Castelo mais 'mal-assombrado' da França: reflexões sobre a reportagem sensacionalista do Fantástico
No final de semana passado, o programa televisivo Fantástico, da Rede Globo, levou ao ar uma "reportagem especial" sobre o Castelo mais 'mal-assombrado' da França, com a chamada adicional: "Conheça lugar que atrai investigadores paranormais e curiosos". Essa matéria nos enseja uma reflexão que julgamos importante, razão pela qual compartilhamos com nossos confrades: o quanto se leva a sério a questão espiritual em nossa sociedade e o quanto de exploração midiática é moralmente permitido?
Ora, é natural que um programa televisivo se enfeite de "atrativos" para chamar a atenção do público e ganhar audiência; a questão é o limite da coisa, principalmente em se tratando de uma rede de televisão aberta cuja concessão pelo Estado pressupõe um certo controle de qualidade, afinal, as autoridades governamentais devem zelar pelo bem-estar comum. Em suma, as concessões de telecomunicações nacionais impõe um compromisso.
No caso em questão, mais do que uma "preocupação civil", em observância às normas televisivas, a questão é moral. Não se viu, de fato, nenhuma gravidade aparente na referida reportagem: a matéria é sensacionalista no nível médio do que já estamos acostumados a ver; nada questionável do ponto de vista legal. Aparentemente.
Entretanto, queremos chamar a atenção para um detalhe crucial para nós: o quanto ainda se brinca com os assuntos espirituais.
Na reportagem citada, que na verdade parece mais uma peça de propaganda turística, não se vê nenhuma preocupação séria com o lado espiritual: não parece haver nela qualquer "investigação" devidamente séria sobre a possível realidade dos fenômenos "sobrenaturais" — ou melhor, espirituais — e, considerando-se sob hipótese a veracidade das alegadas manifestações, tampouco ficou demonstrado algum interesse pelos agentes dos alegados efeitos. Ou seja, ninguém parece sinceramente preocupado com os Espíritos que supostamente estejam assombrando o tal castelo. Tudo ali não vai muito além do que um evento, um entretenimento.
Pensamos que uma reportagem séria sobre este caso deveria focar, de maneira séria, no seguinte: Há mesmo fenômenos sobrenaturais? E no caso afirmativo, surgiria logo adiante as questões sobre as consequências disso, por exemplo:
- A realidade dos fenômenos evidencia um revolucionário campo de pesquisa sobre o sentido da nossa existência, começando pelo princípio da imortalidade da alma; então quais as implicações concretas dessa descoberta em relação à nossa vida atual?
- Se a alma é imortal, após a morte física a vida continua na forma espiritual; então, como é essa nova vida?
- Como os Espíritos (ditos imateriais) podem se manifestar no mundo material?
- Se há manifestações espirituais naquele castelo, quem são esses manifestantes? O que eles querem ao produzir tais fenômenos? Seriam eles Espíritos sofredores? Se sim, como poderíamos ajudá-los?
Desta maneira, podemos ver quão enriquecedora pode ser uma boa reportagem, no sentido de produzir reflexões sérias e profundas, de sorte a favorecer uma ganho real para a vida prática de quem a assiste.
No final das contas, o que vemos é a grande maioria das pessoas aprisionada no seu mundinho material, quase que o tempo todo buscando apenas distrações — mesmo no que toca às questões espirituais. Uma clara ilustração disso é como a reportagem termina: o repórter perguntando qual será a próxima aventura.
A propósito, vale o convite para consultar o que diz o Espiritismo sobre "Lugares assombrados", por exemplo, através de O Livro dos Médiuns, especialmente o capítulo IX da 2ª parte. Você pode ler online ou baixar o seu ebook gratuitamente, em formato PDF ou EPUB clicando aqui.
Quanto à reportagem mencionada, clique aqui para acessar a página oficial do programa Fantástico e assistir ao vídeo correspondente.
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