quinta-feira, 30 de maio de 2019

Apanhado de críticas — justas ou nem tanto — ao filme Kardec


O filme Kardec: a história por trás do nome de Wagner de Assis continua em cartaz nos principais cinemas do Brasil e já ultrapassou e muito a média de público e arrecadação de produções nacionais, o que dá visibilidade ao projeto cujo pano de fundo, mesmo que indiretamente, é dar notoriedade ao codificador do Espiritismo e, com isso, também dar visibilidade à doutrina.

Esse sucesso de alguma forma obriga os críticos de cinema a trataremo do filme, mesmo a contragosto. Não é de espantar que o gênero de cinebiografias desagrade aos profissionais, ainda mais quando se trata de um personagem cuja trajetória tenha implicações religiosas, como é o caso de Kardec, já que o Espiritismo — embora não seja uma religião nos moldes tradicionais — toca essencialmente em questões afins.

Dissemos que quem é do ramo cinematográfico em geral não gosta do gênero de filmes biográficos. A razão é simples: cineastas gostam de criar, de "espetacularizar" o enredo e, por mais espetacular que seja a vida real de alguém, sua exposição no cinema incomoda os profissionais que se veem um tanto preso à "responsabilidade da vida real". E a realidade, ou a "verdadeira história" é matéria para historiadores, não cineastas. "Filme não é documentário, não é versão multimídia de verbete de enciclopédia" — diz-se comumente nos sets. Com isso, os resultados mais comum de filmes biográficos são: 1) gente que adorou o filme, quando vê sua causa bem representada; e 2) gente que o odiou, porque — e é praticamente inevitável — o filme acaba ou reduzindo a vida e a obra do personagem ou distorcendo e fantasiando a biografia.

Com a cinebiografia de Allan Kardec de Wagner de Assis não tem sido diferente: chove nas mídias uma enxurrada de críticas por parte uns (muitos deles alimentados pelo preconceito ao Espiritismo) e quase adoração por parte de outros (no afã de promover a doutrina). Mas tudo isso é válido, inclusive para ajudar no aperfeiçoamento de novas produções espíritas — que, desejamos, venham a surgir em breve. E o que não falta é matéria-prima na codificação e literatura espírita.

Mas é claro que, tanto no meio profissional quanto no meio espírita, há críticas pertinentes, sem preconceitos ou ufanismo. Vejamos algumas aqui:

Do jornal Folha de São Paulo, o crítico Thales de Menezes ressalta a fotografia da produção e a boa atuação dos atores, mas vê como problema o caráter doutrinário do filme: "O longa de Wagner de Assis apela direto a quem tem contato com o espiritismo ou pelo menos está de cabeça aberta para uma aproximação. O tom de panfleto, no caso, vem de um roteiro preocupado em listar conclusões que sustentem a proposta de normatizar o contato com os mortos.", escreve ele numa resenha cujo título é "Filme sobre Allan Kardec atrai apenas os iniciados no espiritismo" — o que tem a ver com um fato concreto, e preocupante, do envelhecimento do público espírita (Senhores dirigentes de casas espíritas, atentem-se para isso!). Não temos autorização para reproduzir o texto na íntegra, mas o mesmo encontra-se até então disponível livremente por este link.

De Brasília, Claito Freitas (cleiton.cesom@gmail.com), espírita e também produtor de filmes, contribui para o debate:
"Uma vida não cabe em duas horas. Fazer filmes biográficos não é fácil, pois é contar a vida de alguém, dias, meses, anos em poucos minutos, e com o filme do diretor Wagner de Assis, não é diferente, Resumir em 110min a vida de alguém com tantos fatos importantes. Escolher o que contar é sempre uma tarefa difícil do roteirista e do diretor, eles escolhem que recortes irão ser apresentados da vida do biografado, quais foram os fatos mais marcantes e quais dão uma boa cena, e no filme a narrativa criada envolve os principais pontos que o professor Rivail (Leonardo Medeiros) teve em sua busca de consolidar o Espiritismo."
Também anota aspectos interessantes da obra:
O filme tem uma fotografia muito bonita (Nonato Estrela), com figurinos que correspondem à época, uma estética de Paris bem produzida, uma cenografia retratada com ambientes fechados, apertados, que clamam com algo para serem revelados, com muitas técnicas de computação e usando a cor e luz como narrativas, por ser ambientado todo a luz de velas isso dá um tom de cor interessante na pele dos personagens e nas cenas, permitindo a fotografia brincar com as sombras e luz, vemos isso em cenas em que os livros lançados por Kardec estão bem iluminados contrastando com os ambientes a meia luz, percebemos também que os representantes da Igreja estão sempre um pouco mais escuros, a luz estaria definindo um antagonismo (antagonista: aquele que rivaliza com o protagonista) isso cria uma metáfora de que os livros trariam luzes à humanidade, tirando o velho mundo das trevas, vemos também estas sombras no filme quando ele mostra muitas pessoas morando nas ruas, uma França que mesmo sendo berço do século das luzes, ainda vivia com uma grande população na miséria. Situação que é bem colocada no roteiro com o professor Rivail falando sobre a solidariedade.
E pondera quanto ao caráter proselitista da produção:
É um filme para qualquer pessoa assistir, longe de religião, o filme mostra um professor e cientista buscando respostas através de métodos, de experimentação e pesquisas, que tem uma história muito inspiradora em um filme cheio de mensagens e aprendizados.
Ver mais em ArtEspirita.

Também do meio espírita, vale a pena ler a crítica do ator e dublador Fernando Peron, de São Paulo: "O Kardec do filme e o Kardec real", da qual pinçamos alguns trechos:
Se sua intenção é conhecer vida e obra de Allan Kardec através do filme, não seja preguiçoso a esse ponto. Seria o mesmo que pretender entrar numa universidade, sentar no banco e fazer graduação, mestrado e doutorado em menos de duas horas. Para se compreender com justiça toda a envergadura espiritual de um dos maiores missionários de todos os tempos, suas virtudes, lutas e a importância de seu legado, só estudando muito, pesquisando mesmo, aprofundando-se nos livros biográficos sérios, na história do Espiritismo e, sobretudo, nas obras brilhantes e imperecíveis que ele produziu. Mas a isso, infelizmente, poucos se predispõem. Incluindo os espíritas.
Essa falta de conhecimento e de discernimento crítico, aliás, responde tanto pela incredulidade vazia dos não espíritas quanto pelo entusiasmo às vezes exagerado dos próprios espíritas, perante peças audiovisuais desse gênero. Qualquer um sabe – mas é como se não soubesse – que uma vida inteira não pode caber num espaço de tempo tão curto, nem um personagem que realmente existiu ser retratado com fidelidade absoluta numa cinebiografia ou mesmo num documentário. Seria, portanto, radicalismo exigir tal. Mas é razoável esperar bem mais do que foi apresentado por aqueles que assumiram o grave compromisso de levar às coletividades a representação artística de uma figura tão notável, íntegra e diferenciada quanto Allan Kardec.
Aí entram outra vez muitos de nossos companheiros espíritas, que, de maneira preocupante, se deslumbram fácil demais com o espetáculo e se descuidam da substância. Houve exceções, felizmente, mas ficamos chocados ao encontrar nessa relação diversos palestrantes e autores de renome, dirigentes e divulgadores, se debulhando em elogios nas redes sociais, mas sem examinar nada em profundidade, sem passar nada pelo crivo da razão, como ensinam, a propósito, os autores espirituais e encarnado de O Livro dos Espíritos(5). Até compreendemos as motivações ocultas de vários desses confrades, mas não podemos achar graciosa e inofensiva tamanha falta de percepção e processamento de informações.
A resenha de Felipe Branco da Cruz do site UOL é exemplar para corroborar a ideia da dificuldade que profissionais de cinema não espíritas têm para analisar um filme desse gênero sem cometer injustiças contra a doutrina. Primeiro ele minimiza o Espiritismo como uma religião comum — ou, talvez ainda melhor dito, como uma seita vulgar; depois vai considerar a fenomenologia espiritual como "mitologia".
Embora o diretor diga que "Kardec" não é um filme espírita, seu público provavelmente será e seu grande mérito é o de contar a história do espírita para quem ainda não o conhece e o de reforçar a sua mitologia entre aqueles que já estudam a sua vida.
A partir daí ele se espanta com o "didatismo impresso no roteiro". Diz ele: "Mas, como cinema, o filme não é bom. O roteiro é demasiado didático— como se fosse possível abolir a didática de uma obra exatamente a respeito de um especialista em Didática, cujo maior mérito de sua vida e obra não foi outra coisa senão justamente compilar didaticamente uma imensidão de descobertas e consequências de forma a sistematizar uma doutrina ao mesmo tempo complexa e concisa, tão bem exposta nos livros de Kardec. Por ignorar essa complexidade, o crítico prefere dizer que "o filme peca por tentar explicar o inexplicável". Ver a resenha na íntegra no portal UOL.

Continuaremos analisando as críticas ao filme, no sentido de fazer com que as pessoas interessadas em conhecer o verdadeiro Allan Kardec  e, por extensão, compreender melhor a Doutrina Espírita, que é o mais fundamental  possam então enriquecer suas reflexões com as diversas óticas de pessoas mais experientes com a arte cinematográfica.

Contribua também com esse debate saudável deixando a sua opinião.

segunda-feira, 27 de maio de 2019

"Expedição Espiritual": série da Globo sobre concepções religiosas


A Rede Globo de televisão está anunciando o lançamento de um novo e interessante quadro em sua programação: "Expedição Espiritual: um passeio pelo sagrado", cuja estreia está marcada para o próximo sábado, 1 de junho, dentro do programa Como Será?


Conforme informações do site da emissora, o repórter Renato Cunha conversa com líderes das dez religiões mais presentes no Brasil para entender grandes questões humanas, por exemplo: "O que acontece após a morte? Porque existe o mal? Que força é essa tão poderosa chamada amor?

As dez religiões exploradas são: Catolicismo, Islamismo, Umbandismo, Presbiterianismo, Judaísmo, Espiritismo, Religiões indígenas, Candomblé e Budismo tibetano.

Pensamos que seja uma boa iniciativa essa de  se dar a conhecer as crenças, num espírito de ecumenismo, para que cada qual que se interesse buscar sua identificação religiosa e, para aqueles que já têm a sua fé mais ou menos estabelecida possa também dar abertura para tentar compreender a concepção das religiões alheias. Nossa esperança é a de que, com oportunidades como essa, as ideias espíritas quebrem preconceitos e pouco a pouco penetrem nos corações mais rochosos e, enfim, encontrem solos férteis para se desenvolver. Se pensarmos que há pouco tempo atrás falar de Espiritismo era algo quase proibido, então veremos aí — com todas as limitações do programa — um passo à frente para a propagação da Terceira Revelação.

O programa Como Será? é apresentado por Sandra Annenberg, transmitido pela TV Globo aos sábados, às 7h15 e reprisado aos domingos no canal Futura às 15h (hora de Brasília).

Fonte: Globoplay

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Novo verbete da Enciclopédia Espírita Online: "Irmãs Baudin"


Com o sucesso do filme Kardec: a história por trás do nome, de Wagner de Assis, aumenta o interesse de se conhecer melhor a historiografia espírita, especialmente os bastidores do trabalho de Allan Kardec na codificação do Espiritismo. E presente nesse história estão duas personagens das mais importantes: as "irmãs Baudin" (Baudin se lê "bôdãn"), que agora estão listadas nos verbetes da nossa Enciclopédia Espírita Online.

E é importante que se diga que os dados biográficos que ora são oferecidos, baseados em fontes oficiais, conforme recentes pesquisas, corrigem alguns equívocos acerca das duas médiuns em foco: Caroline Baudin e sua irmã caçula, conhecida por muitos (inclusive assim denominada no filme de Wagner de Assis) como Julie Baudin, mas que, na verdade, chama-se Pélagie Baudin.

Vejamos a sinopse do novo verbete:

As irmãs Baudin, Caroline e Pélagie, são lembradas pelo Movimento Espírita por terem sido as primeiras médiuns das quais Allan Kardec se serviu na sua pesquisa acerca dos fenômenos espirituais. Foi frequentando as sessões mediúnicas semanais realizadas na residência da família Baudin que o codificador espírita iniciou seriamente sua pesquisa psíquica, o que resultou na codificação do Espiritismo. As sessões duraram entre 1855 e 1857, quando cada qual, após contrair matrimônio, foi morar em lugar diferente do restante da família.

Então não deixe de conferir mais esse importante capítulo da História da codificação espírita.

Acesse agora mesmo o verbete "Irmãs Baudin".

quinta-feira, 23 de maio de 2019

Kardec no cinema: "Quando você percebe que o filme tocou a Alma dos ateus/materialistas!?..." por Nuno Emanuel


O filme Kardec - a história por trás do nome continua em cartaz nos principais cinemas no Brasil depois de uma estreia muito bem sucedida. Segundo site da revista Veja, a arrecadação ultrapassou a marca dos 4 milhões, o que é uma marca surpreendente para uma produção nacional. E não nos cansamos de instigar todos os confrades a comparecem às salas de cinemas, assistirem ao filme e prestigiarem a produção.

Nós fizemos uma resenha sobre o filme (ver aqui), mas como a publicamos antes da estreia nos cinemas, cuidamos para não dar spoiler. Por essa razão, não tratamos de detalhes, especialmente no que tange aos fatos históricos (conforme sabemos, mediante as fontes hoje disponíveis que compõem a biografia do codificador espírita) e o que é "licença artística" do roteiro. Já circula por aí muitas críticas sobre essas questões, mas, de nossa parte, vamos esperar um pouco mais para tratarmos pontualmente desses detalhes.

Contudo, das opiniões colhidas na internet, julgamos interessante esta, que compartilhamos com todos:


Quando você percebe que o filme tocou a Alma dos ateus/materialistas!?...

Antes de me sentar na cadeira da sala disse a quem me acompanhava: "Interessa-me mais a OPINIÃO dos NÃO-ESPÍRITAS do que a dos espíritas." Não desvalorizando as nossas, que também vão dos extremos: desde a indicação ao ÓSCAR até às CRÍTICAS MICROSCÓPICAS à LICENÇA POÉTICA do argumento. O filme não pretende ser um documentário. A produção do filme sabia a biografia de Kardec e dos seus contemporâneos, como nós até há um ano atrás, antes das primeiras filmagens.

Imagine-se se a produção tivesse tido acesso aos 1000 DOCUMENTOS INÉDITOS de KARDEC antes do início das filmagens? Infelizmente para a História do Espiritismo e do cinema, o acervo que Canuto Abreu resgatou não estava na época nas mãos da FEAL ... Mas o material vai ser PARTILHADO e PUBLICADO na íntegra para todos, como KARDEC SEMPRE QUIS!

Kardec afirma que esta correspondência faz parte da DOUTRINA ESPÍRITA e da sua HISTÓRIA. O verdadeiro Kardec é ainda mais HUMANO do que Wagner de Assis intuiu e conseguiu que vislumbrássemos. Como diz Paulo Henrique de Figueiredo "As Cartas de Kardec vão MUDAR TODA A SUA BIOGRAFIA!" https://www.youtube.com/watch?v=P6klNggsSJg.

Além disso, nós últimos meses descobriram-se NOVOS FATOS nos ARQUIVOS de PARIS e da FRANÇA (disponibilizados para consulta ao público na internet) sobretudo sobre as médiuns que acompanharam Kardec.

A MAGIA do cinema passa por METÁFORAS. No início do filme, o Profº Rivail convida-nos CRIANÇAS ESPIRITUAIS que somos, a libertarmo-nos dos LIVROS e seguirmos a nossa INTUIÇÃO. Quando o casal Kardec observa as estrelas pelo TELESCÓPIO, Amélie faz um APELO POÉTICO ao seu esposo. Os espectadores que decidem acompanhá-los NESSA VIAGEM sem preconceitos USUFRUEM mais dela.

A meio do filme lembrei-me de um OUTRO PROFESSOR, um Mestre querido amigo meu: "Vendo aqui acho que ele vai entender melhor o método cientifico utilizado por Kardec". 
No final do filme recebo este watsapp dele dirigido para todos os seus alunos. "ASSISTAM Kardec. Vale pela PRODUÇÃO, pela HISTÓRIA e pelo ESPIRITISMO EM SI"

Estou a falar de uma das pessoas mais CULTAS que conheço, com muitas vivências em diversas áreas científicas, sociais, filosoficas e religiosas. Considera-se ATEU (cético/materialista) mas é bem mais espiritualizado que maioria dos religiosos que conheço. Carismático, com INTELIGÊNCIA EMOCIONAL notável e espírito de LIDERANÇA. Um currículo acadêmico impressionante que nunca lhe tirou a HUMILDADE.

Soa-vos familiar?...
Parafraseando Kardec: "O Espiritismo não veio para combater as outras crenças, veio para COMBATER O MATERIALISMO que é a grande chaga moral da Humanidade"

Tendo em conta todo este contexto de muitas PESQUISAS NOVAS que trarão muito MAIS FATOS, permitam-nos o apelo para se pensar em KARDEC 2!

As TRAIÇÕES MAQUIAVÉLICAS e as TRAMAS urdidas contra Kardec e sua esposa pelos seus companheiros da SPEE (Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas) ULTRAPASSAM qualquer LIBERDADE POÉTICA.

O que LEYMARIE & ROUSTAING fizeram ao Espiritismo na França é uma história real da LUTA das TREVAS CONTRA a LUZ. Mais provas serão juntadas em breve a estes processos de ADULTERAÇÃO do CRISTIANISMO Redivivo.

"Kardec, a história POR TRÁS do nome" demonstra a TRANSFORMAÇÃO de um ser humano que muda a humanidade. Naturalmente que o filme olha muito para fora do movimento espírita (ME). Mas tem que haver um momento que temos de OLHAR BEM para DENTRO de NÓS no ME e o que estamos fazendo com a MENSAGEM ESPÍRITA CRISTÁ...

"Kardec, a história DEPOIS do nome" - 2ª parte do filme seria uma LIÇÃO para o presente e para o futuro, porque o MOVIMENTO ESPÍRITA INSTITUCIONALIZADO (MEI) continua repetindo o mesmo tipo de ERROS GRAVES do séc.19 e que fizemos em outras religiões durante séculos.

Para que aqui no Brasil e na Terra, NÃO assistamos ao FINAL TRÁGICO da França, os espíritas de hoje têm que ter uma qualidade: a CORAGEM de KARDEC!... Perante o “VATICANO do MEI” que continuará com os seus AUTOS DE FÉ, inclusivé não apoiando um novo filme. Problema não são as federativas, mas os LOBBIE$ da ELITE que as controlam.

A REVOLUÇÃO MORAL que JESUS e o ESPÍRITO DA VERDADE preconizam têm que encontrar RESSONÂNCIA em cada UM de nós ESPÍRITAS. Se formos AGENTES, CÚMPLICES e/ou OMISSOS das atuais PRÁTICAS ESTRANHAS ao ESPIRITISMO, perderemos mais um FILME das NOSSAS VIDAS e o ME como o conhecemos passará à História...

Nuno Emanuel
SP 22 de maio, 2019

Fonte: Facebook

terça-feira, 21 de maio de 2019

Sala de Leitura: lançamento de "Consolações" da União Espírita Francesa


"Para você que sofre de tristezas do coração; para você que trabalha em duros labores; para você que não tem mais o apoio da família; para você que perdeu o doce companheiro de sua vida; para você cujo berço vazio constantemente lembra o anjo que voou para longe, levando consigo a alegria e a felicidade do lar; para você, finalmente, cujo coração é torturado com dores não declaradas e ainda assim pungentes, eu trago este escrito lhe dizendo: Leia."

Assim começa Consolações, esta pequena brochura que a União Espírita Francesa publicou para consolar os aflitos e desorientados daquele final de século XIX, mas cujo valor permanece para os que ainda hoje precisam de uma luz para suas vidas, razão pela qual temos a satisfação de anunciar que ela agora faz parte do nosso acervo literário, disponível na nossa Sala de Leitura.

Como sabemos, a União Espírita Francesa foi uma entidade criada em 1882, tendo como fundadores fieis discípulos de Allan Kardec, dos quais destacamos Gabriel Delanne (presidente) e Berthe Fropo (vice-presidente), com o apadrinhamento especial da viúva Kardec.

Por esta obra, podemos fazer uma rápida leitura histórica do movimento espírita na França logo após a desencarnação do codificador do Espiritismo (31 de março de 1969), na tentativa de levar adiante as obras de Kardec.

Clique aqui e baixe o PDF de Consolações.

quinta-feira, 16 de maio de 2019

É hoje a estreia do filme "Kardec - a história por trás de um nome"


É hoje a estreia do filme
"Kardec - a história por trás do nome"
direção de Wagner de Assis

Em cartaz nos principais cinemas do Brasil

Assista ao filme e ajude a divulgar o Espiritismo!

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Ensaio: "Nem tudo é obsessão, nem poderia ser!" por Marcelo Henrique


Jorge chega à casa espírita, como de costume. Assiste à exposição do dia, mas sua concentração está difícil. Seu pensamento vagueia. As palavras do palestrante parecem meros ruídos, como quem aguarda para atravessar na faixa de pedestres de um movimentado cruzamento da cidade.

Como a “conversa fraterna” só ocorre após a doutrinária, ele espera...

Com a ficha numerada em mãos, aguarda que chamem. Número doze. É ele. Entra numa sala simples onde há três pessoas sentadas e uma cadeira vazia, de frente para os que ali já estão. É recebido com afetividade, mas sem excessos. Sem contatos, igualmente. Apenas o cumprimento e um leve sorriso de boas-vindas.

Indagam-lhe o motivo de sua estada, ali, e ele responde: - É que... Eu estou sendo obsediado!

E inicia-se a conversação, com base espírita...

A cultura da obsessão parece ter tomado conta do “movimento espírita”. Qualquer dificuldade existencial, calcada na ideia (apressada e irreal) de que “nada dá certo na minha vida” acaba sendo o pano de fundo para as “firulas” doutrinárias (ou tidas como tal). Logo há um exemplo, um “causo”, uma “cena” de um “romance espírita”, que se parece com os fatos da vida de Paula, Aniceto ou Gabriela.

E a “identificação” ocorre, instantaneamente. Não é mais o personagem do relato. Somos nós – e os nossos dissabores.

Há, em geral, na Humanidade um vitimismo preocupante. As derrotas são atribuídas aos “inimigos” que não querem a nossa felicidade e que se comprazem com os nossos sofrimentos e infortúnios. É assim o colega de trabalho invejoso, o chefe prepotente, o subordinado que quer o “nosso” lugar, o filho malcriado, a esposa distraída, o esposo grosseirão, o vizinho que promove festinhas até altas horas, o espertinho que quer furar a fila, etc.

Homens e mulheres do nosso tempo, não necessariamente espíritas, se consideram desafortunados e infelizes porque os “seus” planos não deram certo. Ou não está acontecendo aquilo com que sonhamos, desde a mocidade. Culpamo-nos pela “vidinha” que temos, e pelas escravidões modernas (compromissos, afazeres, tempo, trânsito, trabalho, etc.).

E, na casa espírita, onde deveríamos receber o informe IDEAL acerca das relações entre “vivos” e “mortos”, as orientações para o processo do autoconhecimento, indispensável, e alguns direcionamentos para nossos questionamentos – os que já temos e os que virão – acabamos recebendo, pasteurizadamente, uma “resposta pronta” para nossas dificuldades: - Sim, é obsessão! É um “inimigo” seu do passado, alguém que você prejudicou e que, agora, vem “cobrar a conta”. Esta é a regra dos “esclarecimentos” dos “consultórios espíritas”. Algumas vezes, até, “respaldadas” em argumentos de um “vidente” que está “enxergando”, ao lado do necessitado, o desencarnado com “olhos vidrados” e “expressão carregada”, no ato de vindita.

Rapidamente, com muita imaginação e com os “roteiros pré-estabelecidos” dos romancezinhos consumidos pelos frequentadores das instituições espíritas ou por curiosos simpatizantes do Espiritismo, novelinhas espiritualistas de quinta categoria, mal-escritas e “previsíveis”, vai se formando a “massa espírita” de crentes nas fantasias tidas como “relações espirituais”.

Allan Kardec, a seu tempo, já nos advertira para a necessidade da avaliação das “obras” recebidas por via mediúnica, dizendo que não seria a “assinatura” aposta no texto, nem as qualidades visíveis (porque as invisíveis, de caráter, nem sempre são observáveis à distância) dos médiuns, nem o “rebuscamento” ou o “colorido” das mensagens, quase sempre contendo expressões bonitas, o “palavrório” que encanta e as cenas que despertam atenção, nos relatos, os ELEMENTOS CARACTERIZADORES da Doutrina Espírita. Muito pelo contrário.

A expressão que remonta aos tempos da passagem do Rabi sobre a Terra (“provai e vede se todos os Espíritos são de Deus”), persiste como referencial de avaliação das “produções mediúnicas”, consubstanciadas, na obra de Rivail, numa expressão atribuída ao Espírito Erasto (que foi discípulo de Paulo de Tarso), que consagra como “funil” das mensagens de teor mediúnico e, também, das afirmações de médiuns, expositores e dirigentes: “Mais vale rejeitar dez verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa” (“O livro dos médiuns”, Cap. XX, Influência Moral dos Médiuns). Acerca desta expressão erastiana, em primorosa nota explicativa, o Professor Herculano Pires a consagra como a “Regra de Ouro” do Espiritismo.

Voltando ao mote deste artigo, a Obsessão, aprecio a definição dada pelo Codificador em “A Gênese” (edição restaurada), no capítulo XIV, item 46, “in verbis”: “a obsessão é sempre uma imperfeição moral que dá entrada a um Espírito mau”. E o próprio Kardec apresenta o “caminho” ou o antídoto para o problema: “Para preservar-se das doenças, fortifica-se o corpo; para se garantir da obsessão é preciso fortificar a alma. Daí para o obsidiado a necessidade de trabalhar pela própria melhoria, o que satisfaz o mais frequente para desembaraçar-se do obsessor sem recurso de pessoas estranhas”.

Também em “O evangelho segundo o espiritismo”, no capítulo XXVIII (Coletânea de Preces Espíritas), o professor francês, volta a definir a obsessão: “é a ação persistente de um mau Espírito sobre uma pessoa. Apresenta características muito diversas, desde a simples influência de ordem moral, sem sinais exteriores perceptíveis, até a completa perturbação do organismo e das faculdades mentais”.

É fato que nossas relações na vida material, diante das nossas próprias imperfeições, podem resultar em situações em que prejudicamos, por nossas ações ou omissões, outras pessoas. Também é notória a circunstância de relações desgastadas, com inimizades gratuitas, que se perpetuam por uma existência inteira. E os “laços” firmados entre os Espíritos (encarnados) subsistem, adiante, no Plano Invisível e, não raro, a presença de um dos contendores ou desafetos na condição física e o outro na posição de desencarnado, pode facilitar os processos obsessivos, em que este último visa prejudicar o que se encontra na vida corporal.

Mas a obsessão também pode ocorrer entre dois encarnados, entre dois desencarnados e de encarnado para desencarnado, visto que o caráter da vinculação não está restrito à condição de materialidade nem é exclusivo da relação que provém de quem esteja invisível, naquele momento.

Melhor, então, falar-se, na ambiência espírita, de INFLUÊNCIAS ou INFLUENCIAÇÕES. Afinal, diuturnamente, nós influenciamos e somos influenciados pelos convivas. E as influências podem ser positivas ou negativas, de acordo com nossos interesses e vinculações, ou da natureza moral de nossas aproximações com os semelhantes.

São também os Espíritos quem delimitam esta influenciação espiritual em relação aos que se encontram, momentaneamente, encarnados, porquanto as limitações impostas pela condição da matéria – às liberdades e percepções do Espírito, notadamente – geram um quadro que precisa ser bem entendido por aqueles que se interessam pelas questões espíritas, já que, para o senso comum, e, principalmente, para os que repudiam as informações da Doutrina dos Espíritos, não é possível esclarecê-los. Para os que se dizem espíritas e para os simpatizantes ou interessados nos conceitos espiritistas, é esta a pedra de toque dos relacionamentos entre desencarnados e encarnados: os Espíritos (desencarnados) influem em nossos PENSAMENTOS e ATOS “Mais do que imaginais, pois com bastante frequência são eles que vos dirigem” (“O livro dos espíritos, item 459).

A Influência, assim, não é necessariamente negativa, ruim ou para o “mal”. As influências a que estamos, todos, na condição de encarnados, sujeitos, podem ser as POSITIVAS e as negativas. Isto porque nós, via de regra, não ficamos abandonados “à própria sorte”, como supõem alguns – e como, lamentavelmente, alguns intérpretes espíritas o dizem. Do contrário, além de, individualmente, termos, todos, do homem mais simples ao mais letrado, do menos virtuoso ao mais, um ESPÍRITO PROTETOR, designado a orientar-nos e amparar-nos em nossas “necessidades” espirituais, tem-se que a primeira sugestão mental que se nos aparece, nas “encruzilhadas” ou “curvas” da existência é, segundo os Espíritos Superiores “uma voz que vos fala”. E, “Os pensamentos próprios são, em geral, os que vos ocorrem no primeiro impulso”, cabendo-nos, individualmente, zelar pela qualidade das sugestões mentais que serão nos apresentadas e pela seleção que delas fizermos, pois, o primeiro impulso “Pode ser bom ou mau, segundo a natureza do Espírito encarnado. É sempre bom para aquele que ouve as boas inspirações”.

E, como todos somos médiuns, no sentido de estarmos sujeitos à comunicação (intuitiva, não provocada, até acidental ou inesperada) com os desencarnados, estamos todos os dias à mercê destas influenciações, em razão dos vínculos que estabelecemos, mentalmente, com aqueles (invisíveis) que nos cercam, bem como com os demais encarnados, pela transmissão de pensamentos – que muitos e a própria ciência estuda como “telepatia”.  E, na forma de pressentimento, isto é, a advertência dada pelo Espírito Protetor, “é o conselho íntimo e oculto de um Espírito que vos deseja o bem” e, neste sentido, podemos dizer que são-nos sugeridos bons pensamentos em caráter intuitivo, os quais nos ajudam a tomar as decisões de nossa existência física. O que nos cabe, então, é resolver, decidir, fazer escolhas, e ir caminhando na senda do progresso.

Ainda que a obsessão possa ser uma ocorrência em nossas andanças, o Espiritismo nos fornece, com tais interpretações, as ferramentas para que possamos zelar por nossa saúde espiritual, resistindo às influências potencialmente negativas e, também, com tal resistência, auxiliando o despertamento espiritual daqueles que se encontrem como potenciais obsessores, em razão de inimizades cultivadas, por nós e por eles, em outras oportunidades.

Atribuir “tudo” ao desencarnado, inferior e igualmente “sofredor” no sentido de não estar aproveitando as oportunidades para o seu próprio esclarecimento e adiantamento espiritual, é fruto de crendices ou interpretações apressadas em relação à conjuntura espiritual que envolve encarnados e desencarnados. Compreender as relações entre espírito e matéria, ou seja, entre os Espíritos que estejam nas duas conformações possíveis (a material e a imaterial, em termos de oportunidades evolutivas) é o papel da Doutrina dos Espíritos neste quadrante da existência espiritual, nossa, e do próprio orbe que habitamos. Desmistificar e afastar as crendices, é papel de todo espírita sensato!

Por menos obsessões, sem a “cultura da obsessão” e por seres espiritualmente mais felizes e realizados!

Marcelo Henrique

Livro "Viagem da imaginação ao espírito", de Daniel Macedo


Recebemos de um confrade e assíduo internauta do Portal Luz Espírita a composição de sua primeira obra literária, que ele gentilmente disponibiliza para livre download e a qual aqui compartilhamos o link.

Falamos do livro "Viagem da imaginação ao espírito", de Daniel Macedo, cujos dados biográficos copiamos do referido livro: "nasceu em São Caetano do Sul, SP, em 1945. Estudou projetos de máquinas e contabilidade no nível médio e informática e matemática superior na Faculdade de Filosofia da Fundação Santo André. Posteriormente estudou publicidade e marketing e fez carreira na área comercial, na qual se tornou executivo. Sua experiência como escritor e editor se deu na maturidade quando escreveu e publicou um Dicionário de Marketing, desenvolveu cursos para o SEBRAE e editou livros didáticos na Editora Ática. A Viagem da Imaginação ao Espírito é o primeiro livro não didático que publica".

Já publicamos uma contribuição dele para nosso portal através do artigo "O Espiritismo na vida real", de agosto de 2018 (veja aqui).


Como o próprio autor relata na Introdução de sua obra, trata-se de "uma exploração intelectual audaciosa sobre a espiritualidade. Audaciosa porque abordo questões delicadas sob o ângulo religioso, o qual deita soberanamente o seu véu por sobre a temática espiritual e a enclausura." Questões delicadas e  algumas deveras polêmicas, a começar pelas hipóteses levantas sobre, por exemplo, a "mortalidade do Espírito", "interligação entre almas" e a "procriação espiritual, inclusive por via sexual". Também opina sobre clássicos embates do meio espírita, a exemplo da velha questão do Espiritismo ser ou não uma religião.

É, sem dúvidas, uma obra abrangente e o autor é muito honesto, já desde o título, em deixar evidente que o material empregado é sua imaginação, até porque "somente podemos imaginar como seja a vida extrafísica" diz o prefácio assinado por Valdevino de Castro. Isso consagra o livre direito de qualquer um especular intelectualmente o plano dos Espírito como o faz Daniel Macedo.

Daniel Macedo

Ainda que numa primeira leitura anotemos ideias prontamente divergentes de nossas concepções, expomos aqui a obra para a reflexão de todos e, quem sabe, das polêmicas proposições aventadas, não colheremos uma positiva síntese depois de respeitoso debate de vistas. Para tanto, é necessário que se aprecie o trabalho oferecido sem preconceitos ou má vontade.

Nós acompanharemos a repercussão do livro e convidamos a todos para essa saudável troca de ideias.

Baixar o livro "Viagem da imaginação ao espírito" de Daniel Macedo.

terça-feira, 14 de maio de 2019

Senado realiza sessão solene pelos 150 anos da morte de Kardec


O Senado Federal lembrou ontem os 150 anos da morte de Allan Kardec em uma sessão especial, solicitada pelo senador Eduardo Girão (Pode-CE), justificando que "a Doutrina Espírita, sendo associada a políticas públicas, pode contribuir para dar um sentido às vidas das pessoas, ajudando a melhorar suas vidas e inclusive evitar o suicídio".


Entre os convidados especiais presentes à solenidade, o presidente da Federação Espírita Brasileira (FEB), Jorge Godinho Nery, ressaltou que "a infelicidade do ser humano se deve ao seu afastamento da sua própria natureza".

O senador Nelsinho Trad (PSD-MS) acrescentou que a missão do Espiritismo é "levar o bem e ajudar a humanidade, com grande semelhança ao que é feito na vida política".

Já o orador espírita Haroldo Dutra Dias destacou que o propósito do Espiritismo é formar seres humanos de bem, que sabem o propósito de sua existência e não se abalam com os problemas da vida, “porque sabem que ela não tem fim”. Segundo ele, os espíritas não têm preconceito, porque veem em todos os seres “obras de um autor de inteligência suprema e infinita”. Haroldo disse ainda que quem deseja homenagear Alan Kardec deve ter ousadia para fazer o bem e defender a paz. "De mãos dadas com católicos, evangélicos, budistas e membros das religiões de matrizes afrodescendentes podemos nos dar as mãos em torno deste propósito, pois todos queremos felicidade, bem-estar, paz, segurança, alegria, progresso, e a única força capaz de nos sustentar é a força do bem. Esse é o propósito do trabalho de Alan Kardec" — acrescentou.

Trecho da sessão em vídeo:




Imagens da solenidade realizada no Senado Federal:




quinta-feira, 9 de maio de 2019

Assistimos ao filme "Kardec - a história por trás do nome": confira a resenha


A Luz Espírita foi convidada, juntamente com outros divulgadores e profissionais da imprensa, para assistir a uma pré-estreia do filme "Kardec - a história por trás do nome", longa-metragem dirigido por Wagner de Assis, produção da Conspiração Filmes e distribuição da Sony Pictures e Columbia Pictures, cuja estreia está marcada para 16 de maio nos principais cinemas do Brasil.

Representando a Luz Espírita, lá esteve presente Ery Lopes, que oferece a todos uma resenha em vídeo (veja a seguir) com suas impressões sobre a produção. A sessão também contou com a participação de Leonardo Medeiros, que interpreta o papel de Allan Kardec. O ator contou da satisfação sua de representar nas telonas o codificador do Espiritismo.














Agora, confira o vídeo com a resenha de Ery Lopes sobre o filme:


E depois de mais esse incentivo, fica mais do que justificada a nossa ida aos cinemas na próxima semana para ver a estreia nacional de "Kardec - a história por trás do nome".

Prestigio o filme e ajude na divulgação em favor do Espiritismo

terça-feira, 7 de maio de 2019

Enciclopédia Espírita Online: lançamento do verbete "Sexto Sentido"


Temos novidade na Enciclopédia Espírita Online: lançamento do verbete "Sexto Sentido", também correspondente aos verbetes "Percepção Extrassensorial" e "Sentido Espiritual".

Veja a síntese do verbete:

Sexto sentido, também chamado de Sentido Espiritual ou Percepção Extrassensorial (em Parapsicologia) é a capacidade humana de perceber fenômenos espirituais — anímicos ou mediúnicos por meio diferente dos cinco sentidos comuns (audição, visão, tato, olfato e paladar). Numa outra acepção, diz-se comumente que o sexto sentido é ser correspondente à intuição, ou seja, a faculdade ou ato de perceber, discernir ou pressentir coisas, independentemente de raciocínio ou de análise. As pessoas aptas a esse tipo de percepção em geral são chamadas de sensitivos.

Acompanhe os conceitos essenciais acerca desse tema fundamental para o  Espiritismo, sobre o qual estão expostos os tópicos: teoria dos sistemas sensoriais; proposta da Parapsicologia; conceituação espírita; a função da glândula pineal; sexto e sétimo sentidos?; sensitivos e médiuns na nomenclatura espírita, além de referências e links de subsídios usados para a composição do verbete.

Acesse agora mesmo o novo verbete da Enciclopédia Espírita Online.

sábado, 4 de maio de 2019

"O papel das Mesas Girantes" por Rogério Miguez


Compartilhamos com todos o artigo que nos foi enviado pelo seu autor, Rogério Miguez, já conhecido colaborador da Luz Espírita, e é com satisfação que o fazemos, pois trata de um assunto relevância extraordinária para o estudo histórico do Espiritismo, além de despertar a curiosidade de quase todo mundo: "O papel das Mesas Girantes".

Desfrutem todos desses apontamentos oportunos:


"O papel das Mesas Girantes"

Em 14 de junho de 1853, conforme efeméride publicada pela FEB para o mês de junho, [1] o Jornal do Commercio, do Rio de Janeiro, publicou matéria sobre as mesas girantes. Estavam estas, literalmente, fazendo “girar as cabeças” dos desconcertados europeus e norte-americanos, desde as mais humildes até as mais coroadas da secular nobreza europeia.

Sabe-se ter sido uma verdadeira febre, reunir-se em torno das mesas e aguardar que elas se 
“pronunciassem”, despertando, este inusitado fato, a acurada percepção do jornal carioca em divulgar, aqui em terras brasileiras, o fenômeno surgido no hemisfério norte.

O interesse na realização do fenômeno se intensificou a tal ponto que obras foram escritas, abordando a prática, inclusive manuais com métodos descrevendo como se obter sucesso na tentativa de fazê-las girar.

Um destes livros detalha por vários passos uma sugestão de como proceder. Segue o resumo: [2]

• O número de pessoas para produzir o movimento deve ser ímpar, de preferência, e não deve ficar abaixo de cinco. Este número pode ser aumentado de acordo com o tamanho da mesa;
• Pessoas dos dois sexos são escolhidas, tomando-se homens de 18 a 20 anos, e senhoras de 16 a 40. As crianças parecem não ter ajudado efetivamente a experiência senão em casos excepcionais;
• É bom colocar os experimentadores de tal maneira que pessoas ligadas por sangue ou amizade estejam próximas umas das outras. Assim, colocar casais, amigos de ambos os sexos, lado a lado;
• A mesa deve ser de madeira, sem distinção da madeira ou forma. Experimentos feitos com mesas de mogno, pinheiro ou carvalho, redondas ou ovais, tiveram muito sucesso. Não é necessário que a mesa seja dobrável ou fixa. O peso é indiferente, no entanto, uma mesa muito pesada exigirá um número maior de pessoas e, consequentemente, maior necessidade de fluidos, bem como um tempo maior;
• As mesas que até agora produziram o melhor efeito são as chamadas mesas de sala de estar, de tamanho médio e de forma oval, cujo tampo repousa sobre um eixo, terminando em si mesmo por três ou quatro ramos (pés) com rodas. As rodas ajudam a acelerar o resultado; as mesas com apenas um pé no meio são as melhores, é mais fácil evitar tocá-lo;
• Não é necessário que a mesa esteja sobre um tapete. No entanto, a experiência mostrou que é melhor em um tapete; 
• A temperatura da sala deve ser média e seca. [3] Correntes de ar repentinas suspendem a ação de fluidos;
• Os experimentadores sentam-se ou ficam em pé ao redor da mesa, na ordem indicada em três, cuidando para que as cadeiras estejam longe o suficiente da mesa para que cada pessoa esteja isolada e não possa tocar seu vizinho ou a mesa com pés, braços ou roupas. A cadeia magnética é então formada da seguinte maneira: as mãos repousam sobre a mesa; os dedos estão espalhados de modo que o dedo mínimo da mão direita repouse sobre o dedo mínimo da mão esquerda do vizinho. As próprias mãos não devem se tocar;
• A partir desta hora esperar. É bom que os assistentes não cheguem muito perto dos experimentadores, porque qualquer contato interromperia a transmissão do fluido. Uma mão estranha que se interponha entre a corrente e mesmo sem tocá-la, basta para interrompê-la. Quanto mais os operadores fixarem e concentrarem a sua vontade e a sua ideia na experiência, mais ela será favorável e rápida;
• Os primeiros fenômenos que ocorrem são uma sensação de calor, como uma corrente através das mãos, braços e peito. Este sintoma é seguido por um formigamento nos braços e dedos. Agora a mão sobre a mesa sente uma sensação peculiar, como se o tampo da mesa se levantasse formando ondas, e logo depois o tampo começa fracamente primeiro, então cada vez mais visivelmente a oscilar e virar da esquerda para a direita. Sente-se perfeitamente o fluido saindo dos dedos e entrando na mesa. Se a cadeia continuar bem fechada, aumenta gradativamente a rotação da mesa;
• Quando a mesa começa a se mover, as cadeiras são removidas pelos assistentes nas quais os experimentadores estavam sentados. Então, em pé, segue-se a mesa, tomando cuidado para manter a corrente de mãos. Se a corrente for interrompida, seja pelo deslizamento dos dedos, seja pelo contato das roupas entre eles ou contra a mesa, o movimento mágico cessa imediatamente. Para restaurá-la, basta refazer a cadeia;
• O tempo necessário para o desenvolvimento do fluido quiro-elétrico varia de acordo com a maior ou menor suscetibilidade e atividade nervosa dos experimentadores. Em geral, são necessários quase 20, raramente mais de 60 minutos, e certamente não é demais sacrificar uma experiência tão surpreendente quanto empregar tão pouco tempo para produzi-la. Os efeitos produzidos nos próprios experimentadores também são muito variáveis. Alguns experimentam grande esgotamento e sonolência. Assim, vimos uma dama adormecer durante o experimento. Outros sentem um mal-estar geral e uma excitação nervosa tais, sendo obrigados a interromper a cadeia. Outros não experimentam absolutamente nada. Além disso, todos esses efeitos geralmente cessam assim que o experimento termina. No entanto, devemos dizer aqui que algumas pessoas nervosas preservaram, mesmo após o experimento, por um curto período de tempo, uma pequena sensibilidade.

Simultaneamente à ocorrência daqueles fenômenos, vivia na Europa um pedagogo francês que, diante de acontecimentos tão insólitos, se propôs a estudá-los em profundidade, sobretudo ao ser informado estarem as mesas não apenas girando, mas, surpreendentemente, se tornando “mesas falantes!”.

E quanto tinham elas a dizer! Eram os rudimentares porta-vozes dos Espíritos, habitantes do mundo imaterial, ao qual nós outros também um dia voltaremos, a promoverem, através das mesas, ruídos variados, escrevendo frases inteiras letra a letra, respondendo mil perguntas, para um público perplexo diante de evento tão incomum.

Como o Criador, por intermédio de Jesus, o nosso Governador planetário, transformou temporariamente uma peça de mobília tão básica em um instrumento para se conversar com os chamados mortos? Como uma simples mesa serviu de instrumento para fazer chegar aos homens uma multidão de ideias que iriam marcar indelevelmente a História desta Humanidade? 

As mesas girantes foram os elementos catalizadores do surgimento de uma revolução de conceitos, provocando o despertar do amanhecer de uma Nova Era para o nosso pequenino planeta Terra.

Foram os instrumentos de que inicialmente se serviram os Espíritos para descortinarem leis 
e princípios divinos, desconhecidos ou mesmo esquecidos pela grande maioria como atesta a História, e, depois de revelados, foram materializados em escritos, que a genialidade de Allan Kardec soube muito bem consolidar por meio da observação, registro, comparação e análise, elaborando após estas etapas conclusões pertinentes, culminando com a publicação em livros, abordando detalhadamente questões variadas sobre o mundo imaterial e seus habitantes.

Mais do que explicar onde estavam e o que faziam estas entidades desencarnadas, os Espíritos, as obras espíritas reviveram a moral do Cristo, que havia sido esquecida e deturpada.

Conseguimos a partir de então, recuperar em essência o entendimento dos preceitos e ensinos deixados por Jesus, possibilitando reviver aqueles gloriosos tempos, quando o Mestre de Nazaré por aqui esteve encarnado.

Os próprios Espíritos nos orientaram e explicaram como entrar seguramente em contato com eles. Consolidando estas orientações, Allan Kardec publicou o inigualável tratado sobre mediunidade: O livro dos médiuns. Nesta obra, o mestre de Lyon, catalogou inúmeros depoimentos e elucidações das chamadas almas, nos deixando um legado incomparável sobre como deve se dar a interação entre os dois mundos. A excepcionalidade do artifício empregado na época, com as mesas girantes e falantes, é um procedimento totalmente superado e não mais recomendado na atualidade.

Quanto devemos a estas singelas peças do mobiliário de qualquer moradia, presentes desde a mais rudimentar choupana, ao mais reluzente salão dos resplandecentes castelos europeus!

Agradeçamos a Deus, a Jesus, e a Allan Kardec esta dádiva oferecida, construída cuidadosamente, em seu início, por meio dos grosseiros ruídos, toscas pancadas, primitivas batidas, que se transformaram no mais reluzente compêndio de livros constituindo a inigualável Doutrina dos Espíritos.

Honremos o esforço do Codificador, bem como de incontáveis e valorosos médiuns espalhados pelo mundo de então, todo o aparato construído para oferecer à Humanidade obras de incomparável valor, nos ensinando como funciona a vida, de onde viemos, por qual razão aqui ainda nos encontramos, para onde vamos, por qual razão e como nos salvaremos e, finalmente, o que Deus espera de cada um de nós.

Assim sendo, mais do que simplesmente ler, estudemos as obras espíritas, incansavelmente, ininterruptamente, até o final de nossos dias desta nossa atual e nova existência. É o mínimo que podemos fazer em agradecimento. Entretanto, mais do que apenas conhecer o Espiritismo, folheando os compêndios doutrinários, se pudermos começar a vivê-lo, mesmo timidamente, em toda sua grandiosidade, em todo o seu esplendor, esta será, não há dúvida, a melhor forma de dizer: Obrigado por tudo Allan Kardec!
Rogério Miguez
rogmig55@gmail.com

REFERÊNCIAS:
[1] - Disponível em: http://www.febnet.org.br/blog/geral/noticias/efemerides-de-junho/ Acesso em: 26 abr. 2018.
[2] - Disponível em: http://gallica.bnf.fr/ark:/12148/bpt6k5438709d/f1n34.texteBrut Acesso em: 28 abr. 2018.
[3] - Deve-se considerar ser a descrição do autor não técnica, pois não determinou qual seria a temperatura média, bem como especificando um parâmetro que define a umidade do ambiente, em vez de temperatura.