Semana Santa 2026 - O luto do Sábado de Aleluia



Na continuação da nossa programação para a Semana Santa 2026, chegamos ao dia que é conhecido como "Sábado de Aleluia". Então, vamos fazer uma reflexão útil a respeito, visando nossa jornada evolutiva, em face dos ensinamentos do Espiritismo.

Se você não viu nossas postagens anteriores, convém conferi-las, para uma boa contextualização desta série especial:


Sábado de Aleluia

Estamos no dia seguinte ao da crucificação de Jesus; o Cristo está morto, silenciado, humilhado, derrotado! Nem sequer se ouviu falar de algum protesto em Israel. Os próprios discípulos do nazareno se manifestaram; ao contrário, todos se esconderam, desesperançosos com o evangelho, com medo de serem pegos pelas autoridades e sofrerem semelhante condenação. As trevas tomaram conta do mundo!...

Mas esperem, e as promessas do Messias?! E a tal ressurreição? Será que ainda há algo pelo que esperar?

Vejamos o que diz a liturgia do dia: 

As leituras começam com um trecho do livro do Gênesis (1: 1 a 31; 2: 1 e 2), que narra a Criação do mundo, onde lemos num determinado trecho:

"A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a face do abismo e o Espírito de Deus pairava sobre as águas. Deus disse: 'Faça-se a luz!'"

Humm, isso faz lembrar as trevas que cobriram o mundo desde a tarde da Sexta-feira da Paixão e percorre as horas do Sábado de Aleluia, não lembra?

Na sequência, vem o Salmo (103/104) responsorial com areas de renovação:

"Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai. — Bendize, ó minha alma, ao Senhor! Ó meu Deus e meu Senhor, como sois grande! De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto."

Esse renovação também é aclamada pelas linhas fervorosas do apóstolo Paulo, em carta aos Romanos (6: 3 a 11), que diz, conforme o recorte adiante:

"Sabemos que o nosso velho homem foi crucificado com Cristo, para que seja destruído o corpo de pecado, de maneira a não mais servirmos ao pecado. Com efeito, aquele que morreu está livre do pecado. Se, pois, morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele. Sabemos que Cristo ressuscitado dos mortos não morre mais; a morte já não tem poder sobre ele. Pois aquele que morreu, morreu para o pecado uma vez por todas; mas aquele que vive, é para Deus que vive. Assim, vós também considerai-vos mortos para o pecado e vivos para Deus, em Jesus Cristo."

Isso é porque, de forma antecipada, o Evangelho de Mateus (28: 1 a 10) anuncia que o túmulo do crucificado está vazio e o Filho de Deus ressuscitou dos mortos:

"Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro. De repente, houve um grande tremor de terra: o anjo do Senhor desceu do céu e, aproximando-se, retirou a pedra e sentou-se nela. Sua aparência era como um relâmpago, e suas vestes eram brancas como a neve. Os guardas ficaram com tanto medo do anjo, que tremeram, e ficaram como mortos. Então o anjo disse às mulheres: 'Não tenhais medo! Sei que procurais Jesus, que foi crucificado. Ele não está aqui! Ressuscitou, como havia dito! Vinde ver o lugar em que ele estava. Ide depressa contar aos discípulos que ele ressuscitou dos mortos, e que vai à vossa frente para a Galileia. Lá vós o vereis. É o que tenho a dizer-vos.' As mulheres partiram depressa do sepulcro. Estavam com medo, mas correram com grande alegria, para dar a notícia aos discípulos. De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse: 'Alegrai-vos!' As mulheres aproximaram-se, e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés. Então Jesus disse a elas: 'Não tenhais medo. Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galileia. Lá eles me verão'."


A agonia da véspera da nova Páscoa

Para aquele que conhece e crê nas narrações evangélicas, tudo faz sentido e tudo é motivo de fé, esperança e amor. Sim, mataram Jesus, isto é, seu corpo físico; mas não o aniquilaram de fato: ele vive e está mais radiante do que nunca. Nada está perdido; ao contrário, tudo está se encaminhando maravilhosamente bem.

As trevas comemoram a sua "vitória": o materialismo toma conta do mundo; vale aqui a lei do mais forte, do mais esperto, do mais ousado. É preciso que seja assim para que aqueles que desejam ver o mal finalmente vejam o mal e aprendam que o mal não lhes é bom; para que eles tomem nojo do mal e desejem o bem. Por isso o mal reino no mundo. Todavia, esse reinado malévolo é efêmero e logo vai ruir, resultando que todos os que ora gozam a vida material sentirá o peso das consequências dos seus atos e omissões. A ressurreição do Cristo está vindo aí; a verdade está já desponta no horizonte, e vem com poder e glória para renovar tudo.

Estamos vivenciando ainda hoje o luto do Sábado de Aleluia: estamos sob o domínio material das trevas, sofrendo as dores que os perversos nos impõem, com saudades do Salvador; mas, tenhamos fé, pois o Senhor está vindo aí; a Era de Regeneração está chegando e fará nova todas as coisas.

A Doutrina Espírita nos fortalece a fé com o testemunho das vozes do céu de que o tempo de renovação já está em curso; aqueles desta geração que estão partindo para a vida espiritual já estão sendo julgados e, conforme suas obras, estão sendo encaminhados para as futuras reencarnações na Terra renovada que se aproxima, ou, por outro lado, estão recebendo a pena por seu fracasso: o degredo, o rebaixamento, o exílio para recomeçarem sua reforma moral através de reencarnações em mundos inferiores. Eis o "inferno" descrito pela tradição bíblica.

A porta da perdição é larga porque as más paixões são numerosas e porque a rota do mal é frequentada pela grande maioria. A porta da salvação é estreita porque o homem que quer transpô-la deve fazer grandes esforços em si mesmo para vencer suas más tendências, e porque são poucos os que se resignam a isso. Trata-se do complemento da máxima: Muitos são os chamados, mas poucos são os escolhidos.

"Tal é a situação atual da humanidade terrena, porque como a Terra é um mundo de expiação, nela o mal predomina; quando ela for transformada, a estrada do bem será a mais frequentada. [...]

"Agora, com a anterioridade da alma e a pluralidade dos mundos, o horizonte se alarga; a luz se faz sobre os pontos mais obscuros da fé; o presente e o futuro tornam-se solidários com o passado; só então podemos compreender toda a profundeza, toda a verdade e toda a sabedoria das máximas do Cristo."
O Evangelho segundo o Espiritismo - cap. XVIII, item 5


Por fim, sugerimos a todos a live especial transmitida para o Sábado de Aleluia do ano passado, desenvolvendo tópicos como a morte, o luto etc.



Fique conosco e acompanhe as reflexões sobre os dias restantes desta Semana Santa.


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