Semana Santa 2026 - Domingo da Ressurreição e da Páscoa Cristã
Encerrando a nossa programação para a Semana Santa 2026, chegamos ao seu clímax, o Domingo da Ressurreição: a nova Páscoa, a Páscoa Cristã. Então, vamos fazer uma reflexão útil a respeito, visando nossa jornada evolutiva, em face dos ensinamentos do Espiritismo.
Se você não viu nossas postagens anteriores, convém conferi-las, para uma boa contextualização desta série especial:
- A simbologia do Domingo de Ramos.
- A ressurreição de Lázaro, a nova Páscoa e outras reflexões para a Segunda-feira Santa.
- Cristo: de cordeiro imolado à realeza terrena, e outras reflexões para a Terça-feira Santa.
- Quarta-feira das trevas: traição de Judas e a solidão de Jesus.
- O Lava-pés e a partilha do pão e vinho da Quinta-feira Santa.
- Sexta-feira da Paixão de Cristo.
- O luto do Sábado de Aleluia.
Domingo da Ressurreição de Jesus
O fim de uma era, cujas horas finais são sombrias, e o início de um novo ciclo: a Era de Regeneração — este é o símbolo maior do Domingo da Ressurreição de Jesus, que marca a nova Páscoa, a Páscoa Cristã.
Vejamos a liturgia para este dia:
A primeira leitura traz a proclamação dos novos tempos pelas palavras do apóstolo Pedro, conforme o livro dos Atos dos Apóstolos, 10: 34, 37 a 43:
“Vós sabeis o que aconteceu em toda a Judeia, a começar pela Galileia, depois do batismo pregado por João: como Jesus de Nazaré foi ungido por Deus com o Espírito Santo e com poder. Ele andou por toda a parte, fazendo o bem e curando a todos os que estavam dominados pelo demônio; porque Deus estava com ele. E nós somos testemunhas de tudo o que Jesus fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pregando-o numa cruz. Mas Deus o ressuscitou no terceiro dia, concedendo-lhe manifestar-se não a todo o povo, mas às testemunhas que Deus havia escolhido: a nós, que comemos e bebemos com Jesus, depois que ressuscitou dos mortos. E Jesus nos mandou pregar ao povo e testemunhar que Deus o constituiu Juiz dos vivos e dos mortos. Todos os profetas dão testemunho dele: 'Todo aquele que crê em Jesus recebe, em seu nome, o perdão dos pecados'.”
“Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos! Dai graças ao Senhor, porque ele é bom! 'Eterna é a sua misericórdia!' A casa de Israel agora o diga: 'Eterna é a sua misericórdia!' A mão direita do Senhor fez maravilhas, a mão direita do Senhor me levantou. Não morrerei, mas ao contrário, viverei para contar as grandes obras do Senhor! A pedra que os pedreiros rejeitaram, tornou-se agora a pedra angular; pelo Senhor é que foi feito tudo isso! Que maravilhas ele fez a nossos olhos!”
Do Novo Testamento, dois trechos reluzem essa mesma alegria, começando com Paulo, escrevendo aos Colossenses (3: 1 a 4):
“Se ressuscitastes com Cristo, esforçai-vos por alcançar as coisas do alto, onde está Cristo, sentado à direita de Deus; aspirai às coisas celestes e não às coisas terrestres. Pois vós morrestes, e a vossa vida está escondida, com Cristo, em Deus. Quando Cristo, vossa vida, aparecer em seu triunfo, então vós aparecereis também com ele, revestidos de glória”
Seguindo com o mesmo apóstolo, agora em carta aos Coríntios (5: 6 a 8):
“Acaso ignorais que um pouco de fermento leveda a massa toda? Lançai fora o fermento velho, para que sejais uma massa nova, já que deveis ser sem fermento. Pois o nosso cordeiro pascal, Cristo, já está imolado. Assim, celebremos a festa, não com velho fermento, nem com fermento de maldade ou de perversidade, mas com os pães ázimos de pureza e de verdade.”
Completando o Rito da Palavra com o recorte do Evangelho segundo João, 20: 1 a 9:
“No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi ao túmulo de Jesus, bem de madrugada, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra tinha sido retirada do túmulo. Então ela saiu correndo e foi encontrar Simão Pedro e o outro discípulo, aquele que Jesus amava, e lhes disse: 'Tiraram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram.' Saíram, então, Pedro e o outro discípulo e foram ao túmulo. Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo. Olhando para dentro, viu as faixas de linho no chão, mas não entrou. Chegou também Simão Pedro, que vinha correndo atrás, e entrou no túmulo. Viu as faixas de linho deitadas no chão e o pano que tinha estado sobre a cabeça de Jesus, não posto com as faixas, mas enrolado num lugar à parte. Então entrou também o outro discípulo, que tinha chegado primeiro ao túmulo. Ele viu, e acreditou. De fato, eles ainda não tinham compreendido a Escritura, segundo a qual ele devia ressuscitar dos mortos.”
Jesus ressuscitado
Jesus reaparece aos seus discípulos e lhes dá a prova da sua "ressurreição". É claro que não a ressurreição nos moldes da interpretação tradicional, literalmente a recomposição carnal, o mesmo corpo; é o reerguimento do mesmo Ser espiritual, evidenciando que a morte física não determina o fim da vida, que então ressurge na sua forma original — que é como Espírito. É a destruição absoluta da ideia materialista.
Ora, a vida espiritual independe da forma material humana: o verdadeiro Ser não precisa do organismo carnal; a condição de encarnado é apenas temporária. Por isso, devemos entender o termo "ressurreição" como o ressurgimento do Espírito, na vida espiritual, ou ainda como a volta à vida carnal através das reencarnações — não no mesmo corpo, mas num corpo.
Ah, mas Jesus não apareceu de "corpo e alma" a ponto de se deixar ser tocado? Seu corpo não desapareceu do sepulcro?...
O desaparecimento do corpo do Cristo é um mistério até hoje a ser desvendado; teria sido roubado por algum dos seus discípulos, pelos fariseus ou pelos romanos? — Não sabemos. É possível que a espiritualidade (sob a ordem do próprio Jesus) tivesse providenciado esse sumiço para evitar que seus restos mortais virassem relíquias e objetos de adoração? — Sim, isso é muito provável. O fato é que não há como sabermos, além do que, isso não prova que as vezes em que Jesus se apresentou aos apóstolos após sua morte foi com seu antigo corpo humano. Ele não precisava da velha carne e osso para se manifestar. O Espiritismo explica com bastante clareza que os Espíritos têm um corpo espiritual — o perispírito — dito semimaterial, que pode perfeitamente se materializar e se tornar visível e palpável; quanto a isso, temos outros exemplos verídicos de aparições de agêneres, como no caso do Espírito "Kate King", investigado pelo cientista inglês William Crookes.
Um indício muito claro de que Jesus não se manifestou pós-morte com o mesmo corpo é que das vezes em que apareceu aos seus discípulos, ele não foi reconhecido de pronto, como assinala Allan Kardec:
Mas isso não é o que mais importa para nós: o que verdadeiramente importa é saber o que fazer com a revelação da vida além-túmulo que Jesus nos trouxe. O que isso serve para a minha vida agora? O que o Messias quer de mim, ao me revelar esta verdade?
Em suma, ele quer que eu reconheça que a vida material é efêmera e que eu passe a viver segundo os valores da vida espiritual. Isso não quer dizer que seja preciso desprezar a existência física; não, nada disso! As minhas realizações da vida atual são importantes e servem para o meu crescimento espiritual; porém, os interesses da carne não podem superar os propósitos do Espírito. Logo, o que me cabe aqui é descobrir qual é o sentido da minha estadia na Terra; por que estou aqui, agora, e o que isso implica na minha vida futura.
A nova Páscoa
Além de demonstrar a imortalidade do Espirito, a dita "ressurreição de Jesus" vem estabelecer um novo símbolo: a Páscoa Cristã, que tem um significado especial, como veremos a seguir.
Relembrando, a Páscoa original foi a dos hebreus, como sendo a passagem da escravidão no Egito faraônico para a libertação, rumo à chamada Terra Prometida, sob a liderança de Moisés, pelas ordens divinas. Até hoje os judeus celebram com júbilo esse momento histórico; contudo, eles ainda estão esperando que o seu Messias venha fazer com que a sua nação particular se sobreponha às demais e passe a dominar o mundo — materialmente mesmo.
A Páscoa Cristã é de outro nível: ela é um sinal de que o Evangelho está para ressurgir no mundo e nele imperar com todo o poder e toda a glória. Isto é o que quer dizer "a volta do Cristo"; não é a sua vinda física, mas a sua vinda na forma de lei e ordem na Terra, conforme a vontade de Deus; assim será a implantação do Cristianismo — o verdadeiro Cristianismo. Não será mais a adoração sem sentido, nem o culto litúrgico e sacrifícios sacramentais; será o reinado do espírito de justiça, bondade e fraternidade.
Reviver a Semana Santa de forma útil e instrutiva não é repetir os cultos externos, mas sim aproveitar a ocasião para aprender mais e reaprender ainda mais a cada ano, fortalecendo a nossa fé e reafirmando nosso compromisso com o Pai celestial, a fim de promover essa renovação que se já opera na Terra.
E é para preparar essa nova Era de Regeneração que veio o Espiritismo, revivendo os ensinamentos do Cristo e revelando novas coisas da natureza espiritual.
Por fim, sugerimos a todos a live especial transmitida para o Domingo da Ressurreição do ano passado, desenvolvendo tópicos como a nova Páscoa.
Viva o Cristo!
Viva a Páscoa Cristã!
Viva o Espiritismo!
Viva a Le de Deus!
Feliz Páscoa a todos!


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