quarta-feira, 17 de outubro de 2018

Nos bastidores de "Karde", o filme


Foi com grata surpresa que assistimos a uma pequena amostra do quem vem por aí com o filme "Kardec", de Wagner de Assis, previsto para 2019. Pelo pequeno vídeo com os bastidores dessa produção, conferirmos a grandeza do projeto e a riqueza de detalhes do longa-metragem que levará aos cinemas a biografia magnânima de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo.

Confira o vídeo:


Pelo que vimos, por essa pequena amostra dos bastidores, há um cuidado e dedicação além do caráter profissional. Realmente, a incorporação dos atores aos respectivos papéis, a composição dos cenários, o cuidado com a representação gráfica da época (século XIX), tudo isso demonstra que teremos uma super-produção, à altura do insigne Codificador.





É notável observarmos como o ator Leonardo Medeiros é representa visualmente muito a fisionomia do protagonista, conforme podemos comparar com as fotografias e gravuras feitas de Kardec.



Também nos empolga a, digamos, devoção com que o diretor Wagner Assis emprega seu trabalho na montagem desse filme, ele que tão bem levou a efeito o filme Nosso Lar (2012), muito acima da média do cinema brasileiro.


Estamos acompanhando tudo e vamos trazendo aqui todas as novidades das gravações de Kardec, o filme, esperançosos que seja mais um campeão de bilheterias e ajude a impulsionar a divulgação da inestimável vida e obra daquele grande pedagogo e filósofo francês, porta-voz da Nova Era que o Espiritismo inaugurou na História da Humanidade.



Viva Allan Kardec! Salve Kardec, o filme!

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Necrólogo: Zíbia Gasparetto (1926-2018)


Retornou à pátria espiritual a médium e escritora espiritualista Zíbia Gasparetto. Ela desencarnou na tarde de ontem, em sua casa, em São Paulo. Zíbia tinha 92 anos de idade e estava se tratando de um câncer nos pâncreas. Seu corpo está sendo velado no cemitério de Congonhas, na Capital paulista, onde será sepultado hoje às 15h.

Zíbia nasceu em 29 de julho de 1926 na cidade de Campinas, interior de São Paulo, descendente de uma família italiana. Era casada, teve quatro filhos, dentre os quais o também médium Luiz Antonio Gasparetto, falecido em 3 de maio deste ano.


Desabrochar da mediunidade e iniciação no Espiritismo

Zibia conta que, em 1950, já mãe de dois filhos, teria acordado certa noite com um formigamento no corpo. Em seguida, teria se levantado e passado a andar pela casa como um homem, falando em alemão, idioma que desconhecia. O marido, surpreendido e assustado, recorreu ao auxílio de uma vizinha, que, ao chegar à residência da família, teria feito uma oração capaz de restabelecer Zíbia. No dia seguinte, Aldo Luiz dirigiu-se a uma livraria, onde adquiriu O Livro dos Espíritos. Juntos, teriam começado a estudar a Doutrina Espírita.


Aldo Luiz começou a frequentar as reuniões públicas da Federação Espírita do Estado de São Paulo - FEESP, mas Zíbia não tinha como acompanhá-lo, pois não tinha com quem deixar as crianças. Semanalmente, entretanto, faziam juntos um estudo no lar, período em que a médium diz que principiou a sensação de uma dor forte no braço direito, do cotovelo até a mão, que se mexia de um lado para o outro, sem que ela pudesse controlá-lo. Aldo Luiz colocou-lhe um lápis e papel à frente. Tomando-os, Zíbia teria começado a escrever rapidamente. Ao longo de alguns anos, uma vez por semana, foi psicografando desse modo o seu primeiro romance, O Amor Venceu, assinado pela entidade denominada Lucius.

Sua bibliografia é bem-sucedida: estima-se que tenha vendido cerca de 20 milhões de exemplares, sendo os seus livros mais conhecidos, além do estreante O Amor Venceu: Laços Eternos, Quando Chega a Hora, Vencendo o Passado e Ninguém é de Ninguém.

Saiba mais sobre a escritora pela entrevista que ela concedeu ao programa Todo Seu (TV Gazeta):




Espírita ou espiritualista?

Iniciada no Espiritismo, pela necessidade de compreender o desabrochar da sua mediunidade, Zíbia participou por um bom tempo da FEESP e, digamos, foi educada doutrinalmente conforme os princípios da Codificação Espírita contido nas obras de Allan Kardec. Com o passar do tempo, no entanto, ela própria deixou de se apresentar como "espírita", denominando-se então "espiritualista", alegando ter sofrido certa censura por parte dos kardecistas em razão de se beneficiar financeiramente da vendagem dos livros psicografados, além de críticas, vindas também do meio espírita, quanto a autenticidade de sua mediunidade e da justeza dos valores doutrinários (ou desvirtuamento) contidos em suas obras.


“Hoje não tenho religião, mas não me incomodo de ser chamada de espiritualista” — disse Zíbia, em entrevista à reportagem "A senhora dos espíritos" publicada pela revista Isto É (veja aqui). Na mesma ocasião, declarou ser francamente favorável à exploração econômica das obras mediúnicas e, rejeitando o preceito kardecista "Dai de graça o que de graça recebestes", inspirado no ensinamento do Cristo, a médium espiritualista fez uma revelação por demais polêmica, dizendo: “O Chico abriu mão dos direitos dos livros dele, mas uma vez chorou para mim, arrependido do que tinha feito”.

A família Gasparetto havia fundado em 1969 e vinha mantendo por muito tempo, com a venda das obras dos Gasparetto, uma instituição totalmente filantrópica, a "Associação Cristã de Cultura Espírita Os Caminheiros”. Depois que saíram da seara espírita, então fecharam aquele centro espírita e passaram a se dedicar exclusivamente à nascente Vida e Consciência, editora fundada por Zíbia com os filhos Luiz e Silvana. Nos dez anos seguintes, entre 1995 e 2005, produziu o que havia levado 37 anos para fazer quando ainda dividia seu tempo com as obrigações e compromissos espíritas.

“É curioso observar as mudanças na produção literária de Zibia depois das novidades apresentadas pelo Luiz”, afirma Sandra Jacqueline Stoll, doutora em antropologia social pela Universidade de São Paulo (USP) e autora do livro Espiritismo à Brasileira (Edusp, 2003). Pendendo pesadamente para a auto-ajuda, mas ainda com a rubrica de Lucius, seus novos livros venderam como água. O maior best-seller da carreira, Ninguém é de Ninguém, por exemplo, foi lançado em 2000 e vendeu 860 mil cópias. “Ela passou a seguir um ritmo de lançamentos parecido com o dos grandes autores”, diz Sandra. Com pelo menos um livro novo por ano, sempre em outubro, para pegar carona nas compras de Natal, ela chegou a emplacar dois títulos simultaneamente na lista de mais vendidos do País, feito que só autores do quilate de Paulo Coelho haviam conseguido — destaques da revista Isto É.


O Legado de Zíbia Gasparetto

É inegável a influência da obra de Zíbia. Seus livros foram a porta de entrada para muitas pessoas quebrarem preconceitos contra os conceitos de mediunidade, reencarnação e a lei de causa e efeito. Por suas novelas, muitos desembocaram no estudo da Doutrina Espírita e, com isso, avançaram consideravelmente em sua jornada de autoiluminação. E assim deverá continuar por muito tempo, porque seu bibliografia está bem difundida na nossa cultura contemporânea.

Entretanto, não falta que considere que essa contribuição venha a ser contrabalanceada — ou mesmo suplantada — pelo desserviço que, supostamente, tem marcado a trajetória dos Gasparetto a inobservância do desapego financeiro de que são fartamente acusados. E não só isso: o teor de seus romances — não raro considerados suspeitos, no que diz respeito à veracidade da inspiração espiritual — são questionáveis, doutrinalmente falando. São "Água com açúcar", dizem muitos, sem profundidade e, portanto, sem muito proveito para o aprendizado espiritual necessário para acelerarmos nosso curso evolutivo.

De nossa parte, deixando de lado as fraquezas pessoais — pelas quais cada qual responderá, inexoravelmente —, preferimos ponderar que Zíbia Gasparetto deixou sim uma grande contribuição para a propagação dos ensinamentos espirituais e, certamente, fez positivamente a diferença em muitas vidas, consolou a tantos e revivesceu a fé de muita gente, abrindo passagem para que essas consciências comecem a compreender os valores espíritas.

Nosso respeito aos familiares, amigos e simpatizantes da família e da obra dos Gasparetto, e à nossa irmã, que ora renasce na espiritualidade, nossas vibrações fraternais e votos de pronta-readaptação, para que continue sua jornada evolutiva e se habilite cada vez mais em compartilhar seus dons com toda a Humanidade.



Fonte: G1. Isto É.

quarta-feira, 10 de outubro de 2018

Série Poesia Espírita: "Minha Luz" de Carmem Cinira


Depois do lançamento da série de vídeos Poesia Espírita, que inauguramos com o poema "Supremacia da Caridade" de Casimiro Cunha (veja aqui), damos continuidade com a delicada poesia "Minha Luz" ditada pelo Espírito Carmem Cinira, psicografada por Chico Xavier e publicada no clássico da literatura espírita Parnaso de Além-Túmulo (baixe o ebook aqui). A narração é por conta de nossa colaboradora Dora Carvalho.

Carmem Cinira é o pseudônimo que foi adotado pela poetiza carioca Cinira do Carmo Bordini Cardoso (1902-1933), cuja última trajetória na Terra foi marcada pela gentileza para com todos e desprendimento material, demonstrados no ato de renunciar a uma promissora carreira para cuidar pessoalmente do esposo tuberculoso, de quem contraiu a mesma enfermidade, que, resignada, a levaria ao desencarne.

Aprecie o poema "Minha Luz" de Carmem Cinira:


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Projeto Cartas de Kardec primeiro manuscrito revelado


Como temos acompanhado, a FEAL - Fundação Espírita André Luiz e os herdeiros do Dr. Canuto Abreu firmaram uma parceira para organizar e disponibilizar ao público um valiosíssimo acervo histórico espírita que, dentre outras preciosidades, contém mais de setecentos manuscritos de Allan Kardec (saiba mais clicando aqui). Em consequência disso foi instaurado o projeto Cartas de Kardec (veja aqui), que então abriu uma campanha no site Catarse para arrecadar fundos para a execução da obra, envolvendo a preservação física dos documentos originais.

Detalhes do projeto na sua fanpage do Facebook.

Como a promessa feita pelos dirigentes desse projeto foi, desde o princípio, a de divulgação integral de todo o acervo, criou-se uma grande expectativa no movimento espírita para que finalmente essa coleção venha a lume, inclusive, esperava-se que pelo menos uma boa parte dele já fosse apresentada no lançamento oficial do projeto, acontecido no último aniversário de nascimento do codificador espírita, em 3 de outubro deste 2018.

No entanto, apenas um único documento foi divulgado. Confira:

Manuscrito original de Kardec
Transcrição do original em francês
Tradução oferecida pelo Projeto Cartas de Kardec
"Eu estou hoje num estado desprezível; a que isso se deve? Ignoro. Contrariado o dia todo, e por conseguinte de mau humor. Se é minha falta, dai-me eu vos peço, a força de apartar a causa; se é uma má influência, dai-me força para a repelir. Se é uma prova, que ela sirva a minha humildade; se é como instrução, dai-me a luz necessária para descobrir. 
Eu não tenho o espírito livre; estou confuso, infeliz, cheio de ansiedade. 
Em nome de Deus Todo Poderoso, Espírito de Verdade, eu te peço para restaurar a minha calma e me inspirar as melhores resoluções a tomar. Faça com que durante meu sono eu venha a me retemperar e a me fortalecer entre os bons Espíritos e assim restabelecer ao meu despertar uma intuição saudável."

No que podemos perceber, trata-se de uma anotação pessoal, talvez um rascunho para o diário pessoal do codificador.

Por essas linhas, lemos um Kardec um tanto tenso, perturbado, contrariado — o que talvez venha a surpreender muitos confrades, os quais provavelmente ignoram a árdua tarefa que foi para o pioneiro espírita sustentar os desafios da nova doutrina, traições, inclusive. Essa possível surpresa pode ter relação também com a ilusão de se criar um esteriótipo mitológico de um Kardec perfeito e, portanto, imperturbável em seus trabalhos diários.

Apesar do "lamento", por estar atravessando um estado "detestável" ("desprezível", conforme a tradução proposta), Kardec não perde a lucidez e transforma essa lamentação em prece, pedindo ao Espírito de Verdade, em nome Deus, apoio para um pronto-restabelecimento. É interessante notar que, pelos vídeos do pré-lançamento do projeto, já havia sido anunciado que essas cartas revelariam um "Kardec mais humano" do que habitualmente se pensa do mestre lionês.

Contudo, não falta quem ponha em dúvida a autenticidade desse material, além de discordarem de como o projeto Cartas de Kardec tem sido tocado, especialmente pelo "apelo financeiro" visto por alguns confrades no entorno desse trabalho (ver discussão no Grupo Espírita Amélie Boudet - GEAB)Na campanha aberta no site Catarse, a pedida total de arrecadação é de R$ 500 mil reais; até a última consulta que fizemos, o valor doado estava em pouco mais de R$ 23 mil, equivalente a 4% da meta. Também há brindes para os apoiadores do projeto que fizerem doações. O banner a seguir detalha como o projeto pretende investir o dinheiro arrecadado pela campanha de doação:



Vamos continuar acompanhando tudo isso. Deixe sua opinião, compartilhar este post e nos ajude a divulgar o Espiritismo.

terça-feira, 9 de outubro de 2018

Perfil & Opinião com Divaldo Franco


Programa da TVE da Bahia entrevista Divaldo Franco e nos oportuniza conhecer um pouco mais sobre a vida e obra do respeitado médium espírita, por exemplo, o desabrochar de sua mediunidade, sua iniciação no Espiritismo e a fundação da extraordinária obra social sediada na Mansão do Caminho.

O programa Perfio & Opinião foi apresentado por Denny Fingergut e foi ao ar no dia 4 deste mês de outubro, ficando disponível a todos pelo YouTube, que você acessa pela janela abaixo.

Confira!


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Novo verbete da Enciclopédia Espírita Online: "Leopoldo Cirne"


Caríssimos confrades, apresentamos a todos o mais novo verbete da nossa Enciclopédia Espírita Online: Leopoldo Cirne.

Veja o breviário do verbete:
Leopoldo Cirne (João Pessoa, Paraíba, 13 de abril de 1870 - Rio de Janeiro, 31 de julho de 1941) foi um comerciário, jornalista e um grande ativista do Espiritismo, das primeiras gerações do Movimento Espírita Brasileiro, escritor de importantes obras doutrinárias, eloquente orador e presidente da Federação Espírita Brasileira de 1900 a 1913.
Leopoldo Cirne
Não faz muito tempo Leopoldo Cirne foi personagem de destaque aqui em razão da recuperação de uma de suas obras literárias: Anticristo - Senhor do Mundo (veja aqui), livro raríssimo e de imensurável importância para o estudo histórico do desenvolvimento do Espiritismo e do movimento espírita brasileiro, agora disponível em nossa Sala de Leitura.


A biografia e a obra espírita de Leopoldo Cirne realmente merece ser conhecida pelos estudiosos do Espiritismo. Por isso, não perca tempo e acesse agora mesmo o verbete Leopoldo Cirne na Enciclopédia Espírita Online.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

Necrólogo: Richard Simonetti


Desencarnou ontem, aos 83 anos, um dos mais ativos divulgadores espíritas de nosso tempo: Richard Simonetti, palestrante, escritor e fiel defensor do Espiritismo, autor do célebre livro Quem tem medo da Morte? (baixar ebook aqui).


Richard Simonetti nasceu no dia 10 de outubro de 1935, em Bauru, interior de São Paulo, onde, já nascido em lar kardecista, aprendeu os valores doutrinários codificados por Allan Kardec, e de onde disseminou uma bela obra em prol da Doutrina Espírita. Casou-se com D. Tânia Regina M. S. Simonetti com quem teve quatro filhos: Graziela, Alexandre, Caroline e Giovana. Nos últimos anos, esteve travando uma dolorosa luta contra um câncer, mas mantendo sempre o espírito resignado e confiante na vida maior.


Concluída a sua profícua contribuição à doutrina que professou toda a vida, retorna ao plano espiritual justamente num dia muito emblemático para seus confrades, em 3 de outubro, coincidindo com o aniversário de nascimento do codificador do Espiritismo, de quem guardava total gratidão.


Leia mais sobre Richard Simonetti no post Focalizando o trabalhador espírita, por Ismael Gobbo.






Nossas condolências aos familiares e amigos. E ao nosso irmão, que agora colhe os louros de sua obra na espiritualidade, nossas felicitações pelo dever cumprido e votos de pronta readaptação ao plano maior.

quarta-feira, 3 de outubro de 2018

Aniversário de nascimento de Allan Kardec


Calendário Histórico Espírita




3 de outubro é uma data muito especial para a historiografia espírita. Para começar, é o dia do 213° aniversário de nascimento do codificador espírita: Allan Kardec (1804-1869).


Confira o verbete Allan Kardec na Enciclopédia Espírita Online.



Outro memorável aniversariante do dia é o jurista e escritor espírita gaúcho Zalmino Zimmermann (1931-2015), autor do clássico Perispírito (disponível em nossa Sala de Leitura).




Essa data também é marcada pelo lançamento da  primeira edição da excepcional obra Nosso Lar, ditada pelo Espírito André Luiz pela psicografia de Chico Xavier, em 3 de outubro de 1944. Livro disponível em nossa Sala de Leitura.


Também foi num 3 de outubro, no caso em 2012, que o médium espírita Francisco Cândido Xavier, nosso querido Chico Xavier, ganhou o prêmio de "Maior Brasileiro de Todos os Tempos" oferecido pelo canal de televisão SBT mediante uma enquete nacional (relembre aqui).



Veja mais datas marcantes para História do Espiritismo na página Calendário Histórico Espírita.

Sala de Leitura: lançamento de "Anticristo - Senhor do Mundo" de Leopoldo Cirne


Em mais um esforço para oferecer aos estudiosos do Espiritismo subsídios para o conhecimento histórico e fundamentação doutrinária acerca da Terceira Revelação, a equipe Luz Espírita em parceria com o site Autores Espíritas Clássicos finalizou a edição de uma importante obra literária e agora a disponibiliza para todos. Trata-se do livro Anticristo - Senhor do Mundo, da autoria do memorável Leopoldo Cirne.

Uma ano atrás, inclusive, publicamos aqui uma resenha assinada por Antonio Cesar Perri de Carvalho (ex-presidente da Federação Espírita Brasileira) exatamente sobre essa obra (veja aqui), como prenúncio do que ora comemoramos.


Interessante também dizer que, devido o livro ter sido citado no documentário Espiritismo à Francesa, aliás, como sugestão para pesquisa complementar ao conteúdo do filme, houve um despertamento sobre tal livro. Recebemos vários contatos de interessados em lê-los, perguntando-nos sobre como adquirir a obra.


Acontecendo de ser uma obra raríssima (produção independente, por esforço do próprio autor, numa úncia edição e tiragem limitadíssima), indisponível mesmo em sebos virtuais, nossos colaboradores se esforçaram para produzir uma cópia virtual deste livro a fim de proporcionar ao público o livre acesso a esse riquíssimo apanhado histórico do movimento espírita daquele começo de século XX.

Foi então que finalmente tivemos acesso a uma cópia desta raridade, gentilmente cedida por César Perri, para que efetuássemos o trabalho de digitalização e exportação em formato digital (ebook), que inclui, inclusive, uma introdução assinada pelo referido confrade. Uma curiosidade: a cópia, hoje propriedade de César Perri, é o exemplar que o próprio Leopoldo Cirne reservou de presente para sua esposa. No ebook que estamos disponibilizando a todos, inserimos uma fotocópia da página com a dedicatória.

Leopoldo Cirne

Leopoldo Cirne (1870-1941) nasceu em João Pessoa, Paraíba, estabeleceu-se na então Capital da República, Rio de Janeiro, onde foi um atuante espírita,  e, ao lado do Dr. Bezerra de Menezes, foi um grande articulista para a pacificação das diversas correntes de praticantes do Espiritismo em torno de uma concentração de forças junto à FEB - Federação Espírita Brasileira. Ele era o vice-presidente da entidade na última gestão do Dr. Bezerra e, com a desencarnação deste, Cirne então assumiu o posto maior da casa, em 1900, permanecendo na presidência até 1913, quando perdeu o pleite para reeleição.

Anticristo - senhor do mundo foi publicado em 1935, provocando muitas polêmicas, exatamente por expor o pensamento ácido do autor em relação aos desdobramentos históricos em torno do movimento espírita brasileiro, o qual, segundo Cirne, estava sendo desvirtuado por força do espírito das trevas, o Anticristo, assim como havia ocorrido com todo o Cristianismo. Nessa linha, Cirne critica abertamente  demonstrando via registros históricos — a ação deturbadora da Igreja Católica para a descaracterização do Evangelho e dos costumes dos cristãos primitivos, como resultante para funestas consequências para o desenrolar dos acontecimentos para o mundo. Depois vai analisar o movimento espírita original — na França —, suas dissidências capitais (Roustainguismo e Teosofia) e sua relocação para a pátria do Cruzeiro, apontando, com uma certa dose de pessimismo a curto prazo, como as forças malignas que lutam contra a espiritualização da humanidade têm ganho terreno e dominado os ânimos dos espíritas.



Entretanto, toda essa exposição, de terrível domínio do Anticristo sobre as lideranças mundiais, não faz da obra um mero protesto e prenúncio da vitória do Mal; ao contrário, o livro encerra uma mensagem bastante otimista, convicto de que o Cristo e a Boa Nova de Deus à humanidade há de triunfar — cedo ou tarde — ainda que, antes, viesse a Terra a sofrer reboliços ainda maiores do que já experimentara, como processo natural para o conserto das coisas — como, de fato, viria a ser, por exemplo, com o estouro da II Guerra Mundial, que Leopoldo Cirne acertadamente prenunciara no livro.

Bom advertir que, no transcorrer da obra, Cirne também se envolve em questões bem polêmicas para os dias atuais, por exemplo, ao traçar um comportamento padrão bem conservador para as mulheres, e também sobre uma previsão de conversão da América do Norte ao utópico projeto de um "socialismo cristão" do escritor Edward Bellamy.

Particularidades à parte, porque o livro aborda muitos temas e externiza as opiniões de um indivíduo, essa é uma leitura indispensável, dentre tantas vertentes que formam o mosaico cultural de nossa gente, para quem pretende entender o desenvolvimento prático e histórico da Doutrina Espírita e as raízes do Movimento Espírita.

Então, não perca tempo. Acesse agora mesmo Anticristo - Senhor do mundo através da nossa Sala de Leitura clicando aqui. Ebook disponível nos formatos PDF e EPUB.

E não se esqueça de compartilhar!

sábado, 29 de setembro de 2018

Lançamento da série Poesia Espírita


Caros confrades, estamos lançando mais uma série de vídeos: "Poesia Espírita", na esperança de inspirar a todos à salutar arte de apreciar poemas com valores espirituais, quem sabe, para depois, uma vez que se pegue o gosto por tal manifestação de beleza, quem sabe, também sirva de inspiração para novos poetas, entre nós, encarnados mesmo. Por que não?

Por que poesia? Quem hoje em dia se interessa mais por poemas?

Para a satisfação dessas questões, sugerimos o seminário em vídeo com o tema "Saúde Mental e Espiritismo", com a Dra. Anete Guimarães, que você acessa clicando aqui. Em suma, ela explica a razão de a extraordinária mediunidade de Chico Xavier ter se prestado, na maior parte do seu tempo, ao trabalho de psicografar versos de uma grande quantidade de poetas do Além — o que não se pode supor que tenha sido sem um justo e sábio propósito.

Cientes do valor dos versos espíritas, então começamos a série por uma belíssima poesia ditada pelo Espírito Casimiro Cunha, que foi um poeta fluminense, natural de Vassouras-RJ, que depois de uma vivência terrena cheia de tragédias, despertou no plano espiritual para contribuir com a arte espírita, em obras como Parnaso de Além-Túmulo, Cartilha da Natureza, Gostas de Luz etc. (saiba mais aqui)

A poesia selecionada foi "Supremacia da Caridade", extraído do clássico Parnaso de Além-Túmulo (baixe o ebook aqui), com a narração de nosso colaboradro Helmut Heidrich Filho.

Então, aprecie o vídeo:


Gostou da ideia? Quer participar?

Se você gosta de recitar poesias e gostaria de fazer uma narração para nossa série, então faça uma gravação e nos envie em arquivo mp3, através do nosso endereço de Email contato@luzespirita.org.br.

Sugestões de livros de poesia espírita:

Parnaso de Além-Túmulo (Espíritos diversos) Chico Xavier
À Luz da Poesia José Luiz da Luz
Coração e Vida (Maria Dolores) Chico Xavier

E vamos então espalhar poesia espírita na nossa vida!

sexta-feira, 28 de setembro de 2018

Edição especial: Programa Evangelho no Lar Online


Devido problemas técnicos, não foi possível fazer a transmissão do Programa Evangelho no Lar Online nesta última quinta-feira. Em contrapartida, a edição desta semana foi disponibilizada hoje e o seu vídeo já está no nosso canal no YouTube.

Confira pela janela adiante:



Nesta edição excepciona, Janete e Júnior discorrem sobre o capítulo 5, itens 12 e 13 de O Evangelho segundo o Espiritismo de Allan Kardec.

Com a graça de Deus,esperamos que na próxima semana sigamos a programação regular, com mais uma edição na quinta-feira, às 20h.

Visite a página oficial do Evangelho no Lar Online e saiba mais sobre o programa.

Compartilhe e ajude a divulgar o Espiritismo.

"Qual o significado de reencarnar?" por Rogério Miguez


Para a reflexão de todos, segue mais um interessante artigo espírita, sobre uma questão capital para entender o Espiritismo: o significado de reencarnação. A autoria é do nosso colaborador, pesquisador e divulgador espírita Rogério Miguez, de São José dos Campos-SP.


Qual o significado de reencarnar?
Rogério Miguez
rogmig55@gmail.com

A palingenesia, ou crença na reencarnação, existe desde tempos imemoriais. Civilizações na Índia, Pérsia, Grécia, entre tantas pujantes culturas, já compreendiam ser inviável a proposta da unicidade da existência, que não satisfazia a razão, tampouco íntimos anseios diversos.

Palingenesia vem do grego, palavra formada pelo prefixo palin, significando repetição, e genes, nascimento; desta forma, o conjunto expressa repetição de nascimentos.

Embora aceita e ensinada em passado longínquo, o conceito original se perdeu através dos tempos, e hoje em dia, falar de vidas sucessivas cria de imediato certo desconforto, sugerindo uma proposta fantasiosa, destituída de qualquer razão, por muitos associada de pronto à antiga civilização egípcia, imaginando-se a ressurreição de múmias, faraós e quem sabe faranis.

Lei de Deus, das mais básicas, se imporá naturalmente às sociedades, quando a proposta da vida única se esgotar por força de sua própria fragilidade, aceitando-se então, como os Antigos: para resolver questões fundamentais, tais como – mortes prematuras, tendências inatas, precocidade de talentos, doenças congênitas, entre tantas outras situações enigmáticas –, só com a aceitação da palingenesia. Além destas, para bem entender a Justiça e Misericórdia de Deus, só por meio da lei das reencarnações.

A Doutrina dos Espíritos não inventou esta lei, pois, sendo princípio divino, ela existe de todos os tempos; a contribuição da Doutrina se verifica na recuperação do verdadeiro conceito, buscando torná-lo mais popular, desmistificando-o.

A necessidade ou mesmo a obrigatoriedade de reencarnar encontra o seu termo, quando o Espírito alcança o ápice de seu processo evolutivo, não precisando mais, a partir de então, passar por expiações e provas, alcançando a condição de só voltar a um corpo de carne em missão.

Apesar de a ideia original ter se perdido, vez por outra criam-se novas doutrinas ou propostas, baseadas no conceito verdadeiro, mas distanciadas do seu fundamento. É o caso da proposta de reencarnar no Plano Espiritual.

Como se denota na proposta da reencarnação, o nome já sugere, ressalta do termo; reencarnar, como visto, significa tomar um novo corpo “de carne”, material. É cristalino este significado, entretanto, alguns creem na possibilidade de reencarnações no Plano Espiritual.

A posição doutrinaria é direta, transparente, Espírito não gera Espírito, tampouco corpo de carne; não há matéria densa no Plano Espiritual, não há sexo material no Espaço, não existe sexualidade na erraticidade como a entendemos aqui na Terra. Ora, se isto é fato, como explicar a tese da reencarnação espiritual? Seria uma lei desconhecida de todos nós? Se assim fosse, já teria sido certamente pelo menos ventilada nas obras básicas. Allan Kardec, seguramente, teria recebido informações dos Espíritos neste sentido. Não se compreende que mecanismo tão relevante, caso fosse verdadeiro, tivesse sido deixado de lado, para ser descortinado no futuro, apenas por um ou outro médium.

Muitos seguidores desta tese, cremos, o fazem pela conhecida razão de não se aprofundarem no estudo e meditação dos postulados espíritas magnificamente delineados nas obras básicas. Leem uma ou outra obra, e mesmo assim, às vezes parcialmente e, desta forma, despreparados, se maravilham com a possibilidade de Espíritos desencarnados engravidando e promovendo nascimentos no plano etéreo, esquecidos ou mesmo ignorantes de que quem individualiza os Espíritos é Deus. Há incontáveis coordenadores e técnicos no Plano Espiritual, atuando na matéria para ligar Espíritos em novos corpos físicos toda vez que se faz necessário viabilizar uma nova reencarnação. Não se tem notícia da existência de Espíritos encarregados de promover reencarnações no Plano Espiritual, pelo menos em obras espíritas.

Entretanto, não nos alonguemos mais, não percamos tempo em levantar explicações e raciocínios quanto à possibilidade da “reencarnação” no plano etéreo. Em vez disso, lancemos mão da verdadeira literatura espírita para projetar luz, e luz intensa e suficiente, capaz de ofuscar esta teoria absurda.

No quarto livro do pentateuco espírita, O céu e o inferno (1), encontram-se em sua Segunda parte elucidativos depoimentos de Espíritos felizes, entre outros, o testemunho do Espírito Sanson, membro da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, desencarnado em 21 de abril de 1862. Prevendo a sua desencarnação próxima, roga que, após o seu desenlace, fosse evocado para dar informações sobre o Mundo dos Espíritos, ao qual seguramente todos voltarão.

Evocado em 25 de abril de 1862, apenas quatro dias após a sua morte, comparece pela segunda vez, pois já havia sido evocado no dia 23 de abril, e nesta segunda participação, entre outras respostas significativas, informa o seguinte:
Os Espíritos não têm sexo; entretanto, como até poucos dias atrás éreis um homem, desejamos saber se no vosso novo estado tendes mais da natureza masculina ou da feminina? E o mesmo que se dá convosco poder-se-á aplicar ao Espírito desencarnado há muito tempo?– R. Não temos motivo para ser de natureza masculina ou feminina: os Espíritos não se reproduzem. Deus os criou como quis e, tendo que lhes dar a encarnação sobre a Terra, segundo seus maravilhosos desígnios, subordinou-os às leis de reprodução das espécies por meio das condições peculiares ao macho e à fêmea. Contudo, deveis sentir, mesmo sem maiores explicações, que os Espíritos não podem ter sexo(Grifo nosso).(2)
Mais claro impossível, como nos afirmou Sanson: os Espíritos não se reproduzem!

Para não deixarmos todo o peso desta impossibilidade nas mãos de Sanson, estudemos um pouco mais.

O relato desta evocação inserida em O céu e o infernopublicado em 1865, foi originalmente registrado na Revista Espírita de junho de 1862, (3) publicado na íntegra, com observação de Allan Kardec:
Sempre foi dito que os Espíritos não têm sexo; os sexos só são necessários para a reprodução dos corpos; como os Espíritos não se reproduzemo sexo seria inútil para eles. Nossa pergunta não visava constatar o fato, mas, por causa da morte muito recente do Sr. Sanson, queríamos saber se lhe restava uma impressão de seu estado terreno. [...] (Grifo nosso).
Temos assim a posição do sábio de Lyon, quando previamente já havia se posicionado sobre a questão. No entanto, será mesmo que estamos sossegados em nosso íntimo, convencidos da impropriedade da proposta da reencarnação no plano da vida verdadeira? Se não, avancemos um pouco mais, retrocedendo ainda no tempo, agora ao ano de 1866. Vejamos o que encontramos, sobre o assunto, na Revista Espírita de janeiro do citado ano: (4)
As almas ou Espíritos não têm sexo. As afeições que os unem nada têm de carnal e, por isto mesmo, são mais duráveis, porque fundadas numa simpatia real e não são subordinadas às vicissitudes da matéria. [...]Os sexos só existem no organismo; são necessários à reprodução dos seres materiais. Mas os Espíritos, sendo criação de Deus, não se reproduzem uns pelos outros, razão pela qual os sexos seriam inúteis no Mundo Espiritual. (Grifo nosso).
Constata-se assim, mais uma vez, a impossibilidade de haver reencarnação no Espaço, ou seja, geração de corpos materiais por Espíritos desencarnados, frisamos, analisando tão somente obras escritas por Allan Kardec.

REFERÊNCIAS:

1 - KARDEC, Allan. O céu e o infernoTrad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 1. imp. Brasília: FEB, 2016. cap. 2.
2 - ______. ______. it. 11.
3 - ______. Revista Espírita: jornal de estudos psicológicos. ano 5, n. 6, jun. 1862. Conversas familiares de Além-Túmulo – Sr. Sanson (Terceira conversa – 2 de maio de 1862). Trad. Evandro Noleto Bezerra. 3. ed. 2. reimp. Brasília: FEB, 2009.
4 - ______. ______. ano 9, n. 1, jan. 1866. As mulheres tem alma?. Trad. Evandro Noleto Bezerra. 2. ed. 2. reimp. Brasília: FEB, 2009.


Fonte: Reformador, Agosto de 2018.