Semana Santa 2026: a ressurreição de Lázaro, a nova Páscoa e outras reflexões para a Segunda-feira Santa


Dando sequência à nossa programação para a Semana Santa 2026, vejamos o que temos como subsídio para nossas reflexões nesta Segunda-feira Santa.

Se você não viu a nossa última postagem, é interessante conferir como nós espíritas tratamos as celebrações da Semana Santa, que, embora seja um evento próprio da liturgia católica, de alguma forma afeta todos nós. Saiba mais aqui.


Segunda-feira Santa

Na liturgia da Igreja Católica, o tema central é a simbologia da nova festa pascal cristã, cujo ápice é a chamada ressurreição de Jesus, então redefinindo o significado da Páscoa.

Originalmente, essa festividade vem da tradição judaica de celebrar a "passagem" (Pessach) — ou libertação — do povo hebreu da escravidão no Egito rumo à Terra Prometida, da qual Jerusalém é a capital. A partir de Jesus, porém, surge um novo tema: a ressurreição, isto é, a promessa de uma nova e superior passagem, da vida miserável na Terra para a "salvação" e desfrute das maravilhas do "Reino dos Céus".

O exemplo maior, é claro, será o que vai acontecer com Jesus no domingo seguinte ao Domingo de Ramos, e será lembrado como o Domingo da Ressurreição de Jesus, a nova Páscoa, a Páscoa cristã. Entretanto, antes desse ápice, a programação litúrgica da Segunda-feira Santa recorda uma espécie de "aperitivo" que estava por vir: a ressurreição de Lázaro.


A devoção de Maria, irmã de Lázaro

Narra o Evangelho de João (12) que a seis dias dos judeus comemoraram a sua Páscoa, Jesus foi a Betânia visitar seu amigo Lázaro — aquele que outrora havia sido "ressuscitado". Nesta nova ocasião, enquanto Marta (irmã de Lázaro) servia a ceia para o mestre nazareno, sua irmã Maria tomou "um arrátel de unguento de nardo puro" (leia-se: um perfume caríssimo) e ungiu os pês do Messias, numa forma de devoção a ela. Então Judas Iscariotes protestou, alegando ser um desperdício usar ele artigo valioso daquela forma, quando poderia ser gasto em "favor dos pobres".

O texto evangélico saliente que a intenção de Judas (aquele que vai trair Jesus) não era sinceramente por preocupação com os pobras, mas porque ele era "ladrão" e queria se aproveitar daquele bem  já que ele era o "tesoureiro" dos apóstolos.

Quanto ao ato de devoção da irmã de Lázaro, Jesus rebate Judas, dizendo assim: "Os pobres estão sempre com vocês, mas a mim vocês nem sempre terão." E então recomendou àquela mulher que guardasse o perfume para o dia da sepultura dele — mais um sinal de que ele seria morto em breve.


Maria, irmã de Lázaro, perfumando os pés de Jesus

Como dissemos na postagem precedente, aqui Jesus nos recomenda vivermos o presente sem desdenharmos o futuro, cientes de que as decisões que tomarmos hoje terão consequências — boas ou más — na vida espiritual.


A ressurreição de Lázaro

Contudo, a visita de Jesus a Lázaro nos parece ter outro propósito simbólico: enfatizar a vida futura. Ora, a dita ressurreição de Lázaro (João, 11: 1 a 46) não foi bem uma ressurreição, visto que ele não havia morrido de fato. Dizer o contrário seria ir contra a passagem bíblica que diz que "Só se morre uma vez" (Epístola de Paulo aos Hebreus, 9: 27), posto que Lázaro haveria de morrer um dia. Portanto, quando se fala nesse episódio, é preciso interpretar bem a narração e extrair a simbologia ali contida. Para começar, o próprio Jesus disse que a enfermidade do seu amigo não era mortal, e que ele apenas "dormia" (tratava-se de uma espécie de letargia); mais adiante, Cristo deixa que todos acreditem que Lázaro estava morte para "a glória de Deus" ser manifestada na tal "ressurreição".

Para quem quiser se aprofundar sobre o caso da ressurreição de Lázaro e outras mais narradas nos evangelhos, Allan Kardec destrincha esse "mistério" no capítulo XV do livro A Gênese, os Milagres e as Predições segundo o Espiritismo.


Clique aqui para ler online ou fazer o download.

Com efeito, o ponto crucial é que os sacerdotes judeus planejavam matar também Lázaro, junto com Jesus, porque "muitos dos judeus, por causa dele, estavam crendo em Jesus" (João, 12: 11). Isto é um símbolo do materialismo, das seduções do mundo, que querem matar o espiritualismo, aprisionando as pessoas aos valores materiais, porque isso é lucrativo para quem só pensa na vida física e despreza qualquer ideia de vida espiritual.

Em suma, a principal reflexão que oferecemos para nossos confrades nesta Segunda-feira Santa é sobre a vida futura, que Jesus veio demonstrar categoricamente, ressignificando o símbolo da Páscoa. E felizmente, hoje nós temos o Espiritismo para nos guiar em preparação para a jornada após a morte. Precisamos, pois, sair da caverna do materialismo e passar a viver o nosso hoje também em função dos valores espirituais — e isto sim é honrar o Cristo, e não com o bajulatório de rezas, cerimonial místico e sacrifícios sacramentais.


Por fim, sugerimos a todos a live especial transmitida para a Segunda-feira Santa do ano passado, desenvolvendo tópicos como a Santa Ceia e a Páscoa judaica:

Fique conosco e acompanhe as reflexões sobre os demais dias desta Semana Santa.


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