sábado, 25 de junho de 2022

Série Poesia Espírita: "Trovas de Mãe" pelo Espírito Delfina Benigna da Cunha

Em mais uma edição da série Poesia Espírita (saiba mais clicando aqui), trazemos a todos o reconfortante e sempre oportuno poema "Trovas de Mãe", da autoria do Espírito Delfina Benigna da Cunha, psicografado por Chico Xavier e incluído no clássico Mãe, Antologia Mediúnica, publicado pela Editora O Clarim em 1971.


Delfina Benigna da Cunha foi uma destacada poetisa gaúcha, cuja obra é marcada por um toque especial de sentimento, talvez muito por influência do infortúnio de que foi acometida ainda criança: a cegueira total, resultado de uma epidemia de varíola que afligiu a região. Ela nasceu em São José do Norte - RS em 17 de junho de 1791, numa família de razoável bom estar financeiro e com isso pôde receber uma educação substancial que, apesar de privada da visão, permitiu-lhe desenvolver a arte poética. Aos doze anos já compunha belos poemas, embora seu primeiro livro — Poesias oferecidas às senhoras rio-grandenses  só tenho sido passado pelo prelo em 1834. No ano seguinte ela vai se instalar na Capital do Império, Rio de Janeiro, onde faleceu em 13 de abril de 1857. Mais sobre Delfina na Wikipédia.

Delfina Benigna da Cunha (1891-1857)

Em "Trovas de Mãe", a poetisa, já então na vida espiritual, transmite ao médium Francisco de Cândido Xavier seus versos de efusiva apologia às mães e à vocação maternal, em perfeita sintonia com a obra de quando encarnada. Expressa Delfina: "Mas é preciso saber / o dia que não é delas", levando-nos a pensar que devemos consagrar o reconhecimento e o amor ao valor da maternidade bem além do segundo domingo de mãe, convencionado como o Dia das Mães.

Há que se pedir qualquer outro motivo para conferir este poema? Claro que não. Estamos mais do que satisfeitos e nada pode nos tirar o prazer de ouvir este belo poema, aqui declamado pelo nosso confrade Rogério Miguez, de São José dos Campos.

Confira o poema pela janela abaixo:


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terça-feira, 21 de junho de 2022

Próxima palestra: "Provas e expiações no lar" com Elsa Rossi


Em sequência à nossa série Palestra Espírita Online, no próximo domingo, 26 de junho, a exposição será confiada à nossa amiga Elsa Rossi, que em Londres, Inglaterra, e atua na direção do departamento de Unificação para os Países da Europa, pelo CEI - Conselho Espírita Internacional; também é editora dos dois Boletins desta entidade, além de secretária da British Union of Spiritist Societies (BUSS). Nesta ocasião, ela vai nos falar sobre "Provas e expiações no lar", um tema muito oportuno nestes tempos de pandemia de covid-19.

A palestra começa às 10h (horário oficial de Brasília) deste domingo, portanto, dia 26 de junho, e você pode acompanhar a transmissão pelo canal Luz Espírita no YouTube, inclusive participando em tempo real através do chat vinculado ao vídeo.

E se você perder a edição anterior, veja o vídeo da  palestra "Centro Espírita, escola de almas" com Marcus De Mario, realizada no último domingo, cuja gravação está disponível pela janela a seguir:

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quarta-feira, 15 de junho de 2022

Especial de Natal de Hebe Camargo com Chico Xavier em 1985

Iniciamos em 11 de fevereiro deste 2022 uma série de publicações sob o lema 20 anos de saudade, em referência à morte de Chico Xavier, o querido médium espírita e humanista falecido em 30 de junho de 2002. Pois bem, entramos no mês exato e estamos bem perto da data de aniversário do retorno do nosso amado confrade à pátria espiritual, pelo que, com satisfação, trazemos mais uma postagem da série, com mais um memorável episódio histórico para nosso movimento espírita envolvendo nosso Chico.

Antes, porém, faz bem lembrarmos que também o aniversário da passagem de Allan Kardec para o mundo dos Espíritos (31 de março) era dia de grande mobilização entre os espíritas franceses das primeiras gerações a fim de promover eventos especiais, inclusive com caravanas ao seu túmulo no cemitério Père Lachaise, em Paris, onde é atração o dólmem em estilo druida construído sob sua sepultura. Mas vamos a mais um momento com Chico Xavier.


Programa especial de Natal Hebe com Chico Xavier

Em dezembro de 1985, a TV Bandeirantes levou ao ar um programa especial de Natal com Chico Xavier, apresentado por Hebe Camargo, cujo vídeo recuperado pelo canal da Band no YouTube nos contempla com cerca de 1 hora daquela entrevista, pela qual Chico, muito à vontade — conquanto constrangido por causa dos elogios à sua pessoa — responde às perguntas da apresentadora, discorrendo assim sobre os mais variados temas, mas sempre trazendo em suas palavras o aroma do amor, da fé e da esperança, os dons divinos que Jesus Cristo lhe inspira.

O programa também contou com a participação da atriz Nair Bello, outra grande celebridade da televisão brasileira do século XX, que deixa um comovente depoimento, ela que era mãe órfã de um filho falecido com apenas vinte anos de idade, filho esse que, então na condição de Espírito desencarnado, ditou uma carta à mãe psicografada exatamente por por Chico.

Ah, como é bom escutar Chico Xavier! Por isso, vale a pena dedicarmos uma horinha do nosso dia para conferir este vídeo, que compartilhamos a seguir:


E não deixe de conferir também o verbete "Chico Xavier" na nossa Enciclopédia Espírita Online.

Próxima palestra: "Centro espírita, escola de almas" com Marcus De Mario

Em sequência à nossa série Palestra Espírita Online, no próximo domingo, 19 de junho, nosso expositor convidado é Marcus De Mario, educador, escritor com 35 livros publicados e palestrante espírita, também coordenador do Grupo Espírita Seara de Luz no Rio de Janeiro e apresentador dos programas "Espiritismo e Educação", "Ante os Novos Tempos" e "O Evangelho em Espírito e Verdade". Para este domingo, o tema é "Centro Espírita, escola de almas".

A palestra começa às 10h (horário oficial de Brasília) deste domingo, portanto, dia 19 de junho, e você pode acompanhar a transmissão pelo canal Luz Espírita no YouTube, inclusive participando em tempo real através do chat vinculado ao vídeo.

E se você perder a edição anterior, veja o vídeo da  palestra "O porvir e o nada" com Arthur Valadares, realizada no último domingo, cuja gravação está disponível pela janela a seguir:

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terça-feira, 14 de junho de 2022

Sala de Leitura: nova tradução da "Biografia de Allan Kardec" de Henri Sausse


Durante um bom tempo no movimento espírita a obra Biografia de Allan Kardec escrita por Henri Sausse foi a mais antiga e principal referência para se conhecer melhor a vida e a obra do Codificador do Espiritismo. Hoje, com a dinamização da informação via internet, dispomos de muitos recursos para uma pesquisa mais apurada, pelo que nós sabemos que a aquela biografia contém dados e comentários que carecem de uma melhor apreciação, e nalguns casos estamos certos de que determinados dados precisam ser mesmo corrigidos. Mas isso não tira o prestígio do trabalho de Sausse, nem a utilidade desse livro, porque, dentre outras coisas, serve de referência histórica para acompanharmos a própria evolução das biografias kardequianas. Por conta disso, estamos apresentando aos nossos confrades e demais estudiosos da Historiografia do Espiritismo, uma nova tradução para a referida obra.


A composição em francês Biographie d'Allan Kardec foi elaborada em 1896 como texto-base para uma palestra a ser proferida por por Henri Sausse, dirigida aos seus confrades espíritas de Lyon, por ocasião de mais um aniversário de desencarnação de Allan Kardec, como era praxe entre os kardecistas franceses, e até estrangeiros. De fato, todo 31 de março era tomado como um dia de solenidade e normalmente os grupos espíritas promoviam atividades especiais. Em Paris, por exemplo, os espíritas lotavam o cemitério Père-Lachaise e discursos apologéticos eram proferidos por notáveis lideranças espíritas em frente ao dólmem erigido a Kardec.


Em Lyon, na cidade-natal do Mestre do Espiritismo e onde Sausse figurava-se entre os mais ativos apóstolos kardequianos, o 31 de março também era bem celebrado. Daí veio a ideia de preencher uma grave lacuna no movimento da nossa doutrina, pois, como bem pôde se aperceber Sausse, incrivelmente pouco se sabia sobre a pessoa de Kardec, ao passo que o interesse era grande.

Juntando a demanda de correligionários que almejava melhor apreciar a vida e obra de Kardec com a dedicação de Henri Sausse nesse trabalho, o resultado foi que fortes apelos dos amigos motivaram o escritor a publicar sua composição. Sausse inclinou-se a esta nobre tarefa e se lançou ao trabalho de pesquisa a fim de incrementar sua composição com mais informações e melhores comentários. A resultante disso foi a publicação naquele mesmo 1896 da primeira versão desta biografia, que ganhou o prefácio de Gabriel DelanneLogo mais a obra seria ampliada, na edição de 1910, e na última versão, em 1927, foi agraciada com um prefácio de Léon Denis, sendo publicada pela editora do grande mecenas espírita Jean Meyer.

É desta última edição que então apresentamos a tradução assinada por Ery Lopes, enriquecida pela contribuição de nossos amigos estudiosos Adair Ribeiro, Carlos Seth Bastos, Jorge Hessen, Luciana Farias e Wanderlei dos Santos, de modo que esta publicação traz, além de um oportuno capítulo de apresentação contextualizando a obra, importantes notas de rodapé com atualizações de certos dados biográficos e comentários interessantes sobre vários elementos historiográficos. Esta edição também é recheada de imagens de personagens, locais e eventos, favorecendo assim que o leitor possa ter uma imersão no tempo e espaço em questão.


Não há como separar a História da Doutrina Espírita da vida e obra de seu trabalhador pioneiro. Então, não perca e baixe agora mesmo a Biografia de Allan Kardec escrita por Henri Sausse nesta nova tradução publicada em conjunto por Autores Espíritas ClássicosLuz Espirita e Obras de Kardec.

Disponível gratuitamente em PDF na nossa Sala de Leitura.


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quarta-feira, 8 de junho de 2022

"Obsessão em 100 Respostas", livro de Rogério Miguez

O problema da obsessão espiritual, como bem é sabido, consiste num dos graves entraves para o desenvolvimento pessoal, uma das provas mais sérias para um encarnado  principalmente para aqueles no exercicio da mediunidade  envolvendo aí muitas circunstâncias, pelo que há muitas dúvidas, receios e até pavores relacionados a isso.

Então, nada melhor do que informar-se bem sobre todas as nuances dessa questão, não é mesmo? Pois é nesse sentido que a Casa Editora O Clarim está promovendo o lançamento do livro Obsessão em 100 Respostas da autoria do nosso confrade Rogério Miguez, reconhecido escritor e palestrante.

Eis a sinopse da obra oferecida pela editora:

Influenciações entre os Espíritos, encarnados ou desencarnados, benéficas ou maléficas, sempre existiram, acompanhando o caminhar da Humanidade. Estamos sujeitos inclusive a autoinfluenciações, dificultando a nossa própria evolução.

As maléficas são o maior problema, visto que a obsessão espiritual -- não aquela entendida pela Medicina clássica - é uma enfermidade moral quase generalizada, grassando sem quartel nos quatro contos do mundo; uma verdadeira epidemia. Por isso é preciso orar, vigiar e estudar constantemente.

Diante de tal quadro, esta obra conversa intimamente com o leitor por meio de 100 perguntas e respostas, abordando diversos e importantes aspectos relacionados a este delicado tema: a obsessão.

A compreensão é a melhor forma de proteção.

O tema obsessão tem sido tratado fartamente em nossos trabalhos, inclusive o próprio Rogério o colocou como sendo uma espécie de "epidemia desconhecida" em uma palestra transmitida pelo nosso canal no YouTube (veja aqui).

Por isso, recomendamos fortemente a obra Obsessão em 100 Respostas.

A obra está na fase de pré-venda através da loja online da Editora O Clarim.


Próxima palestra "O porvir e o nada" com Arthur Valadares

Em sequência à nossa série Palestra Espírita Online, no próximo domingo, 12 de junho, traremos Arthur Valadares, requisitado palestrante espírita natural de Patrocínio-MG, atual residente de São Carlos-SP, onde se vincula à Associação Espírita Obreiros do Bem. Também é um dos fundadores e coordenadores do NEPE Paulo de Tarso (Núcleo de Estudo e Pesquisa do Evangelho "Paulo de Tarso"). Nesta oportunidade, Arthur vai desenvolver o tema "O porvir e o nada".

A palestra começa às 10h (horário oficial de Brasília) deste domingo, portanto, dia 12 de junho, e você pode acompanhar a transmissão pelo canal Luz Espírita no YouTube, inclusive participando em tempo real através do chat vinculado ao vídeo.

E se você perder a edição anterior, veja o vídeo da  palestra "O mito da caverna de Platão numa interpretação espírita" com Ery Lopes, realizada no último domingo, cuja gravação está disponível pela janela a seguir:

Visite também a página oficial do programa Palestra Espírita Online.

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quinta-feira, 2 de junho de 2022

"AMÉLIE BOUDET, Uma história de Vida" com Luciana Farias


Uma viagem no tempo, até as origens da Doutrina Espírita e os primeiros passos do Movimento Espírita, com base em dados e outros documentos históricos autênticos: tal é a exposição "AMÉLIE BOUDET, Uma história de vida" com a pesquisadora Luciana Farias. E, notem bem, não é desproposital que o nome da personagem em questão esteja em letras maiúscula, mas porque, de fato, Amélie, a Madame Kardec, é naturalmente — e merecidamente — colocada em um alto grau de representatividade, tanto para a vida pessoal de seu esposo, Allan Kardec, tanto para o Espiritismo antes e depois da desencarnação do Codificador Espírita.

Este é basicamente o teor da referida palestra, promovida pelo canal da ABRADE - Associação Brasileira de Divulgadores do Espiritismo, exposição à qual você pode assistir — e não há nenhuma boa razão para perder — pela janela abaixo:

Lucina Farias é diretora do site Obras de Kardec, cujo acervo é fortemente convidativo, como temos tido diversas oportunidades de divulgar aqui.

E quem gostou, favor compartilhar.


Entra em vigor a lei que institui o Dia Nacional do Espiritismo, em 18 de abril


O presidente da República Jair Bolsonaro sancionou a lei que institui o Dia Nacional do Espiritismo, a ser celebrado no dia 18 de abril. Nessa data, em 1857, foi lançado em Paris (França) O Livro dos Espíritos, de Allan Kardec. Trata-se do primeiro livro da codificação espírita e contém os princípios do Espiritismo sobre a imortalidade da alma, a natureza dos espíritos e suas relações com os homens, as leis morais, a vida presente, a vida futura e o porvir da humanidade.

O Livro dos Espíritos é uma das oito obras fundamentais da doutrina espírita, de autoria ou coordenados por Allan Kardec, juntamente com: O que é o Espiritismo (1859); O Livro dos Médiuns (1861); O Evangelho segundo o Espiritismo (1863); O Céu e o Inferno (1865); A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo (1868), Obras Póstumas (1890) e Revista Espírita (1858–1869).

A homenagem é oriunda do Projeto de Lei 3789/19, do senador Eduardo Girão (Podemos-CE), e foi transformada na Lei 14.354/22, publicada no Diário Oficial da União desta terça-feira, 31 de maio deste 2022.

Na Câmara dos Deputados, a proposta tramitou em caráter conclusivo e foi aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça e Cidadania (CCJ) em novembro último, sob relatoria da deputada Caroline de Toni (PL-SC).

“O espiritismo é uma doutrina voltada para o aperfeiçoamento moral do homem, acredita na existência de um Deus único, na possibilidade de comunicação útil com os espíritos por meio de médiuns e na reencarnação como processo de crescimento espiritual e de justiça divina”, explicou Caroline de Toni na época.

“O Brasil reúne maior número de espíritas no mundo. São quase 4 milhões de pessoas que se consideram espíritas, o terceiro maior grupo religioso brasileiro, e cerca de 40 milhões de simpatizantes”, disse a relatora. Ela lembrou ainda que os espíritas mantêm obras de assistência e promoção social em vários estados.

Reportagem – Ralph Machado
Edição – Rachel Librelon


terça-feira, 31 de maio de 2022

Próxima palestra: "O mito da caverna de Platão numa interpretação espírita" com Ery Lopes


Em sequência à nossa série Palestra Espírita Online, no próximo domingo, 5 de junho, a exposição será por conta de Ery Lopes, um dos voluntários do Portal Luz Espírita, que nesta oportunidade vai trabalhar o tema "O mito da caverna de Platão numa interpretação espírita".

A palestra começa às 10h (horário oficial de Brasília) deste domingo, portanto, dia 5 de junho, e você pode acompanhar a transmissão pelo canal Luz Espírita no YouTube, inclusive participando em tempo real através do chat vinculado ao vídeo.

E se você perder a edição anterior, veja o vídeo da  palestra "Perdoar a si mesmo" com o casal Janete e Rivail Junior, realizada no último domingo, cuja gravação está disponível pela janela a seguir:

Visite também a página oficial do programa Palestra Espírita Online.

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quinta-feira, 26 de maio de 2022

Qual grupo de estudo dos fenômenos espíritas forneceu os 50 cadernos para Allan Kardec? — CSI do Espiritismo


Mais uma pesquisa realizada — e bem fundamentada — pelo CSI do Espiritismo Carlos Seth Bastos, que nos faz viajar pela História da nossa doutrina. O contexto é esse: há no movimento espírita a ideia clássica de que o professor Rivail (futuro Allan Kardec) de início era totalmente cético em relação aos fenômenos das Mesas Girantes e só com muita insistência de certos amigos é que ele vai assistir aos "experimentos espirituais", dos quais, aliás, então fica convencido e se propõe empreender um estudo aprofundado; para começar essa jornada de pesquisa, ele teria recebido uma coleção de anotações, dentre elas centenas de psicografias ou transcrições de comunicações de Espíritos: cerca de cinquenta cadernos com registros de diversas sessões mediúnicas que há tempos já se fazia em Paris. A questão é: foi assim mesmo? Ou seja, esses cadernos existiram? De onde vieram? O que continham? Aonde eles foram parar?

Vejamos o que foi apurado pela matéria a seguir:


Qual grupo de estudo dos fenômenos espíritas forneceu os 50 cadernos para Allan Kardec?


Introdução

Para não criar expectativas sobre a confirmação da existência dos 50 cadernos que poderiam ter servido de fundação para a construção de O Livro dos Espíritos, esclarecemos de imediato que não os encontramos.

O que identificamos foram inconsistências nas narrativas sobre a composição do grupo que os teria gerado, principalmente nas de alguns autores mais modernos, além de falhas na grafia dos nomes dos participantes, o que dificulta a determinação de suas identidades.


O grupo proposto por Sausse

Quem primeiro citou estes cadernos foi Henri Sausse, ao afirmar: “(...) no início o Sr. Rivail, (...) esteve a ponto de abandoná-las [as manifestações] o que talvez teria feito sem as solicitações urgentes dos Srs. Carlotti, René Taillandier, membro da Academia de ciência, Tiedeman Manthèse (sic), Sardou pai e filho, Didier, editor, que vinham acompanhado o estudo destes fenômenos há cinco anos e reuniram cinquenta cadernos de comunicações diversas que não conseguiram ordenar. Conhecendo as vastas e raras aptidões de sintetização do Sr. Rivail, esses senhores entregaram-lhe os cadernos, pedindo-lhe que os lesse e finalizasse. (...)” [1]. O que nos leva a identificá-los como um único grupo é a fala “reuniram (...) e não conseguiram arranjar”, dando a impressão de um trabalho conjunto dos envolvidos.

Na lista acima não consta a Srta. Japhet, nem o Sr. Roustan, citados por Sausse em outro trecho: “Em 1856, o Sr. Rivail assistiu aos encontros espíritas que se realizavam na rua Tiquetonne, na casa de Sr. Roustan, com a Srta. Japhet, sonâmbula, que obteve como médium algumas comunicações muito interessantes usando o cesto; ele pode controlar por esta médium as comunicações obtidas e ordenadas anteriormente.”. Ainda assim, entendemos que Sausse poderia estar se referindo ao grupo da Srta. Japhet como origem dos tais cinquenta cadernos, nos cinco anos anteriores à entrega a Kardec. Quem seriam os integrantes deste grupo?

Antes, vamos a um esclarecimento: a Srta. Célina Béquet dita Japhet [2-3] não citou nada sobre estes cadernos quando falou com Alexander Aksakof, em uma entrevista ao The Spiritualist de agosto de 1875 [4]. Ela apenas disse que Rivail teria se apossado indevidamente de um material, na forma de manuscritos, que teria sido utilizado em O Livro dos Espíritos, e não teria sido devolvido a ela.


O grupo da Srta. Japhet

Sabemos por Aksakof, neste artigo de 1875, que o grupo tinha uma formação em 1849 e que em 1855 praticamente todos os membros haviam mudado. Analisaremos cada uma das formações citadas por ele e por outras fontes (consulte a tabela para ver os nomes em todas as citações).


Em novembro de 1861, é falado na Revue Spiritualiste [5] que o círculo em 1849 era formado pela Sra. Dabnour (sic), pelo Sr. barão Johann Ludwig von Guldenstubbe [6], pelo abade Ferdinand François Châtel [7], pela Srta. Japhet e pelo seu magnetizador Sr. Jean Pierre Roustan, totalizando cinco pessoas. Esta mesma formação também aparece no livro Pneumatologia Positiva do barão von Guldenstubbe (um dos integrantes) e sua irmã Julie, na versão de 1870 [8].

Esse livro foi utilizado como referência por Aksakof, em agosto de 1875, para nomear os participantes do grupo, porém com uma diferença: o acréscimo à narrativa das três senhoritas Bouvrais aos demais integrantes, o que somaria oito participantes, porém no texto consta que eram nove (abordaremos sobre isso mais a frente). Esta entrevista foi reproduzida pela Sra. Emma Hardinge Britten no livro de 1883 Nineteenth Century Miracles [9], com as mesmas três senhoritas fazendo parte dos membros.

Passemos à formação em 1855, que foi a frequentada por Kardec em 1856, segundo Obras Póstumas. De acordo com lista informada pelo Sr. Aksakof, à exceção da Srta. Japhet e do Sr. Roustan, os demais integrantes mudaram em relação à 1849, sendo agora: o Sr. Tierry, o Sr. Ramón de la Sagra (Ramón Dionisio José de la Sagra y Peris), o Sr. Sardou pai (Antoine Léandre Sardou), o Sr. Sardou filho (Victorien Sardou), o Sr. Taillandier e o Sr. Tillman. Na reprodução da entrevista no livro da Sra. Hardinge não consta o nome do Sr. Tierry.

Na Revista Espírita de 1º de abril de 1884 [10], há um artigo com uma carta do Sr. Sardou pai em que ele reproduz um trecho do livro da Sra. Hardinge, com a lista de integrantes desta formação de 1855. Como ele fez parte do grupo, teria concordado com esta lista sem o Sr. Tierry?

Este artigo visou questionar as afirmações do Sr. Aksakof, tendo usado como referência a versão no livro da Sra. Hardinge. Na carta o Sr. Sardou pai alegou que tudo o que foi dito sobre o grupo e as acusações da Srta. Japhet seria falso. Imaginamos que ele tenha exagerado e supomos que queria se referir apenas às acusações da Srta. Japhet contra Allan Kardec. Não haveria razão para desconfiar das informações sobre a primeira configuração do grupo, confirmadas pelo barão, nem ele corrigiu a segunda formação, da qual ele fez parte.

Comparando o grupo apontado por Sausse com o grupo da Srta. Japhet e do Sr. Roustan, identificamos três nomes iguais à formação em 1855: os Srs. René Taillandier, Sardou pai e Sardou filho. É possível ter um quarto participante em comum, se o Sr. Tillman (citado por Sardou pai como Sr. Tildemann) for Tiedeman Manthèse [Martheze], citado por Sausse. Porém, não se pode ignorar as diferenças: o Sr. Tierry não aparece na lista de Sausse (e pode ser que não faça parte mesmo, já que foi citado apenas por Aksakof). E quanto aos Srs. Carlotti e Didier pai (Pierre Paul Didier) incluídos por Sausse? Sabemos apenas que este último esteve envolvido com experiências com a Srta. Huet [11].


Outras propostas de composição para o grupo

As maiores divergências em relação à formação do grupo estão nas narrativas de dois autores: Canuto Abreu [12] e Paulo Henrique de Figueiredo [13].

Canuto não cita nada sobre os cadernos, apenas fala sobre o grupo da Srta. Japhet à época do lançamento de O Livro dos Espíritos, e, na composição, faz uma mistura ao citar a Sra. D’Abnour e o Sr. barão von Guldenstubbe, presentes apenas na formação inicial de 1849, e os Srs. Ramón de la Sagra e o barão Tiedeman (sic), da configuração de 1855, deixando outros de fora. Além disso, inclui no grupo, sem qualquer fonte primária, o pai da Srta. Japhet, Sonia (sic), como irmã do barão von Guldenstubbe, e o Conde e a Condessa D’Ourches. Por fim, ele erra em dois nomes: ao invés de Srta. Ruth Celine Japhet, o correto é Srta. Célina Eugenie Béquet (que era conhecida na época como Célina Japhet), e o barão von Guldenstubbe não teve irmã de nome Sonia e sim Julie Wilhelmine von Guldenstubbe.

O pai da Srta. Japhet não poderia fazer parte à época, já que desencarnou em 20 de fevereiro de 1855. Quanto ao conde D’Ourches (Sr. conde Didier Balthazard D’Ourches), encontramos uma referência a uma participação eventual dele neste grupo [16], mas a tal condessa não existe, pois ele era celibatário, conforme vemos na sua genealogia [14] e no seu registro de óbito [15].

Já Paulo Henrique afirmou que a narrativa dos 50 cadernos é verdadeira e assumiu que o grupo responsável por eles seria o do Sr. Roustan e da Srta. Japhet. Encontramos nas páginas 123 e 124 do livro Autonomia a seguinte afirmação: "Didier esteve na reunião mediúnica de Roustan e Japhet que, segundo AKSAKOF (1875, p. 74-5), contou com professores como: Saint-René Taillandier (...), Amédée Thierry (...), Abel-François Villemain (...). Também participou (...) Ramón de la Sagra (...). O mais novo dos participantes foi Victorien Sardou (...)”.

Esta lista de nomes não corresponde à que transcrevemos do artigo de Aksakof, sobre o grupo da Srta. Japhet com o Sr. Roustan, coincidindo apenas os nomes dos Srs. Taillandier, Ramón de la Sagra e Sardou filho. Porque teria deixado de fora o Sr. Sardou pai? E dentre os acrescentados: porque entrou o Sr. Didier pai, que só apareceu na obra de Henri Sausse? O que indica que o Sr. Amédée Thierry é o Sr. Tierry? O Sr. Villemain seria uma tentativa de definir a identidade do Sr. Tillman?

Nos chamou atenção o currículo apresentado para alguns destes personagens, que o autor de Autonomia aponta como ligados ao Espiritualismo Racional, um dos temas centrais de seu livro, ou aos druidas, encarnação relativa ao pseudônimo de Allan Kardec:
  1. Didier (1800-1865) dedicou-se a publicar o registro estenográfico das aulas dos grandes professores fundadores do Espiritualismo Racional, como Victor Cousin e Jouffroy;
  2. Taillandier (1817-1879) era historiador e homem de letras, acadêmico que participou da reformulação da educação pelo Espiritualismo Racional;
  3. Amédée Thierry (1797-1873) era historiador especializado na história dos gauleses, na doutrina druídica, ancestral da Doutrina Espírita, conforme Allan Kardec;
  4. Abel-François Villemain (1790-1870), audacioso defensor do pensamento liberal que lutou contra a censura e foi favorável à retirada do catolicismo como religião do Estado (...).
Quanto aos 50 cadernos, Figueiredo afirma: “todos esses pensadores fizeram perguntas inteligentes, adotando a psicologia espiritualista e as ciências filosóficas como guia, e anotaram tudo cuidadosamente em cinquenta cadernos, entregues ao professor Rivail em 1854.”.

Do que identificamos, Sausse foi o único que afirmou que estes cadernos existiram e foram entregues a Kardec antes deste começar os trabalhos, sem informar o ano [1]. Os dois que participaram do grupo, a Srta. Japhet e o Sr. Sardou pai, tiveram um discurso diferente. A Srta. Japhet acusou Kardec de se apoderar de manuscritos após sua saída do grupo, e não de ter recebido conteúdo antecipadamente, ao dizer “Assim que ele [Kardec] saiu, ele se apoderou de um conjunto de manuscritos que tinha levado da casa da senhora (sic) Japhet, e se deu o direito de um editor por nunca tê-lo devolvido. Para os inúmeros pedidos de devolução que foram feitos a ele, ele contentou-se em responder: 'Deixe-a ir na lei contra mim'. Estes manuscritos foram, em certa medida, úteis para a elaboração do Livro dos Médiuns, cujo conteúdo, como diz a Srta. Japhet, havia sido obtido através das comunicações mediúnicas”. Por fim, o Sr. Sardou pai desmentiu a versão da Srta. Japhet, afirmando que Kardec apenas tomou nota das comunicações ocorridas no grupo, assim como fez em outros grupos.


Sobre as identidades de alguns dos personagens citados

Nas diversas listas são citados personagens não conhecidos e, para identificá-los, é essencial que seus nomes tenham sido grafados corretamente. Infelizmente erros de grafia são comuns, o que às vezes confunde e dificulta nosso trabalho. Encontramos as seguintes diferenças de grafia nos nomes: a Revue Spiritualiste escreve Sra. Dabnour ao invés de D’Abnour, conforme o livro do barão von Guldenstubbe. A Sra Hardinge, ao copiar Aksakof, cita as três irmãs, porém com o nome grafado como Bauvrais, ao invés de Bouvrais. Na reprodução da carta do Sr. Sardou na Revista Espírita, o nome de Roustan saiu errado, grafado como Roustang. Idem para o sobrenome de Ramón de la Sagra, que ele chamou de “la Lagia” (mesmo erro cometido por Canuto) e que a Sra. Hardinge chamou de “la Sagia”. Por fim, ele citou o Sr. Tildemann, ao invés do Sr. Tillman originalmente citado por Aksakof e reproduzido pela Sra. Hardinge, que Canuto chamou de barão Tiedeman.


Sobre os personagens:

Sra. D’Abnour e as três Bauvrais ou Bouvrais: precisaremos investigar mais, por isso preferimos não revelar nossas conclusões até agora.

Sr. Taillandier: conhecemos dois irmãos, o Sr. Edouard Marie Taillandier (mencionado equivocadamente como Tailliandier na Revista Espiritualista de dezembro de 1864 [17]), e o Sr. René Gaspard Ernest “Saint-René” Taillandier [18], que supomos ser o participante do círculo da Srta. Japhet, por ter sido citado na Revista Espírita de junho de 1879 como um dos “primeiros iniciados espíritas” [19].

Sr. Tillman | Sr. Tildemann | barão Tiedeman: O nome provavelmente está grafado errado e não há evidências de que exista um barão com este nome envolvido com o Espiritismo. Poderia tratar-se do Sr. Johannes Nicollas Tiedeman (também conhecido como Tiedeman Martheze [20-22]), citado por Sausse, embora ainda não possamos afirmar [23].

Sr. Tierry: ainda não o encontramos, apesar de termos nosso suspeito.

Sr. Carlotti: ainda não temos convicção sobre a identidade deste personagem. O colega Leonil Marques já publicou suas conclusões na forma de ensaio [24-25].

Considerando que o Sr. Aksakof citou oito nomes na formação do grupo de 1849, porém afirmou serem nove integrantes, suspeitamos que este último poderia ser Julie Wilhelmine von Guldenstubbe, irmã do Barão von Guldenstubbe, pois vários livros escritos por ele também contaram com sua coautoria, inclusive o Pneumatologia Positiva que tratou do assunto.


Conclusão

Observamos que mesmo em autores que publicaram obras e textos dentro do mesmo século da ocorrência dos fatos (Guldenstubbe, Japhet, Aksakof, Hardinge, Sardou pai e Sausse) existem divergências de relatos sobre o mesmo fato. Confiar cegamente em dados publicados sem a devida fundamentação em fontes primárias pode levar a construções falsas sobre a história do Espiritismo. A prática comum de se repetir informações dadas em antigas bibliografias, sem o devido cuidado e o uso de metodologias utilizadas pela historiografia, pode propagar erros que se tornam "verdades".

Quanto aos 50 cadernos, considerando que tanto Kardec, que na Revista Espírita de janeiro de 1858 contou sobre a elaboração de O Livro dos Espíritos e não os mencionou, como a Srta. Japhet e o Sr. Sardou pai, integrantes do grupo que forneceu comunicações e revisou o livro, não mencionaram nada, supomos que esta narrativa possa ser mais um equívoco da obra de Sausse, que acabou sendo inadvertidamente propagada como verdade, ainda que a ausência de prova não seja prova de ausência.

Em resumo, todo cuidado é pouco na hora de pesquisarmos a identidade dos personagens relacionados ao Espiritismo. O mesmo zelo deve ter o leitor, consumidor das informações pesquisadas, que as deve submeter à sua análise crítica, para não se tornar refém das conclusões alheias, muitas vezes fundamentadas em suposições “escolhidas a dedo” para dar conformidade às suas teorias.

Esta pesquisa do CSI contou com a revisão dos parceiros Obras de Kardec (OdK) e AKOL.


Referências:

[1] https://bit.ly/3vEtPJZ [2] https://www.allankardec.online/search?q=japhet [3] https://kardecpedia.com/obra/66 [4] https://bit.ly/2T1VEbA [5] https://bit.ly/2SBjElN [6] https://de.wikipedia.org/.../Johann_Ludwig_von_G%C3... [7] https://fr.wikipedia.org/wiki/Ferdinand_François_Châtel [8] https://bit.ly/3fTmujk [9] http://www.ehbritten.org/.../ehb_nineteenth_century... [10] https://www.retronews.fr/.../1-avril-1884/1829/3285803/17 [11] https://www.allankardec.online/search?q=huet [12] bit.ly/3uTYymC [13] Autonomia, (p. 123 - 124). Edição do Kindle. [14] https://gw.geneanet.org/garric?lang=en&n=d%20ourches&oc=0... [15] p. 27 de https://bit.ly/3g1FGLN [16] https://gallica.bnf.fr/.../bpt6.../f511.image.r=guldenstubbe [17] http://iapsop.com/.../revue_spiritualiste_v7_n12_1864_dec... [18] https://fr.wikipedia.org/wiki/Saint-René_Taillandier [19] https://www.retronews.fr/.../1-juin-1879/1829/3285509/27 [20] https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/771564793607305 [21] https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/772175070212944 [22] https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/772724720157979 [23] https://www.facebook.com/HistoriaDoEspiritismo/posts/773482450082206 [24] https://www.facebook.com/variacoesintuitivas/posts/2966046930304973 [25] https://www.facebook.com/variacoesintuitivas/posts/2970876679821998



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