Semana Santa 2026 - Cristo: de cordeiro imolado à realeza terrena, e outras reflexões para a Terça-feira Santa
Seguindo nossa programação para a Semana Santa 2026, vamos analisar a tradição para esta Terça-feira Santa.
Se você não viu nossas postagens anteriores, convém conferi-las, para uma boa contextualização desta série especial:
- A simbologia do Domingo de Ramos.
- A ressurreição de Lázaro, a nova Páscoa e outras reflexões para a Segunda-feira Santa
Terça-feira Santa
Pela liturgia da Igreja Católica, a Terça-feira Santa exalta a pessoa do Cristo, o Messias divino na Terra, enviado para restaurar todas as coisas. Essa exaltação começa com a leitura do profeta Isaias (capítulo 49: versículos de 1 a 6), que, segundo a tradição cristã, prediz que Jesus seria esse enviado especial, escolhido já "antes de nascer".
Segue-se a isso trechos dos Salmos 70(71), que glorifica o "Rei obediente ao Pai" e que se deixa ser o "manso cordeiro conduzido ao matadouro", para a remissão do mundo.
Finalmente, na leitura evangélica, proclama-se as palavras de João, 13: 21-33. 36-38, que narra a passagem em que Jesus está à mesa com seus discípulos e anuncia que será entregue à justiça dos homens, antevendo que sua sentença será o caminho para o Calvário. Diante disso, ele conclui, falando de sua missão: "Agora foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele". Ao final dessa proclamação, Pedro compromete-se a defender o Cristo a todo custo, ainda que lhe custasse a vida; o Mestre nazareno, porém, adverte-o: “Darás a tua vida por mim? Em verdade, em verdade te digo: o galo não cantará antes que me tenhas negado três vezes.”
O manso cordeiro e Jesus
De fato, vemos a ligação explícita entre o símbolo do manso cordeiro do Antigo Testamento e Jesus, o personagem central do Novo Testamento; temos então o elo concreto entre a Primeira e a Segunda Revelação da Lei de Deus na Terra, que sanciona a transmutação — ou requalificação — do sentido da Páscoa: da libertação de um povo específico (os judeus) para a libertação individual, sem demarcação de qualquer natureza terrena (nação, gênero, cor, condição social etc.).
Os judeus fizeram por merecer uma proteção especial divina pelo voto de fidelidade que eles fizeram ao monoteísmo. É bem verdade que aqui e acolá eles fraquejaram, sendo por isso duramente punidos pelas dominações de outras nações, cuja luta permanece até hoje; mas bem lhes cabe o mérito de eles terem estabelecido a primeira e mais sólida cultura de adorar um único Deus. O codificador espírita, Allan Kardec, reconhece e confere esse mérito ao judaísmo:
No entanto, os judeus caíram no fanatismo e no orgulho de raça, a ponto de sequer reconhecer o seu próprio Messias, Jesus, a quem eles condenaram à humilhante e dolorosa pena da crucificação.
Era preciso, pois, restabelecer as coisas, instituir uma nova tradição. Com isso, o Cristianismo veio para marcar uma nova fase no nosso orbe; ele não rompe em definitivo e em absolutamente tudo com a Primeira Revelação: o Cristo vem sancionar o que é verdadeiro naquela tradição, e cumpri-la, inclusive, e dentre desse cumprimento da lei está o ato de depurar os seus abusos e instituir novos ensinamentos, acompanhando o progresso da Terra.
Sabemos, todavia, que até mesmo a Boa Nova do Cristo foi deturpada por inúmeros abusos e interesses, de modo que a palavra Cristianismo foi manchada pelas tradições igrejeiras, carecendo um adjetivo complementar — por exemplo, "Cristianismo verdadeiro" — para quando precisamos nos referir ao autêntico evangelho de Jesus. De perseguidos, os cristãos se tornaram os perseguidores; de vítimas a carrascos, e com feições ainda mais cruéis; semelhante aos sumos sacerdotes do velho judaísmo, que condenaram Jesus à cruz, os sumos sacerdotes do cristianismo tradicional estão até hoje martelando o Cristo com suas torpezas, pervertendo os ensinamentos do Salvador.
Mas nada de novo no front; tudo isto estava previsto, e foi predito pelo mesmo Jesus, que anunciou a vinda da Terceira Revelação, o Paráclito, o Consolador, a Revelação Espírita — enfim, o Espiritismo, que vem resgatar o verdadeiro Evangelho de Jesus e lhe dar prosseguimento.
E o final dessa história será a vitória do cordeiro — que é manso, humilde e bondoso, mas não fraco, passivo e inativo. Ao contrário, ele é a grande realeza da Terra, e esta, um dia, o reconhecerá em toda a sua glória.
Para saber mais sobre isso, para não ser engolido pela ignorância das convenções humanas e para não sair por aí negando o Cristo antes do cantar do galo, vale a pena se inteirar sobre o verdadeiro Cristianismo. À vista disso, nós então recomendamos especialmente o livro O Evangelho segundo o Espiritismo.
Por fim, sugerimos a todos a live especial transmitida para a Terça-feira Santa do ano passado, desenvolvendo tópicos como a Santa Ceia e a Páscoa cristã:
Fique conosco e acompanhe as reflexões sobre os demais dias desta Semana Santa.
Nota: além de estar dentro desse evento especial da Semana Santa, esta terça-feira 31 de março de 2026 também coincide com outras importantes marcações para o Calendário Histórico Espírita:
- Marco do surgimento do Espiritualismo Moderno: Em 31 de março de 1848, em Hydesville, Nova Iorque (EUA), as irmãs Fox travam o primeiro diálogo com o Espírito que perturbava a casa onde moravam, fato esse considerado o marco do Espiritualismo Moderno, que preparou o surgimento do Espiritismo.
- Nascimento de Eusápia Palladino: Em 31 de março de 1854, nasceu em Minervino Murge, Itália, Eusápia Palladino, notável médium de efeitos físicos.
- Desencarnação de Allan Kardec: Em 31 de março de 1869 desencarnou em Paris, França, Allan Kardec (Hypolite-Léon Denizard Rivail), o codificador da Doutrina Espírita.


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