.

A palestra começa às 10h (horário oficial de Brasília) deste domingo, portanto, dia 15 de maio, e você pode acompanhar a transmissão pelo canal Luz Espírita no YouTube, inclusive participando em tempo real através do chat vinculado ao vídeo.

E se você perder a edição anterior, veja o vídeo da extraordinária palestra "Chico Xavier e suas lições de vida" com Carlos Abranches, realizada no último domingo, cuja gravação está disponível pela janela a seguir:

Visite também a página oficial do programa Palestra Espírita Online.

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segunda-feira, 9 de maio de 2022

Filme "Predestinado - Arigó e o Espírito do Dr. Fritz" vai estrear em setembro

Começamos a semana com uma ótima notícia: o filme Predestinado - Arigó e o Espírito do Dr. Fritz já tem uma data para estrear nos cinemas: 1 de setembro deste ano de 2022. A produção foi concluída em 2019, mas teve seu lançamento cancelado por conta das medidas de isolamento social adotadas contra a pandemia da Covid-19. Agora, finalmente, a montagem baseada na biografia do grande médium Zé Arigó vai ser levada às telonas e, certamente, colocará em evidência entre as chamadas das produções da sétima arte a mediunidade e o Espiritismo.

As informações a seguir são da assessoria de imprensa oficial do filme:

A impressionante história do médium mineiro José Pedro de Freitas, o Arigó, será contada em Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz, novo filme com Danton Mello e Juliana Paes, que ganha agora seu segundo trailer. Danton dá vida a Arigó e Juliana interpreta Arlete, esposa do médium, que esteve ao lado do marido quando ele aceitou seu destino e se tornou uma esperança de cura para milhares de pessoas. Este é o primeiro trabalho que Juliana realizou com Gustavo Fernandez, diretor do filme e que também integra a equipe de direção de Pantanal, atual novela da Globo em que a atriz foi destaque. Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz chega aos cinemas em 1º de setembro, com distribuição da Imagem Filmes.

"Arlete era a esposa e prima de quarto grau de Arigó. Alguns anos mais velha que ele, ela era uma mulher forte, resoluta e que sempre foi um apoio para o marido", conta Juliana Paes. "Para mim, foi um desafio, principalmente na segunda e na terceira fase do filme, vestir essa personagem que é tão diferente de mim, tão simples e com muito mais idade do que eu tenho, com um corpo e uma vivência que eu não tenho. Mas, por outro lado, foi muito libertador, pois pude me despir da vaidade, gravar cenas de cabelo branco, de óculos e com as marcas de expressão acentuadas. Foi bom não ter que ter o compromisso de estar bonita ou estar interessante, mas sim de simplesmente ser. E só ser é muito bom!"

Zé Arigó recebeu orientações de Chico Xavier para o exercício da sua mediunidade. Foi um Homem de Bem, a seriedade do seu trabalho, a sua dedicação e o compromisso que tinha com a espiritualidade, salvou centena de milhares de pessoas. Atraiu atenção do mundo todo entre as décadas de 50 e 70 do século passado, como o primeiro médium a fazer cirurgias espirituais, ficando conhecido em todo o Brasil e no mundo.

Sua dedicada vida e trabalho, ao bem do próximo, foi exaustivamente pesquisada e registrada em documentários, programas de TV, revistas e centenas de trabalhos de pesquisadores internacionais reconhecidos, incluindo o famoso filósofo Herculano Pires, que escreveu um livro baseado nas suas pesquisas, comprovando a idoneidade da tarefa do paranormal mineiro.

"Com esse filme vamos poder deixar registrado o grande trabalho que ele fez, sua vida simples, difícil e o bem que fez para tanta gente", conta Danton Mello, que faz o papel do médium. Rodado em Congonhas, cidade natal do médium, Cataguases e Rio Novo, em Minas Gerais, o longa conta a vida de José Arigó, desde os pequenos sinais de mediunidade precoce na infância, sua adolescência de descobertas, até adulto, quando as visões e vozes do mundo espiritual o fizeram aceitar seus dons e dar vazão às fantásticas cirurgias espirituais e processos de cura do médico espiritual, Dr. Fritz.

O longa conta ainda com Marcos Caruso, Alexandre Borges, Marco Ricca, Cássio Gabus Mendes, João Signorelli e James Faulkner no elenco. A roteirista Jaqueline Vargas usou como base o livro Arigó e o Espírito do Dr. Fritz, escrito pelo jornalista e escritor inglês John G. Fuller, para ajudar a construir o roteiro do filme. A obra literária foi reeditada pela Editora Pensamento e seu novo lançamento acompanha a estreia do filme nos cinemas. Predestinado: Arigó e o Espírito do Dr. Fritz é produzido pela Moonshot Pictures, de Roberto d'Avila, FJ Produções, de Fabio Golombek e The Calling Production, de James Guyer, e coproduzido pela Paramount Pictures e Camisa Listrada BH.

Sinopse:
Parece impossível, mas esta é uma história real. Através do espírito de Dr. Fritz, médico alemão falecido durante a Primeira Guerra Mundial, José Arigó (Danton Mello) se tornou uma esperança de cura para milhões de pessoas ao redor do mundo. Ele foi alvo de críticas por parte dos mais céticos, mas com o apoio de sua esposa (Juliana Paes), conseguiu salvar inúmeras vidas por intermédio da cirurgia espiritual. Predestinado a ajudar sem receber nada em troca, Arigó é hoje reconhecido como um dos maiores fenômenos mediúnicos da história.

Ficha Técnica
Produtor: Roberto d'Avila, Fabio Golombek e James Guyer
Diretor: Gustavo Fernandez
Roteirista: Jaqueline Vargas
Direção de Fotografia: Uli Burtin
Direção de Arte: Antônio de Freitas
Trilha Sonora: Gus Bernardo
Produtoras: Moonshot Pictures, FJ Produções e The Calling Production
Coprodutoras: Paramount Pictures e Camisa Listrada BH
Distribuidora: Imagem Filmes

Elenco Principal
Danton Mello
Juliana Paes
Marcos Caruso
Alexandre Borges
Marco Ricca
Cássio Gabus Mendes
João Signorelli
James Faulkner

Confira o trailer oficial do filme:


A questão entre Zé Arigó e o Espiritismo

Em seu tempo, Zé Arigó foi bastante criticado por alguns confrades espíritas por conta de seus "métodos primitivos" no exercício da mediunidade de cura, especialmente pelo fato de o médium usar instrumentos cortantes – canivetes, por exemplo – muitas vezes sem o menor cuidado com a higiene. Até mesmo Chico Xavier demonstrava ressalvas em relação a isso, inclusive rejeitou ser tratado pelo Dr. Fritz – embora a desculpa de Chico fosse preferir "respeitar a dor natural que lhe fora imposta". Todavia, Chico tinha grande estima por Arigó e deixou um depoimento tocante em favor dele no programa Pinga-Fogo da TV Tupi.

Outros kardecistas propunham até tirar de Arigó o título de espírita, por considerar que seu "ramo de atuação" era demasiado assistencialista e desprovido do ideal doutrinário de reeducação consciencial. E ainda tinha os que supunham que o médium de Congonhas era por demais inclinado aos agrados materialistas que lhe cercavam.

A voz mais forte em defesa de Arigó no movimento espírita foi a do filósofo José Herculano Pires, para quem a mediunidade do congonhense era inquestionável e o "primitivismo" de suas operações – a propósito, estilo particular do Dr. Fritz, e não do médium – também tinha um propósito prático: chocar mesmo as consciências e evidenciar as capacidades mediúnicas, a exemplo de tantos fenômenos de efeitos físicos: extravagantes, mas de certo utilidade. No fundo, parecia mais inveja daquelas extraordinárias capacidades mediúnicas do que zelo doutrinário.

Leia online ou baixe o PDF do livro Arigó: Vida, Mediunidade e Martírio de José Herculano Pires.

Conheça mais sobre Zé Arigó na Enciclopédia Espírita Online.

Estamos aguardando com saudável dose de ansiedade a estreia deste filme, Predestinado - Arigó e o Espírito do Dr. Fritz, contando que ele fará muita gente pensar melhor sobre os valores espirituais, sobre as potências mediúnicas e, claro, sobre as lições esclarecedoras e consoladoras da Doutrina Espírita. Contudo, não devemos esquecer que, como é de praxe, as biografias cinematográficas quase sempre são fortemente recheadas de fatos fictícios, quando não distorções graves, que por vezes acabam prejudicando o entendimento da vida e obra da pessoa ali retratada. O recurso tem o pretexto de "enfeitar a produção". Então, esperamos que esta produção não tenha abusado da criatividade no mal sentido e tenha mantido o mais fiel possível a história de Arigó, que por si só já é fantástica o bastante para motivar os cinéfilos a irem assisti-lo. Quanto a nós, espíritas, além da simples atração de um filme, temos o interesse em divulgá-lo pelas razões óbvias: propagar os ideias espíritas e por isso conclamamos a todos os nossos confrades a apoiar esta divulgação.

E enquanto não chega setembro, não deixe de conferir o programa Linha Direta sobre Zé Arigó.


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