quinta-feira, 11 de julho de 2019

Artigo: "O Mito da origem da Umbanda" por Eric Pacheco


O MITO DE ORIGEM: uma revisão do ethos umbandista no discurso histórico, obra que questiona o mito de origem da umbanda escrita pela pesquisadora Maria Elise Rivas.
Muitos umbandistas consideram Zélio Fernandino de Morais como fundador da umbanda e a estória contata sobre ele como o marco inicial da religião. Mas na verdade, como atestam diversos pesquisadores (na verdade é meio que um consenso na academia) a estória de Zélio é apenas um mito de fundação seguido por certas vertentes, inclusive com versões diferentes. Algumas outras até afirmam que a origem da Umbanda está em tempos imemoriais, em continentes perdidos. Vamos ver algumas referencias sobre isso.


Na obra Caminhos da alma: memória afro-brasileira o antropólogo e pesquisador assistente no Museu Nacional (UFRJ) Emerson Giumbelli comenta, a partir da página 184, sobre esse mito fundador e diz o seguinte:
"Adquire proeminência a figura de Zélio de Morais, cuja notoriedade se produz em torno de certo reconhecimento de seu papal de 'fundador' ou de 'pioneiro' da umbanda no Rio de Janeiro e arredores. [...] As fontes das informações que fundamentam esses relatos umbandistas não são precisas."

Num artigo feito por André de Oliveira Pinheiro, Mestre em História Cultural pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) se diz o seguinte, deixando claro que a estória de Zélio se trata de um mito fundador seguido por certas correntes da Umbanda:
"O vigésimo e último número da Revista Espiritual de Umbanda chegou às bancas em novembro de 2008. Nessa época, o centenário da Umbanda era comemorado pelas diversas correntes ou escolas umbandistas que defendem o mito fundador desta religião protagonizado pela entidade Caboclo das Sete Encruzilhadas e pelo médium Zélio Fernandino de Moraes."

Num artigo intitulado Umbanda, intelectuais e nacionalismo no Brasil, de Artur Cesar Isaia, da Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC, ele deixa claro que embora não se possa afirmar que Zélio realmente fundou a umbanda, se pode pelo menos reconhecer o simbolismo do mito fundador:
"Conforme me referi em um trabalho escrito durante os anos 199024, a riqueza simbólica advinda do mito de origem é o que importa e é aí que a história reconhece autenticidade. Diana Brown já mostrava a especificidade da transposição da narrativa mitológica de origem para o âmbito dos estudos empíricos. Se não se pode afirmar que Zélio de Moraes tenha “fundado” a umbanda, a riqueza simbólica deste mito é altamente indiciária, inclusive, de uma leitura da história assumida por alguns intelectuais da umbanda."

Num artigo intitulado Umbanda, uma Religião que não Nasceu: Breves Considerações sobre uma Tendência Dominante na Interpretação do Universo Umbandista, de Bruno Faria Rohde, ele deixa claro que há diversos pesquisadores que consideram o relato de Zélio apenas mítico:
"Tal marco-mito já foi narrado ou mencionado inúmeras vezes nos mais diversos contextos, como livros de umbandistas e estudiosos da religião (duas categorias que obviamente podem se sobrepor), revistas umbandistas, sites diversos e apostilas formuladas por terreiros e federações. É difícil encontrar um texto, acadêmico ou não, sobre a umbanda (a não ser quando trata de questões muito específicas) que não faça uma referência direta ou indireta a ele, tratando-o como mito propriamente dito ou como marco histórico."

Em outro artigo de André de Oliveira Pinheiro chamado Mito Fundador, Tradição e Tensões no Campo Umbandista, ele deixa claro que que a estória de Zélio é apenas um mito fundador, no sentido de uma narrativa que aparece como solução IMAGINÁRIA:
"A anunciação da Umbanda pelo Caboclo das Sete Encruzilhadas, por meio da mediunidade de Zélio Fernandino de Moraes, é relatada na Revista Espiritual de Umbanda nº 01, em matéria intitulada 'A primeira manifestação oficial da Umbanda'. No texto estão relatados os principais episódios deste mito fundador, cujas versões – sempre com algumas variações – circulam no meio umbandista e transmitem certa visão das origens da Umbanda. Ao explicar o que é um mito fundador, Marilena Chauí esclarece que a palavra 'mito' deve ser compreendida no sentido antropológico, como uma narrativa que aparece como solução imaginária para tensões, conflitos e contradições que não encontram caminhos para serem resolvidos no nível da realidade. Já o termo 'fundador' refere-se a um momento passado imaginário, tido como instante originário que se mantém vivo e presente no curso do tempo."

Outro artigo que deixa claro que se trata de um mito fundador: A invenção do Brasil no mito fundador da Umbanda.


As referencias podem se multiplicar aos milhões. É só pesquisar origem da umbanda ou mito fundador da umbanda no Google acadêmico ou no Google livros. Com o tempo vou adicionando novas informações e fontes nesse artigo.


Fonte: Eric Pacheco

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