quinta-feira, 14 de fevereiro de 2019

Artigo "Internet, redes sociais e os pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores" por Jorge Hessen


Para a apreciação criteriosa de todos, recebemos e compartilhamos a indicação do seguinte artigo, assinado por Jorge Hessen, reconhecido divulgador espírita, residente em Brasília, Distrito Federal.


Internet, redes sociais e os pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores"
por Jorge Hessen

Atualmente coexistimos com a volúpia da era digital e recebemos exageradas e detalhadas informações de dados pessoais que são fornecidos desadvertidamente aos bancos de dados virtuais e às diversas redes sociais da Internet. Tal realidade cibernética tem sido um verdadeiro MANÁ para as tramoias “mediúnicas” dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores.

É verdade!

De algum tempo para cá, venho recebendo e registrando considerável quantidade de insinuações advindas de pessoas honestas, porém indignadas, revelando-me as malandrices e ciladas “pseudopsicográficas” artificiosas provindo de alguns celebrizados pseudomédiuns nos territórios espíritas. Por esta razão, utilizo-me deste alerta, a fim de prevenir os confrades desavisados do Movimento Espírita Brasileiro. Faço isso por causa dos protestos de inúmeras pessoas, que expressam recriminações ponderadas, como testemunhas que abalizam indícios sobre os atos ardiloso da “psicografia” censurável.

Divulgo aqui o alerta, avaliando os episódios irregulares (e cibernéticos) contra os ilegítimos artifícios “psedomediúnicos” de “pseudopsicografias” praticados porpseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores.

Advirto que entre tais pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores existe os que oferecem livros “psicografados” para comercialização, alguns pseudomédiuns são proprietários de editoras inscritas com próprio nome e há os que não têm sequer um emprego fixo.

Existem os pseudomédiuns “injuriados e caluniados” que permanecem reclamando contra ilusória “perseguição” provinda de investigadores probos. Aliás, tais pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores (que deveriam estar nos cárceres), empregam os escudos protetores das ameaças judiciais contra os que o denunciam. Na verdade, sob delírio, ospseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores não conseguem ultrapassar o estereótipo de atores de tragicomédias e vêm arremessando no lixo a mediunidade dos médiuns sinceros, iludindo pessoas de boa-fé, valendo-se sempre do embuste das informações “pseudopsicográficas” advindas das redes sociais. 

O clímax das suas armadilhas ocorre através de representações e mímicas de camufladas “pseudopsicografias” advindas das redes sociais, sempre armadas nos tablados para shows de prestidigitações teatrais ornamentadas nos impregnados palcos das incautas instituições “espíritas” (ou não espíritas). 

A fartura dos subsídios de informações pessoais sobre a identificação do “morto” são previamente memorizados e esquadrinhados após serem extraídos das redes sociais da Internet.

O processo de memorização fica condicionada ao contexto de nomes, CPF, número do telefone, endereço, apelidos, sobrenome, alusão a times de futebol, preferências, gostos pessoais, frases e descrição de conduta de parentes e amigos que compõem um farto conjunto visivelmente transcrevidos das redes sociais (Facebook, WhatsApp, YouTube, Instagram, Twitter, LinkedIn, Pinterest, Google+, Messenger, Snapchat) eis aí as fontes da paródia “pseudopsicográfica” dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores..

Nada é mais cruel do que pessoas em luto receberem falsas notícias dos seus “falecidos” através das embusteiras informações (arrancadas da Internet) considerando os ridículos números de CPF’s, endereços e números de telefones dos “finados”.

Como disse, tais informações são públicas e estão disponíveis nos bancos de dados virtuais.

Conquanto alguns se “refugiem” na enganação do consentimento das “entradas francas” para seus shows de falcatruas, não conseguem disfarçar os capciosos projetos de arrecadação financeira, através das vendas de livros “psicografados” de conteúdo doutrinário não-confiável. Além disso recebem os generosos donativos destinados a hipotéticos fins de assistencialismo em nome de instituições, muitas vezes só de “fachada”, considerando que tais entidades não possuem inscrição estadual e nem CNPJ. Por isso mesmo e por motivos óbvios, os recursos financeiros doados são depositados em conta corrente particular. Isso é crime fiscal.

Sobre os embustes dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores, sugiro aos leitores que propaguem os seus gritos de alerta. Divulguem para seus amigos e dirigentes espíritas a fim de não convidarem tais embusteiros para eventos “psicográficos” de faz-de-conta. Até porque, os pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores cobiçam a fama, a popularidade e as vantagens pecuniárias.

Sem embargo, apesar deste alerta, se continuarem a convidá-los para o palco da psicografia de coisa nenhuma, eles prosseguirão com suas tapeações, iludindo, matando esperanças, destroçando os corações debilitados de mãezinhas e familiares sedentos de notícia do além para consolação de suas almas.

Este grito de alerta sobre as fraudes psicográficas dos pseudomédiuns, ambiciosos e mistificadores está devidamente amparado nas sugestões de Allan Kardec, portanto, prevaleço-me do crivo da razão doutrinária, da lógica, bem como dos conhecimentos estabelecidos pela Doutrina Espírita, que se apresentam como inadiável dever à minha consciência, visando às adequadas medidas de grito de advertência ao Movimento Espírita Brasileiro.

Não obstante os fatos supramencionados serem extremamente graves, por questão de JUSTIÇA é necessário separar o joio do trigo, urge, portanto, considerar o fato de que obviamente existem médiuns, em plena atividade mediúnica, exercendo suas tarefas com dignidade e compromisso com as diretrizes basilares e insuperáveis da Doutrina Espírita.

Porém, cabe destacar algumas características fundamentais destes médiuns psicógrafos honrados que podem ser convidados para suas casas espíritas. Eles consentem as pesquisas científicas a qualquer momento, aliás, desejam ser pesquisados; São médiuns incorruptíveis e exercem suas atividades nas Casas Espíritas idôneas; eles exercem dignamente suas profissões, vivendo de seus proventos profissionais ou os que estão aposentados vivem de seus salários; eles mantêm as suas tarefas conforme vivenciou e exemplificou Chico Xavier no Grupo Espírita da Prece em Uberaba/MG, sendo este o maior médium de todos os tempos.

Chico Xavier efetuava o atendimento das pessoas que o buscavam, uma a uma, consolando e expressando de forma respeitosa os recados advindos da espiritualidade e após o atendimento, culminava a reunião psicografando as cartas consoladoras, trazendo os “falecidos” para a terra nas notícias fiéis que confirmavam a nossa imortalidade.

Sala de Leitura: lançamento de "O Gênio Céltico e o Mundo Invisível" de Léon Denis


Mais um clássico da literatura espírita acaba de ser inserido no acervo da nossa Sala de Leitura: O Gênio Céltico e o Mundo Invisível" do célebre filósofo espírita Léon Denis, o apóstolo de Kardec.

Veja a apresentação da obra:

O GÊNIO CÉLTICO E O MUNDO INVISÍVEL

O último livro de Léon Denis, um dos grandes apóstolos do Espiritismo, que teve a missão de divulgar e engrandecer a Filosofia Espírita. Nesta obra o autor apresenta um minucioso estudo sobre os países célticos, a origem dos povos celtas e a estreita relação existente entre a sua religião — o Druidismo — e os fundamentos da filosofia espírita.

Além de uma importante documentação histórica, Léon Denis nos apresenta a ascendência espiritual que concorreu para a formação filosófica e moral dos franceses, descendentes diretos dos povos celtas.

Colaboraram no conteúdo da obra importantes Espíritos que viveram no solo francês, como Allan Kardec, Jules Michelet e Jehanne de Domremy (Joana d’Arc).

Além do teor histórico-cultural, pelo qual podemos conhecer a fundo as raízes da civilização celta — berço essencial para a formação da França —, Léon Denis nos leva a reflexões acerca do arranjo espiritual trabalhado para guardar valores superiores entre um povo e que mais tarde seria de extrema valia para que os franceses da Era Moderna recebessem a Terceira Revelação.

Um dos destaques da obra são as mensagens mediúnicas do Espírito Allan Kardec, inclusive aquela em que ele revela detalhes de um de suas reencarnações na Gália, em que era um druida — um sacerdote celta.

Clique aqui e baixe agora mesmo O Gênio Céltico e o Mundo Invisível.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

Kardec fraudado em Obras Póstumas


Desde de seu lançamento, o Projeto Cartas de Kardec (veja aqui) tem criado uma expectativa muito boa no movimento espírita, na esperança de que o acervo do Dr. Canuto Abreu, entre outras coisas, desperte ainda mais o interesse no estudo historiográfico do Espiritismo e com isso, a partir dessa riquíssima fonte de informação, ajude também a jogar luz sobre eventos relevantes e preencha lacunas a respeito de certas questões doutrinárias atualmente em controvérsia. E eis que o referido projeto já começa a nos oferecer extraordinários resultados, mesmo que se trate de revelações sobre episódios desagradáveis — no entanto, necessários para a reposição dos fatos.

O tema da vez são alterações de textos de Allan Kardec publicadas no livro Obras Póstumas, que foi editado por Pierre-Gaëtan Leymarie, conforme revelou Paulo Henrique de Figueiredo, coordenador do Projeto Cartas de Kardec, em palestra cujo vídeo está disponível no YouTube.

Confira o trecho em que Paulo Henrique relata a fraude sofrida pelo trabalho de Kardec:


O livro Obras Póstumas, como o próprio título sugere, é uma compilação de textos doutrinários de autoria de Allan Kardec, contando com mensagens dos instrutores espirituais colaboradores do Espiritismo e anotações pessoais do codificador espírita sobre os bastidores de suas pesquisas. A obra foi editada por Leymarie e publicada pela Sociedade Anônima (entidade criada para administrar e dar continuidade às obras espíritas de Kardec), duas décadas depois da desencarnação do pioneiro da Doutrina Espírita.



Obras Póstumas não foi pensado por Kardec; é, naturalmente, um trabalho de terceiros, neste caso de Leymarie — de quem se não se pode confiar, conforme o apurado histórico de seu modo de conduzir o movimento espírita na sucessão de Kardec (veja-se o caso das adulterações de A Gênese). Isso significa — infelizmente — que, doravante essa revelação de Paulo Henrique de Figueiredo, mais do que nunca, é imperativo que se leia Obras Póstumas com muito cuidado, analisando sistematicamente cada linha, comparando-a com o conjunto da obra kardequiana e observando o ensino universal dos Espíritos amigos da codificação do Espiritismo.


Pierre-Gaëtan Leymarie

Vamos aguardar a conclusão da catalogação do material do Projeto Cartas de Kardec e , tanto quanto possível, recuperar a veracidade dos textos  kardequianos para, enfim, uma reedição de Obras Póstumas, a partir dos manuscritos autênticos que estão sendo catalogados pela equipe responsável por esse trabalho.

O vídeo da palestra integral também pode ser acessada online. Confira:



OBS. Manteremos o ebook de Obras Póstumas disponível em nossa Sala de Leitura, onde emitimos o seguinte alerta:


ATENÇÃO: informações recentes sugerem que textos da autoria de Allan Kardec foram adulterados e inseridos nesta obra, pelo que, recomendamos sua leitura com o máximo de rigor crítico enquanto tais alterações sejam apuradas e a obra seja relançada.

E que venha logo a reedição de Obras Póstumas — sem fraudes.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

Sobre charlatões, milagres, varellas e outros efeitos colaterais do recurso mediúnico


Desde o final do ano passado (2018), quando estourou o caso dos escândalos de abusos sexuais do médium João de Deus (que, no entanto, declara-se inocente), tanto o Espiritismo assim como todas as correntes espiritualistas de alguma forma têm penado com a ignorância e, nalguns casos, o oportunismo, vindo da parte dos críticos de plantão, cujo procedimento comum é ajuntar num saco só tudo quanto possa ser usado para denegrir os valores espirituais e, evidentemente, é a Doutrina Espírita especialmente o alvo dileto destes críticos, pois, enquanto outros movimentos são vistos mais como expressões folclóricas (a exemplo do Candomblé e Umbanda), o kardecismo tem sua sistematização doutrinária e, por força de expressão, é a que teoricamente deveria se justificar em face dos abusos daqueles que praticam o mediunismo (leia-se: a prática desordenada da mediunidade).

E o assunto está rendendo. Seguindo o drama do espiritualista João de Deus e do dito dirigente espírita Maury Rodrigues da Cruz (veja aqui), vieram à tona outros escândalos envolvendo supostos médiuns e líderes religiosos. De repente, uma onda de "caça aos bruxos" se instalou no país. Em Belo Horizonte, por exemplo, um falso médium é preso por golpes financeiros enquanto oferecia "serviços espirituais" a idosa (veja aqui): Djalma Alves da Silva (55 anos) se declarava espírita, mas se utilizava até de "truques de mágica" para impressionar potenciais vítimas, conforme reportado pela imprensa. A brincadeira lhe rendeu R$ 280 mil somente de uma idosa. Mas há casos mais graves ainda...

Djalma e seus "serviços espirituais"

Em janeiro deste 2019 a "atração" foi o caso do médium suspeito de homicídio após cirurgias espirituais: segundo a reportagem do portal de notícias G!, pesa sobre o dito médium Antônio Miguel Rodrigues (55 anos) a acusação de responsabilidade pela morte de pelo menos três fieis que recorreram a ele para obter curas espirituais, na Bahia e em Goiás.

Antônio Miguel Rodrigues, médium acusado de homicídio

Mas, claro, de todos, o caso mais emblemático é o do médium de Abadiânia de Goiás, seja pela notoriedade internacional de que gozava João de Deus, seja pela extensão das apurações policiais até então: além da gravidade dos supostos abusos sexuais (estupro de vulnerável), as autoridades policiais investigam outras ilicitudes que lhe são atribuídas em denúncias feitos pelo Ministério Público de Goiás, incluindo lavagem de dinheiro, posse ilegal de armas e coação de testemunhas.

Armas e dinheiro não declarados encontrados em imóveis de João d Deus

A sequenciamento da exposição de casos semelhantes é comum em todos os ramos. É que uma acusação formal encoraja outras pessoas. Bastou uma única mulher desafiar o imenso prestígio de um homem conhecido mundialmente, tal como João de Deus, para que outras "vítimas" se despertassem para levar a público o drama de que dizem ter carregado por anos, sufocando uma revolta da qual não teriam coragem de expor senão depois de outros, até em função da falta de amparo diante da "autoridade" que a fama impunha àquele médium.


MEDIUNIDADE E SEUS EFEITOS COLATERAIS

A mediunidade é uma dádiva que Deus concedeu à humanidade a fim de por ela encarnados e Espíritos livres possam se confraternizar no entrono do nosso projeto evolutivo. Ela é naturalmente uma via probatória da espiritualidade, a sobrevivência da alma pós-morte e da grandeza da obra de Deus, sem a qual não teríamos concretamente como validar nossas aspirações maiores acerca da nossa vida imortal.

No entanto, como qualquer outro recurso valioso, a mediunidade enseja a charlatões as mais criativas ideias para se aproveitar da boa-fé alheia e buscar promoções diversas, inclusive financeira. Daí é conveniente esmiuçarmos bem as causas e os meios comuns explorados pelo charlatanismo, com o que tanto se ocupou Allan Kardec com o objetivo de prevenir os espiritas, pois então desde o tempo do codificador do Espiritismo que a exploração de escândalos envolvendo casos similares aos de que aqui tratamos já vinha causando grande estrago à doutrina dos Espíritos.

Saiba mais sobre charlatanismo pela Enciclopédia Espírita Online.

Apesar de ser uma atividade natural, provinda da próprio ordem do organismo humano mediante as leis comuns da natureza, a mediunidade quase sempre é ignorada e muito confundida com magia, milagre e misticismo. Logo, a cada caso de um falsário, é compreensível que as pessoas duvidem mais e afasta a ideia de se envolver com uma doutrina que se fundamente na mediunidade, como é o Espiritismo. Daí, elas ficam privadas do que justamente há de mais bela e salutar na mediunidade: propiciar reflexões sobre os conceitos filosóficos e morais que a espiritualidade oferece a todos como instrumento de adiantamento evolutivo.

Mas fora o prejuízo da divulgação doutrinária com os flagrantes de charlatões, há também entre os "médiuns autênticos" o perigo do exercício mediúnico, a começar pela possibilidade de fascinação, que pode arrastar os médiuns aos mais nocivos caminhos, dentro os quais supor-se "especial" e, movido pelo orgulho, vaidade e egoísmo, usar de suas faculdades para a promoção pessoal, enquanto que seu ministério mediúnico era o de servir ao bem comum e lhe pôr a prova o desinteresse pessoal, ou seja, a caridade. Ver O Livro dos Médiuns, Allan Kardec.

Também tentador, e infelizmente não raro, é a exploração apelativa que se faz de "espetacularizar" a mediunidade no afã de "chamar a atenção", de "despertar o interesse" dos leigos, como um recurso de propaganda da doutrina. Sobre isso, Kardec sempre alertou a negatividade dos resultados, pois quem entra no Espiritismo movido apenas pela vã curiosidade e pela fascinação causada pelo fenômeno só tende a ceder à euforia, como fogo de palha — que produz altas labaredas, mas que em pouco tempo se consome e apaga a luminosidade. Estes se tornam os "espíritas exaltados", que muitas vezes mais deturpam a propagação da doutrina do que mesmo ajudam na sua divulgação:
"A espécie humana seria perfeita se sempre tomasse o lado bom das coisas. O exagero é prejudicial em tudo. Em Espiritismo, inspira confiança bastante cega e frequentemente infantil em relação ao mundo invisível, e leva a aceitar-se com extrema facilidade e sem verificação aquilo cujo absurdo ou impossibilidade, a reflexão e o exame demonstrariam. Porém, o entusiasmo não reflete, deslumbra. Esta espécie de adeptos é mais prejudicial do que útil à causa do Espiritismo. São os menos aptos para convencer a quem quer que seja, porque — e com razão — todos desconfiam dos julgamentos deles. Assim, por causa de sua crença fácil, são iludidos por Espíritos mistificadores, como por homens que procuram explorar a sua fé. Haveria apenas meio-mal se só eles tivessem que sofrer as consequências. O pior é que, sem o quererem, dão armas aos incrédulos, que antes buscam ocasião de zombar do que se convencerem e que não deixam de imputar a todos o ridículo de alguns. Sem dúvida que isto não é justo, nem racional; mas, como se sabe, os adversários do Espiritismo só consideram de bom quilate a razão de que desfrutam, e conhecer a fundo aquilo sobre o que pensam é o que menos cuidado lhes dá."

O Livro dos Médiuns - cap. III, item 28.
Allan Kardec, codificador do Espiritismo

E, como dito, não é raro que os espíritas individualmente ou mesmo os centros espíritas e canais de divulgação da doutrina promovam verdadeiros espetáculos mediúnicos, muitas vezes exaltando e promovendo excessivamente o nome de médiuns, tratando-os como celebridades, quase ídolos, abdicando da missão primordial de disseminar o bom entendimento sobre a faculdade mediúnica, que é uma capacidade inerente ao organismo humano comum a todos nós.

É assim que temos visto a expansão de eventos apelativos vendendo a ideia de curas fáceis, quase milagrosas, mediante a intervenção de Espíritos curadores, enquanto a verdadeira cura fica obliterada — cura essa que é o autodescobrimento, a libertação individual a partir do desenvolvimento do intelecto e do desabrochar do espírito da caridade, portanto, a "cura da alma".


O OPORTUNISMO DOS MATERIALISTAS E ANTAGÔNICOS DA ESPIRITUALIDADE

É no ápice da exploração midiática desses escândalos que se levanta com mais vigor a voz dos antagônicos ao Espiritismo e demais correntes espiritualistas, especialmente os materialistas, dentre os quais alguns que se valem de seus diplomas acadêmicos e suas influências terrenas para vender ideias retrógradas e limitadas de um falso cientificismo e de uma exaltação tão ou mais acentuada que os mais fanáticos religiosos.

Um exemplo dessas vozes é a de um doutor celebridade que distribui pelas mídias sociais um vídeo rechaçando toda e qualquer ideia de espiritualidade pegando carona na má reputação de que sofre o médium João de Deus, vídeo esse que aconselharíamos não fosse visto para não dar audiência a essas vozes, mas, por força da necessidade de análise, aqui dispomos para apreciação de todos:


Ora, o charlatanismo e o charlatão sim devem ser expostos e rechaçados, inclusive a título de educação para prevenção de futuras vítimas. Também o Espiritismo estimula que os espíritas sejam bem atentos para distinguir o embuste e a verdadeira mediunidade. Mas daí, a partir de um falsário ou de um usurpador, você julgar todo a classe de médiuns e toda a faculdade mediúnica — e até toda a natureza espiritual — é de uma irresponsabilidade tremenda, indigna e cabível somente àqueles que se insinuam os "sabe-tudo", de quem julga conhecer todos os segredos da natureza.

Estas vozes, infelizmente, arrastam multidões e lhes privam de adentrar mais a fundo nas leis divinas e encontrar as autênticas respostas para os seus dramas pessoais, as soluções para seus conflitos psicológicos e a depuração de suas condutas. Assim foi que o cientificismo do século XX sufocou a difusão do Espiritismo na Europa e na América do Norte, onde se criou uma nova ordem científica, materialista, atendendo aos apelos imediatistas dos homens com a promessa vil de que a ciência do futuro daria a todos "cura"de todos os males físicos, psicológicos e materiais.


O SALDO FINAL

Todavia, como já tivemos oportunidade de dizer, apesar de todo o prejuízo momentâneo que a exposição desses casos incide contra o Espiritismo, o saldo final há de ser positivo a partir de certas providências que se possa deliberar para uma melhor compreensão acerca da mediunidade e, principalmente, para um melhor exercício dos recursos mediúnicos por parte daqueles que dispõem dessas faculdades. É o que se entende pela mensagem atribuída ao Cristo sobre "a necessidade dos escândalos, embora implique em pesadas responsabilidades sobre aqueles que os provoquem". Veja-se em O Evangelho segundo o Espiritismo, de Allan Kardec - capítulo VIII, especialmente os itens 11 a 21.

Que o necessário escândalo de hoje propicie uma nova ordem de atividade no meio espírita; que possamos estudar, compreender e melhor exercer a faculdade mediúnica.