EASTWOOD, DICKENS, DROOD E OUTROS DETALHES


O enredo de um filme contém muitos detalhes, muitos dos quais apenas para ornar ou alongar a história. No entanto, nas grandes produções, tudo é astuciosamente elaborado - mesmo os detalhes mais imperceptíveis. Diante desse preâmbulo, fomos buscar o sentido de um detalhe no filme "Além da Vida", de Clint Eastwood, lançado em janeiro deste 2011: a paixão do personagem principal -- e médium -- por um escritor inglês, Charles Dickens (1812-1870). E descobrimos que não é uma mera decoração ao longa.
O filme é essencialmente espiritualista -- sem ser religioso em nada. Conta o drama de um médium e seu encontro com uma sobrevivente do Tsunami ocorrido em 2004 na Ásia, quando aliás, passou por uma EQM - Experiência de Quase Morte. Ambos são unidos por interferência de uma criança, que espera um contato de um irmão desencarnado.

Veja o trailer do filme:


Mas voltemos a Charles Dickens. Trata-se do escritor mais conhecido de seu tempo, inclusive, contemporâneo do fenômeno das Mesas Girantes. Mas o que Clint quis associar Dickens ao tema espiritual? Entre outras coisas, porque a morte do escritor implantou forte curiosidade sobre o desfecho do livro "O mistério de Edwin Drood", que ficou inacabado (Dickens havia preparado até o vigésimo capítulo).
E daí?
E daí que três anos após sua partida (1873), um jovem médium americano, semianalfabeto, Thomas James, supostamente recebe o Espírito daquele autor e psicografa a conclusão da obra. Submetido à crítica, o texto foi considerado condizente com o estilo literário de Dickens e era praticamente unânime ser impossível distinguir quando terminava a redação original e onde quando começava a parte psicografada.
Esse livro foi traduzido para os brasileiros pelo espírita Hermínio Correa Miranda e publicado pela Editora Lachâtre.
Apesar disso, achamos uma menção contrária à opinião supracitada, do crítico literário Carlos Graieb, para publicação na Revista Veja, cuja transcrição postamos a seguir:

O resto é resto
A última obra de Dickens, com um acréscimo absurdo
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Carlos Graieb

O inglês Charles Dickens escreveu suas últimas palavras em 8 de junho de 1870. No fim desse dia teve um colapso e, na manhã seguinte, estava morto. Ele era o escritor mais popular de seu tempo e deixava um romance inacabado. O Mistério de Edwin Drood vinha saindo em folhetim. Como sugere seu título, propunha um enigma. Teria o jovem Drood sido morto? Por quem? Sobre as muitas dúvidas e angústias dos fãs, não demorou a erguer-se um mercado: o de versões para a conclusão da história. A mais absurda foi lançada em 1873, nos Estados Unidos. Teria sido ditada pelo espírito de Dickens ao mecânico Thomas James. Pois não é uma pena que, em sua primeira edição no Brasil, O Mistério de Edwin Drood (tradução de Hermínio Miranda; Lachâtre; 538 páginas; 25 reais) venha justamente nessa versão espírita? A editora acredita estar prestando um favor aos leitores. Em vez disso, ao levantar uma inútil discussão sobre a "autenticidade do texto psicografado", apenas desvia a atenção do que interessa – as páginas que o autor realmente escreveu e que estão entre as melhores de sua maturidade. Anote: Dickens foi até o capítulo 20 do livro. O resto é resto.

Cada um com suas conclusões.


Comentários

  1. muito interessante o filme em todos os aspectos, principalmente a noção de como funciona o piciquismo do medium e a noção exata das experiencias de quase morte.

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