Semana Santa 2026 - Sexta-feira da Paixão de Cristo


Em continuidade à nossa programação para a Semana Santa 2026, vamos verificar o que diz a tradição para esta Sexta-feira Santa e trazer para a nossa realidade uma reflexão útil para nossa jornada evolutiva, em face dos ensinamentos do Espiritismo.

Se você não viu nossas postagens anteriores, convém conferi-las, para uma boa contextualização desta série especial:


Sexta-feira Santa

O tema central da liturgia católica para esta Sexta-feira Santa é a crucificação de Jesus, contando aí o sofrimento físico da véspera.

O rito da palavra começa com trechos do livro de Isaias (52: 13; 53:12), que a tradição cristã toma como profecias referentes ao flagelo que seria imposto ao Cristo. Um recorte dessa leitura vem a seguir:

"Era desprezado como o último dos mortais, homem coberto de dores, cheio de sofrimentos; passando por ele, tapávamos o rosto; tão desprezível era, não fazíamos caso dele. A verdade é que ele tomava sobre si nossas enfermidades e sofria, ele mesmo, nossas dores; e nós pensávamos fosse um chagado, golpeado por Deus e humilhado! Mas ele foi ferido por causa de nossos pecados, esmagado por causa de nossos crimes; a punição a ele imposta era o preço da nossa paz, e suas feridas, o preço da nossa cura."

O Salmo responsorial, extraído dos versos 30(31) concatenado com um versículo de Lucas, 23: 46, faz exclamações como as seguintes:

"Ó Pai, em tuas mãos eu entrego o meu espírito. Senhor, eu ponho em vós minha esperança; que eu não fique envergonhado eternamente! Em vossas mãos, Senhor, entrego o meu espírito, porque vós me salvareis, ó Deus fiel. Tornei-me o opróbrio do inimigo, o desprezo e zombaria dos vizinhos, e objeto de pavor para os amigos; fogem de mim os que me veem pela rua. Os corações me esqueceram como um morto e tornei-me como um vaso espedaçado."

E continua com um treco da carta do apóstolo Paulo aos Hebreus (4: 14 a 16; 5: 7 a 9), que ressalta a importância do sacrifício do Cordeiro de Deus:

"Mesmo sendo Filho, aprendeu o que significa a obediência a Deus por aquilo que ele sofreu. Mas, na consumação de sua vida, tornou-se causa de salvação eterna para todos os que lhe obedecem."

Finalmente, no clímax litúrgico, vem as palavras do Evangelho de João, narrando a chamada Paixão de Cristo, desde a aflição prévia no Jardim das Oliveiras, onde Jesus foi traído por Judas Iscariotes e entre aos sumos sacerdotes judeus, para daí ser levado às autoridades romanas a fim de que fosse sancionada a sua condenação e, enfim, o cumprimento da pena — a ultrajante crucificação, ao lado de dois ladrões. Mas tudo isso, não antes de muito, mas muitos castigos físicos.

Pode-se dizer que a Sexta-feira da Paixão simboliza a vitória temporária do pecado, do materialismo, do anticristo.

De fato, os príncipes dos judeus conseguiram o que queriam: mataram o Messias  (que lhes ameaçam a paz e os privilégios dados pelos romanos) e amansaram o povo, especialmente aqueles mais revoltosos contra a opressão política de seu tempo e a corrupção da fé judaica por parte dos seus sacerdotes.

Não houve aquela revolução almejada pelos zelotes; desesperado com o mundo e envergonhado por sua traição ao Mestre, Judas Iscariotes se suicidou. Era o fim das maiores esperanças de libertação material de Israel. Até os discípulos do Messias também se acovardaram; esconderam-se todos.

Aquele que outrora foi aclamado — e se autoproclamou — "rei dos judeus" morreu como um fracote, um covarde que nem sequer quis se defender perante seu juiz.

As trevas tomaram conta de Israel; as cortinas do grande templo se rasgaram.


A simbologia da Paixão de Cristo

Para um povo cujo ideal ainda está bastante materializado, que tem como medida de felicidade e de poder apenas os valores terrenos, é difícil compreender a mensagem da crucificação do Cristo. Não são poucos os que ainda hoje indagam: — Por que Jesus não desceu do madeiro infame e revelou toda a sua glória? Por que não dizimou todos os seus adversários? Por que os céus não se abriram e permitiram que os anjos de Deus viessem fazer justiça àquele episódio tão cruel?

Mentalidades dessa ordem não percebem o quanto o Cristo é martelado por eles mesmos todos os dias, até o presente, através da negação dos valores espirituais — da moral, em suma — em favor das vantagens do mundo material!

E o mundo continua em trevas, embora algumas pessoas consigam sobreviver se entorpecendo com suas paixões mundanas. Eles ora gozam, embora um fio de caráter no íntimo de seu ser já os acusa que tudo isso lhes acarretará graves consequências.

No fundo, a vitória momentânea das trevas não significa que os ímpios sejam felizes; no fundo, um abismo de vazio existencial e de depressão os devoram no silêncio de sua alma — mesmo que eles disfarcem bem e ostentem sua falsa satisfação.

Também há aqueles, até hoje, que clamam justiça — contra os outros, claro — e imploram a vinda do Cristo ao mundo, a fim de magicamente esmagar os pecadores (os outros, enfatizamos) e glorificar os ditos fiéis. Mas, quem dentre de nós é realmente fiel? Quem de fato mereceria ser levado à direita do Pai?

Não, não! Esse não é o plano do Cordeiro imolado; seu plano é o da purificação individual, cada um promovendo a sua própria evolução espiritual — ou seja, moral, reparando as imperfeições e tornando-se virtuoso.

Ora, quem ousa supor conseguir tal intento numa única vida na Terra?

É preciso, pois, enxergar as coisas de um ponto de vista superior, compreendendo a vida espiritual e as várias reencarnatórias com suas tarefas de expiação, provação e missão espiritual.

Ao se deixar ser humilhado e morto, Jesus propõe a reflexão ao nosso mundo: e daí? Agora você está feliz? A vida materialista realmente te satisfaz?

Para a nossa felicidade, dispomos hoje do Espiritismo para recuperar o verdadeiro Cristianismo, que nos faz crer que tudo faz parte de um plano estratégico para a renovação da Terra, embora nem todos estarão entre os eleitos para essa vida de regeneração; aliás, "muitos são os convidados e poucos são os escolhidos".

Contudo, não basta ser convidado, não basta ter o nome de cristão, nem se sentar à mesa para fazer parte do banquete celestial: é preciso antes de tudo — e sob condição expressa — estar revestido da túnica nupcial, isto é, ter pureza de coração e praticar a lei segundo o espírito; ora, essa lei está inteiramente contida nestas palavras: Fora da caridade não há salvação. Todavia, entre todos aqueles que ouvem a palavra divina, quão poucos são os que a guardam e a colocam em prática! Quão poucos se tornam dignos de entrar no reino dos céus! Eis por que Jesus disse: Muitos serão chamados e poucos os escolhidos.
O Evangelho segundo o Espiritismo - cap. XVIII, item 2


Por fim, sugerimos a todos a live especial transmitida para a Sexta-feira Santa do ano passado, desenvolvendo tópicos como a Via Crucis:



Fique conosco e acompanhe as reflexões sobre os dias restantes desta Semana Santa.


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