segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Música e Espiritismo - entrevista com Ery Lopes

No seu livro “A MÚSICA SEGUNDO O ESPIRITISMO”, o paraibano Ery Lopes interpreta o valor daquela que é a primeira das artes e defende a proposta de uma intensa campanha em prol da Música Espírita.
Cantor, compositor e instrumentista autodidata, ele não se intitula um cantor espírita, mas um espírita que canta – que é o que todos deveriam fazer, acrescenta. Voluntário do Porta Luz Espírita e do Núcleo Espírita A caminho da Luz, zona leste de São Paulo, Ery Lopes tem percorrido várias Casas Espíritas da capital paulista e de outras cidades ao lado do amigo e também músico João Lucius, levando o seu Evangelho Musical, pelo qual expõe a tese de que o movimento espírita ainda é muito falho no que diz respeito ao recurso musical, e que quando o gênero espírita se firmar, promoverá a maior revolução musical de todos os tempos.

Qual a relação entre música e Espiritismo?
Começa na fonte de tudo: Deus. A música foi gerada pelo Criador no instante inicial da sua obra, o que se convencionou chamar de big bang, ou seja, a grande explosão. Toda explosão é constituída de luz, calor e som. Bomba...! Quando o primeiro som rompeu o silêncio, estabeleceu a primeira nota musical desta canção maravilhosa chamada Cosmos. A manutenção desta obra é uma sinfonia ininterrupta, musicada pelas vibrações de amor do Ser supremo e de todos os Espíritos. O Espiritismo, como escola humana rumo à evolução, convida cada um de nós a se graduar no curso da música e fazer bom uso dessa graça.

Então, todos os Espíritos evoluídos são músicos?
Todos nós somos mais ou menos músicos, mas para ser um Espírito evoluído é preciso ser evoluído também na disciplina musical. Nos planos elevados, onde nossas vibrações são visíveis e inconfundíveis, os Espíritos não se falam: eles musicam. Como tudo que deles emana é bom, justo e belo, cada pensamento rompe o éter como uma música, porque tudo é harmonioso. São essas emanações de amor, juntamente com a graça de Deus que mantém o universo. Sem essa música celeste, não haveria vida.


Se todos nós precisamos nos qualificar em matéria de música, como devemos fazer isso?
A começar pela seleção do que devemos escutar, pois a audiência promove determinada música. De modo que poderia dizer: diga-me que música tu escutas que te direi quem tu és. Enquanto ouvintes, participamos das mesmas vibrações, entrando em sintonia, positiva ou negativamente, com o que esta ou aquela canção emite. Já em ouvir voluntariamente, você entra na faixa vibratória da mensagem que a música carrega.

Nesse caso, podemos verificar certa relação entre música e obsessão?
Toda peça artística é carregada de uma mensagem, seja uma prece, um protesto, uma ideologia ou um apelo comercial. A música carregada de mensagem negativa atrai o gosto de quem está nesse mesmo nível de imperfeição, podendo então nos influenciar violência, desarmonia efetiva, vícios, promiscuidade, ou seja, obsessão. De outra forma, a boa música nos inspira amor, paciência, esperança, fé e caridade, porque convida a presença dos Espíritos mais elevados, que são apreciadores da boa música.

E a música espírita? É igual a qualquer música espiritualista?
Não exatamente. Além das músicas propriamente religiosas, temos visto aqui e acolá verdadeiras pérolas musicais com mensagem espiritualista, mesmo via artistas e bandas de gêneros totalmente variados; roqueiros, forrozeiros, carnavalescos e tantos mais falando de coisas espirituais... São surtos de inspiração evoluída, não?
A música espírita é sempre espiritualista, mas contém propriedades particulares ao Espiritismo, de conceitos que outras doutrinas não compreendem e não aceitam. Por isso, é importante destacar o gênero espírita, para que sua música leve a mensagem acerca de tópicos como reencarnação, colônias espirituais, perispírito, lei de causa e efeito e faça apologia à doutrina kardecista, exaltando o movimento espiritista e personagens com o Allan Kardec, Bezerra de Menezes e Chico Xavier, não a título de beatificação, mas de respeito, memória e gratidão pelo que fizeram por nós.

Qual o alcance da música espírita?
Não há limites. Hoje a música espírita é quase inexistente, ou pelo menos muito tímida e regionalizada. No dia que o movimento espírita aprender a usar a música espírita, o Espiritismo será a principal filosofia do mundo. A literatura espírita recente nos diz que as chamadas “forças das trevas” têm sabido usar a música mundana habilidosamente para hipnotizar as pessoas, prendendo-as aos vícios carnais, sobretudo aos jovens. E nós assistimos a isso passivamente. Como água mole em pedra dura, que tanto bate até que fura, a música espírita há de penetrar os corações mais rochosos, onde muitas vezes a palavra comum não toca. Envolvida pela a emoção que a energia sonora produz, a frieza da razão cede espaço para uma mensagem doutrinária subliminar mais acessível.

Como promover a música espírita?
Antes de tudo é preciso separar a música do músico: falamos em promoção da música espírita e não do músico. “Mediunidade com Jesus” e “música espírita com Jesus”: obra de caridade, sem benefício particular. Penso que o músico profissional pode ter sua carreira em separado e viver muito bem dela, mas ao se propor à música espírita, que o faça voluntariamente. Para mim, não deve existir cantor espírita, no sentido comercial; o que deve haver é espíritas músicos, que promovam, ouçam, cantem, componham e toquem música espírita. A casa espírita pode realizar trabalhos de educação musical, atraindo assim mais o público infanto-juvenil, promover saraus, festivais e até sessões regulares de musicoterapia. Rádios, sites e demais canais de comunicação espírita podem colaborar muito nesse sentido. A música profana prospera exatamente por fraqueza de nossa parte em não oferecer uma opção melhor.

Os espíritas músicos não correm um risco maior se afundar no orgulho e vaidade com esse trabalho?
Certamente que o risco é evidente, mas isso constitui para todos uma valorosa prova de humildade, uma lição extraordinária para seu crescimento espiritual. É mais ou menos o mesmo risco que correm os médiuns e palestrantes. Mas, pela iminência do perigo, não se segue que devamos abandonar a tarefa. Aquele que se propor a servir à espiritualidade através da música, saiba que está à frente de uma importante missão e prova ao mesmo tempo, da qual contrairá graves consequências, no caso de falhas, e valiosa recompensa, se bem souber cultivar a caridade.


Como você lida para não cair nessa prova?
O meu pai me ensinou um artifício bastante eficiente. Disse-me: “O elogia te coloca numa altura da qual se desce sem ferir alguém. Quanto alguém te elogia, firma contigo um compromisso: é mais alguém a quem você jamais poderá decepcionar”.

Você e o João Lucius fazem um trabalho de palestra musical espírita. Fale-nos desse trabalho.
Antes de tudo, o João Lucius é um amigo. Além disso, é um cantor e compositor espetacular. Fazemos um trabalho musical como prazer pessoal, pelo amor à música, por gratidão à Doutrina Espírita, por tudo que recebemos de iluminação e consolo dessa filosofia, e porque consideramos a música como a mais curta ponte que nos liga à espiritualidade. Temos levado nossas palestras musicais a várias casas espíritas, que aos poucos vão se abrindo para essa via doutrinária. O benefício que colhemos disso é a satisfação das pessoas e a sensação de termos colaborado um pouquinho com a causa espírita.

E qual é a aceitação desse trabalho?
Nem Jesus agradou a todos, mas, de modo geral, a aceitação é muito boa, tanto do público quanto dos dirigentes. A princípio, quando vamos a um centro pela primeira vez, há certa desconfiança sobre o que vamos falar, que músicas vamos cantar, e penso que isso também reflete um zelo positivo, afinal, os dirigentes podem e devem mesmo cuidar de preservar a doutrina. Se te emprestam a tribuna, você deve estar à disposição do regimento da casa. Sabemos ainda que, além dos assistidos visíveis, os Espíritos também acompanham e se beneficiam da música.

Qual a atuação da espiritualidade no trabalho de vocês?
Pelo menos até agora, em matéria de mediunidade, João Lucius e eu somos verdadeiras geladeiras. Mas, certamente que nossas composições são frutos de inspiração. Temos ligação com os amigos da Colônia Recanto de Irmãos, onde há um avançado laboratório artístico, e por isso, estou certo que há solidariedade da parte deles para conosco. Além do mais, de forma generalizada, a espiritualidade tem trabalhado forte para disseminar a música e arte em geral em favor da divulgação espírita. Nossa contribuição é que tem sido muito aquém. Jesus e seus prepostos têm trabalhado constantemente para levar a espiritualização a todos os povos e por diversas formas. Encontrando pessoas abnegadas e realmente interessadas, eles não medem esforços para prestarem os auxílios imprescindíveis.

A música espírita vai decolar?
Já há um longo atraso, mas o progresso é lei de Deus e é inevitável que a música espírita decole. Felizmente já encontramos uma abertura maior nas casas espíritas (porque temos que fazer a lição de casa) e tem um batalhão de espíritas músicos, inclusive muitos jovens, desenvolvendo essa música doutrinária. O prefácio de “O EVANGELHO SEGUNDO O ESPIRITISMO” é um prenúncio dessa nova era, no que o Espírito de Verdade diz que as grandes vozes dos céus ressoam com sons de trombeta, convidando a todos para esse concerto divino, para, numa só voz, repercutir de um extremo a outro no Universo.
A MÚSICA SEGUNDO O ESPIRITISMO
O livro “A MÚSICA SEGUNDO O ESPIRITISMO”, de Ery Lopes, está livremente disponível na Sala de Leitura do Portal Luz Espírita, onde você também encontra as músicas de Ery Lopes, João Lucius e outros intérpretes espíritas.

Um comentário:

  1. Ery Lopes, que Deus continue à abençoar o seu maravilhoso trabalho pela causa Espírita.Sou fã de suas músicas e Domingo próximo, dia 02 de outubro vou cantar a sua linda música Ave Maria Espírita, na (SCEE)Sociedade Colatinese de Estudos Espíritas ,na cidade de Colatina-Es .
    Amo muito a Maria, mãe de Jesus, e acho que devemos homenageá-la mais vezes nas casas Espíritas. Paz e Bem!

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