Charlatanismo: alegada médium é acusada de fraudar cartas ditas psicografadas



Reportagem do programa Fantástico, da TV Globo, exibida neste último domingo, reproduz uma série de denúncias contra Máira Rocha, que se apresenta como médium, sob a alegação de fraude em cartas alegadamente mediúnicas, mas que não passariam de uma composição enganadora, formulada a partir de dados coletados nas redes sociais. Na chamada da matéria jornalística, o título vai direto ao ponto: "Famílias acusam médium de fraudar cartas psicografadas com dados coletados na internet".

A síntese da reportagem traz o seguinte texto: "Durante mais de dois meses, os repórteres investigaram as denúncias, ouviram pesquisadores e representantes de entidades espíritas e reconstruíram a trajetória de Máira Rocha." No vídeo que foi ao ar em rede nacional, várias pessoas de diversas famílias dão o seu testemunho de inconformidade, às vezes com indignação, contando detalhes dos dados fraudulentos contidos nas ditas "cartas consoladoras".

Além das suspeitas de charlatanismo, há acusações de desvios de recursos materiais, em favor da suposta médium, recursos esses que foram arrecadados a partir da divulgação de serviços que seriam destinados exclusivamente para a caridade.

A equipe jornalísticas também ouviu a opinião de alguns estudiosos espíritas, que defenderam a mediunidade (a faculdade de interação entre os Espíritos desencarnados e os encarnados) ao mesmo tempo em que concordam com a possibilidade de embuste dos falsos médiuns — algo previsto na própria codificação do Espiritismo, citando a preocupação de Allan Kardec com os fraudadores; afinal de contas, a falsidade de uns pode induzir as pessoas mais desavisadas ao total descrédito da Doutrina Espírita, por conta de uma decepção semelhante ao que estão passando algumas famílias que depositaram confiança em Máira Rocha.

De nossa parte, nós não fazemos juízo de valor quanto a idoneidade da acusada; não temos como "provar" sua mediunidade nem como "comprovar" se ela é uma embusteira. Da mesma forma, não afirmamos que ela tenha fraudado as cartas anunciadas como mediúnicas; apenas chamamos a atenção para a reportagem que, por sua vez, apresenta certas evidências para as acusações — tanto é que o caso foi parar na justiça civil. O que queremos ressaltar aqui, aproveitando o ensejo dessas suspeitas, é que há sim charlatanismo, infelizmente, e levantar tal questão é de nosso interesse, pois tudo isso prejudica o desenvolvimento do Espiritismo, além do prejuízo emocional para as vítimas desses abusos.

Que todos se conscientizem de que mediunidade existe, é uma bênção divina e um instrumento de progresso moral para a humanidade; e que, por outro lado, o abuso dessa faculdade é um crime grave inexoravelmente a ser depurado — nesta vida ou no pós-morte.

Veja a matéria na página oficial do programa Fantástico.

Confira também o verbete "Charlatanismo" na Enciclopédia Espírita Online.

 



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