Dan Brown evoca imortalidade da alma em seu novo livro: 'O Segredo Final' ('The Secret of Secrets')
O escritor americano Dan Brown sacudiu o mundo literário em 2003 com o romance O Código Da Vinci, sendo aclamado pelos ateístas e antirreligiosos, por sua contribuição — involuntária ou não — ao movimento destes, em virtude de ele inspirar uma descrença generalizada em Jesus, na Bíblia, nas igrejas e, de uma forma em geral, em toda a espiritualidade. Todavia, em seu último lançamento, O Segredo Final (The Secret of Secrets], o romancista dá uma guinada no foco central do enredo que novamente envolve seu célebre personagem, Robert Langdon (um professor de Harvard, especialista em simbologia e cético declarado): agora, a temática dominante é a imortalidade da alma, e, por conseguinte, uma total desmontagem do paradigma materialista.
Enredo
No enredo de O Segredo Final, o professor Robert Langdon, viaja para Praga (capital da República Tcheca) a fim de participar de uma palestra inovadora ministrada por Katherine Solomon — uma renomada cientista noética e sua parceira romântica desde os acontecimentos de O Símbolo Perdido. Katherine está prestes a lançar um livro revolucionário, cujas descobertas sobre a natureza da consciência humana têm o potencial de abalar paradigmas científicos, filosóficos e religiosos estabelecidos há séculos.
Porém, pouco antes da divulgação dessas revelações, um assassinato brutal mergulha o evento no caos. Katherine desaparece misteriosamente, junto com o manuscrito que contém suas descobertas. Langdon, então, torna-se alvo de uma poderosa organização clandestina e passa a ser perseguido por um antagonista que parece ter saído diretamente das lendas mais sombrias da mitologia tcheca.
Na busca frenética por Katherine e pelos segredos ocultos no manuscrito perdido, a trama se expande de Praga para Londres e Nova York, conduzindo Langdon por um labirinto que entrelaça os limites da ciência de ponta, da neurociência, da noética e dos mistérios esotéricos. O protagonista se depara com uma conspiração envolvendo um projeto secreto capaz de transformar para sempre a compreensão humana sobre a própria mente.
A temática espiritualista
O foco central do novo enredo é a disputa ideológica entre o mainstreaming materialista que vigora na ciência atual versus o espiritualismo, em meio a uma corrida militar que visa usar recursos paranormais em proveito dos interesses de estado, inclusive a de espionagem.
Durante toda a obra, o ceticismo de Langdon é bombardeado por sua namorada, que lhe oferece uma série de argumentações positivas — com excelentes evidências históricas e científicas — em favor da ideia de que a consciência é uma coisa "não local"; noutras palavras, nós não somos o nosso cérebro nem nossa consciência está localizada na massa cerebral ou qualquer outra coisa material. Enfim, o ser — alma, espírito, indivíduo inteligente — é independente do corpo físico; logo, "a morte é uma ilusão", alega ela repetidamente.
Para Katherine, cada pessoa é uma espécie de aparelho de rádio, do qual o cérebro funciona como uma antena, a captar uma frequência transmitida pela consciência una do Universo — dando a entender que "somos todos um só indivíduo", como preconizado pelos panteístas (Ver Panteísmo).
A tese da Dra. Solomon é que o ácido gama-aminobutírico (também conhecido pela sigla inglesa GABA (Gamma-AminoButyric Acid) é o principal agente natural que inibe o cérebro de ter percepções extrassensoriais; mas que, dadas certas circunstâncias, a quantidade desse ácido por ser reduzida e parcialmente inutilizada, proporcionando assim os fenômenos anímicos (da alma) ditos "paranormais", também entendidos como sonambulismo ou mediunidade.
Katherine Solomon cita, com ênfase, reencarnação e outros tantos princípios que são perfeitamente compreendidos no Espiritismo; ela evoca como provas robustas da própria ciência as pesquisas acerca de marcas de nascença, precognição, telepatia excursões mediúnicas, experiências de quase morte (até mesmo mencionando o Dr. Raymond Mood e seu livro Vida Depois da Vida) e outras tantas pesquisas de laboratório mundo afora.
A sustentação da neurocientista é tão inquebrantável que Robert Langdon sequer consegue contra-argumentar; ao contrário, em todo o enredo ele parece ficar convencido da força avassaladora dessa verdade: a consciência não pertence ao corpo humano. Em suma, o materialismo é uma fraude.
Em certo ponto do livro, uma famosa citação de Tesla é reproduzida com reverência:
"O dia em que a ciência começar a estudar fenômenos não físicos, ela fará mais progressos em uma década do que em todos os séculos anteriores de sua existência."
Nikola Tesla
Entre a ficção e a realidade
Na ficção, a personagem Katherine Solomon é formada em Neurociência pela Universidade de Harvard, especialista em Noética (do grego nous = mente, intelecto) que, na vida real, é um ramo da Filosofia e uma disciplina científica que estuda os fenômenos da consciência, da mente, do espírito e o potencial do intelecto humano; como ciência, a Noética investiga a interação entre a mente e o mundo físico.
Para os interessados na ciência noética, vale a pena conferir o portal do Instituto de Ciências Noéticas (IONS), fundado pelo astronauta Edgar Mitchell (Doutor em Ciências pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts e um dos homens da NASA que pisou na Lua) para conduzir pesquisas rigorosas nessa área. O link para IONS é: www.noetic.org.
Ficção e realidade se misturam aqui também no tocante aos mil e um projetos de laboratórios acerca de pesquisas psíquicas; o livro cita trabalhos como o de William James, o pai da Parapsicologia, que ignorou o ceticismo típico de seus pares e admitiu o estudo das potências anímicas além da matéria. O livro cita ainda o Projeto Stargate da CIA (Agência de Inteligência Americana) desenvolvido nos tempos da Guerra Fria, com o intuito de usar recursos mediúnicos para fins de espionagem militar; e aqui, fica difícil definir a fronteira do que é e o que não é factível: o programa foi declarado oficialmente encerrado por falta de resultados satisfatórios, enquanto na obra de Dan Brown é especulado que o suposto encerramento esconde a verdade intrigante de experimentos extraordinariamente bem realizados — justamente um motivo para escondê-los. Será???
E tem muito mais em voga no romance.
Bem, agora, os leitores de Dan Brown da ala materialista devem estar se perguntando: Será que as falas da Dra. Solomon representam uma "conversão" do escritor, que outrora se declarara cético, tal como o Robert Langdon dos episódios anteriores?
Dan Brown já contou que foi educado como religioso, mas logo cedo caiu na descrença total:
"Fui criado como episcopal e era muito religioso quando criança. Então, na oitava ou nona série, estudei astronomia, cosmologia e as origens do universo. Lembro-me de dizer a um ministro: 'Não entendi. Eu li um livro que dizia que houve uma explosão conhecida como Big Bang, mas aqui diz que Deus criou o céu, a Terra e os animais em sete dias. O que é certo? ' Infelizmente, a resposta que recebi foi: 'Bonzinhos, não fazem essa pergunta'. Uma luz se apagou e eu disse: 'A Bíblia não faz sentido. A ciência faz muito mais sentido para mim'. E eu simplesmente gravitei para longe da religião."
fonte: Parade
É claro que devemos separar os personagens do autor; mas o fato é que, para escrever sua ficção, Dan Brown precisou fazer uma larga pesquisa a respeito dos temas tratados. Também é de se admirar que ele não colocou na boca de Langdon nenhum contra-argumento materialista.
Notável ainda é o palco principal do novo romance: Praga, a "capital mística"; o escritor revelou em entrevistas que escolheu a capital tcheca como cenário em destaque devido à sua rica tradição esotérica, alquímica e simbólica, considerada uma das cidades mais místicas da Europa (fonte: People).
Por essa razão, quem ler O Segredo Final terá uma aula exemplar contra a ideia materialista e uma verdadeira apologia ao fundamento da imortalidade da alma; bastará então só mais um passo para o encontro da consciência com a doutrina espiritualista e finalmente a Doutrina Espírita — que por sua vez ressalta a preexistência e a sobrevivência da consciência individual (e não um ser único, do tipo panteísta) em relação a esta existência carnal temporária. E essa conclusão adicional é crucial para o nosso autodescobrimento, porque nos coloca frente a frente com as nossas responsabilidades individuais, cujas consequências naturais são: a necessidade de expiar as imperfeições e a colheita da boa semeadura que fizermos.
Para terminar, devemos dizer que, como peça literária O Segredo Final é inferior aos outros thrillers de Dan Brown; a aventura não é tão eletrizante, o enredo é até um tanto maçante em diversos momentos, com descrições exageradamente detalhadas de lugares e coisas (que parecem atender a patrocinadores das marcas citadas). Por outro lado, para nós espíritas, a graça está justamente aí: a obra é mais um documentário noético do que um romance.
Então, não deixem de lê-lo.
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