160 anos de "O Céu e o Inferno": Kardec batendo de frente com a Igreja Católica
Conforma anunciamos no começo do ano, 2025 marca o aniversário de 160 anos de lançamento do livro O Céu e o Inferno, ou a Justiça Divina segundo o Espiritismo, da autoria de Allan Kardec, que nós comemoramos com uma série especial de artigos relacionados a esta que é a quarta obra fundamental da Codificação do Espiritismo. Para esta ocasião, frisaremos o momento crucial em que o codificador espírita determinou bater de frente com a religião católica e, por extensão, todas as demais igrejas cristãs, ao adentrar mais diretamente nas questões polêmicas dos dogmas tradicionais.
Ora, em O Evangelho segundo o Espiritismo, originalmente de 1864, Kardec justificou que faria uma apreciação dos ensinamentos morais do Cristo, mas não entraria nas discussões sobre os fatos históricos nem nas controvérsias religiosas; daí, muitos pensarem que o codificador parou por aí e "deixou pra lá" essas questões — o que não é nada exato. Na realidade, ele mergulha fundo nelas na obra seguinte, a que está de aniversário jubilar, logo no ano seguinte: 1865.
De fato, O Céu e o Inferno é um belíssimo ensaio filosófico contra o dogmatismo católico, que também foi seguido quase que perfeitamente igual pelas denominações protestantes, ditas "evangélicas". Em pauta, sem rodeios, uma refutação racional, lógica e satisfatoriamente forte de preceitos como a condenação eterna no inferno para uns e a premiação praticamente gratuita de um paraíso de bajulação para outros, além da desmistificação do conceito dos anjos, demônios, purgatório, limbo etc.
Em oposição a essas crenças primitivas, carentes de lógicas e demonstrações concretas, o pioneiro espírita apresenta o "Código Penal da Vida Futura", segundo a revelação dos Espíritos superiores, sancionada pela razão e a experimentação mediúnica, para o qual dão testemunho aqueles que estão diante dessa realidade incontestável. Com isso, enquanto o clero pretende impor um catecismo irracional, o Espiritismo convence pela força das ideias:
Tudo na hora certa
É bem verdade, que nas obras anteriores (O Livro dos Espíritos, O que é o Espiritismo, O Livro dos Médiuns e O Evangelho segundo o Espiritismo, bem como as edições da Revista Espírita) Kardec já havia apresentado, aqui e acolá, os fundamentos espíritas frontalmente contrários aos dogmas tradicionais; a Lei de Reencarnação, por exemplo, quebra a lógica de muitos dos conceitos catequéticos pregados pelo Vaticano; todavia, a publicação de O Céu e o Inferno é específica, exatamente elaborada para desafiar filosoficamente essas questões controvertidas, reunidas e detalhadas num livro propositadamente lançado para pautar contradizer a pregação igrejeira e "abrir os olhos dos cegos", dentre aqueles que verdadeiramente buscam a luz.
E tudo isso fez parte de um plano didático, conforme a pedagogia de Heinrich Pestalozzi, da qual Rivail (Allan Kardec) foi um pupilo exemplar: partindo do simples e avançando metodicamente, as sementes das grandes verdades vão sendo cultivadas e vão progressivamente substanciando os seus frutos, de modo a compor uma produção salutar. Num primeiro momento, o codificador procurou evitar as querelas, cuidando principalmente de semear os conceitos espíritas, de maneira proativa e não reacionária; quando esses conceitos já estavam bem apresentados e popularizados, então veio a hora de compor uma obra exclusiva que reunisse essas questões "problemáticas" e oferecesse uma teoria unificada e robusta dedicada a solucionar todos os conflitos.
Portanto, é impossível que uma pessoa minimamente capacitada leia O Céu e o Inferno atentamente e permaneça indiferente ao sistema kardequiano, pois este livro — um autêntico monumento filosófico — é assaz claro e preciso no que defende, a ponto de só reservar duas alternativas ao leitor: ou o convencimento a respeito da Doutrina Espírita ou a fraqueza moral para negar o Espiritismo, traindo assim a consciência.
Desmoronamento do dogmatismo
O resultado — já esperado, aliás — da publicação de O Céu e o Inferno foi, por parte da igreja, de indignação e fomentação de perseguição aos espíritas, como vemos nos muitos artigos da Revista Espírita, subsequentes àquele lançamento, em que Kardec responde a diversos ataques feitos pelos religiosos tradicionais, publicados em livros e periódicos diversos. Ao invés de refletir sobre as verdades patentes que a espiritualidade estava trazendo aos homens e, com isso, fazer também a igreja avançar, o clero preferiu a ofensiva, semelhante ao que fez com a Contrarreforma em face da Reforma Protestante; ao invés de estudar, admitir a verdade e aprender com ela, os fariseus modernos preferiram crucificar a nova revelação. É uma pena, para eles, que não há como sacrificar os Espíritos, como fizeram com Jesus.
Diante dessas verdades, o catecismo católico e as teologias afins sofrem o mais completo desmoronamento; sem terem nenhum argumento para contestar a Revelação Espírita, restam-lhes somente continuarem ocultando a verdade aos que insistem na sua cegueira fanática.
Aos que têm "olhos para ver" e "ouvidos para ouvir", cada página de O Céu e o Inferno é um orvalho de luz e o renascimento da fé e da esperança para um porvir melhor — para todos, absolutamente para todo mundo!
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Veja também a nossa primeira publicação sobre esta série especial de artigos:
'160 anos de lançamento do livro "O Céu e o Inferno", de Allan Kardec' (19/01/2025)
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