quinta-feira, 29 de julho de 2010

SAUDAÇÃO AO PAI Ery Lopes

Mais um videoclipe de música espírita: "SAUDAÇÃO AO PAI", com Ery Lopes. A gravação é uma versão musicada do poema composto por Giselle Carvalho, colaboradora do Portal Luz Espírita como monitora do nosso Curso on-line de Espiritismo.
Confira:


Acesse o Painel da Música Espírita e baixe o arquivo mp3 dessa e de outras canções.


ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS?

O século passado foi o de quebrar fronteiras. Com a globalização, o mundo tudo se aproximou -- embora algumas nações tenham tomado o rumo contrário e tentaram se fechar ainda mais, especialmente sob bandeiras religiosas (como os países islâmicos).
Essa aproximação resultou em um turbilhão de conhecimentos novos jogados ao público e reformulação da matéria de História e concepções gerais.





Diante de novos estudos, novos mistérios foram levantados: desenhos semelhantes esculpidos em diversas partes do mundo (por civilizações que nunca se cruzaram), imagens de seres do além, de equipamentos futuristas, mapa mundi muito aproximado que remotam milênios, etc. Além das clássicas indagações: como foram construídas as pirâmides do Egito, as estátuas da ilha de Páscoa, o significado das linhas de Nasca, e muito mais.


Muitas teorias surgiram para explicar tais mistérios. Uma delas foi proposta pelo escritor suíço Erich Von Däniken, que supôs que astronautas, ou seres extraterrestres, vieram de outros planetas e esporadicamente executaram missões de contribuição à evolução humana. Segundo esse sistema, somente uma tecnologia muito à frente da dos homens de então poderia operar fenômenos como, por exemplo, a construção colossal da Esfinge. Segundo o autor, somente alguém que tenha sobrevoado o espaço poderia desenhar ou indicar o desenho da Terra como se vê em esculturas e pinturas rupestres encontradas na América, na África e na Ásia.
Essa teoria deu vida ao livro "ERAM OS DEUSES ASTRONAUTAS", escrito em 1969, rapidamente transformado em um best-seller. O sucesso literário gerou um filme documentário homônimo.
A tese do suíço é interessante e ganha muita mais lógica quando substituímos o termo "astronauta" por "Espíritos" -- os missionários da espiritualidade encarregados de ajudar no progresso da humanidade.
Pelas ideias inovadoras e pelos recursos espetaculares que dispunham (incompreendidos pelos homens), esses seres forma endeusados e o folclore tratou de fantasiar seus feitos.
O fato é que tudo esses mistérios aguçaram o interesse popular por pesquisas mais específicas e exigiram soluções teóricas racionais.
Somente com o Espiritismo podemos traçar um entendimento amplo sobre o desenrolar da nossa história e integrar passado, presente e futuro num contexto plausível.
E as tais "naves espaciais" ou "discos voadores", existem mesmo? Por que tanta gente afirma vê-los e outros negam piamente? Podemos supor que tais aeronaves realmente sejam realidade se as colocarmos em contato com a literatura espírita -- por exemplo, de André Luiz --, pelas quais, os missionários da Luz viajam às superfícies mais densas (como o plano físico) e que podem ser vistas sim por aqueles que dispõem da clarividência mediúnica. Se hoje a nossa atmosfera já está menos cristalzada, nos primórdios da civilização ela poderia ser tão condensada a ponto de obrigar que visitantes extracorporais fizesse uso dessas aparelhagens mais grosseiras.
Sem o auxílio da espiritualidade -- através da mediunidade e da vinda dos missionários da Luz -- a humanidade não alcançaria a evolução atual. A ignorância transformou as entidades em deuses e os médiuns em seres extraordinários.
No YouTube, você tem a opção de assistir ao documentário de Däniken. Veja a seguir, o vídeo com a 1ª parte:


NOSSO LAR - O FILME: 3 de setembro nos cinemas


quarta-feira, 28 de julho de 2010

ELIZABETE LACERDA - NOVA CANÇÃO

A cantora e compositora espírita Elizabete Lacerda acaba de lançar seu novo CD -- "Em Canto" -- e publica no YouTube o videoclipe de uma das faixas: "TUM TUM TUM", é a linda música espírita, com temática infanto-juvenil.

terça-feira, 27 de julho de 2010

ROGÉRIO H. LEITE NO NÚCLEO A CAMINHO DA LUZ

SESSÃO ESPECIAL DE PSICOGRAFIA NO NÚCLEO A CAMINHO DA LUZ

No próximo sábado teremos no nosso Núcleo Espírita A Caminho da Luz o trabalho de "Cartas Consoladoras" com o médium Rogério H. Leite.



Veja uma reportagem especial em que Rogério Leite aparece no programa "Mais Você" (Rede Globo) deAna Maria Braga. O médium psicografou uma carta para os pais do menino João Hélio (brutalmente assassinado durante uma assalto).

Rogério Leite no "Mais Você":



O médium também foi entrevistado pelo Netinho de Paula, no programa "Show da Gente" (SBT):

Rogério responde à equipe Luz Espírita sobre como é o processo mediúnico de seu trabalho:

PARTE 1


PARTE 2



Leitura da carta de Felipe Forner, psicografada por Rogério H. Leite (publicação autorizada pela família):

PARTE 1:



PARTE 2:


quinta-feira, 22 de julho de 2010

CONVENÇÃO MUNDIAL NO UMBRAL

Recebemos e ponderamos ser relevante para repassarmos a todos:

Convenção Mundial no Umbral!

A Reunião das Trevas

O Chefe dos Espíritos das Trevas convocou uma Convenção Mundial de obsessores.
Em seu discurso de abertura, ele disse:
"Não podemos impedir os cristãos de irem aos seus templos."
"Não podemos impedi-los de ler os livros e conhecerem a verdade."
"Nem mesmo podemos impedi-los de formar um relacionamento íntimo com os Espíritos Elevados e Jesus.
“E, uma vez que eles ganham essa conexão com os Espíritos Elevados e Jesus, o nosso poder sobre eles está quebrado.”
"Então vamos deixá-los ir para seus Centros Espíritas e suas igrejas, vamos deixá-los com os almoços e jantares que neles organizam, MAS, vamos roubar-lhes o TEMPO que têm, de maneira que não sobre tempo algum para desenvolver um relacionamento elevado". "O que quero que vocês façam é o seguinte"- disse o obsessor-chefe:
"Distraia-os a ponto de que não consigam aproximar-se de Jesus e dos espíritos superiores."
- Como vamos fazer isto? Gritaram os seus asseclas.
Respondeu-lhes:
"Mantenham-nos ocupados nas coisas não essenciais da vida, e inventem inumeráveis assuntos e situações que ocupem as suas mentes."
"Tentem-nos a gastarem, gastarem, gastarem, e tomar emprestado, tomar emprestado..."
"Persuadam as suas esposas a irem trabalhar durante longas horas, e os maridos a trabalharem de 6 à 7 dias por semana, durante 10 à 12 horas por dia, a fim de que eles tenham capacidade financeira para manter os seus estilos de vida fúteis e vazios."
"Criem situações que os impeçam de passar algum tempo com os filhos."
"À medida que suas famílias forem se fragmentando, muito em breve seus lares já não mais oferecerão um lugar de paz para se refugiarem das pressões do trabalho".
"Estimulem suas mentes com tanta intensidade, que eles não possam mais escutar aquela voz suave e tranquila que orienta seus espíritos".
"Encham as mesinhas de centro de todos os lugares com revistas e jornais".
"Bombardeiem as suas mentes com noticias, 24 horas por dia".
"Invadam os momentos em que estão dirigindo, fazendo-os prestar atenção a cartazes chamativos".
"Inundem as caixas de correio deles com papéis totalmente inúteis, catálogos de lojas que oferecem vendas pelo correio, loterias, bolos de apostas, ofertas de produtos gratuitos, serviços, e falsas esperanças".
"Mantenham lindas e delgadas modelos nas revistas e na TV, para que os maridos acreditem que a beleza externa é o que é importante, e eles se tornarão mal satisfeitos com suas próprias esposas"...
"Mantenham as esposas demasiadamente cansadas para amarem seus maridos. Se elas não dão a seus maridos o amor que eles necessitam, eles então começarão a procurá-lo em outro lugar e isto, sem dúvida, fragmentará as suas famílias mais rapidamente."
"Dê-lhes Papai Noel, para que esqueçam da necessidade de ensinarem aos seus filhos, o significado real do Natal."
"Dê-lhes o Coelho da Páscoa, para que eles não falem sobre a ressurreição de Jesus, e a Sua mensagem sobre o pecado e a morte."
"Até mesmo quando estiverem se divertindo, se distraindo, que seja tudo feito com excessos, para que ao voltarem dali estejam exaustos!".
"Mantenha-os de tal modo ocupados que nem pensem em andar ou ficar na natureza, para refletirem na criação de Deus. Ao invés disso, mande-os para Parques de Diversão, acontecimentos esportivos, peças de teatro banais, apresentações artísticas mundanas e à TV entorpecedora. Mantenha-os ocupados, ocupados."
"E, quando se reunirem para um encontro, ou uma reunião espiritual, envolva-os em mexericos e conversas sem importância, principalmente fofocas, para que, ao saírem, o façam com as consciências comprometidas".
"Encham as vidas de todos eles
com tantas causas supostamente
importantes a serem defendidas
que não tenham nenhum tempo para buscarem a espiritualidade e Jesus".
Muito em breve, eles estarão buscando, em suas próprias forças, as soluções para seus problemas e causas que defendem, sacrificando sua saúde e suas famílias pelo bem da causa."
-"Isto vai funcionar!! Vai funcionar !!"
Os espíritos trevosos ansiosamente partiram para cumprirem as determinações do chefe, fazendo com que os cristãos, em todo o mundo, ficassem mais ocupados e mais apressados, indo daqui para ali e vice-versa, tendo pouco tempo para Deus e para
suas famílias.
Não tendo nenhum tempo para contar
a outros sobre a sublimidade e o poder do Evangelho de Jesus para transformar suas vidas.

Creio que a pergunta é:

-- Teve o Obsessor-chefe sucesso nas suas maquinações?


PROGRAME-SE



terça-feira, 20 de julho de 2010

ORIGEM DO ECTOPLASMA

MUITOS AUTORES DE LIVROS DE CIÊNCIA ESPÍRITA VÊM SE ESFORÇANDO PARA DEFINIR ONDE SE FORMA E DE ONDE VEM ESSE FLUIDO SEMIMATERIAL CONHECIDO COMO ECTOPLASMA NOS ORGÃOS HUMANOS.

O Professor Matthieu Tubino, autor do livro Um Fluido Vital Chamado Ectoplasma (Pub. Lachâtre), na página 36 de sua relevante obra de pesquisas, diz que o ectoplasma “se forma no aparelho digestivo, e por todo corpo, nas células, embora em quantidades e qualidades diferentes, onde o sangue pode carregá-lo até os pulmões, onde o libera da mesma forma que o CO2”.

O Dr. Luciano Munari, médico e autor do livro Ectoplasma: Descobertas de um Médico Psiquiatra (Ed. Do Conhecimento, página 62), no qual apresenta pesquisas com pacientes necessitados, faz uma consideração: “O órgão chave do ectoplasma talvez fosse o fígado”.

Peço a devida licença para apresentar a minha opinião a respeito, também como pesquisador nestes assuntos ao longo de dez anos.

Muito embora eu não seja um cientista acadêmico e laboratorial, e tampouco médico, acostumado a trafegar com enfermos nos corredores de hospitais e manicômios psiquiátricos, sou um especialista em analisar cenários de crimes, principalmente nos quais houver uma vítima de homicídio. Assim, no dia a dia sou pago para descobrir pessoas que mentem, que enganam, que driblam a Justiça, que cometem os mais diversificados delitos, entre eles os crimes de morte, nos quais sempre deixam indícios ou vestígios que podem ser levantados, às vezes, por meio de uma simples gota de sangue obtida no local.

Essa experiência me trouxe certos privilégios em determinadas áreas investigativas com cenários de crimes, com o nome técnicos de perinecroscopia, que contém vestígios de sangue; hoje, com o avanço da genética (DNA), obtêm-se descobertas incríveis.

Assim sendo, de posse dessas tecnologias e conhecimentos científicos, apliquei uma metodologia na análise científica com respeito ao assunto da origem do ectoplasma.

Assim, minhas investigações e conclusões se deram da seguinte forma. Primeiro, li tudo o que possa existir a respeito desses assuntos, inclusive todo o acervo das revistas RIE (Revista Internacional de Espiritismo. Matão, SP), desde sua fundação. Livros e mais livros, dos mais diversificados autores, entre eles os mais atualizados, com destaque para as obras do Hernani Guimarães Andrade.

Entre tantos autores que me chamaram a atenção, quero mencionar em primeiro lugar o nome do Carlos de Brito Imbassahy, renomado professor de física, pesquisador e escritor de assuntos da mecânica quântica. Embora sendo um profissional da área dos números, ou seja da matemática, oposta à área das ciências da saúde, escreveu um artigo que me fez despertar para a pesquisa em pauta.

Escreveu ele: “Inclassificável, eosinófilo que faz parte do grupo dos leucócitos polinucleares e que ao que tudo indica é célula orgânica onde mais fácil se detecta no núcleo do citoplasma, alguma coisa que funciona semirradioativamente sem ser nenhuma radiação física como a luz, o som, o calor, apresenta elementos químicos como carbono, fósforo, hidrogênio, sob forma de elemento, isto é átomo, sem formar nenhuma das moléculas específicas. Os eosinófilos estão ligados intimamente aos problemas alérgicos...” (Artigo publicado nas páginas 378 e 379 da RIE, de janeiro de 1993).

Posteriormente, li a obra de Hernani Guimarães Andrade, Espírito, Perispírito e Alma (Ed. Didier), outro gigante das ciências exatas e dos estudos científicos do Espiritismo. Nas páginas 169 e 170, por meio das citações de SCHRENCK-NOTZING, diz que as coletas de ectoplasma em análises em laboratório encontraram grandes quantidades de leucócitos ou glóbulos brancos.

“A medula óssea é o local dentro dos ossos humanos, no qual se produz e origina o sangue, por meio das células-tronco, produzindo-se assim os glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas sanguíneas”.

ISSO JÁ É SUFICIENTE PARA NOS dar uma pista, um vestígio ou uma suspeita, como é chamado no mundo do crime. Não é por acaso que aquele leucócito estava no material expelido pela médium polonesa Stanislawa.

Por que essa célula inteligente de defesa do organismo estava presente no ectoplasma? Por que o pesquisador Carlos de Brito Imbassahy menciona em seus estudos os glóbulos brancos, da espécie eosinófilo, responsável por combater alergias no corpo humano?

Por que inúmeros médiuns de efeitos físicos, ao cederem materiais ectoplasmático, reclamam de problemas alérgicos, principalmente nas mucosas da boca?

Se os glóbulos brancos ou leucócitos são produzidos pela medula óssea, logo esta seria também a responsável pela produção de ectoplasma no corpo humano?

Portanto, em parte concordo com a opinião dos pesquisadores atuais, como Matthieu Tubino, quando afirmam que o ectoplasma pode se originar nas células.

Acrescento ainda que, uma vez que o ectoplasma pode ter a origem nas células inteligentes dos glóbulos brancos e células sem núcleos, as quais podem ser os glóbulos vermelhos, acredito que sua origem esteja ligada à medula óssea.

Para nosso conhecimento, a medula óssea é o local dentro dos ossos humanos, mais conhecido como tutano do osso, no qual se produz e origina o sangue, por meio das células-tronco, produzindo-se assim os glóbulos vermelhos e plaquetas sanguíneas.

João Alberto Fiorini de Oliveira é o autor do livro "REENCARNAÇÃO"


segunda-feira, 19 de julho de 2010

TEATRO NO A CAMINHO DA LUZ

CURSO ON-LINE


Nossa equipe já está processando o cadastro dos aprendizes continuadores e dos novos inscritos no nosso curso on-line "ESPIRITISMO - Estudo Sistematizado".
Pelo novo sistema, que estamos implementando a partir deste semestre, os interessados vão sendo cadastrados num sistema de fila: na medida em que forem surgindo as vagas, são preenchidas de acordo com a ordem de inscrição. Já os continuadores, vão sendo distribuídos aos monitores automaticamente.
O estudo é destinado especialmente àqueles que, por uma razão qualquer, não dispõem de oportunidade de frequentar um curso presencial em uma Casa Espírita.
Mais informações no nosso Portal Luz Espírita.

domingo, 18 de julho de 2010

CARLOS TORRES PASTORINO

Recebemos e repassamos, com satisfação:

CARLOS TORRES PASTORINO
Ele foi escritor, poeta, jornalista, historiador, músico, filósofo, poliglota, emérito conhecedor de seis línguas vivas sem falar no seu profundo conhecimento de latim e grego clássico e das abordagens ao hebraico e sânscrito. Tudo isso e mais: ensinava sem impor, partilhando convívio de homem sem rancores, aberto a tudo e a todos, graças a sua vivência evangélica. Na sua biblioteca havia "apenas" quinze mil volumes.
Autor de 28 obras publicadas incluindo-se a "Sabedoria do Evangelho" da qual somente oito volumes foram editados. Traduziu Pietro Ubaldi de quem foi amigo, compôs 31 peças musicais para piano, orquestra, quarteto de cordas e polifonia a três e quatro vozes.
Era um homem simples, modesto, despojado de ilusões. Nasceu no dia 4 de novembro de 1910.
Era carioca e desencarnou em 13 de junho de 1980, em Brasília no Hospital das Forças Armadas.
Com apenas 14 anos bacharelou-se em Geografia, Corografia, Cosmografia e Português no famoso Colégio Pedro II. Em 1929 estava em Roma tocado por vocação religiosa sendo aprovado pelos examinadores pontifícios para diversas Ordens Menores. Em 1931 foi aprovado para a Ordem do Sub Diaconato; finalmente em 1934 recebeu o diploma final "cum laude" dos Cursos de Filosofia e Teologia (PHD) pelo Colégio Internacional Santa Maria Zaccaria. Quando se preparava para promoção a Diácono, decepcionado ante a "recusa" de Pio XII em receber o Mahatma Gandhi com seu habitual traje branco, renunciou ao sacerdócio e mudou seu rumo para sempre...Voltou para o Brasil. Tornou-se jornalista, escritor, critico de arte, professor de Psicologia, Lógica, História da Filosofia, Latim e Grego. Preparou-se, estudou muito e foi aprovado após concurso de títulos e provas com defesa de tese para Cátedra do Colégio Pedro II, foi professor de Latim no Colégio Militar do Rio de Janeiro.
Mais tarde, 1971, o Conselho Federal de Educação aprovou-o como titular de Língua e Literatura Latina, Língua e Literatura Grega (1972) e de Lingüística (1974) para a Universidade Federal de Brasília. Já havia sido aprovado Tradutor Publico de francês, italiano e espanhol.
No dia 31 de março de 1950, Pastorino contava com 39 anos e terminara a leitura de O Livro dos Espíritos, que recebera por empréstimo de um colega seu do Colégio Pedro II. Nessa data, que guardaria com muito carinho, consciente das verdades contidas na magistral obra codificada por Allan Kardec, declarou-se espírita e resolveu aprofundar-se no conhecimento doutrinário. Passou a freqüentar o Centro Espírita Júlio Cesar, no bairro do Grajaú (RJ), o qual foi sua escola inicial de Espiritismo. Revelando tanto interesse pela causa, logo foi convidado a fazer parte da diretoria. Um ano depois, com um grupo de abnegados companheiros, fundava o Grupo Espírita Boa Vontade, posteriormente mudado para Grupo de Estudos Spiritus.
No Grupo de Estudos Spiritus, onde Pastorino exercia a presidência, nasceu o Lar Fabiano de Cristo, que também contou com a sua marcante atuação na presidência. Juntamente com o coronel Jaime Rolenberg de Lima e outros seareiros espíritas, fundou o boletim SEI (Serviço Espírita de Informação), a CAPEMI- Caixa de Pecúlio dos Militares Beneficente, exercendo o cargo de vice-presidente. Fundou e se tornou diretor da Livraria e Editora Sabedoria e da revista com o mesmo nome, prestando através do órgão, relevantes serviços ao Espiritismo, no terreno cultural, preenchendo a ânsia de novos conhecimentos dos adeptos e satisfazendo indagações daqueles que se interessavam pelos trabalhos de pesquisa no campo da fenomenologia mediúnica.
A operosidade do professor Pastorino logo se propalou. Seu nome aureolado de respeito e admiração tornou-se fonte de referência. Sua ação incessante foi levantando bem alto a bandeira do Espiritismo, à medida em que realizava muitas palestras no Rio de Janeiro e em outros Estados brasileiros. Participou ativamente de congressos, seminários espíritas, simpósios, cursos e outros eventos. Foi vice-presidente do 60º Congresso Brasileiro de Jornalistas e Escritores, de 1976, em Brasília, e um dos fundadores da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas - ABRAJEE - e fez-se também sócio de inúmeras instituições espíritas. Colaborou com a imprensa espírita nacional e do exterior.
A grande aspiração do professor Pastorino era criar uma Universidade Livre, para ensinar sabedoria, sonho que acalentava desde 1952. Em 1973 recebeu, por doação do dr. Miguel Luz, famoso médico paulista, já desencarnado, magnífico terreno numa área suburbana de Brasília, denominada Park Way, onde iniciou as obras da Universidade. Já com algumas dependências construídas, passou a residir no local, para administrá-la, onde chegou a realizar vários cursos. No propósito de propagar os ideais reencarnacionistas, Pastorino, a partir daí, enfrentou a diversidade de opiniões e idéias conflitantes com o seu modo de pensar.
Como homem, como vivência, como exemplo, o professor Carlos Torres Pastorino foi um dos horizontes espirituais que marcaram a Era do Espiritísmo. Na sua vasta bibliografia espiritualista destacam-se: Sabedoria do Evangelho - publicado em fascículos na Revista Sabedoria. A excelente obra Técnicas da Mediunidade é muito apreciada pelos estudiosos da Doutrina Espírita, visto que poucos livros exploram com tanta acuidade a diversidade das manifestações espirituais. Na referida obra, o valoroso seareiro, em linguagem agradável e perspicaz, explica a complexidade da fenomenologia espírita e orienta como os médiuns devem agir diante dos fenômenos, buscando maior discernimento das comunicações.
Minutos da sabedoria - No prefácio da consagrada obra, o professor Pastorino
assím se expressa: "( ... ) A Sabedoria Eterna é patrimônio da humanidade que busca elevar-se moral, intelectual e espiritualmente ( ... ) este é um livro para ser conservado à mão e aberto nos momentos de depressão, a fim de aí buscar um pouco de lenitivo ao espírito perturbado ( ... )".
Entre os vários pensamentos reunidos na obra, o professor Pastorino enfatiza: "(.. ) O Pai habita em todas as coisas criadas chamando todas as criaturas para o caminho da justiça, da virtude, do amor ( ... ) Deus está dentro de você. Saiba descobri-Lo e terá conquistado a felicidade ( ... )".
Homem de ação infatigável, Pastorino, após sua desencarnação, não silenciou, prosseguiu mandando-nos páginas belíssimas do Além; mensagens psicografadas por Carlos A. Baccelli entre outros médiuns conhecidos.
Eis aí, e aqui, Carlos Pastorino, mais vivo que nunca ensinando, pregando, escrevendo: a morte é vida!

Obs.: O Divaldo Franco psicografou um livro da autoria do Prof. Pastorino: "Impermanência e Imortalidade"
Bem, espero que apreciem este grandioso trabalho.
abraços
Claudio

sexta-feira, 16 de julho de 2010

CASA AMIGA NO LUZ ESPÍRITA


O Portal Luz Espírita está agregando a Associação Beneficente Espírita CASA AMIGA.entre seus Núcleos.

O endereço é:
Rua A, 114, Jd Camargo Novo
(próxima ao Supermercado Extra)

Atividades:
Segunda-feira 20h - Evangelho e Passe.
Quarta-feira 20h - Estudo Mediúnico.
Quinta-feira 20h - Estudo da Doutrina.
Sexta-feira 20h - Reunião Mediúnica.

A casa também possui biblioteca e oferece Cursos de Informática.



ORKUT LUZ ESPÍRITA


Estamos recebendo muitos convites para adicionar novos amigos no Orkut Luz Espírita, no entanto, devemos dizer que o sistema atual tem um limite máximo de adições e o nosso já está lotado.
Assim, infelizmente, não temos como incluir mais ninguém na lista de amigos, mas nosso conteúdo lá é aberto (fotos, vídeos, mensagens, eventos, etc.) para que todos possam participar.
Quem sabe os técnicos do Orkut não resolvem ampliar a cartela de adicionamentos, não? Afinal, somos uma família muito grande e a cada dia só cresce.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

CHICO XAVIER NA ONU




No dia 6 de agosto será realizado o evento "Tributo a Chico Xavier" num dos auditórios da ONU (Organização das Nações Unidas), em Nova Iorque (EUA), em uma promoção da United Nations Staff Recreation Council (LNSRC) e Society for Enlightenment And Transformation (SEAT). Será apresentado o filme Chico Xavier, seguido de uma mesa redonda com produtores e atores do filme e diretores da FEB e do Conselho Espírita Internacional.

NOSSO LAR - O FILME: 3 de setembro nos cinemas

QUEM PERDOA, LIBERTA

Vida após a morte será tema de dissertação na PUC de São Paulo

O assunto não tem nada a ver com religião, apesar de falar de vida após a morte. Sonia Rinaldi há mais de 20 anos pesquisa o assunto e prepara-se para um desafio hercúleo: levar para um ambiente totalmente cético algo que comumente é tratado com crença. Ela vai defender, a partir deste ano, uma tese de mestrado na PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, intitulada “Transcomunicação: Interconectividade entre Múltiplas Realidades e a Convergência de Ciências para a Comprovação Científica da Comunicabilidade Interplanos”, com a qual pretende comprovar que após a morte do corpo físico a consciência sobrevive.

Essa consciência, segundo Sonia, classificada de vários nomes, mantém sua individualidade, história, aquisições morais e intelectuais, além de ter capacidade de comunicação com o mundo da matéria. Atualmente, como uma das coordenadoras do Instituto de Pesquisas Avançadas em Transcomunicação Instrumental, Sonia passa seus dias conectando aparelhos de gravação de áudio e vídeo, buscando contato com o que convencionamos chamar de “o outro lado da vida”.

Para a pesquisadora, o fato deste tipo de abordagem adentrar o mundo acadêmico é uma conquista que só será percebida no futuro, mas que trará benefícios para toda a Humanidade: “É chegada a hora de sair da infância e encarar a realidade da nossa evolução contínua.”, diz Sonia.

Acompanhe a entrevista exclusiva concedida por Sonia Rinaldi ao editor da NovaE.

Após 20 anos de pesquisa, como a ciência clássica, baseada em conceitos da matéria, vem encarando o seu trabalho?
A Ciência, de forma ampla, está longe de se interessar. Uns tantos cientistas mundo a fora vêm trabalhando no sentido de documentar a realidade da sobrevivência após a morte. Porém, quer nos parecer que nenhum fenômeno é mais concreto - e, portanto, suscetível de toda sorte de análises e investigação, como requer a Ciência -do que a Transcomunicação Instrumental – ou seja, a comunicação com o Outro Lado da Vida através de gravações em computador e vídeo. Este ano de 2009 traz uma nova rota para nossa pesquisa, pois inicio Mestrado na PUC – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, justamente para levar a Transcomunicação ao meio acadêmico, coisa que jamais ocorreu na História. Veremos, daqui a uns anos, o que teremos conseguido.

Como foi o processo de aprovação de sua tese de mestrado, sobre este assunto tão avesso ao mundo acadêmico?
Chegaram a me chamar na PUC para eu mudar minha tese, mas não aceitei. Tenho premência em conduzir a pesquisa conforme a proposta, pois minha tese não será simples – propus uma mega-tese multidisciplinar, pois já considerei o fato de que eu, sozinha, seria inapta para comprovar qualquer coisa. Propus a participação de engenheiros, físicos e matemáticos – todos com doutorado, para que sejam eles que avaliem, dentro dos parâmetros requeridos pela Ciência, que o fenômeno é real. A minha parte é levantar a ocorrência do fenômeno – a deles será endossar a autenticidade e – dentro das possibilidades –, tentar explicá-lo.

Quem serão os maiores beneficiados com a comprovação científica da sobrevivência após a morte?
A meu ver, a própria Humanidade, que deixará de se enganar. É como se fosse chegada a hora de sair da infância e encarar a realidade da nossa evolução contínua.

Você pode explicar aos nossos leitores, em sua maioria, leiga neste assunto, o que seria a hipótese "sobrevivencialista" em contraposição à hipótese "psi"?
Quem é a favor da sobrevivência após a morte vê a coisa como sendo o ser humano composto de um corpo e uma alma, ou espírito. Na morte do corpo físico, esse espírito ou consciência, prosseguiria na jornada. Esse é o ponto de vista dos espiritualistas. Já uns tantos parapsicólogos acham que os fenômenos paranormais não são resultado de uma intervenção espiritual, mas sim, produto da própria mente de quem produz o fenômeno. No caso da Transcomunicação, exaustivamente essa segunda hipótese fica descartada, por uma série de fatores que não arrolaremos para não nos estendermos. Mas sumarizamos dizendo que as Vozes que gravamos falam de coisas que ninguém sabia, dão nomes de pessoas, cidades de origem, etc., que o transcomunicador nunca ouviu falar. Filhos falecidos mencionam peculiaridades que só a família sabe, etc. Não há a menor possibilidade de ser produto da mente de alguém. Necessariamente, os contatos mostram que estamos em contato com seres que já partiram.

Como são realizadas suas experiências de gravação? Qual é sua rotina de pesquisadora?
Agora, com o Mestrado, tudo girará em função disso, e as gravações serão feitas para que os cientistas que participarão da tese possam ter mais e mais elementos de estudo. Fora disso, vou continuar dando uma aula por mês de como gravar para as pessoas interessadas.

Nos workshops realizados por você, como as pessoas têm reagido ao contato com entes que se foram? Na mesma linha desta questão, a saudade e a necessidade de um contato não podem prejudicar uma análise racional?
Em todos os cursos (workshops) que damos, todos obtêm resultados de seus falecidos e aprendem a gravar. Não há como comprometer a interpretação, porque, ou a resposta está lá ou não está. Nossas gravações há anos são bem claras... não deixam margem de dúvida ou permita dúbia interpretação. Se a gravação/resposta não for clara, será descartada.

Quando se fala em vida após a morte, as pessoas fazem logo uma conexão com religião, que, no sentido clássico, vai na contramão da pesquisa científica. Como você lida com isto?
Religião que se esconde atrás de dogmas e não respeita a lógica deve estar com os dias contados. A globalização e o avanço tecnológico despertaram a racionalidade, e a visão setorizada tende a mudar. Ou algo é "verdade" ou não merece crédito. E tudo que é "verdade" tem que ser passível de análise e investigação. Há de chegar o tempo em que o ser humano dispensará supostas leis divinas, sejam lá quais forem, que não passem pelo crivo da lógica racional.

Considerando a hipótese sobrevivencialista, quais as diferenças deste contato em relação à psicografia, já que as gravações captam pequenas frases, às vezes com uma estrutura gramatical inversa, bem diferente dos livros mediúnicos, que são verdadeiros tratados, romances, com estruturas complexas...
A diferença fica por conta de que tudo que não pode ser matematicamente investigado, fica excluído do interesse da Ciência. Até hoje, centenas de médiuns têm dado importante contribuição no sentido filosófico e social; porém, fica fora da possibilidade da comprovação da realidade disso. Já no caso da Transcomunicação, qualquer "alô!" vem com um peso incontestável diante dos olhos de um cientista. Por isso, penso que a Transcomunicação Instrumental é o veiculo mais poderoso para comprovar que se vive depois da morte, além, claro, de levar consolo a milhares de pessoas que sofrem com a perda de alguém querido.

Por Manoel Fernandes Neto
Fonte: Nova E

EVENTOS ESPÍRITAS



quarta-feira, 14 de julho de 2010

ELIZABETE LACERDA - NOVO CD

Neste domingo, 11 de julho, a Música Espírita ganhou mais uma coletânea de pérolas harmoniosas através do novo álbum "Em Canto", de Elizabete Lacerda. O lançamento oficial ocorreu na Comunhão Espírita de Brasília (L2 Sul, Quadra 604, Lote 27 - CEP 70200-640 Brasília, DF) e as imagens dessa linda festa você vê agora:






Os interessados em conferir mais esse trabalho especial de Elizabete Lacerda, podem fazer o pedido diretamente à cantora: elizabetelacerda@gmail.com.
Acesse também a página dela no Painel da Música Espírita clicando aqui.

ROGÉRIO H. LEITE NO "MAIS VOCÊ" DE ANA MARIA BRAGA


Programa Ana Maria Braga destaca o Espiritismo, a mediunidade a psicografia, em que exibe reportagem especial com a comunicação do Espírito do menino João Hélio (morto brutalmente durante um assalto), através do médium Rogério H. Leite.


Veja a reportagem completa no Portal da Globo clicando aqui.

Lembramos também que o médium Rogério H. Leite trará seu trabalho de psicografia "Cartas Consoladoras" ao nosso Núcleo A Caminho da Luz, dia 31 deste mês de julho.

HUMANIZAR EM RECIFE

PROGRAME-SE



terça-feira, 13 de julho de 2010

UM FORRÓ NO UMBRAL

UM FORRÓ NO UMBRAL

Adaptado de um dos contos do livro de mesmo nome, de Saara Nousiainen, formulando novas idéias e propostas importantes neste período de transição para um novo tempo.

Anastácio cambaleia nos sofrimentos de um enfarte. Aperta o peito com as mãos. Cai, estrebuchando nas angústias do desencarne e, finalmente, fica imóvel.
Sente-se arrastado, não sabe para onde. Aos poucos, começa a ouvir gemidos, gargalhadas e uivos distantes, que vão se aproximando. Reflexos de luzes alaranjadas e avermelhadas de uma fogueira dão ao ambiente um tom umbralino. Figuras grotescas, suadas e com as roupas em desalinho, arrastam-se ao som de uma sanfona desafinada e estridente, que toca música de forró. A um canto, um homem observa. É Jerônimo, administrador daquele núcleo. Anastácio também começa a dançar junto com os outros, movido por forças estranhas. Tenta parar e não consegue. Finalmente se deixa arrastar naquela dança estranha, enquanto grita:
– Mas o que é isso?... Será que estou ficando louco? Por que não consigo parar?
Desesperado, levanta o rosto para o alto:
– Meu Deus, o que está acontecendo?... Me ajuda! Tem misericórdia de mim!
De repente, a música pára e todos se estendem no chão, exaustos. Anastácio, olhos esbugalhados, apalpa-se, belisca-se, enquanto diz, aflito:
– Acho que isto é um pesadelo... Quero acordar!
Jerônimo se aproxima. O tom da voz denota piedade, quando diz:
– Passou a vida inteira em centro espírita e não percebe que já desencarnou...
– Eu...? Desencarnei...? Que brincadeira é essa?
Reflete um pouco, esfrega o rosto e, começando a convencer-se de que morreu, uma expressão de desespero toma conta do seu rosto, de todo o seu ser. Chora. Aos poucos reage e fala, revoltado:
– Então é assim?... Uma vida inteira votada ao Espiritismo... e termino num horrível e asqueroso forró?... Olha na direção do núcleo do forró e conclui:
No Umbral... com certeza!
Desesperado, agarra Jerônimo pela camisa e pergunta, aos gritos:
–Que significa isto? Alguém tem que me explicar!
– Calma, Anastácio! Quer complicar ainda mais sua situação?
Olhando mais atentamente para Jerônimo, Anastácio exclama:
Mas você é o Jerônimo. Você foi diretor da área doutrinária do centro. Como é que veio parar aqui?
Esfrega os olhos, o rosto, como a querer libertar-se de um pesadelo.
– Coisas da vida, meu caro – responde tranqüilamente Jerônimo.
– Só posso estar ficando louco! – exclama Anastácio.
– Não, Anastácio. Você não está louco... nem eu. Nós apenas nos enganamos, na Terra.
– Como? Então o espiritismo é mentira? Tudo aquilo que aprendemos é mentira?
– Não, meu amigo. A mentira estava em nós mesmos.
– Mas isso é um absurdo, uma injustiça!
Olha com ar de superioridade para Jerônimo, dizendo:
– Você, na verdade, bem que merece estar aqui, porque nunca foi um espírita decente. Além de irresponsável, sempre foi devasso. Pensa que não sabíamos? Chegou ao cúmulo de seduzir uma jovem da Mocidade... e o que foi que fez?... Hein?
Jerônimo baixa a cabeça, envergonhado. Anastácio continua:
– Induziu a garota a fazer aborto. Todos nós sabíamos disso.
Jerônimo levanta o rosto com ar de profunda mágoa dizendo, em tom de revolta:
– E não me disseram nada! Vocês são quase tão culpados quanto eu. Vocês, que se davam ares de grandes espíritas, praticantes do Evangelho... Para tudo tinham resposta na ponta da língua, como se fossem os porta-vozes do plano superior. Você, então, que era o mais procurado pelas pessoas que buscavam orientação, por que nunca me repreendeu? Por que nunca me aconselhou?
Anastácio abre a boca para responder, mas... dizer o quê? Jerônimo, abatido ao peso da mágoa, deixa-se cair no chão e põe a cabeça entre as mãos. Sua fala é quase um lamento:
– Eu sabia que aquilo estava errado, mas a tentação foi grande demais. A garota me deu bola e... foi uma paixão furiosa. Depois a gravidez, o medo da mulher descobrir... O escândalo. Eu sabia que vocês tinham conhecimento de tudo, mas como ninguém me aconselhou... como nada disseram... Achei que estavam aceitando tudo com naturalidade e eu também acabei acreditando que não estava tão errado assim.
Anastácio fica profundamente consternado. Finalmente exclama:
Meu Deus, eu nunca tinha pensado por esse enfoque!
Como falando a si mesmo, continua:
Mas você tem razão. Numa comunidade espírita as culpas de um atingem também aqueles que nada fazem para ajudá-lo a se corrigir.
A música começa de novo e todos vão sendo arrastados por estranha força, para a dança. Só Jerônimo parece imune a ela. Numa das viravoltas Anastácio tropeça e cai, arrastando outro dançarino ao chão. Ao olhar-lhe o rosto, reconhece-o:
– Manoel! Você aqui?
Ia estender-lhe a mão mas observa, horrorizado, que suas mãos estão enroladas em panos sujos de sangue, de horrível aparência. Manoel procura esconder as mãos atrás das costas, envergonhado. Fala em tom humilde:
– Espero que você não permaneça muito tempo por aqui. Eu, bem que mereço. E nem sei quando vou sair. Talvez até me mandem mais para baixo.
Anastácio arregala os olhos, sem entender. Manoel continua:
– Aqui, é uma espécie de região intermediária entre a Terra e o Umbral. Os que carregam culpas mais pesadas e ficam, é porque algo sustou sua queda. No meu caso, foram as preces das pessoas que curei.
Enraizado nos velhos hábitos do orgulho, Anastácio diz, com certo ar de superioridade:
– É... Quanto a você é fácil entender que esteja aqui. Você era médium, espírita, e todos nós sabíamos que começou a cobrar pelas curas que realizava.
Conclui com ar de reprovação:
– Você ganhou verdadeira fortuna com o uso da mediunidade.
Manoel baixa os olhos e fala em tom magoado:
– É verdade. E vocês não me disseram nada. Só falavam pelas costas. Principalmente você, tão zeloso pela pureza doutrinária. Eu era pobre, precisava manter a família. Aí, comecei a receber presentes e quando me dei conta, tinha ido longe demais.
Olha indignado para Anastácio e conclui, num rompante:
– Por que você não me disse nada? Eu achava que se estivesse tão errado assim, os companheiros me chamariam a atenção. Como ninguém me censurou... fui caindo mais e mais.
Sentindo-se arrastado para o turbilhão alucinante fala, quase num grito:
– Por que você não me repreendeu? Devia ter brigado comigo, até mesmo me desmoralizado, agredido... Teria sido bem melhor.
Anastácio baixa a cabeça, pondo-se a chorar amargamente. Aos poucos vai se acalmando, por força do cansaço em virtude daquela estranha dança. A música pára de novo e todos caem no chão, exaustos. Tropeça em algo e se vê junto a um ser estranho, sem forma, cuja vida se manifesta em batimentos cardíacos desordenados.
Horrorizado, grita:
Mas o que é isso? Um abortado?... Essa, não!!! Desse aí, tenho certeza de não carregar nenhuma culpa. Nunca promovi nem permiti abortos.
Aquele ser estranho responde, com voz lamentosa:
– Eu fui levado a um centro espírita e fiquei esperando minha vez de ser atendido. Tinha certeza de que receberia alívio e poderia recompor meu corpo espiritual. Esperei com toda paciência enquanto você doutrinava um espírito que havia sido assassinado. Parece que era alguém muito importante e você passou a maior parte da sessão conversando com ele, fazendo perguntas e mais perguntas. Quando finalmente chegou a minha vez, era hora de encerrar e você não me deixou incorporar. Eu me desesperei e me agarrei à médium, mas você disse que era hora de encerrar e que ninguém mais poderia “receber” nenhum espírito. Eu fiquei tão revoltado, com tanto ódio de você, que fui arrastado para este lugar.
Perplexo, Anastácio diz:
– Ah, me lembro do caso. Mas não tive culpa. Se os dirigentes não cuidam da disciplina, a sessão vira bagunça.
A estranha figura responde, em tom humilde choroso:
– Eu não queria bagunçar nada. Só queria alívio para o meu sofrimento, que era grande demais...
Anastácio senta-se no chão, profundamente chocado, murmurando:
– Que situação! E eu que achava que seria recebido em Nosso Lar, quando desencarnasse. Tantos anos dedicado à causa. Que ironia! Em vez de Nosso Lar, este horrível Forró. No lugar do Ministro Clarêncio vir me receber, encontro um bando de estropiados e até um abortado! É demais! Não dá para agüentar.
Recompõe-se lentamente. O desespero e revolta dão lugar ao desalento. Continua:
– E o pior de tudo é essa sensação de culpa...
Olha para o abortado e fala, com o olhar perdido ao longe:
– O que será mais importante, a disciplina em nome da caridade... Ou a caridade em nome do amor?
A música recomeça e com ela Anastácio e os demais voltam a rodopiar, num louco e incontrolável frenesi, sem conseguirem parar. Quando finalmente silencia, Anastácio, vencido pelo cansaço, cambaleia e, pára não cair, agarra-se no cabelo de um mulher que está próxima. Ela dá um grito de dor, voltando-se para ele que, espantado, reconhece-a:
– Marieta! Você também está aqui?
Marieta fora uma das melhores palestrantes do movimento espírita local. De olhos arregalados pelo espanto, exclama:
– Anastácio? Nunca esperei que viesse para cá. Você... sempre tão certinho.
– É... nem eu esperava. E você, uma das melhores palestrantes que conheci, como é que veio parar aqui?
– Enganos, meu caro, enganos.
Quer dizer que veio para cá por engano? Como é que pode?
– Não, não! O engano foi meu. Eu fazia belas e emocionantes palestras e me achava o máximo. Eu vivia muito ocupada em estudar a Doutrina, porque queria ter sempre na ponta da língua a resposta para qualquer pergunta. Sentia uma grande satisfação em poder “esmagar” os outros, num debate, com minhas argumentações, muitas vezes ferinas. Na verdade, Anastácio, eu amava a mim mesma, à minha vaidade. Não pratiquei a fraternidade. Não respeitei meu próximo, como deveria, não respeitei as suas opiniões, seus pontos de vista. Eu achava que era a dona da verdade, e não percebi que a verdade tem muitas facetas, uma para cada momento evolutivo. E vocês que me criticavam pelas costas nunca tiveram fraternidade suficiente para conversarem comigo e me mostrarem meus enganos.
Anastácio fica pensativo por alguns instantes. Finalmente, como degustando a idéia, fala lentamente:
– Você disse uma coisa que só agora estou conseguindo perceber. A Verdade tem muitas facetas, uma para cada momento evolutivo.
– Exatamente! E é por não entendermos isto que geramos tanta discussão, tanta discórdia, tanta divisão.
Reflete um pouco e conclui:
– Eu não fui alteritária.
Autoritária?
– Não. Eu disse alteritária.
– Que é isso?
Marieta reflete por alguns segundos e explica:
– Ser alteritário significa ter uma relação fraterna e respeitosa com os que pensam diferente, ou são diferentes de nós. Entende?
Pensa um pouco, antes de concluir:
– Bezerra de Menezes disse que “A diversidade é uma realidade irremovível da seara espírita”. Quer dizer que nós precisamos construir a fraternidade nos meios espíritas, apesar das divergências, respeitando-as e procurando aprender com as diferentes opiniões.
Anastácio exclama, em tom de revolta:
Você diz, precisamos. Como, precisamos? Estamos mortos... desencarnados... perdemos a nossa chance.
Põe-se a chorar, em grande desespero. Jerônimo se aproxima:
– Calma, Anastácio, calma.
A música fica mais alta e Anastácio é novamente arrastado por aquela força, misturando-se aos demais. Uma hora mais tarde, quando ela pára, encosta-se na parede, arfante. Os outros se estendem no chão, exaustos. Após curto descanso Jerônimo e Marieta se aproximam.
– Por que você não é arrastado pela música, assim como nós outros? – Pergunta a Jerônimo.
– Porque sou o administrador. Pedi aos planos mais altos para permanecer mais tempo por aqui. Necessito muito de reflexão, de buscar a minha verdade interior, e aqui posso encontrar muitos exemplos que me ajudarão no futuro.
– E é nessa verdade interior – intervém Marieta – que está o real caminho da evolução.
Silencia por instantes, meditativa. Em seguida, continua:
– Nós, seres humanos, costumamos não aceitar aqueles que não se encaixam em nossos modelos e, com isso, cuidamos de perceber as diferenças deles como sendo defeitos.
– Você agora disse uma dura verdade – exclama Jerônimo. – Queremos sempre que os outros se guiem pelos nossos parâmetros, sem respeitar a sua individualidade, o seu momento evolutivo. Por que sempre pretendemos ser os donos da verdade?
Com leve sorriso nos lábios, Marieta responde:
– Porque somos vaidosos. E então ficamos tão atentos vigiando severamente a melhora dos outros que deixamos de lado a única tarefa que cabe exclusivamente a nós mesmos, o nosso próprio crescimento interior.
– Você tem toda razão – assevera Jerônimo. De modo geral, sentimos verdadeira necessidade de fiscalizar os atos alheios. Em nosso orgulho, acreditamos que as falhas deles diminuem o peso das nossas.
Com um suspiro, Marieta exclama:
– Quanto engano, meu Deus! Quanto engano vivenciamos na Terra; quantas máscaras usamos, tentando esconder nossa própria consciência!
Apontando, espantado, na direção do núcleo do forró, Anastácio exclama:
– Mas aquele ali não é o Onofre?
– É ele mesmo – confirma Jerônimo.
Anastácio está cada vez mais surpreendido, de uma surpresa muito desagradável. Finalmente, pergunta:
– Como é que pode? Um líder espírita tão importante? Que teria feito de tão grave assim?
Com meio sorriso nos lábios Jerônimo explica:
– Um líder espírita importante. Você disse tudo. Um líder espírita precisa entender que a sua vida, suas atitudes, ações e também omissões são exemplos que ele passa e que muitos irão guiar-se por eles. A responsabilidade de um líder é infinitamente maior.
Mas o Onofre sempre foi um bom exemplo, creio eu – retruca Anastácio.
– Engano seu. Ele era bom exemplo em muitos casos, em outros, não. Lembra aquela vez em que tentamos implantar reuniões voltadas à reforma interior, nos centros da nossa área de atuação?
– Lembro, sim. E essa reforma, ou esse crescimento, passaria a ser prioridade nesses centros. Também seriam implantados alguns recursos utilizados por Psicólogos e Terapeutas, inclusive oficinas, visando ajudar os participantes em sua evolução, mas o Onofre disse que essa não era função de uma instituição espírita; que não queria essas novidades e que bastava o estudo da codificação para alguém que pretendesse fazer a sua reforma interna.
– Sei disso. Lembro-me bem. Mas o que tem isso a ver...?
– O Onofre foi contra, não permitiu. E esse fato causou prejuízos evolutivos a todos nós e também aos centros que iriam participar.
– É verdade. E pensar que eu também fui contra.
– E, além disso, ele não soube construir um ambiente fraterno e alteritário nos centros que dirigiu. Era muito dado a críticas. Tudo ele criticava, desde as instituições até os companheiros de atividades. Nada escapava às suas cáusticas observações e isto gerava um ambiente pesado, um clima de hostilidade, inaceitável numa Casa espírita.
É... eu lembro. Mas você falou em alteritário. Já ouvi essa palavra, mas ainda não sei exatamente o que significa.
Jerônimo sorri amavelmente e, fitando Anastácio com certo carinho, explica:
– Vejamos você mesmo como exemplo de falta de alteridade. Você sempre primou pela pureza doutrinária. Não era tanto por amor à causa espírita, mas principalmente para poder impor seus pontos de vista. Lembra? Em nome da pureza doutrinária cometeu muitos erros. Proibiu aquela reunião de Evangelho com idosos, promovido pela Iracema, que era psicóloga, só porque ela estava inserindo práticas como o relaxamento e algumas atividades de integração entre os membros do grupo. Não se preocupou em analisar os benefícios do relaxamento, nem a importância da integração entre aqueles velhinhos. Também não valorizou o que é o mais importante para o espírita e para qualquer ser humano.
Anastácio olha de forma interrogadora para Jerônimo, que continua:
– O crescimento interior. Não é essa a meta primordial do Espiritismo? Alteridade é isso, meu caro. É ter disposição para aceitar e aprender com os que são e pensam diferente de nós. Nos meios espíritas admitir a diversidade de opiniões e práticas, desde, é claro, que não fujam aos princípios básicos do Espiritismo. A alteridade não impõe, ela respeita.
Anastácio senta no chão, baixa a cabeça e fica meditativo. Uma mulher, cuja beleza se oculta por trás das rugas e das roupas amarfanhadas, senta-se a seu lado, dizendo:
– Pensei que você fosse demorar mais na Terra.
Surpreendido, Anastácio exclama:
– Suzana? O que faz aqui? Você, que entre outras atividades foi Presidente da nossa Casa, aqui, neste asqueroso forró?
Suzana fica pensativa por instantes. Finalmente, olhando Anastácio nos olhos, diz:
– Por isso mesmo, Anastácio, por isso mesmo. Pelo cargo que eu ocupava deveria ter tido muito mais humildade, mais fraternidade. Eu tinha todos os ensinamentos de Jesus na ponta da língua, mas na hora de praticá-los... O que eu falava não era condizente com as minhas atitudes, principalmente aquelas mais internas, do pensamento, dos sentimentos.
– Mas eu acho isso injusto. Castigos tão horríveis como este, para culpas ou faltas tão pequenas.
Com uma pontinha de ironia na voz, Suzana responde:
– Isto aqui não é horrível, não, meu caro. Horrível é o que tem mais lá embaixo. Este aqui é o setor das faltas menores. Aqui, estagiamos a fim de podermos perceber as nuances de uma conduta não fraterna; pequenos detalhes que não quisemos observar quando encarnados. Aqui, adquirimos consciência dos muitos males que provocamos com nossas atitudes. Veja, por exemplo, o caso da Silvia.
Apontando para uma jovem, diz:
– Aquela ali, de blusa amarela, é a Silvia. Ela era do “Centro Jesus de Nazaré”. Quando a Maria Eulália, uma trabalhadora da Casa, mãe de cinco filhos, adoeceu gravemente, nenhum dos companheiros foi visitá-la. Muito menos colocar-se a disposição para ajudar no que fosse possível. Todos simplesmente ignoraram a situação difícil da companheira.
– E por que só a Silvia veio para cá?
– Calma, amigo! Os outros ainda não desencarnaram.
Numa voz na qual transparecia revolta, Anastácio replica:
– Não, não pode ser! Nunca ouvi dizer que alguém tenha sido atirado no Umbral, só porque deixou de visitar um companheiro doente.
– O problema não está no fato de não terem ido visitar Maria Eulália, mas na frieza que demonstraram com relação a uma companheira de atividade espírita. A Silvia também trabalhava na recepção, no centro. Ela recebia as pessoas com frieza, com certo ar de superioridade, quando deveria ser fraterna, acolher a todos com simpatia e calor humano.
– Você fala como se fosse fácil ser fraterno.
– Claro que não é fácil. Mas aqui eu tenho tido muito tempo para observar e refletir. E cheguei a uma conclusão interessante, que venho testando comigo mesma. E olha que os resultados são surpreendentes.
– Que conclusão é essa? – Pergunta Anastácio, curioso. Após instantes de silêncio, Suzana responde:
Reflita comigo. Os espíritas fazem palestras, ouvem palestras, lêem verdadeiras enxurradas de mensagens edificantes, de livros de teor evangélico, fazem reuniões de Evangelho... E se perdem nos muitos detalhes.
– Não estou entendendo.
Todo esse esforço não visa à reforma interior?
A um aceno positivo de Anastácio, Suzana continua:
Acontece que para a parte mais importante dessa reforma só é necessária uma única ação, que é básica, fundamental. Basta imprimir sempre em si mesmo, ou seja, desenvolver sempre um estado de espírito fraterno e contente.
Anastácio reflete um pouco e um leve sorriso vai tomando conta de seu rosto. Entusiasmado, exclama:
– Está aí uma coisa em que eu nunca tinha pensado. Se eu conseguir manter sempre um estado de espírito fraterno, não preciso me preocupar em me policiar, porque com sentimentos fraternos não vou praticar atos contrários às leis maiores. Meu Deus é uma coisa tão simples!
– Simples como as grandes verdades – exclama Suzana. – Digamos que você tem alguns valores negativos que deseja eliminar, como por exemplo: o orgulho, a vaidade, o desamor, a impaciência e a maledicência. Para conseguir algum resultado vai ter que estar sempre atento, policiando-se, para não praticar o orgulho, a vaidade, o desamor, a impaciência e a maledicência. Mas com a minha receita, basta você se ocupar apenas em desenvolver esses dois estados de espírito. Os resultados são muito mais amplos e profundos, porque você não combate os valores negativos, mas constrói os positivos, entende?
– Realmente – concorda Anastácio. Essa sua receita é um verdadeiro achado. Mas você falou em dois estados de espírito, a fraternidade e o contentamento. Por que este último?
O contentamento é um verdadeiro elixir de vida. É fundamental para o equilíbrio do ser humano, a sua saúde e bem-estar. Imagine uma pessoa fraterna, mas triste, depressiva, espalhando vibração pesada por onde passa. Para mim, Espiritismo é luz para a mente e amor e alegria para o coração. Isto dá plenitude ao ser.
– Realmente, é impressionante! Vejo você, neste horrível forró, demonstrando serenidade e até mesmo alegria.
Um enfermeiro que se aproxima, ouvindo as últimas palavras de Anastácio, explica:
– Este “horrível forró” como você diz, é coisa nova no mundo espiritual. Ele existe em variados modelos, principalmente nos umbrais do Brasil. É um recurso fundamental na transição do movimento espírita para um patamar mais elevado de consciência, para uma nova era.
Manoel e Marieta se aproximam, desejosos de aprender. Jerônimo faz as apresentações:
– Este é o Bernardo, o enfermeiro que dá assistência neste núcleo. Este aqui é o Anastácio, recém-chegado da Terra. Os outros já se conhecem.
Bernardo olha com ar afetuoso para Anastácio, informando:
– Este tipo de reduto, ou asqueroso forró, como você disse, também é conhecido como incubadora da alma. Aqui acontecem as grandes transformações, os grandes aprendizados.
– É isso mesmo – intervém Suzana. – Somos assim como as sementes que são enterradas no seio da terra para começarem a germinar. Estamos enterrados aqui, para começarmos a transmutar nossa natureza inferior em luz. Descemos a este inferno, como primeiro passo a nos conduzir a níveis mais elevados de consciência.
Cada vez mais surpreendido, Anastácio retruca:
– Não entendi.
– Aqui é aquele momento em que começamos a perceber, com maior clareza, a nossa própria essência. É quando passamos a sentir intensamente a necessidade de vivenciar a nossa verdade mais profunda, sem nenhuma sombra de hipocrisia, sem qualquer máscara, sem subterfúgios.
– Ainda não estou entendo direito.
Gentilmente Bernardo se põe a explicar:
– Os espíritas com menores cargas de erros ou faltas vêm estagiar aqui, para poderem aprofundar-se mais em si mesmos, vasculhar as suas razões mais profundas, descer até às profundezas da própria consciência em busca da verdade sem máscaras.
Estranhando, Anastácio pergunta:
– Verdade sem máscaras? E existe alguma verdade mascarada?
Soa um apito mais parecido a um assovio e Bernardo se apressa em sair, fazendo sinal a Jerônimo, que continua as explicações:
– As religiões cristãs criaram o sentimento de culpa nas pessoas, para melhor poderem dominá-las. Como a culpa é um sentimento desagradável, todos cuidam de cobri-la com máscaras as mais diversas, a fim de poderem sentir-se melhor.
Suzana quebra o breve silêncio que se fizera, explicando:
Aqui nos reunimos diariamente, assistidos por psicólogos. Eles nos ajudam a aceitar nossas inclinações negativas, como resultado natural das nossas longas elaborações reencarnatórias. Também nos auxiliam a nos auto-amar e, principalmente, a dinamizarmos nossos valores positivos. Isto é muito mais produtivo e ajuda a eliminar os sentimentos de culpa, que são muito prejudiciais.
– A ordem aqui – acrescenta Jerônimo – é o crescimento interior da criatura, e não o seu massacre sob o peso do carma. Nas nossas reuniões cada um fala de si mesmo, dos seus desacertos, quando na Terra, não para se culpar ou desculpar, mas para tentar entender melhor a si próprio.
E é interessante observar – continua Suzana – que a maioria dos novatos declara-se inocente. Pela ótica deles, são realmente almas puras. Mas aqui são induzidos a mergulhar fundo nas próprias consciências, a procura das razões profundas para os seus atos. Isto porque muitos atos ou atitudes até mesmo louváveis, quando são tiradas todas as máscaras, mostram intenções escusas como a vaidade, a sede de poder, o despeito, a egolatria e até mesmo a omissão, em nome de falsos valores. Veja o seu próprio caso, caro Anastácio. Nas poucas horas em que está aqui, já mudou muitas das suas convicções, não é verdade?
– É verdade – confirma Anastácio. – Nunca me passou pela cabeça que eu usava máscaras. Mas agora estou vendo que usava.
Após instantes de silêncio pergunta:
– E essa música estridente, desagradável, essa força que nos obriga a nos movimentar numa dança grotesca?
– São as forças latentes nesta faixa vibratória e a sua manifestação pode ocorrer de várias formas – explica Jerônimo. – Aqui é nessa dança grotesca, porque obrigatória, onde os presentes vão gastando determinadas energias que precisam eliminar.
E tomando ares de quem vai falar algo importante, continua:
– Contam que no final do século XX, num memorável encontro no mundo espiritual, Bezerra de Menezes lançou as diretrizes para o terceiro período do Espiritismo, que se iniciou com o novo século. Esse deverá ser o período da ATITUDE, ou seja, a fraternidade e a alteridade, na prática, não apenas nas palavras.
Silenciou por instantes, continuando:
– É bem fácil observar como vem surgindo nos meios espíritas, embora de forma ainda muito tímida, uma nova mentalidade; grupos e pessoas muito preocupados com a evolução espiritual da comunidade e procurando meios que ajudem as pessoas nesse sentido. E aqui podemos dizer que é uma das salas da escola dos futuros espíritas, daqueles que decidirem engajar-se na construção da nova humanidade.
Com simpático sorriso Suzana esclarece:
– E olha que essa construção não é trabalho apenas para os espíritas. No mundo todo vem surgindo movimentos buscando mais fraternidade e alteridade em todos os relacionamentos.
Impressionado, Anastácio pergunta:
– E a prática da caridade... Onde fica?
– Fazer caridade pode ser merecimento, mas o mais importante é cuidar da evolução – responde Suzana, continuando em tom brincalhão:
– Não tem muito espírita que acha que fazendo caridade está ganhando bônus-hora e garantindo um espaço em Nosso Lar? Caridade é uma coisa, evolução é outra, entende? Na Terra, nos meios espíritas, pela grande dificuldade que representa a reforma interior, a maioria acaba substituindo-a por ações caritativas. Mas não é a mesma coisa. A nossa evolução não decola se não buscarmos, por todos os meios, a vivência dos valores ou dos conteúdos espíritas, transformando discurso em atitudes. Assim, a caridade que fizermos, será movida pelo amor.
– Só que transformar discurso em atitudes é justamente o mais difícil – retruca Anastácio.
Jerônimo interfere:
– Não é tão difícil assim – já se esqueceu da receita da Suzana?
– É verdade. Havia me esquecido. Como é mesmo?
– A receita básica é simples. Você precisa se preocupar apenas com uma única ação: estabelecer sempre em si mesmo, nos seus estados de espírito, o contentamento e a fraternidade. Depois, vai acrescentando outros valores relacionados ao conhecimento, à sabedoria etc.
Jerônimo olha intencionalmente para Suzana que balança a cabeça afirmativamente. Pensa um pouco, como a procurar as palavras e dirigindo-se a Anastácio, diz:
– A Suzana e eu estamos elaborando uma espécie de agenda mínima, que pretendemos repassar para os nossos irmãos reencarnados. Nessa agenda, seguindo orientações do Dr. Bezerra, vamos colocar os pontos principais a serem observados por quem deseja realmente evoluir.
– Nós acreditamos que um dos grandes entraves em nossa evolução – explica Suzana – está no fato de os valores negativos a serem transmutados em positivos são tantos, e multiplicarem-se em tantas nuances e detalhes que acabamos nos perdendo em meio a tudo isso. Mas se organizarmos uma agenda mínima com os pontos mais importantes, estaremos trabalhando o cerne da questão. Assim, fixando-nos em apenas quatro ou cinco pontos, será muito mais fácil cumprirmos um roteiro evolutivo que irá alavancar nosso crescimento interior, de forma bem mais segura e proveitosa.
Anastácio estava alegremente surpreendido. Sempre encontrara grandes dificuldades para transmutar valores negativos em positivos. Refletiu um pouco e comentou em tom triste:
– Se eu tivesse tido acesso a esse tipo de idéias, a essa agenda mínima de que vocês falam, certamente não teria vindo para este horrível lugar.
Silenciou por instantes e continuou:
– Nos últimos anos, venho desenvolvendo uma teoria que vem ao encontro do que vocês disseram. Tenho observado que o grande vilão da nossa evolução é a memória, ou melhor, a falta dela. Sempre que nos decidimos a proceder de tal ou qual maneira, em consonância com os ensinamentos do Evangelho e os ditames da consciência, só percebemos que falhamos depois da palavra dita, da emoção sentida ou do ato praticado. Aí é tarde. Mas se, de acordo com a idéia de vocês, pudermos memorizar os pontos fundamentais...
– Olha só Jerônimo – exclama Suzana, entusiasmada. Isso da memorização de que fala o Anastácio vem complementar nossa idéia. Observe só a importância disso! Com uma agenda mínima, com apenas quatro ou cinco pontos fundamentais, será bem fácil criar procedimentos que ajudem a gerar memória; que ajam como lembretes.
– É isso mesmo! – Diz Jerônimo, sorridente. E dirigindo-se a Anastácio:
– Podemos “roubar” sua idéia?
– Claro que podem. Será um grande prazer para mim, poder contribuir com algo tão fundamental para a nossa evolução.
– E o melhor – conclui Jerônimo, exultante – é que vamos levar em breve essa agenda mínima para os reencarnados. Já está tudo mais ou menos acertado.
– E você vai colaborar conosco – afirma Suzana.
Antes que Anastácio possa dizer algo, Bernardo se aproxima e o segura pelo braço, dizendo gentilmente:
– Vem. Quero mostrar-lhe algo.
Aproximam-se de uma espécie de janela e Bernardo pergunta:
– Está vendo aquele pavilhão?
– Sim, estou vendo...
– É um pavilhão hospitalar – explica Bernardo,
Estranhando, Anastácio comenta:]
– Tenho a impressão de que estão olhando para mim, como se eu pudesse ajudá-los.
– Não estranhe Anastácio – diz Jerônimo. – Estes doentes são apenas parte daqueles que deixaram de ser atendidos, por sua culpa.
Muito surpreendido e com uma pontinha de azedume, Anastácio retruca:
– Por minha culpa? Só pode ser engano. Eu sempre procurei ser um bom espírita. Bem... quero dizer, eu dediquei a minha vida inteira ao Espiritismo e, principalmente, à doutrinação de espíritos sofredores.
– Isso é verdade – confirma Bernardo. – Mas a sua tarefa sofreu muitos prejuízos por causa da sua vaidade e orgulho.
Anastácio abre a boca para retrucar mas se cala, enquanto Bernardo continua:
– Sim, Anastácio. Sou eu o enfermeiro que conduz os espíritos doentes ao socorro mediúnico no Centro onde você trabalhava. Os doentes deste pavilhão deveriam ter sido socorridos no grupo que se desfez, em razão de sua vaidade e falta de fraternidade.
Num impulso indignado, Anastácio exclama:
– Mas eu não sou vaidoso.
– É sim, meu caro – afirma o enfermeiro. – Você foi sempre considerado o melhor doutrinador da casa e essa idéia lhe subiu à cabeça. No início, quando entrava na sala das reuniões suas vibrações eram de amor e desejo de ajudar. Mas aos poucos foi se empolgando com a admiração que sua doutrinação provocava em algumas pessoas e em si mesmo. E aí, quando entrava na sala, já não tinha mais aquela vibração de amor, de afeto. Você só ficava pensando em como falaria em tais e quais situações. Seu pensamento, em vez de buscar o Alto, ficava girando em torno dos temas brilhantes da doutrinação e, como você era o principal responsável pelo grupo, este começou a decair, até que se extinguiu. Se você e o grupo tivessem se empenhado profundamente na reforma interior, na construção de atitudes verdadeiramente fraternas...
Anastácio baixa a cabeça, angustiado. Após alguns instantes murmura:
– Meu Deus! Eu que li tantos depoimentos de espíritos que esperavam ser recebidos com honras no mundo espiritual, mas se deparavam com realidades amargas... Nunca pensei em me ver numa situação como esta. Oh, arrependimento profundo... como machuca! Ah, se eu pudesse voltar à vida! se pudesse...
Atira-se de joelhos, baixa a cabeça e balbucia com humildade:
– Meu Deus, tem piedade de mim! Tem piedade de mim! Tem piedade de mim!
Com o rosto molhado de pranto repete, angustiado:
– Tem piedade de mim! Me deixa voltar a viver... Ah, meu Deus, me ajuda! Me ajuda! Tem piedade de mim!
Anastácio sente-se sacudido por mãos invisíveis. Já não vê o enfermeiro nem o ambiente onde estivera. Em meio ao nevoeiro formado pelas lágrimas, vê o rosto da esposa e percebe que é ela quem o sacode, enquanto diz:
– Anastácio! Acorda! Para com isso. Você está chorando... Deve ter sido algum pesadelo terrível...
Anastácio custa a entender que estivera sonhando. A esposa procura confortá-lo:
– Calma, querido, você teve um sonho mau. Foi só um sonho mau.
– Sonho mau – repete automaticamente.
Já completamente acordado, levanta-se de um pulo e começa a rir e a chorar ao mesmo tempo.
– Sonho mau? – Pergunta num rompante. Foi o melhor sonho que já tive... O mais importante!! O mais importante de todos!
Ajoelha-se novamente e, ante o espanto da esposa, levanta o rosto e as mãos para o alto, exclamando:
– Obrigado, meu Deus... Obrigado... Obrigado...
Mais calmo, comenta:
– Agenda Mínima Espírita... Como será que vai chegar?

****************************************

Esta editora vem desenvolvendo projetos voltados à divulgação do Espiritismo para o público externo, à evolução espiritual da comunidade espírita e ao crescimento interior das pessoas, com os seguintes materiais:.

LIVROS:

Nós e o Mundo Espiritual – Tudo sobre Espiritismo e assuntos correlatos. (tam. 10 x 14 cm. e 170 pág.) É vendido a preço de custo.

Crescimento Interior (Tam. 14 x 21 cm. e 110 pág.) Também a preço de custo.

OPÚSCULOS, distribuídos gratuitamente a alguns segmentos do movimento espírita:

Conclave de Líderes Espíritas (Tam. 10 x 14 cm. e 52 pág.)

Atitudes de Amor (Tam. 10 x 14 cm. e 52 pág.)

Um Forró no Umbral (Adaptado da peça teatral...) (Tam. 10 x 14 cm. e 50 pág.)

Visite o site Mundo Espiritual.