segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Sala de Leitura: lançamento da Revista Espírita - coleção de 1866


Mais uma acréscimo considerável para nossa Sala de Leitura: Revista Espírita - coleção de 1866, de Allan Kardec.

A Revista Espírita, ou o Jornal de Estudos Psicológicos, foi periódico mensal lançado pelo codificador espírita em 1858, portanto, um ano após a publicação original de O Livro dos Espíritos, que é o marco inaugural da Doutrina Espírita. Através dessa revista, entre outras coisas, Kardec noticiava eventos da época relacionados com o Espiritismo, reproduzia matérias da imprensa francesa e do exterior, dava nota das atividades da Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas, expunha ensaios de teorias sobre os fenômenos mediúnicos e trocava experiências com correspondentes espíritas de toda parte do mundo. Era, enfim, o principal órgão de divulgação mensal para o movimento espírita.

Em nosso acervo, já dispúnhamos das coleções dos anos 1858 a 1865; agora, ofertamos a todos a tradução das edições da Revista correspondentes aos jornais de janeiro a dezembro de 1866.

Entre outras matérias preciosas deste anuário, destacamos:
  • a nota bibliográfica feita por Allan Kardec sobre o livro Os Quatro Evangelhos de Jean-Baptiste Roustaing (saiba mais...), na edição de junho daquele ano;
  • Um artigo interessantíssimo analisando a concepção vigente por alguns contemporâneos de que a mulher não teria alma (janeiro de 1866);
  • Uma reflexão mais lúcida sobre Maomé e o islamismo (agosto e novembro de 1866).

Imperdível essa coleção de 1866, pela qual podemos acompanhar o desenvolvimento progressista do movimento espírita daquela época.


Clique aqui e baixe agora mesmo a Revista Espírita - coleção de 1866.

sábado, 17 de novembro de 2018

"Louise, filha adotiva de Kardec e Amélie", por Charles Kempf


Reproduzimos a seguir um artigo da autoria de Charles Kempf (ver perfil no Facebook), grande estudioso e divulgador espírita francês.

Charles Kempf é natural de Thann, França, reside atualmente em Belfort, em seu país, mas há muito tem forte ligação com o movimento espírita brasileiro, especialmente desde que participou do CEI - Conselho Espírita Internacional, que mantinha ligação direta com a FEB - Federação Espírita Brasileira. Hoje, ele é presidente da FSF - Fédération Spirite Française (Federação Espírita Francesa).

Contextualizando algumas correspondências envolvendo o casal Amélie Boudet e Rivail (que mais tarde se tornaria Allan Kardec, o célebre codificador do Espiritismo), Charles Kempf nos dá a conhecer a história da pequena Louise, que o pesquisador denomina "filha adotiva" daquele casal, que não teve filhos naturais (quem sabe, por uma providência da espiritualidade, tendo em vista as ocupações que Rivail e Amélie teriam com a nova doutrina que abraçariam como missão maior de sua encarnação), mas que amorosamente se ocuparam dos cuidados paternais para com a menina, pelo que vemos nas preocupações que demonstravam com a educação da pequenina.

Charles Kempf

Como ocorreu os primeiros envolvimentos do casal Kardec com a petite Louise e como findou essa história? Acompanhemos a surpreendente narrativa de Kempf:


A pequena Louise, filha adotiva de Hyppolite Léon Denizard Rivail e de Amélie Boudet

Houve muitas especulações sobre a questão: porque Hyppolite Léon Denizard Rivail e Amélie Boudet não tiveram filhos? Até mesmo a afirmação de que teriam concluído um pacto de abstinência...

Os documentos originais encontrados recentemente lançaram luz sobre essa questão.

Em primeiro lugar, o casamento deles data de quinta-feira, 9 de fevereiro de 1832. Naquele dia, Hyppolite tinha 27 anos e Amélie 36 anos, o que era muito para a época. Também, na época de seu casamento, Hyppolite era "soldado do 61º Regimento de Infantaria de Linha, guarnecido em Rouen, Departamento do Sena Inferior".

Seu contrato de casamento não menciona nenhum pacto de abstinência.

Representação gráfica do casal Amélie e Rivail (Allan Kardec)

Em uma carta de Hyppolite dirigida a Amélie, datada de 20 de agosto de 1834, depois de uma viagem de carruagem de Paris a Lyon,onde Hyppolite ia visitar sua tia paterna Reine Matthevot (nascida Rivail), ele fala “das comodidades da viagem": "Na maior parte do caminho, tive o prazer de ter a companhia de uma criança de um ano no carro que, por seus gritos e cheiros, nos ofereceu uma pequena repetição da tarefa e me fez desfrutar antecipadamente dos encantos da paternidade."

Não há dúvida de que Hyppolite e Amélie consideraram a paternidade, mas a natureza provavelmente não lhes permitiu ter um filho natural.

Mas em outra carta de Hyppolite a Amélie, datada de 23 de agosto de 1841, quando Hyppolite estava novamente em Lyon para o funeral de sua tia Reine Matthevot, ele escreveu: "Abrace bem a minha pequena Louise, cuja escrita me fez muito prazer."

Em uma carta de 9 de outubro de 1841, de Paris a Château du Loir (lar dos pais de Amélie, onde Hyppolite e Amélie costumavam ficar de veraneio), Hyppolite escreve: "Beije minha pequena Louise por mim."

Carta do pai de Amélie na desencarnação de Louise

Em outra de 12 de outubro de 1841, Hyppolite escreveu mais especificamente: "Eu queria consultar Mariette esta manhã para saber o que se deveria fazer por Louise em caso de dificuldade, mas ela não retornou há dois dias; eu sei onde ela está, mas é um pouco longe; e seria difícil não dizer impossível vê-la a tempo. Se, no entanto, alguma coisa acontecesse, escreva-me logo enviando-me cabelos e eu a consultarei. No intervalo, penso que se deve cuidar para que ela não tome chuva; como você sabe, seria prejudicial para ela."

Esta carta é notável, porque mostra que Hyppolite e Amélie consultavam em Paris uma "sonâmbula" chamada Mariette, especialmente em caso de problemas de saúde, e que utilizavam até cabelos, enviados por carta, para ajudar a sonâmbula na psicometria. Entendemos melhor porque Allan Kardec escreveu mais tarde que o Magnetismo abriu o caminho para o Espiritismo. Além disso, esta carta indica uma saúde frágil da pequena Louise.

Carta de 15-08-1843 de Aachen para Château du Loir

Finalmente, numa carta de 15 de agosto de 1842, de Aachen a Château du Loir, Hyppolite é muito mais específico: "Aprendi com prazer que Louise trabalha bem à medida que avança na leitura e na escrita. Fiquei muito feliz com a sua pequena carta. Espero que ela possa ler a minha sozinha. Quanto ao cálculo, não deve ser negligenciado; mas na ausência do aritmômetro, é necessário usar fichas; você deve ter certamente nas caixas de jogos. Um exercício excelente e que ela deve começar a ser capaz, é de atribuir às fichas aos cartões de uma determinada cor um valor de 10 ou de 100. Assim, para fazer 345, precisa colocar 3 fichas de 100, 4 de 10 e 5 de 1. Ou seja, como segue + + + 0 0 0 0 1 1 1 1 1. Deve exercê-la ou a ler os números assim compostos, ou a compor outros ela mesma. Mas é claro que precisa começar com números pequenos e aumentar apenas gradualmente. Quando ela estiver bem familiarizada com este exercício, será preciso utilizar os algarismos, e fazê-la entender que os algarismos da primeira coluna a direita valem tantas unidades, os da segunda valem tantas dezenas ou fichas de 10 etc. Será necessário exercê-la, vendo um número escrito em algarismos, a compô-lo com fichas, e vice-versa."

Nós vemos claramente o "professor" aplicando os métodos de ensino de Pestalozzi que ele melhorou e completou!

Em 22 de outubro de 1843, Hyppolite menciona numa carta à Amélie, de Paris para Château du Loir: “Anexo está uma cartinha para Louise”. Infelizmente não temos o original desta cartinha que foi entregue por Amélie a Louise. Em 6 de novembro de 1843, Hyppolite escreveu para Amélie, de Paris para Château du Loir: "Beije minha querida Louise por mim e diga a ela que fiquei muito feliz com sua carta; mostrei-a a várias pessoas que ficaram muito satisfeitas."

Há outros elementos em uma carta de 16 de setembro de 1844, de Paris para Château du Loir, onde Hyppolite que fala da cama de Louise em sua residência em Paris, onde ele escreve: “Quanto a Louise, acho que ela aproveita bastante. Peço-lhe que cumprimente suas galinhas, as quais abraço de todo coração, e ela também.” Pode-se imaginar a menina vivaz no campo em Château du Loir, cuidando do galinheiro dos pais de Amélie. Em 27 de setembro de 1844, Hyppolite escreve: "Adeus, minha querida, abraça por mim minha boa pequena Louise, que, penso, se diverte de todo o coração."

Carta de 20/08/1834 sobre a paternidade

Essas cartas não deixam nenhuma dúvida sobre o fato que Hyppolite Léon Denizard Rivail e Amélie Boudet criaram e educaram uma menina chamada Louise, provavelmente adotiva, e a quem tinham dado o segundo nome de Jeanne Louise Rivail (nascida Duhamel), mãe de Hyppolite.

Mas essa alegria seria de curta duração. Em 29 de setembro de 1845, de Paris para Château du Loir, Hyppolite escreveu para Amélie: "Como você me dizia que se você não escrevesse para mim, seria porque Louise iria continuar melhorando, então espero que a melhora se confirmou: concebo tudo o que isso deve lhe causar tormento e fadiga, porquanto você precisava muito de repouso.” Os problemas de saúde da pequena Louise pareciam estar piorando.

 Carta de 15/08/1843, sobre aritmética.

Amélie retornou depois a Paris com a pequena Louise, e é numa carta do pai de Amélie (que desencarnou em 6 de julho de 1847 aos 79 anos) para Amélie, datada de 6 de dezembro de 1845, que apreendemos a morte da pequena Louise: "Eu não demorei para lamentar, minha querida Amélie, o evento infeliz que você anuncia na sua última carta; com o que você tinha escrito para nós e o que Mad. Gendron havia nos dito, eu esperava todos os dias receber essa má notícia: é muito triste e muito lamentável deixar a vida quando estamos apenas começando a aproveitá-la, enquanto outros que tiveram uma longa carreira poderiam terminá-la sem se arrepender tanto: como você me diz, não é da natureza do homem ser perfeitamente feliz, devemos nos contentar com a porção que nos é distribuída. Percebo o quanto isso deve ter afetado o Sr. Rivail, desejo que ele se recupere."

Consultamos os arquivos online do estado civil reconstituído de Paris, mas com a classificação pelo nome, não encontrei nenhuma Louise Rivail, nem Duhamel, nem Boudet, que morreu naquele período. Uma busca por data é necessária, e talvez possível nos microfilmes. Isso permitiria esclarecer qual era o nome dessa menininha, provavelmente adotiva.

Este episódio lança luz sobre o caminho difícil de Hyppolite Léon Denizard Rivail e Amélie Boudet no período antes da observação do fenômeno de mesas girantes, em maio 1855, que o fez declarar na Obras Póstumas: "Foi aí que, pela primeira vez, presenciei o fenômeno das mesas que giravam, saltavam e corriam em condições tais que não deixavam lugar para qualquer dúvida. Assisti então a alguns ensaios, muito imperfeitos, de escrita mediúnica numa ardósia, com o auxílio de uma cesta. Minhas ideias estavam longe de precisar-se, mas havia ali um fato que necessariamente decorria de uma causa. Eu entrevia, naquelas aparentes futilidades, no passatempo que faziam daqueles fenômenos, qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei, que tomei a mim estudar a fundo."

Os espíritas sabem o que se seguiu: o trabalho magistral da Codificação Espírita, de Allan Kardec, que hoje desfruta, depois de mais de um século e meio, dezenas de milhões de admiradores em todo o mundo, e que, ao mesmo tempo, abriu todo um campo de pesquisa científica sobre o mundo espiritual e consolou tantos corações feridos.

Muito obrigado Allan Kardec, muito obrigado Amélie Boudet!

Charles Kempf


sexta-feira, 16 de novembro de 2018

"150 anos de Ciência ao alcance do povo" por Rogério Miguez


Já desponta no horizonte os sinais do crepúsculo deste 2018, ano jubilar para o Espiritismo, em razão do 150° aniversário de lançamento de A Gênese, o quinto livro fundamental da codificação espírita, da autoria de Allan Kardec.

E como nunca é demais acentuarmos a importância dessa obra, relembremos um artigo a propósito, publicada na revista Reformador (FEB Editora), edição de janeiro deste ano, assinado pelo respeitado pesquisador espírita e nosso colaborador Rogério Miguez (São José dos Campos-SP):


150 anos de Ciência ao alcance do povo

A Gênese - os milagres e as predições segundo o Espiritismo, última obra do Pentateuco espírita, longe de ser vista como a de menor valor, materializou-se no mundo no ano de 1868, trazendo intensa e esclarecedora luz a todos os ávidos de entendimento das eternas questões mais próximas à Ciência.

Sim, a Filosofia e a Religião espíritas ganhavam a derradeira conotação fundamental, pois sem a contribuição da Ciência jamais se chegaria à fé raciocinada, condição tão pouco entendida pelas correntes do conhecimento religioso e filosófico de então, e porque não dizer de agora também.


Jamais se ajuizou que esta virtude teologal, a Fé, as outras sendo a Esperança e Caridade, pudesse ter a sua real sustentação em posições e explicações científicas, pois os dois ramos do conhecimento humano: Religião e Ciência, que vinham se digladiando ao longo dos séculos, e ainda o fazem, sugeriam ser inconciliáveis; água e óleo, se podemos nos expressar desta forma, jamais se misturariam, muito menos se entenderiam, afirmavam categóricos os mais eruditos.

O Codificador, auxiliado pelas inteligências do Universo, na figura de Espíritos superiores, todos coordenados por Jesus, consolida nesta obra conceitos científicos sobre a Gênese, os Milagres e as Profecias, isto em pleno século XIX, no âmago da cultura francesa, a mais intelectualizada da época.

Lança naquele caldeirão do saber a sua contribuição sobre Ciência analisada sob o ponto de vista da Doutrina dos Espíritos. O professor de matérias básicas de ensino na França, diretor de educandário, apresenta ao Mundo uma nova concepção de temas tão antigos quanto a nossa própria História, mas que permaneciam quase estagnados, prisioneiros pelo interminável duelo de forças polarizadas entre a Igreja e a Cátedra. Que desafio! Que coragem! Que confiança!

Discorre sobre as leis divinas, explicando-as, esmiuçando-as, investigando-as, traduzindo-as ao entendimento do povo, trazendo a lume aspectos jamais imaginados destas leis que existiram, existiam e sempre existirão unindo os dois campos até então inconciliáveis: Religião e Ciência.

Espírito e matéria encontram uma utilidade recíproca, um auxiliando o outro, nada se perdendo na grandiosidade das leis divinas, no grande laboratório do Universo. Tudo se encadeando e mutuamente se apoiando. Uma nova visão do antigo mundo a nos cercar se apresentou e quantas dúvidas elucidou? Como ampliou o estreito horizonte do pensamento de então!

A Gênese do mundo foi debatida, bem como a espiritual e a orgânica. Nós, Espíritos imortais, ganhamos conhecimento sobre nós mesmos, pudemos melhor entender o nosso corpo físico, que tanto nos ajuda na promoção de nossa própria evolução, e com este conhecimento temos novo enfoque sobre o mesmo, respeitando-o como insuperável empréstimo de Deus para, trabalhando com ele, alcançar a relativa perfeição, meta fatal a que chegaremos, mais hoje, mais amanhã.

Os milagres tão propalados da Antiguidade que fundamentavam e ainda lastreiam várias teorias obtusas e distanciadas da plena razão, usados para dominação das massas, foram desmistificados, desmaterializados, se podemos nos expressar desta forma, particularmente os chamados milagres produzidos pelo Meigo Carpinteiro.


O incrível e o deslumbrante se apagaram, dando lugar às explicações científicas, às razões da Ciência, comprovadas em grande número, posteriormente, por notáveis pesquisadores que se seguiram a Kardec, na esteira do Mestre. O Codificador havia aplainado o terreno, fornecendo as informações básicas e mostrando os caminhos por onde os cientistas da época, seguramente enviados de Deus, deveriam seguir para bem embasar as teses espíritas.

A reviravolta foi tamanha que nós pudemos nos reconhecer também como “Deuses”, capazes de realizar feitos “milagrosos”, o mais humilde de todos se viu como uma Divindade, pois aqueles tão divulgados prodígios nada mais representavam do que o resultado da atuação de leis divinas até então desconhecidas, e percebeu-se que estas, quando compreendidas e dominadas, facultam a qualquer Espírito sincero e confiante em Deus, a realização também dos seus particulares “milagres”. E muitos de nós os temos feito há bom tempo.


O Enviado de Nazaré não foi mais visto como um mágico vulgar, um prestidigitador comum, um embusteiro, como tantos já vistos e ainda presentes explorando as muitas misérias do povo. Jesus passou a ser visto na condição de um Espírito imortal como todos nós, contudo, já havia há bom tempo adquirido ciência dos mecanismos que regem a vida, sabia como manipulá-los em nome do Pai Excelso. Mostrou-nos Kardec que os cegos que passaram a ver, os paralíticos que passaram a andar e os leprosos que deixaram as deformidades de seus corpos no passado haviam sido curados por meio de providências naturais, atos de bondade e compaixão, sem que qualquer das imutáveis leis de Deus houvesse sido derrogada.

Por outro lado, as apavorantes profecias, que nos amedrontaram e continuam a amedrontar os que se recusam a estudar e aprender as leis do Eterno, perderam o seu caráter misterioso, assustador. Percebeu-se que com o conhecimento espírita qualquer um pode profetizar, ou seja, dizer o que acontecerá no futuro em grandes aspectos, pois já entende ser a semeadura de agora determinante para a colheita do amanhã. E isto não é a essência da profecia?


A gênese, este tratado de lições eternas, manancial de explicações e esclarecimentos, elucidador de variadas questões, está ao nosso alcance, das nossas mãos. Honremos estes 150 anos de sua existência e, simultaneamente, glorifiquemos o seu autor, lendo, estudando, esquadrinhando cada parágrafo, cada frase, cada palavra, retirando a seiva duradoura destes escritos, libertemos os seus ensinos, ainda prisioneiros e desconhecidos das grandes massas.

Neste ano em que se completa mais um aniversário do lançamento desta obra imortal, reverenciemos o esforço do Mestre Lionês, não deixando para amanhã, tampouco para a próxima reencarnação, o estudo deste extraordinário livro: A gênese.
Rogério Miguez

Fonte: Reformador, janeiro de 2018.

Baixe gratuitamente o ebook (PDF e ePUB) de A Gênese - Numa Linguagem Simplificada, tradução de Louis Neilmoris, na nossa Sala de Leitura.


terça-feira, 13 de novembro de 2018

Videopalestra: "Anjos Guardiões" com Cosme Massi


Nesta exposição, do conceituado divulgador espírita do Paraná Cosme Massi, encontramos bons subsídios para reflexão no entorno de um tema de grande interesse para nós, caminheiros do curso evolutivo: o papel dos "Anjos Guardiões", de que Allan Kardec tratou em O Livro dos Espíritos, capítulo IX, especialmente a partir da questão 489.

Então, desfrutemos das ideias de Cosme Massi e ampliemos nossos estudos sobre o tema proposto:


Agora é com você: ajude na divulgação do Espiritismo compartilhando esse post com seus familiares e amigos!

quarta-feira, 7 de novembro de 2018

Série Poesia Espírita: "Deus" do Espírito Antero de Quental


Depois do lançamento da série Poesia Espírita, com o poema "Supremacia da Caridade" ditado pelo Espírito Casimiro Cunha (veja aqui), noticiamos a produção de mais um vídeo desta coleção, desta vez contemplando o soneto "Deus", do Espírito Antero de Quental, também psicografado pelo inesquecível médium espírita Chico Xavier e publicado no clássico Parnaso de Além-Túmulo.

Antero Tarquínio de Quental (1842-1891) foi um escritor e poeta português do século XIX, natural de Ponta Delgada, ilha de São Miguel, da Região de Açores; foi também um importante personagem do movimento conhecido como Geração de Coimbra, ou Geração de 70, que promoveu grandes transformações culturais e políticas em Portugal.

Antero de Quental

Enquanto encarnado, grande parte da sua poesia deu enfoque especiais a questões metafísicas, na busca por um sentida da vida. Destaque para Sonetos de Antero (1861), Odes Modernas (1865), Primaveras Românticas (1872) e Sonetos Completos (1886). Na condição de Espírito, integrou o grupo de poetas que contribuiu para a publicação da primeira obra literária de Chico Xavier: Parnaso de Além-Túmulo (1932).

O soneto "Deus", é em suma uma oração de louvor, um reconhecimento da grandeza do Criador, e para o próprio autor, uma resposta para as próprias inquietações, de quem perambulou pela vida carnal e não se satisfez com as teologias elaboradas pelos homens, vindo a achar na espiritualidade a consagração de uma ideia instintiva da realidade do Pai Celestial. Daí porque que nos apraz compartilhar esta edição, narrada por Ery Lopes, dentro da série Poesia Espírita.

Confira:


Gostou? Compartilhe e ajude a divulgar o Espiritismo.

terça-feira, 6 de novembro de 2018

Eventos Espíritas: programe-se e participe!


Veja a programação completa na página Eventos Espíritas.

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Projeto Cartas de Kardec: respondendo às dúvidas



Há tempos estudiosos espíritas aguardam pelo histórico acervo espírita reunido pelo Dr. Canudo Abreu no século passado, para o qual ele vasculhou a França e até outros países, inclusive o distante Japão, a fim de recuperar originais da obra de Allan Kardec (saiba mais...). Então, tivemos esse ano a grata notícia de que tal acervo seria finalmente catalogado e disponibilizado para o público interessado, mediante parceria entre os familiares herdeiros do Dr. Canuto e a FEAL - Fundação Espírita André Luiz, que, para isso, lançaram o projeto denominado Cartas de Kardec (veja aqui).

E para satisfazer a possíveis dúvidas sobre o projeto, a própria equipe encarregada desse trabalho elaborou uma seleção de questões e respectivas respostas, que a seguir compartilhamos:


Porque devemos recuperar a memória espírita?
Em outubro desse ano foi lançado o Projeto Cartas de Kardec, uma parceria da Fundação Espírita André Luiz com o Instituto Canuto Abreu, que tem como objetivo garantir a preservação de um material que guarda a memória do Espiritismo, um acervo com 740 manuscritos inéditos escritos por Allan Kardec e outros nomes relevantes da história do espiritismo como: Amélie Boudet, Léon Denis, Gabriel Delanne e Camille Flammarion. Nesse precioso material, Allan Kardec revela os bastidores, a intimidade, a verdadeira história do espiritismo, sendo possível conhecer o lado humano e familiar de Allan Kardec. Pensando no grande significado desse acervo para a humanidade e nas etapas necessárias para recuperar e tornar público esse extraordinário legado, reunimos detalhes do Projeto Cartas de Kardec esclarecendo as principais dúvidas.

Quais foram as orientações com este material tão importante?
Canuto Abreu reuniu uma biblioteca de obras raras, algumas do século 16, e muitos livros espíritas e espiritualistas do século 19, inclusive originais de Allan Kardec. Ele recebeu também a missão, antes da segunda guerra, da guarda de quase 800 manuscritos de Allan Kardec, cartas enviadas e recebidas, pensamentos, evocações, preces, mensagens dos espíritos. Em 1858, pediu ao Chico Xavier, seu amigo, a possibilidade da orientação dos espíritos sobre como proceder com esse legado. Emmanuel mandou-lhe uma mensagem longa, sugerindo que se dedicasse ao menos duas horas por dia até transcrever, traduzir, fazer notas e artigos contextualizando as cartas, para que chegassem ao público esclarecendo, recuperando os ensinamentos originais. Essa missão foi transmitida à sua filha, depois ao neto, Lian. Por fim, a família confiou essa tarefa à FEAL, por meio do Centro de Documentação e Obras Raras.

Qual foi a trajetória desses manuscritos e por que eles só vão se tornar públicos agora?
Há uma longa história que será contada a partir dos próprios documentos e declarações encontrados entre os guardados de Canuto Abreu. Allan Kardec, em diversos trechos das Revistas Espíritas, declarou que estava preparando o que chamou de arquivos do Espiritismo, para que os pesquisadores futuros pudessem contar essa história baseada em fatos documentais e não em lendas e tradições. Ele disse que seria preciso dar valor aos verdadeiros precursores e dedicados trabalhadores da doutrina, e denunciar quem entravou o caminho por seu orgulho e ambição. Mas o medo de que esses fatos fossem revelados ao público colocou em perigo esses arquivos. Parte deles foram queimados. Quase foram roubados pelos invasores nazistas em Paris. Salvos por um dedicado pesquisador brasileiro, receberam a dedicação do trabalho de Canuto Abreu para preparar as transcrições e traduções de que foi incumbido. Sabia que no futuro tudo seria revelado. Esse momento chegou! E precisamos nos mobilizar, unir as mãos, reunir esforços e recursos, para dar uma conclusão feliz à essa gloriosa saga!

Como podemos acreditar na veracidade das cartas?
Essa questão é muito importante. Já temos documentos dos principais personagens que escreveram as cartas, documentos lavrados em cartório na França, como o testamento manuscrito de Allan Kardec. Essas referências servirão para atestar a identidade autoral pelo exame pericial grafoscópico. Esse procedimento garantirá que se trata de documentos originais.

O papel da Fundação Espírita André Luiz neste trabalho?
A FEAL vem se dedicando por décadas à sua missão de divulgar o Espiritismo. Criou a rádio, TV, editora, divulgação pelas redes sociais. Sua diretoria voluntária, não remunerada, não mede esforços para servir aos seus encargos. Podemos dizer que a tarefa aparece quando o trabalhador está pronto. É inevitável constatar que toda essa ampla recuperação do legado espírita está sendo conduzido pela espiritualidade, pois as iniciativas surgem de diferentes pontos, por pessoas livres de qualquer compromisso material, em diverso países. Nos parece que há certa semelhança, em menores proporções, ao evento do surgimento do Espiritismo. União dos dois planos, para restaurar os ensinamentos originais dos espíritos superiores. Cada colaborador é um pequena parte desse todo. Todos são importantes.

O que representa a recuperação desses documentos?
Há uma certeza que o estudo do Espiritismo nos oferece de forma inequívoca, a de que o nosso planeta Terra será um mundo feliz. Isso não ocorrerá por cataclismos e destruições, mas pela adesão voluntária de cada alma à seara do bem. Recuperar, unidos, o legado de Allan Kardec será um símbolo do poder da solidariedade e da cooperação. Pois essas serão as ferramentas da regeneração da humanidade. Dar as mãos para essa tarefa é o próprio símbolo da caridade. Vamos juntos, somos muitos!

O que o projeto engloba?
Além das coordenações de digitalização, catalogação e higienização, o Centro de Documentação e Obras Raras conta com uma coordenação acadêmica, liderada pelo doutor Brutus Abel, professor do ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica), também Simoni Privato, e muitos outros professores. A tarefa será de conferir o trabalho de Canuto, fazer as transcrições e traduções que faltam, preparar notas, e publicar uma série de livros contento todo o legado de Kardec, em edição bilíngue, acrescentando os manuscritos às obras e Revistas Espíritas, formando assim as obras completas de Kardec, aquisição definitiva do Espiritismo. Esse projeto é de longo prazo, minucioso, pois se trata de um arquivo histórico e doutrinário previsto por Kardec para fazer parte de sua obra.
Todavia, atendendo ao interesse dos espíritas em conhecer o conteúdo dos manuscritos, alguns temas serão escolhidos, cartas separadas, e apresentadas em livros temáticos, contando a história recuperada do Espiritismo e esclarecendo conceitos fundamentais que foram esquecidos no último século.
Por fim, esses fatos inéditos, determinantes para a compreensão da história, precisam chegar ao grande público, por meio de documentários, que registrem os fatos documentados, para que não encontrem concorrência das lendas, que surgem dos boatos, quando não há um esclarecimento sério. Essa tarefa está determinada na constituição do CDOR – FEAL.

Um Memorial do Espiritismo faz parte desse projeto?
O acervo de Canuto Abreu e outros materiais espíritas que estão chegando ao Centro de Documentação e Obras Raras precisam de um lugar físico para serem acessados, uma biblioteca especializada, com as obras raras, para isso será criado um Memorial do Espiritismo. Uma casa cultural para divulgação do legado de Allan Kardec. Com local para palestras, cursos, assessoria à pesquisa acadêmica, além de biblioteca e um museu temático.

Na série de livros terão todas as cartas?
Os livros de divulgação tratarão de temas específicos, oferecendo as cartas correspondentes. Mas todo o conjunto de cartas fará parte de uma coleção de obras, divididas por anos em seus volumes, para o estudo dos espíritas e interessados. Além disso todo esse material será disponibilizado pela internet.

Como e quando as pessoas terão acesso a esses manuscritos?
Estamos vivendo um momento histórico, quando parte do legado de Kardec foi recuperado e se estabeleceu o compromisso de tornar tudo público. O acesso, em nosso tempo, quando a rede liga todos os lares, será por meio de um site com mecanismos de busca e pesquisa em todo o acervo. Contará com obras raras digitalizadas, os manuscritos transcritos e traduzidos, com notas e artigos. Também uma biblioteca iconográfica. Tudo servirá de apoio ao estudo, à pesquisa, à elaboração de artigos, aulas, palestras. Quando os lotes de documentos ficarem prontos, cronologicamente reunidos, já será franqueado o acesso ao público, completando-se o acervo progressivamente, até tudo estar disponível. Ao mesmo tempo, serão feitas as publicações em livros.

Por que as cartas ainda não foram divulgadas?
As traduções são complexas, pois precisam respeitar os termos próprios da doutrina espírita, o cenário cultural de quando foram escritos, além do conhecimento especializado do francês do século 19. Há também a transcrição do texto manuscrito, que também respeita a forma de se escrever à pena na época. Por fim, sem notas explicativas e artigos, será difícil ao público compreender os valores e informações esclarecedoras dos documentos. Por isso, foi absolutamente necessária a instituição de uma coordenação acadêmica. Todavia, alguns temas serão trabalhados em livros de divulgação, mas todos os documentos serão validados pela coordenação acadêmica. Para respeitar esses fundamentos, precisamos aguardar o tempo necessário. Sempre lembrando que estamos trabalhando num legado que se tornará definitivo quando estiver completo. No futuro, quando o Espiritismo estiver compreendido e o mundo regenerar-se, o interesse por esse legado, os documentos originais e seu conteúdo, será um patrimônio inestimável da humanidade! Aí virá o reconhecimento à obra de Allan Kardec, Amélie Boudet, Berthe Froppo, Gabriel Delanne, Léon Denis, Henri Sausse, e tantos outros pioneiros.

Qual a necessidade de um investimento tão alto, não é somente digitalizar e publicar?
A FEAL, para tornar realidade esse sonho, já fez enormes investimentos em estrutura, especialistas contratados, equipamentos, pessoal de apoio. Há também, além desse investimento inicial, os custos de manutenção mensal dos trabalhos. Quem conhece os bastidores de projetos culturais como esse sabe o custo e a dedicação para instituir a infraestrutura, planejamento e execução necessários para dar os resultados esperados. Quando chegar o momento de publicar, a excelência das traduções, notas, artigos, refletirá o cuidado envolvido nesse preparo anterior. Além disso, todo o acervo está sendo transformado em documento digital, garantindo sua preservação para sempre. Os laboratórios, além disso, serão utilizados para preservar materiais além do inicial, de Canuto Abreu, como o de Herculano Pires, Jorge Rizzini, Francisco Cândido Xavier, e muitos outros. Uma obra grande, mas exequível, pelo investimento inicial fundamental já despendido pela FEAL, e o apoio de todos que abraçarem essa meta. Muitos voluntários, profissionais especializados, estão chegando ao CDOR, colaborando com seu trabalho para que os objetivos sejam alcançados. Somente um trabalho em grupo, solidário, cooperando com o pouco que cada um puder, faremos valer a vontade de Allan Kardec, reunindo seu legado e levando ao mundo. A própria causa espírita está em promover a solidariedade e cooperação pelo esforço voluntário. Este sonho não poderia seguir por outro caminho, senão esse! É uma obra de todos nós, de todos que decidirem fazer parte dando sua ajuda.

E a equipe que está neste processo são só voluntários ou temos especialistas?
Os laboratórios são coordenados por profissionais contratados, especializados em documentação digital e tratamento de obras raras. Possuem extensa experiência em projetos museológicos e acervos. Esse passo foi fundamental para qualificar o trabalho, à altura da importância desses documentos. Todavia, aos poucos, a equipe está se formando, com historiadores, professores, tradutores, voluntários especializados, trabalhando de segunda a sexta, das 8 às 18 horas. Todos trabalham com luvas, máscaras, com equipamento especializado. Os documentos estão sendo preparados para chegar adequadamente conservados ao futuro.

Por que as pessoas devem participar?
Participar desse projeto é uma oportunidade, mesmo uma honra. É difícil perceber os rumos da história no momento em que ela se desenvolve. Mas, neste caso, os caminhos são claros. O Espiritismo originalmente proposto por Kardec, a partir dos ensinamentos dos espíritos superiores está sendo recuperado. E é gratificante verificar que isso está acontecendo pela participação voluntária de todos que desejarem. Qualquer pequena ajuda será útil e necessária. E temos a garantia da experiência e idoneidade de uma grande instituição sem fins lucrativos, a FEAL, unida às Casas André Luiz, entidades que por décadas deram o testemunho de sua dedicação à causa espírita. Dar as mãos é a tarefa de agora. Para depois usufruirmos da divulgação do Espiritismo como Kardec desejava que fosse feito. Com recursos que nem se imaginava naquela época. Tempos novos, novas tarefas. Levar ao mundo a Doutrina Espírita e sua verdadeira história será uma conquista inevitável, pois é uma tarefa muito maior que todos nós.

Qual a impacto desse conteúdo para a compreensão do Espiritismo?
Haverá significativo ganho de entendimento não só da história do Espiritismo, base fundamental dessa recuperação, mas também de elementos basilares da Doutrina Espírita. Quase nada se sabia sobre a vida, personalidade, opiniões pessoais, e os diálogos entre espíritas, e com os espíritos. Agora um novo panorama se abre nesse campo do conhecimento. O dia a dia da elaboração de sua obra, o passar dos anos, a dedicação aos que pediam ajuda, os cuidados com a saúde, as dificuldades, sofrimentos, derrotas e vitórias. O ser humano Kardec, expressando sentimentos. Vamos conhecer seu bom humor, seu otimismo inquebrantável, seu rigor absoluto com o método, o respeito pelos simples. A dedicação de quem trabalhou mais de 18 horas por dia. Também vamos conhecer aqueles que entravaram o caminho, seja por ignorância, ambição ou pensamento equivocado. Pois toda grande obra enfrenta grandes obstáculos. Será como se uma janela aberta para o passado, de onde vamos admirar o relacionamento do casal Rivail e Boudet. Todos esses fatos permitirão recontar a história de Kardec e do Espiritismo, seja por artigos, livros, documentários, filmes. Estamos dando os primeiros passos, e todos estão convidados a ajudar.

Qual a impacto desse conteúdo para a compreensão do Espiritismo?
Haverá significativo ganho de entendimento não só da história do Espiritismo, base fundamental dessa recuperação, mas também de elementos basilares da Doutrina Espírita. Quase nada se sabia sobre a vida, personalidade, opiniões pessoais, e os diálogos entre espíritas, e com os espíritos. Agora um novo panorama se abre nesse campo do conhecimento. O dia a dia da elaboração de sua obra, o passar dos anos, a dedicação aos que pediam ajuda, os cuidados com a saúde, as dificuldades, sofrimentos, derrotas e vitórias. O ser humano Kardec, expressando sentimentos. Vamos conhecer seu bom humor, seu otimismo inquebrantável, seu rigor absoluto com o método, o respeito pelos simples. A dedicação de quem trabalhou mais de 18 horas por dia. Também vamos conhecer aqueles que entravaram o caminho, seja por ignorância, ambição ou pensamento equivocado. Pois toda grande obra enfrenta grandes obstáculos. Será como se uma janela aberta para o passado, de onde vamos admirar o relacionamento do casal Rivail e Boudet. Todos esses fatos permitirão recontar a história de Kardec e do Espiritismo, seja por artigos, livros, documentários, filmes. Estamos dando os primeiros passos, e todos estão convidados a ajudar.

Vai ser possível conhecer com mais profundidade a personalidade do codificador espírita?
Finalmente vamos conhecer Allan Kardec, descobrindo que ele viveu em seu cotidiano a mensagem que escreveu em seus livros. Ele exerceu a solidariedade naturalmente. Trabalhou para ver surgir a regeneração da humanidade por um esforço diário exaustivo. Não foi um pesquisador de gabinete, mas se correspondeu com milhares de pessoas, atendeu em Paris tantas outras, viajou por diversas cidades, enfrentou resistências, esclareceu, auxiliou, dialogou com espíritos. Abandonou o conforto de uma vida familiar, depois de ter cumprido sua missão como educador, para nos legar a doutrina da liberdade. E agora conheceremos os fatos dessa maravilhosa narrativa histórica.


O projeto Cartas de Kardec pode ser acessado pela fanpage no Facebook e as contribuições podem ser efetuadas no site Catarse.

segunda-feira, 5 de novembro de 2018

Enciclopédia Espírita Online: lançamento do verbete "Banner of Light"


Trazemos ao conhecimento de todos o lançamento do verbete "Banner of Light" na nossa Enciclopédia Espírita Online, contemplando assim o valor histórico daquele que foi o pioneiro e o mais influente periódico de seu tempo exclusivamente dedicado ao movimento Espiritualismo Moderno.

Veja o resumo do verbete:
Banner of Light (tradução livro do inglês: Bandeira de Luz) foi um periódico americano, lançado em 1857 e publicado semanalmente até 1907, o pioneiro a tratar exclusivamente do movimento conhecido como Espiritualismo Moderno, do qual se originou o fenômeno das Mesas Girantes; foi também o jornal espiritualista mais influente na América de seu tempo. Seu conteúdo básico era formado por notícias de manifestações espirituais espontâneas ou de experimentações mediúnicas, apanhados da reportagens e críticas da imprensa em geral, artigos relacionados àquele fenomenologia e artigos de proeminentes estudiosos espiritualistas.

O novo verbete ressalta a relevância histórica do Banner of Light para a documentação daquele fenomenologia espiritual do século XIX, que serviu de precursor para o surgimento da Doutrina Espírita codificada por Allan Kardec, cujo acervo foi recuperado digitalmente e se encontra livremente disponível pelo link oferecido na página do verbete.

Acesse agora mesmo o verbete Banner of Light.

domingo, 4 de novembro de 2018

Sala de Leitura: lançamento de "Roma e o Evangelho" de D. José Amigó y Pellícer


De repente, a Espanha, uma nação erguida e sustentada por uma tradição secular de absoluta dominação sob os auspícios do catecismo católico, vê-se invadida pela fenomenologia do Espiritualismo Moderno e, por conseguinte, pelas luzes da Doutrina Espírita. Mas todas essas novas ideias não apenas causava espanto como também ameaçam o poderio do clero da igreja romana. Daí, um grupo formado por seletos pensadores (sacerdotes, filósofos e cientistas) tomou a resolução de perscrutar rigorosamente as proposições espíritas para, com conhecimento de causa, poder apresentar uma refutação grave e substancial contra o que se pensava ser uma grande fraude e heresia. Ocorreu, no entanto, que a seriedade e a justeza desses estudos e suas honestas experimentações levaram aquele grupo não apenas a reconhecer a autenticidade das manifestações mediúnicas e a lógica e adequação da revelação espírita como também a declarar abertamente a necessidade de a humanidade considerar a realidade dos novos tempos que se inaugurava com o Espiritismo. Desse grupo então nasceu o Círculo Espiritista Cristão de Lérida, na Catalunha, do qual era líder o notável eclesiástico D. José Amigó y Pellícer.

Em consequência disso, nasceu a obra Roma e o Evangelho, uma compilação dos estudos, pesquisas e experimentações mediúnicas daquele grupo de pensadores. Por isso, é com satisfação que anunciamos a inclusão deste livro na nossa Sala de Leitura.

Veja a sinopse:

Compilação contendo a síntese dos estudos filosófico-religiosos e teórico-práticos feitos pelo Círculo Cristão-Espiritista de Lérida, na Espanha, publicado em 1874. Notáveis clérigos, filósofos, teólogos e pesquisadores diversos, tendo comprovado a veracidade dos fenômenos mediúnicos e apreciado as luzes da revelação espírita, renunciam às velhas tradições e se postam conforme a própria consciência que lhes atestavam o Espiritismo como o verdadeiro Evangelho de Jesus, em contradição ao dogmatismo da Igreja Romana.
Esta obra é uma apanhado histórico das descobertas desse seleto grupo de pensadores, bem como uma excelente síntese da mensagem espírita, além de conter várias psicografias colhidas nos ensaios mediúnicos daquele Círculo.

Além do relato histórico da fundação do Círculo Espiritista de Lérida, o livro traz uma coleção de mensagens psicografadas e assinadas por venerandas entidades, tais como Maria de Nazaré, João Evangelista, Santo Agostinho , Lamennais e o próprio codificador do Espiritismo: Allan Kardec.

E só para se ter uma ideia da qualidade das mensagens recebidas e inseridas em Roma e o Evangelho, peguemos o seguinte trecho, de uma psicografia assinada pelo Espírito do célebre teólogo francês Lamennais:
Se ouvirdes dizer que o Evangelho de Jesus é a guerra e o derramamento de sangue, eu vos digo em verdade que esse é o Evangelho dos rancorosos e vingativos, mas não o de Jesus, que amou os homens e lhes pregou a paz. 
Se vos disserem que o Evangelho é o fausto, as riquezas e as comodidades dos ministros da palavra, eu vos digo em verdade que esse é o Evangelho dos mercadores do templo, mas não o de Jesus, que recomendou aos seus discípulos a pobreza de coração e o desprendimento dos bens da Terra.
Se vos disserem que o Evangelho é a água, as mãos levantadas ao céu, as pancadas no peito, as formas e o culto externo, eu vos digo em verdade que esse Evangelho é o dos hipócritas, mas não o de Jesus, que recomendou o amor e a adoração a Deus em espírito e em verdade.
Se vos disserem que o Evangelho é a resistência às leis e aos princípios que governam os povos, eu vos digo em verdade que esse é e Evangelho dos rebeldes e ambiciosos, mas não o de Jesus, que mandou dar a Deus o que é de Deus, e ao príncipe o que é do príncipe.
Se vos disserem que o Evangelho é a intolerância, o anátema, a perseguição, a violência e o ódio, eu vos digo em verdade que esse é o Evangelho da soberba e da ira, mas não o de Jesus, que rogava ao Pai de misericórdia pelos seus mortais inimigos. 
Tudo isso foi dito ao povo acerca do Evangelho. Por que estranhais que João fale assim dos doutores e ministros da palavra? Porventura julgais que João venha dissimular e esquecer a verdade, que há de ser o alimento espiritual do povo? 
Em verdade vos afirmo que vi aquilo que vos digo, e que vos falo em testemunho da verdade; porque o Evangelho é a verdade, minhas palavras são verdadeiras, em testemunho do Evangelho de Jesus, e o Evangelho de Jesus é o testemunho da verdade das minhas palavras.
Lammenais 
Então, não deixe de conferir mais esse lançamento.

Clique aqui para baixar agora mesmo Roma e o Evangelho.